Os avós têm direito de participarem da vida dos netos. Devem fazer isso. Mas até que ponto devem opinar na educação deles? Não há uma resposta pronta para tal questionamento. Mas o assunto carece ser melhor debatido e, principalmente, refletido dentro das famílias.
Esta semana soube de uma história que motivou um bom diálogo lá em casa. Vou compartilhar o fato.
Dia desses, um casal de amigos foi visitar a filha. Ela é casada e tem uma garotinha de dois anos. A pequena é a paixão dos avós. É tudo para eles. Mas a menina é elétrica, daquelas crianças que precisam de paciência, orientação adequada, disciplina e correção para terem um desenvolvimento saudável.
Pois bem, após o almoço, a família estava reunida. E a garotinha resolveu dar seu showzinho. Normal, afinal é criança. Mas também é natural, numa situação como essa, que os pais interfiram. Entretanto, a avó foi a primeira a tentar justificar as reações da menina. Como se sabe, quando isto acontece, a situação fica um pouco mais difícil de ser administrada. Afinal, a criança ganhou um apoio. Nesse caso, seu “advogado” era nada menos que a mãe de sua mãe. Embora ainda “inocentes”, esses baixinhos não são nada bobos. Ainda assim, aquela jovem foi firme. Cumpriu seu papel. Corrigiu a pequena. Ou, pelo menos, tentou.
A avó, que já tinha feito bobagem, ganhou um aliado: o marido – no caso, o avô da criança. Aquele homem brigou com a filha por esta ter disciplinado sua neta. Resultado? Confusão. Das grandes. E agora está todo mundo magoado.
Comportamento desastroso. Porém, muito comum. Não são raras os desencontros familiares por causa de netos. Muita gente fala que “vó estraga os netos”. Acho a constatação um tanto exagerada. Mas tem um fundo de verdade. Elas geralmente são mais tolerantes com as crianças. Já passaram pela fase de serem pais, arrependeram-se de determinadas atitudes que tiveram no passado e estão naquela fase de acharem tudo bonitinho.
Não há problema em ter mais paciência. Essa capacidade de entender algumas atitudes das crianças é dada pela experiência, pela capacidade de relevar pequenos gestos. Entretanto, alguns avós parecem se tornarem infantis na relação com os filhos. Ignoram que podem ser conselheiros, mas já não ocupam a função de educadores. Toda vez que interferem no processo de educação dos netos desconstroem os alicerces lançados pelos pais no dia a dia com seus filhos.
Vô e vó não são pais de seus netos. Quando uma mãe corrige a criança, ainda que esteja errada, os avós devem se silenciar. Do contrário, tiram a autoridade dela como educadora. Como disse, os pequenos são espertos. Eles sabem explorar as brechas deixadas no processo disciplinar. Recordo que meus filhos sempre foram mais atrevidos – e até hoje são – quando meus pais ou sogros estão por perto. A garotada percebe que, se aprontar, terá menos chance de ser corrigida.
Entendo como fundamental a participação dos avós da vida dos netos. São boas referências. Necessárias. Mas devem aprender a se silenciarem quando o assunto for disciplina. Um conselho aos filhos (agora, pais), num momento de diálogo – com calma e tranqüilidade – será bem-vindo. Nada mais que isto. Qualquer situação diferente desta, pode colocar em risco a formação das crianças.