BBB 11, Veríssimo e a internet

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Tenho repetido que a internet é terra de ninguém. Ambiente próprio para que verdades e mentiras circulem com a mesma autoridade. Gente famosa, conhecida divide espaço com milhares, milhões de anônimos que também ganham status de produtores de conteúdo. Todos podem consumir informações, dar ou compartilhar notícias.

Hoje, Arnaldo Jabor comentou na CBN que a internet é uma criação mais significativa que a própria imprensa. Tomando como exemplo os conflitos no Egito, ele tratava disso no contexto das revoluções que têm sido possíveis em função das redes sociais.

Concordo que a internet é revolucionária. Porém, como pontuei no primeiro parágrafo, é terra de ninguém. Pessoas dotadas de inteligência e responsabilidade circulam por aqui ao lado de outras tantas sem nenhum compromisso. Apenas com a ousadia e/ou coragem permitidas pelo anonimato ou por contarem com a precipitação alheia que transforma boatos em verdades absolutas.

Ainda nesta manhã lia um suposto texto de Luís Fernando Veríssimo. Nele, o cronista e escritor simplesmente desconstruía o BBB 11. Por sinal, há vários argumentos interessantes no tal artigo. Entretanto, embora não seja especialista em Veríssimo, estranhei o estilo e, como aprendi a desconfiar de tudo que circula na rede, pesquisei o famigerado texto.

Como supunha, nada prova que seja do Veríssimo verdadeiro, o gaúcho, autor premiado e colunista de grandes jornais. Além disso, quem faz circular o artigo tratou de atualizá-lo, já que uma versão semelhante circula desde os tempos do BBB 10.

Na prática, a situação só reforça minhas crenças que a gente precisa ter um pouco mais de bom senso e desconfiança com o que vê ou com o que é falado na internet. Não é por que um texto vem assinado como do Jabour, do Veríssimo, do Alexandre Garcia ou seja lá quem for que vamos sair por aí afirmando: viu o que fulano escreveu? Reproduzindo algo que pode não passar de mais uma tremenda bobagem.

Ainda há pouco, apontei que há argumentos interessantes nesse texto. Porém, o “artigo” perde autoridade por seu autor simplesmente não ter a capacidade de assiná-lo, de dizer quem é. Lamentável.

Cá com meus botões, penso que não é preciso ser um Veríssimo para questionar os valores – ou a falta deles – no Big Brother. E, convenhamos, também não será o Veríssimo ou outro intelectual famoso que vai levar o povo a deixar de ver o programa global.

Na segunda, uma música

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Gosto dos Titãs. Mas, como não sou grande ouvinte de música, tem muita coisa da banda que nunca ouvi. Nesse fim de semana, descobri uma canção até então desconhecida. Pelo menos, pra mim. Não sei se fez sucesso… se não. “Antes de você” faz parte do album “Sacos plásticos”, de 2009. Quero compartilhar. Vale ouvir.

Quando o silêncio fala mais alto

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Há momentos em que tudo que se deseja é não “ouvir a voz” do silêncio. Desejamos respostas. Sempre. Nos inquietamos, ficamos ansiosos. Os momentos não passam. O tic-tac do relógio, infinito por sua própria natureza, parece ainda mais nítido e arrastado.

A vida, feita de bons e maus momentos, reserva-nos ocasiões em que as respostas estão ali, prontas. Às vezes, nem é preciso ter atenção. Noutras situações, é necessário estar mais atento para encontrá-las. Mas existem momentos em que só se encontra o vazio, o silêncio.

O silêncio pode estar na ausência de uma palavra esperada, desejada. A alma reclama por um simples “sim”, mas ele insiste em não vir. O silêncio pode estar na ausência do divino, que parece não ouvir uma prece.

Quando isso acontece nada mais resta a não ser esperar. Esperar pode ser doloroso. Mas vale acreditar na máxima de que “isso também vai passar” – inclusive o silêncio. E, no final, tudo vai dar certo.

