Racismo, preconceito e o politicamente correto

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Tenho acompanhado a uma certa distância esses casos de racismo envolvendo jogadores que estão na Europa. O último caso badalado teve como protagonista o atacante Neymar. No jogo contra a Escócia, ele “ganhou” uma banana. Seria uma forma de chamá-lo de macaco.

Embora o fato esteja sendo questionado – se houve ou não uma atitude racista contra o atleta -, vejo essas manifestações com muita preocupação.

Por um lado, acho que há um exagero. Tudo agora é racismo, preconceito… Esta semana, por exemplo, enquanto explicava um assunto mandei um:

- “Então o neguinho acha que…”

Não estava falando de nenhum negro. Foi só uma forma de expressão. Poderia ser substituído por outro termo. Algo do tipo: “o sujeito”, “o camarada” etc etc.

Ao terminar a frase, notei alguns alunos trocando olhares como se estivessem dizendo: “o professor tem preconceito” ou “ele não gosta de negros”. Afinal, sou branco, classe média… Fica fácil dizer que minha atitude foi discriminatória.

Nessas horas é que entendo existir exagero. Tudo tem que ser politicamente correto. Por isso mesmo, andaram querendo até banir livros do Monteiro Lobato. Loucura!

Mas, retomando… Essas manifestações de racismo me preocupam. Muita coisa tem melhorado, é verdade. Principalmente porque as leis são cada vez mais severas. Então, se o sujeito é racista, precisa calar-se. Do contrário, pode ter problemas. Contudo, noto que, a busca por estabelecer o respeito e a igualdade, tem levado alguns a ter ainda mais ódio pelos negros, homossexuais e outras minorias. É como se tal luta ferisse essas pessoas, levando-as a reagir com mais violência.

Cá com meus botões fico pensando se isso não poderá criar uma sociedade ainda mais dividida. Afinal, a harmonia, o afeto, a amizade não nascem por meio de leis. Essas são necessárias para proteger as minorias. Mas não criam um sentimento de respeito. Em alguns lugares (Europa, por exemplo), o que temos observado é uma separação e rivalidade ainda maiores. O que é lamentável.

A vida no compasso do relógio

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Odeio a sensação de que o simples ato de encher o copo de água parece uma eternidade. É horrível olhar para o bebedouro, enquanto seguro o copo, e ter a impressão que nunca estará cheio. Algo simples. Mas que parece tomar muito do meu tempo.

Sempre que isso acontece percebo o quanto somos reféns do tempo. Não nos damos direito aos pequenos prazeres. Afinal, parecem nos consumir; consumir nosso tempo, nossos dias.

O tic-tac do relógio é igual para todos. Contudo, para uns, o tempo parece se arrastar; para outros, é rajada de metralhadora.

Nunca saberei ao certo se a vida se esvai no compasso do tempo ou se nós a deixamos ir por nos apressarmos e não notarmos que a vida é o simples ato de sentir o aqui e agora.

Natalie Portman: importa se ela dançou?

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No mundo das artes – ou das celebridades – o assunto do momento é: Natalie Portman dançou ou não dançou em “Cisne Negro”? A atriz levou o Oscar na premiação deste ano. Apenas confirmou o favoritismo. Mas nos últimos dias, o desempenho de Portman está sendo questionado porque sua dublê/figurante alega que fez boa parte das cenas. O diretor já a defendeu e sustentou que era a atriz quem fez pelo menos 80% das cenas.

Cá com meus botões, entendo que isto pouco importa. A interpretação é Natalie Portman. Quem emagreceu e traduziu todo o drama da dançarina foi a atriz. Na verdade, a dança é o que há de menor em “Cisne Negro”. Por sinal, quem conhece de dança sabe que as sequências não convencem – até porque o foco do filme é o drama psicológico, a entrega à arte em que morte e vida, sucesso e fracasso se confundem. Então, vamos deixar de picuinha?

