Um dos assuntos mais discutidos pelos acadêmicos de jornalismo é o espetáculo diário produzido pelos meios de comunicação. As aulas geralmente rendem boas discussões. Hoje, vou cobrar na última avaliação do semestre um pouco do aprendizado obtido nesses debates. A prova já está pronta, mas confesso que me senti tentado a mudá-la.
Ao assistir uma reportagem do Fantástico, reproduzida no blog do Daniel Castro, vi ali um exemplo claro da tentativa de seduzir o público, assegurar a audiência.
Como é sabido, o programa sofre uma crise sem precedentes. A audiência nunca esteve tão fragilizada. Um dos poucos momentos em que isto ocorrera foi durante a exibição da primeira versão de Casa dos Artistas (SBT).
Meio sem rumo, o Fantástico atira para todos os lados. Ontem, apostou na popularidade e beleza de Flávia Alessandra.
É inegável, a atriz é belíssima e talentosa. Entretanto, a reportagem só se justificou pela necessidade de garantir a audiência dos marmanjos e provocar a inveja das mulheres. Nesses casos, elas negam, mas não resistem a tentação de procurar entender o que chama atenção dos homens.
Com alguns depoimentos sobre Flávia Alessandra e uma entrevista feita por Zeca Camargo com a atriz, a reportagem ficou no ar por mais de cinco minutos mostrando cenas dela como a personagem Alzira, de Duas Caras. Claro, as mais apelativas: Alzira na boate fazendo pole dance. Enquanto Zeca conversava com Flávia Alessandra, também imagens de sua sessão fotográfica para a Playboy eram apresentadas ao telespectador. Segundo contas do Daniel Castro, duas vezes os seios da atriz foram mostrados na reportagem.
Desrespeito ao público? Depende. Entendo que quem se sente desrespeitado tem o mais poderoso instrumento nas mãos, o controle remoto.
Alguns também diriam, nada de jornalismo; tudo de espetáculo e sensacionalismo. Sob o ponto de vista de produção de conhecimento, concordo plenamente. Porém, na lógica de mercado que domina os meios de comunicação, é preciso reconhecer: foi só mais uma estratégia, uma aposta para garantir a audiência. Lamentável, mas comum entre as mídias.
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