A ganância que nos move

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Região afetada pelos temporais que assolaram cidades do Rio

Não tenho acompanhado com frequência o noticiário que envolve o Rio de Janeiro – em especial, no que diz respeito as chuvas que provocaram centenas de mortes e prejuízos milionários aquele Estado. Claro, como todo mundo, fiquei triste e comovido com o drama de tanta gente. Afinal, o que na tela da TV é um grande espetáculo – dramático, é verdade -, na vida real, representa a dor de pessoas que tiveram seus planos, projetos e sonhos interrompidos.

Entretanto, o que assusta e revolta é a sequência desse drama da vida real. A exploração da desgraça. Com a gente sabe, o governo criou mecanismos para amenizar as perdas de quem teve casa, móveis e tudo mais levados pelas chuvas. O aluguel estaria sendo garantido pelo Estado. Acontece que, em função da demanda por imóveis, o preço subiu. E muito.

E tem mais… Tem gente se aproveitando da situação, tentando se passar por outras pessoas, para ter acesso aos recursos do governo. São pessoas que não sofreram diretamente as consequências dos temporais, mas querem ganhar um “dinheirinho fácil”.

Pode? Poder não pode, mas faz parte da nossa cultura corrupta e marginal. Tanto a primeira situação (que tem relação direta com a lógica do capital) quanto a segunda (safadeza mesmo) estão diretamente ligadas a um único fator: ganância.

Bloqueio do Twitter: censura no século 21

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Um dos assuntos em destaque na mídia mundial é o bloqueio do Twitter pelo governo egípcio. Não se trata apenas de uma tentativa de censura. É a prática dessa ação histórica de silenciar os opositores. Desde que existe informação, existem tentativas – muitas, bem sucedidas – de calar a denúncia e até mesmo as críticas.

No Egito, vive-se um momento de agitação. Num contexto de ditadura, luta-se pelo direito de se expressar livremente. Mais que isso, de poder manifestar-se contrário . Mas as autoridades que já bloquearam o Twitter, também prometem prender que sair às ruas pra se manifestar. Protestos e até mesmo caminhadas públicas estão proibidos. Apesar disso, oposicionistas encontram formas de mobilizar a sociedade através das redes sociais e prometem enfrentar o governo.

É mesmo um novo tempo; um novo momento em que – apesar dos riscos, ameaças e até perseguições empreendidas por autoridades – as pessoas garantem eco às suas insatisfações. Porém, junto com isso, com as possibilidades de ter vez e voz asseguradas pelas redes sociais, seguem os riscos de não sabermos utilizar ferramentas tão preciosas.

Por aqui, como apontou uma reportagem da Época, muita gente segue tendo problemas por falar demais no Twitter. Ou seja, é o outro lado da história. Enquanto se garante o direito de se fazer ouvido, perde-se a privacidade; ou simplesmente a noção do que é de bom-senso e apropriado para ser compartilhado.

Não, este blog não é do Ronaldo

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Ok. O blog é do Ronaldo. Mas não do Fenômeno. E sim do Nezo. Acho que tem gente que não sabe ler. Afinal, já escrevi por aqui uma vez, mas vou repetir: na internet tem muito analfabeto. Só pode. Os caras passam por aqui, deixam comentários como se a página fosse do atacante do Corinthians. Será que não viram sequer a foto aí do lado?

Com todo respeito às pessoas que falam comigo como se eu fosse o Fenômeno, mas já é demais deixar até receitinha pra emagrecer. Desculpa aí. Não é pra ofender, mas será que é tão complicado identificar o autor/responsável pelo blog?

PS- Acho que a origem do problema está aqui(leia o texto no link).

De volta ao trabalho… agora, na faculdade

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Já estou de volta ao trabalho na faculdade. Muita coisa pra fazer. Além do básico – planos de ensino, projetos etc -, recebi da coordenação do curso a missão de auxiliar em algumas questões burocráticas e pedagógicas.

Ontem, aproveitei para tirar algumas dúvidas. Enquanto estava de férias, fora da cidade, foram divulgados alguns números sobre as instituições de ensino superior de Maringá. Alguns desses dados me deixaram confuso. Afinal, no final do ano, comemorávamos na Faculdade Maringá a nota 4 no Enade, para o Jornalismo, e o 4 da avaliação institucional feita pelo MEC. Como vi 2, 3… e até fui questionado sobre esses números, procurei checar os dados.