José Alencar: ele descansou

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A morte de José Alencar me fez lembrar de outro José, o Cláudio – nosso ex-prefeito. Ambos lutaram bravamente pela vida. O Alencar viveu mais. Descansa aos 79 anos. E superou vários problemas de saúde, uma quantidade sem fim de cirurgias. O Cláudio, também lutou, brigou muito pela vida e queria realizar seu sonho: concluir a administração que tinha começado. Mas não pôde. Morreu quase um ano e quatro meses antes de terminar o mandato de prefeito. Recordo que, semelhante ao Alencar, nós jornalistas apenas aguardávamos o dia da “despedida”. A vida ia escapando aos poucos. Hoje, Alencar deixou o mundo dos vivos. E sem Lula e Dilma no Brasil. Eles estão em Portugal.

Em dezembro, disse aqui que queria uma despedida oficial. O mineiro merecia. O ex-vice-presidente deveria ter deixado Brasília sob aplausos – ou nos braços do povo, como aconteceu com Lula. Ele merecia ter vivido todo aquele entusiasmo e emoção. Seria seu último ato público. Não deu. Ele estava no hospital quando Lula passava a faixa para Dilma. De lá pra cá, ficou mais internado do que em casa. Nesta terça-feira, o médico já dizia que Alencar se preparava para descansar. É mesmo um descanso para nosso guerreiro. Ele deixou a vida, mas ficou o legado – a luta de um apaixonado pela vida, pelo trabalho e pelo país.

BBB11: nem saudade, nem comemoração

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Acaba hoje o BBB11. Não posso dizer: “foi bom enquanto durou”. Também não vou dizer: “já vai tarde”.

Vi a repercussão do programa na internet. Mas não passei um único minuto em frente a televisão para ver o reality show. Ah… e isso não é motivo de orgulho. Nem de lamento.

Por sinal, acho ridícula a atitude de alguns que batem no peito e se acham mais críticos – ou intelectuais – que os outros apenas por que rejeitam esse tipo de produto da telinha.

O Big Brother se tornou a espetacularização do vulgar. Mas não significa que seja descartável. Com olhar crítico, dá pra entender mais de gente, de ser humano – ainda que a espécie que por lá estava confinada não fosse, digamos assim, a representação da realidade concreta (de quem está aqui fora).

Nessa versão 2011, falou-se em queda de audiência, em escolha equivocada do “elenco”, erros na estratégia de condução do programa e até no pijama do Bial (afinal, as roupas do jornalista estiveram sempre muito mais pra usar em casa que num programa global).

Entretanto, com críticas ou sem elas, o BBB12 vem aí. O próprio apresentador já anunciou que as inscrições começam em abril. Ao que parece, a Globo ainda não encontrou uma alternativa para ocupar esse espaço. Será mais do mesmo? Teremos ainda mais ousadia? No próximo, o público vai aprovar um transsexual? Difícil dizer.

E isso pouco importa agora. O assunto do momento é outro: quem vai ganhar? Tem um prêmio de 1,5 milhão de reais em disputa. E três concorrentes: m homossexual, uma periguete ou um médico romântico?

Kassab: a ideologia da não-ideologia

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Na política, o que não é ser de direita, nem de esquerda, nem de centro? Só tenho uma resposta: é não ter ideologia. Embora, cá com meus botões, entenda que a opção por não assumir uma posição já seja uma forma de ideologia, na política, é preciso assumir uma postura. Só jornalista pode ser isento (embora ele não seja, mas tenha que fingir que é).

Essa coisa de “não ser de direita, nem de esquerda, nem de certo” foi defendida por Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, ao falar sobre a ideologia do partido dele. Sem ofensas racistas (essa coisa de politicamente correto é um saco), mas o que Kassab quer é a consagração do culto ao “samba do crioulo-doido”.

Num tempo em que se defende a reforma partidária e o fortalecimento dos partidos políticos, a gente quer saber o que cada sigla defende. Não dá pra dizer “nosso partido não será de direito, de esquerda, nem de centro”. Peraí, vai ser o que então?

Ao dar tal declaração, Kassab desrespeita a inteligência do eleitor e celebra a ignorância política. O que ele sinaliza é algo muito simples: “no meu partido, vale tudo”. Só pode… Ou será que cada tema será discutido posteriormente? O assunto é o aborto? Então, vamos definir uma posição. Agora é a política de cotas nas universidades… Vamos a mais um debate interno.

Os argumentos de Kassab são desprovidos de lógica.

