Somos todos diferentes. Até podemos combinar numa coisa ou outra. Entretanto, sempre guardaremos características que nos diferenciam. Não importa se vivemos na mesma época, se tivemos as mesmas condições sociais, estrutura familiar semelhante… Não importa. Nem gêmeos sentem, pensam e agem da mesma maneira. Em nosso interior, sempre haverá um ponto, ainda que minúsculo, que nos faz indivíduos únicos no mundo. 

Num relacionamento, muitas vezes há a expectativa de quem as pessoas envolvidas se amem na mesma intensidade; ou que possuam comportamentos que expressem igualmente aquele sentimento. Engana-se, no entanto, quem acredita que as pessoas amam igual. Ninguém ama igual ao outro. Somos diferentes, como disse. Não é só pela constituição psicólogica, psiquíca. Há várias questões envolvidas na constituição do ser que o motivam a verbalizar e sentir o amor de forma distinta do outro. 

Conheço pessoas que costumam dizer: "Tenho medo desse sentimento. Às vezes, pareço que não amo de verdade". A primeira coisa que me vem à mente nessas situações não é uma resposta, mas sim uma outra pergunta: "Afinal, o que é o amor?". Será que sabemos caracterizar esse sentimento? 

Não é incomum encontrarmos casais que se amam. Porém, uma das partes se envolve mais, exterioriza constantemente o sentimento, revela em pequenos gestos cotidianos aquele sentimento que vai no peito. Já a outra parte é um pouco menos sensível, deixa-se ser amada mas não consegue ser carinhosa com tanta frequência. Significa que não ama? De forma alguma. Talvez seria capaz até de se sacrificar pelo outro, mas seu jeito de ser se revela numa forma mais contida de amar.

O ser humano é assim. Somos diferentes, contraditórios. Entender as diferenças é o primeiro passo para respeitar os sentimentos e preservar a relação. É fundamental não se acomodar e dizer: "sou assim mesmo; é assim que sempre vou ser". Tentar corresponder a expectativa do parceiro ou da parceira no jeito de amar, é um passo importante para fazer o romance permanecer vivo. Por outro lado, compreender as diferenças e até mesmo a maneira mais contida – ou menos sensível – de amar da outra pessoa ajuda a preservar os sentimentos e ameniza o sofrimento que se cria por alimentar expectativas distorcidas do que é o amor.