Felizmente, confirmei o que já imaginava. Números são números. Podem ser usados para o bem ou para o mal. No caso da faculdade e do curso em que leciono, de fato, temos um duplo 4. Quatro na avaliação institucional; quatro no Enade. O 3 do Jornalismo, divulgado como sendo do Enade, era de outro indicador. E ainda se referia ao ano de 2009. E não era de 2010.

Bom, mas isso pouco importa… Conheço a faculdade, professores, direção e sei do compromisso com o ensino. E é isso que me dá tranquilidade para honrar o título de professor – ou educador, conceito que me parece mais amplo.

Oscar: Natalie está entre as indicadas

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Curto cinema, mas não a ponto de colecionar filmes. Nem mesmo chego a ver um filme por semana. Entretanto, talvez seja uma das poucas coisas que ainda paro para assistir na televisão – seja por um canal de TV ou no DVD.

Ainda assim, fico curioso com a lista dos indicados ao Oscar. Apesar de toda política que envolve a academia, a premiação é mais ou menos um termômetro de certas tendências e também da qualidade das obras.

Ela já levou o Globo de Ouro

Neste ano, torcia por ver entre os concorrentes a atriz Natalie Portman. Embora jovem, a americana – filha de um israelense – tem um belo currículo. Mas, além de grande intérprete, faz parte da lista das atrizes intelectuais de Hollywood. Psicóloga, formada em Harvard, Natalie geralmente se entrega aos trabalhos dos quais participa. Quase sempre, vale a pena vê-la na telona.

Ah… e ela está na lista das concorrentes a “melhor atriz”. Sua indicação veio depois de brilhar em Cisne Negro. A entrega das estatuetas será no dia 27 de fevereiro.

O preço da vitória

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É verdade que algumas pessoas conseguem as coisas quase de graça. Com facilidade. Sem esforço algum. Entretanto, a maioria dos casos de sucesso, em diferentes empreendimentos, é resultado de muita dedicação, empenho.

Pensava nisto depois de ouvir o relato de uma conhecida que, durante três ou quatro meses, fez um tratamento para emagrecer. Ela gastou uma pequena fortuna. Ele não, o marido. Os primeiros resultados foram ótimos, impressionantes. Ela estava feliz da vida. Entretanto, todo o procedimento era a base de medicamento. Quando parou de usar o remédio, voltou a engordar. E ganhou ainda mais peso.

Outro dia ouvi um atleta dizer que as dores fazem parte do dia a dia de quem pratica esportes. A dor é companheira do atleta. Se for evitada, o desempenho cai. Ele deixa de ser competitivo, pois o sofrimento físico é consequência da repetição de exercícios, de atividades necessárias para seu aperfeiçoamento.

Na verdade, seja para perder peso, vencer uma competição ou ser feliz num relacionamento, sempre será necessário esforçar-se. Ninguém chega ao topo sem vencer as barreiras que existem no caminho. Não há vencedor sem suor, lágrimas e dor. A diferença entre alguém que conquista um sonho e outro que nunca o alcança muitas vezes está no grau de dedicação, na disposição que há de se pagar o preço.

Na segunda, uma música

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Não acompanho a carreira desta artista. Mas, vez ou outra, ouço algumas de suas músicas. E geralmente, gosto. Tempos atrás, enquanto cortava os cabelos, o rádio estava ligado e uma das músicas que me chamou a atenção foi “Tudo sobre você”. Trata-se de uma das canções do disco “Pelo sabor do gesto”, de Zélia Duncan.

No vídeo, a artista canta acompanhada apenas pelo violão. Pra quem curte… a música desta segunda-feira.

Antes de mais nada… obrigado!

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Estou de volta ao trabalho… É bom retornar. Amo férias. Mas não vivo sem a loucura diária de muitas horas de trabalho. Preciso disto. É como se fizesse parte do meu “fôlego de vida”.