Na verdade, até possuem uma lógica – mas não de uma perspectiva filosófica ou sociológica. A lógica do partido de Kassab é a mesma do oportunismo econômico que impera em nossos dias: “se é bom pra mim, pro meu bolso, pros meus negócios, é bom. E ponto”.

A saga de Rogério Ceni

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O assunto da imprensa esportiva desde ontem é o centésimo gol de Rogério Ceni. Tanto destaque é merecido. Não só pelo fato inédito. E aqui não importa se disserem que só foi o 98o ou o 100o, nas contas do goleiro artilheiro. Ceni é único. Um goleiro como poucos, um batedor de faltas quase perfeito, além de atleta respeitado.

Vi o gol do jogador do São Paulo. E não foi nos telejornais. Foi com a bola rolando. Pra mim, fato pouco comum, já que nunca assisto futebol. Mas, ontem, era inevitável. Enquanto trabalhava, a TV estava ligada. Afinal, meu filho é corinthiano. Daqueles torcedores doentes. Mas até ele – que não gosta do tricolor e tira sarro da irmã, que prefere o time do Morumbi – respeita Rogério Ceni.

De fato, o goleiro faz mesmo parte daquele grupo de atletas que não há o que questionar. É impecável como profissional e exemplo fora das quatro linhas. Apaixonado pelo clube que defende, é uma referência num meio em que a gente já não sabe o que motiva o beijo da maioria dos jogadores no símbolo do clube que representam.

Rogério, hoje aos 38 anos, ainda faz a diferença no gol e batendo faltas ou pênaltis. Mas não deve mais se demorar na profissão. É provável que logo se aposente – provavelmente para ocupar um cargo no próprio São Paulo (quem sabe até mesmo como técnico). Entretanto, quando deixar a função que o consagrou, poderá também deixar de ser o último jogador que construiu uma carreira praticamente num único clube e pelo qual se aposentou.

Na segunda, uma música

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Já trouxe aqui noutra ocasião um dueto entre Marisa Monte e Paulinho da Viola. Gosto de ambos. A música de hoje é “Dança da solidão”, uma composição de Paulinho da Viola. A interpretação da dupla é belíssima. Vale ouvir.

Na relação, a mentira pode ser “santa”

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Um carinho, mesmo quando falta vontade para isso, é uma forma de preservar a relação

Conquistar alguém não é tarefa das mais difíceis. Difícil mesmo é manter um relacionamento. Por mais que combinem e se amem, o casal vai enfrentar problemas que, por vezes, poderão mexer com o mais sincero desejo de estar sempre junto, de viver algo especial e único.

Saber lidar com esses problemas é o grande segredo. Não existe “receita”. Cada casal deve encontrar sua forma de construir a felicidade. Entretanto, noto que uma das questões mais delicadas na convivência – para promover o bem ou causar o mal – são as palavras. Elas podem ser a melhor estratégia. Ou podem ser a causa de toda ruína.

Defendo a verdade numa relação. Nada há mais triste que o engano. Entretanto, também aponto a importância da mentira. Conheço um especialista em relacionamento que costuma dizer: na vida de um casal, a mentira é santa.

Não. Não estou defendendo que os casais mintam. Gente que se ama fala a verdade. Mas é preciso saber falar, o que falar, quando falar e como falar. E há momentos em que você não quer abrir a boca, mas é fundamental ter algo pra dizer.

Somos seres emocionais. E, por mais contraditório que pareça, o uso da razão ajuda a controlar e/ou a estimular as emoções.

É racional saber que boas palavras tocam o coração.

Veja se isso não é verdade? Você está num dia difícil, chateado, sob pressão e, por isso mesmo, sequer consegue dizer pra pessoa amada uma única palavra de carinho. Deixar um bilhete, mandar um recadinho no celular então? Nem pensar.

Convenhamos, quando a gente está “pra baixo”, não há vontade alguma de dizer para a mulher: “você é linda!” ou “adoro você”. Parecem faltar argumentos para coisas simples: “gostei do seu perfume”, “que lindo seu cabelo hoje”, “poxa, essa blusa combina com a cor dos seus olhos”.