Só não agradou chegar à CBN Maringá e encontrá-la fora do ar. De novo, a bandidagem nos tirou do ar. Levaram os cabos elétricos dos transmissores. Prejuízo duplo – dos equipamentos que precisam ser repostos e da programação, que fica afetada.

Mas vamos em frente… Aos poucos, colocando a “casa em ordem”. Obrigado aos amigos que sempre passam por aqui.

Amor, o outro e o livre arbítrio

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Não temos controle do tempo. Não controlamos nosso futuro. Não temos o controle do outro. Logo, a vida sempre poderá nos surpreender.

Semana passada, publiquei aqui sobre os planos que temos. Falei que muitas vezes nos tornamos reféns de nossos projetos e deixamos de viver. Perdemos a chance de celebrar cada momento e, por consequência, de sermos felizes.

Algo que pode ser frustrante é nossa incapacidade de fazer as pessoas nos amarem. Recordo agora do filme “Todo Poderoso”. Nele, Deus entrega a um homem todos os seus poderes. O personagem do ator americano Jim Carrey, o repórter Bruce Nolan, ganha do próprio Deus a chance de se tornar o “todo poderoso”. Quando Deus dá as últimas recomendações a Bruce, o alerta que ele pode tudo, menos tocar no livre arbítrio do ser humano. Ou seja, a escolha sempre será dos indivíduos. E é justamente essa incapacidade que fragiliza o “deus” Bruce. Ela quer fazer que sua namorada volte a amá-lo, mas não pode, não consegue.

Sabe, quando um amor não é correspondido, muitas vezes a pessoa gostaria de ter o poder de controlar os sentimentos do outro. No ambiente de trabalho, que bom seria se todos os colegas nos admirassem… Na escola, fantástico seria, para o professor, ter a aprovação de todos os alunos… Ou, para o aluno, ser o queridinho da professora. Mas não é assim. Sempre seremos amados e odiados; desejados ou rejeitados.

Resta-nos reconhecer que essa é beleza da vida. Faz-nos entender nossos limites. Se o próprio Deus respeita o livre arbítrio dos homens, cabe a nós aceitar que nem todos vão reagir diante de nós como gostaríamos. Quando compreendemos isso nos sentimos livres; cuidamos mais de nós mesmos e nos preocupamos menos com o que os outros pensam ou sentem a nosso respeito.

No texto, revelações e segredos

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Tenho prazer de escrever. Recordo que, quando voltei para o rádio, aceitando o convite da CBN, minha maior luta interior era justamente em função de ter de abrir mão da rotina diária da escrita. Por isso mesmo, procurei manter o blog. Muito mais como um exercício de uma arte que amo que pela preocupação em dar notícias.

Apesar disso, gosto quando alguém comenta a respeito dos meus textos. Ainda que não escreva primeiro para o leitor, é bom saber quando agrado. Mais que um reconhecimento, serve de estímulo. Ou seja, é gostoso. Quem não gosta de elogios?

Os textos costumam dizer muito sobre o autor. Podem não ser totalmente reveladores, mas dão pistas sobre quem os escreve. Por isso, achei graça no recente comentário feito por uma amiga. Ela disse:

- Tenho duas sensações quando leio seu blog. A primeira, de estar num ambiente completamente conhecido. A segunda, de encontrar um autor que se revela e ao mesmo tempo guarda mistério, num jogo quase impossível de ser desvendado.

Bem, não sei até que ponto ela tem razão. No entanto, essa é justamente a maior beleza da relação autor-leitor. Por mais que vivenciamos a obra de alguém, tanto a obra quanto seu autor sempre irão nos permitir a chance de uma nova leitura.

Culpar o outro não produz crescimento

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Dia desses estava na igreja e ouvi o toque de um celular bem perto de mim. Impossível não dar aquela olhadela geral para os lados à procura do responsável. Embora já não seja incomum o ruído desses aparelhinhos em igrejas, teatros etc, ainda me surpreendo com o hábito de alguns deixarem seus telefones ligados.

Mas o que mais chamou minha atenção foi o comentário do cidadão, dono do celular. Rapidamente, ele fez algo que já comentei aqui: transferiu a responsabilidade pelo incômodo barulho para a mulher. Simples assim. O telefone estava ligado; ela era a culpada. Afinal, ela – não ele – tinha esquecido de colocar no vibra. Detalhe, o aparelho estava no bolso dele.

Enquanto o escutava chamar a atenção dela, por ter esquecido de tirar o som do celular, pensava nesse nosso hábito de não assumir os erros. A gente sempre justifica. Ele falava:

- Você esquece o celular ligado. Me faz passar vergonha.

Eu pensava… Seria tão mais simples silenciar-se, aprender com o erro e tentar não repeti-lo. Transferir para o outro nunca ajuda. Só diminui nossa sensação de culpa.

Afinal, para quê servem os livros?

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Imagem externa da Biblioteca de Alexandria

Estive na Biblioteca Municipal na última sexta-feira. Foi a primeira vez que entrei ali. Antes, não havia passado da recepção. Fiquei triste com o que vi. Como amante dos livros, entendo que bibliotecas devem ser espaços que respeitem o leitor, sua paixão pela leitura e, principalmente, as obras escritas. Nada ali lembra os ambientes já ultrapassados, mas ainda assim mais adequados, que frequentei semanalmente durante toda minha infância, adolescência e juventude.

A Biblioteca Bento Munhoz da Rocha é velha. Decadente. Cheira mofo. Por mais arte que ali exista, não transpira cultura. Muito menos estimula o retorno.

É um local impróprio para os livros, freqüentadores e até mesmo para os servidores que ali trabalham. Por falar neles, não há o que reclamar do atendimento. Gentileza e atenção fizeram parte do comportamento das pessoas com as quais falei. Mas o prédio é um lixo. Prateleiras, mesas… tudo antigo. Até os livros, já que há muito tempo não se renova o acervo. Aqui é preciso ressaltar que a administração municipal não pode ser totalmente responsabilizada. Uma verba de R$ 60 mil foi destinada à compra de livros. Mas, por mais de uma vez, ninguém se interessou em vender para o município.

Vista interna da biblioteca da Universidade de Yale (EUA)

A principal biblioteca de Maringá deveria estar noutro lugar. Deveria, mas não está. O governo municipal até esboçou tentativas de transferi-la para outro prédio. Seria alugado. Entretanto, a necessidade de reforma – que custaria R$ 1,5 milhão – enterrou o projeto. Assim, os livros continuam à espera do anunciado centro cultural que deverá ser erguido junto com o prédio que deverá ocupar o terreno da antiga rodoviária. É coisa para anos. Infelizmente.

Ainda mais lamentável é o fato de que não há muito o que fazer além de esperar. Livros, bibliotecas, espaços culturais etc não fazem parte dos reclames da população. Não se ouve burburinhos ou críticas pela falta de uma biblioteca melhor. Nem se ouvirá. Minha voz aqui destoa da voz da multidão. Afinal, para quê servem os livros?

Na segunda, uma música

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Quando 2011 estiver terminando, mais exatamente no dia 29, completará dez anos da morte de Cássia Eller. Polêmica, pouco dada à entrevistas, a cantora eternizou. Mesmo depois de tanto tempo, é possível ouvir muitas de suas músicas sendo reproduzidas como se fossem atuais. Gosto de várias delas. Em especial, “Palavras ao vento”. Procurei algum clipe ou vídeo em que a artista aparecesse cantando. Não encontrei. Então, vamos a um desses vídeos caseiros mesmo, mas que traz a beleza dessa composição de Marisa Monte e Moraes Moreira.

Qual é o plano?

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Planejar faz bem. É necessário. Todos precisamos de planejamentos. De alguma forma, nossa rotina é resultado de um planejamento. Simples ou mais elaborado, ter um plano de ação é fundamental.

Mas… e a vida? Planejamos a vida? Qual é o seu plano? Qual é o meu plano pra vida? Eu diria que o melhor plano é desejar viver. Planos são necessários. Do contrário, a vida perde o sentido. Entretanto, nossos planos não podem ser mais importantes que nosso desejo diário de celebrar a vida.