Mas me responda: que culpa ela tem de você não estar bem? É você quem está com problemas.

Por que precisa deixar o outro sem um carinho?

Aí você me diz: “ah… eu não consigo. Não tenho o que dizer nesse momento. Meu coração está vazio”.

Minha resposta começa com uma pergunta: se estivesse bem, ao olhar pra essa pessoa que divide sua vida com você, o que diria? Essa pessoa é especial pra você? Você gosta? Deseja? Mexe com sua imaginação?

Então preste atenção… Se em seu coração essa pessoa ainda te toca, aprenda uma coisa: as palavras que deixa de dizer hoje, porque não está bem, podem fazer falta amanhã. Ou seja, é você com suas atitudes – ou a falta delas – quem está colocando tudo a perder. O foco nos problemas te faz esquecer as carências do outro.

É nesse sentido que uma “mentira” faz bem. Na verdade, não há engano. Tudo que estará dizendo está guardado em seu coração. É verdade. Você só não diria àquela hora. E não diria por que é você quem está infeliz, enfraquecido, com raiva ou sei lá o quê.

Acontece que a outra pessoa pode estar precisando ouvir algo que você está sonegando. E ao fazer isso abre brecha para minar os sentimentos dela. Quer mais? Abre brecha para que outro alguém diga o que você está deixando de dizer.

Ficha limpa chega a ser uma lei contraditória

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Nesta quinta-feira, ao ler as manchetes dos principais jornais do país, só deu a lei do “ficha limpa”. A decisão do ministro Luiz Fux foi destaque nas principais publicações. Mas também rendeu reportagens e comentários no rádio, na tevê e na internet.

Cá com meus botões, pouco importa quando entrará em vigor. Entendo que não ter pendências na Justiça deveria ser premissa básica para qualquer pessoa que se candidata a um cargo público. Também entendo que gente metida em casos de corrupção jamais deveria nos representar.

Entretanto, para mim, o que é mais significativo ainda é o voto. Esse pessoal só chega aos poderes Legislativo e Executivo porque tiveram o respaldo popular. Nós votamos, nós elegemos. E se elegemos “fichas sujas”, não há muito o questionar.

Por isso, a lei chega a ser um instrumento contraditório. É como se precisássemos proibir o povo de votar em bandido. Até concordo, já que não sabemos escolher nossos representantes. Mas não deixa de ser curioso… Já que nos faltam critérios para votar, precisamos de lei que tirem os safados na lista de candidatos.

Viver em compasso de espera

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Houve algum momento em que você já se sentiu completamente incapaz de tomar uma decisão? Qualquer sonho, qualquer projeto, qualquer coisa precisa ficar para depois? E precisa ficar para depois porque simplesmente não há nada que possa fazer?

A vida às vezes parece nos pregar uma peça. É como se nos desse um nó e o que resta é esperar.

Acontece que esperar não é tarefa fácil. Os ansiosos de plantão que o digam. Colocar tudo no automático, deixando rolar, desgasta e causa até mesmo a sensação de vazio existencial. Afinal, por que e para quê viver se todos os dias são iguais?

Precisamos de um sentido para nossos dias. Quando não se sabe o que vai acontecer quando acordarmos, abre-se um buraco no peito e não é mais possível olhar para o horizonte.

Viver em compasso de espera, aguardando que o universo conspire a nosso favor, torna a existência um fardo. A dependência de que algo aconteça ou de que alguém possa dar significado aos nossos dias só nos consome mais e mais. E a vida vai escapando pelo ralo do tempo, já que cada minuto marcado no tic-tac do relógio não é só um minuto a mais – pode ser o alerta de um dia a menos em nossa história, uma oportunidade perdida.

Em prédios, consumo de água nem sempre é racionalizado

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Moro num apartamento. Não faz muito tempo. Quando optei por deixar minha casa e compartilhar um espaço comum num prédio, sabia que teria vantagens e desvantagens. Ninguém precisa aprender a gostar do que é bom; mas com as coisas ruins a gente tem que aprender a lidar. Além disso, há um outro universo – aquele das situações típicas de um condomínio que podem ser refletidas e, quem sabe, alteradas. Entre elas, os gastos comuns.