Não se trata de fazer da música de Zeca Pagodinho, Deixe a vida me levar, uma filosofia de vida. Não. Não é esta a proposta. Mas é preciso viver mais. Celebrar mais. Alegrar-se mais. E celebrar a vida, por vezes, é se esvaziar das preocupações. Nossos medos, inseguranças, nossos fantasmas assustam. Podem nos colocar pra correr. Ainda assim, não devem nos fazer perder de vista o cenário dessa corrida.

O que temos a nossa volta? Quem são as pessoas pelas quais passamos? Em busca de nossos planos, não devemos ignorar cada momento que vivemos. Devemos olhar para o futuro, e sonhar com ele, mas o presente é o que temos. Então, viver o presente será sempre nosso melhor projeto de vida.

Estilo Dilma: vai dar certo?

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Lia hoje que a presidente Dilma vai criar um conselho para cobrar eficiência e corte de custos nos ministérios. Ela quer resultados e menos despesas. Gosto da iniciativa. A ideia de administrar o Estado como uma empresa privada me parece uma proposta fundamental para garantir o bom funcionamento da máquina pública.

Na verdade, como cidadão, estou satisfeito com os primeiros movimentos da nova presidente. Dilma não demonstra interesses por holofotes. Quer fazer uma gestão eficaz, mas sem “oba-oba”. Alguns dizem que o estilo Dilma indica ser mais palaciano. Ou seja, ela deve viajar menos, fazer menos aparições públicas, mas, por outro lado, trabalhar mais – como uma administradora mesmo.

O único “senão” desse “estilo Dilma” é o controle de sua popularidade. Lula falava com o povão. Tinha a nação nas mãos. Dilma sorri pouco. É durona. Não parece interessada em fazer o jogo do marketing político. Isso pode resultar num governo eficiente, mas talvez com pouco “ibope” junto à população. Politicamente, talvez não seja a melhor estratégia.

Amy: talento silenciado

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Quem nasceu para ser diva se destrói diante dos fãs

Na última segunda-feira, até pensei em compartilhar aqui uma música de Amy Winehouse. Afinal, ela é talentosa, uma das vozes mais poderosas da atualidade, capaz de grandes interpretações. Além disso, faz de seus dramas, composições impressionantes. Entretanto, o que motivou a não trazer nenhuma música dela é que, embora admire o talento da inglesa, entendo que seu comportamento destrutivo acaba por ser maior que a própria arte. Uma pena.

Pena ver, por exemplo, que seus shows no Brasil não trazem nada de diferente daquilo que tem sido visto nos últimos anos. Esquecer letras, apresentar-se bêbada, chapada, balbuciar palavras não compreensíveis fazem parte do repertório Amy. Um desrespeito ao seu público. E ao próprio dom natural que a artista tem. Quem nasceu pra ser diva, se destrói. Diante dos fãs e do mundo.

Mulher, me traz os chinelos?

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Dizem que o homem pós-moderno está em crise. Não sabe bem seu papel. Eu concordo. Mas uma coisa está clara: quando casado, este homem tem que saber dividir as tarefas – inclusive, domésticas.

Pensava nisto nesse fim de semana. Meio sem querer, observei o comportamento de um casal recém-casado. Eles não têm nem um mês de casados. Notava algo que já vi outras tantas vezes… Enquanto ela arrumava a casa, ele estava esparramado no sofá, vendo televisão.

Vi a cena e, cá com meus botões, pensei: até quando ela vai tolerar?

Maridos que ainda acham natural irem pro sofá enquanto as mulheres trabalham são fortes candidatos a terem problemas no casamento. Inclusive na cama. Afinal, a libido delas é afetada por todo o contexto. E pouca coisa irrita mais uma mulher que sentir-se “abandonada” – ou explorada – pelo marido folgado.

E se o maridão segue em sua tranqüilidade… e a mulher acha natural tê-lo com os pés sobre o sofá enquanto ela trabalha, é porque ela nasceu com vocação pra “Amélia”. Ou provavelmente é fruto de uma educação do século passado. Neste caso, diria até que ele pode arriscar a pedir:

- Mulher, me traz os chinelos?

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