Por exemplo, no meu prédio, o consumo de água é dividido entre os moradores. Não importa se eu gasto 10 mil litros/mês e meu vizinho 20 mil. Pagamos igual. Não vou discutir se é justo ou não. É a regra do condomínio. E, como diz o ditado, o “combinado não sai caro”.

No entanto, o que me intriga é uma outra questão: quando a cobrança não é individualizada, o gasto é maior. Não se trata de uma suposição. É assim mesmo. Se não sei qual o meu consumo e se sei que meu vizinho pode gastar mais que eu e pagar o mesmo valor, há um processo natural de relaxamento na hora de abrir a torneira, ligar o chuveiro etc etc.

É mais ou menos o que acontece na mesa do restaurante quando se propõe a dividir a despesa. Já aconteceu com você? Não tem jeito. Sua despesa provavelmente será maior que se o consumo fosse individualizado.

Acontece que, tratando-se da água (e a reflexão aqui é minha contribuição ao Dia Mundial da Água), gastar mais significa desperdiçar um bem precioso e que está sob risco. Um estudo foi divulgado esta semana e projetou que mais da metade dos municípios brasileiros poderão ter problemas de abastecimento até 2015.

Portanto, a coisa é séria. Individualizar a cobrança da conta de água em condomínios é uma forma de racionalizar o consumo e dar nossa contribuição ao meio ambiente e às futuras gerações.

Sei que não é simples pra fazer, mas vale refletir e colocar na lista de prioridade dos condomínios.

Uma vida pra se viver

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Dia desses usei a expressão “nos meus tempos de garoto”… Fiz isso ao responder a mensagem de uma amiga. Ela acabou achando graça das minhas lembranças porque disse passar a impressão que é algo que faz muito tempo. De alguma forma, me envelhecia.

Mas, embora não seja tão agradável admitir, faz mesmo um bom tempo. A infância e a adolescência ficaram para trás. Distantes. Ainda que em alguns momentos pareçam tão próximas, quase sendo possível tocá-las (ou revivê-las), são experiências que hoje estão apenas na memória.

Nesta semana, algumas das recordações desse momento parecem estar mais vivas. Por uma dessas coincidências que a gente nunca entende, acabei trombando em um dos livros juvenis que fizeram parte dos meus tempos de menino. Meu filho trouxe pra casa e foi impossível resistir a tentação de reler a velha história.

E, de verdade, a história pouco importa… Importa o “voltar no tempo” que o livro parece proporcionar. Os dias em que passava na varanda, na cadeira de área, com um livro no colo e consumia páginas e mais páginas das aventuras preferidas.

Era um tempo em que a imaginação se confundia com a realidade. A ficção parecia real e os problemas pareciam ser superados na mesma mesma medida em que os heróis davam conta de seus problemas. Fantasia era só um outro jeito de ver a vida.

A fase adulta consome os sonhos. Por vezes, até a criatividade. Os problemas não são imaginários. Heróis somos todos nós. Ou vilões. Vitória e fracasso são as faces de uma mesma moeda. Parte de nossa história. Evitar a realidade é fugir da vida, é deixá-la escapar. E com ela, a felicidade.

Na segunda, uma música

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Na sexta-feira passada, 18, Renato Teixeira esteve em Maringá. Foi mais uma promoção do grupo empresarial do qual faz parte a CBN. E o compositor e intérprete foi prestigiado com casa cheia no Teatro Marista.

Acho que falar sobre o talento de Renato Teixeira é desnecessário. O tipo de música que ele faz simplesmente encanta. Então, vamos direto à música desta segunda-feira.

Hoje, quero compartilhar “Tocando em frente”. Encontrei no Youtube essa música interpretada em parceria com Almir Satter. É coisa antiga. Não tem data. Mas vale ver.

Obama e o Brasil

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O fim de semana foi marcado por notícias da visita de Barack Obama ao Brasil. Confesso que pouco acompanhei. Não só pela falta de tempo, mas por não ver tantos benefícios práticos nessa passagem do presidente americano por nosso país.

Claro, não dá pra ignorar o que significa a presença do chefe de Estado da maior potência mundial. E por isso destaco uma de suas frases:

- Se o Brasil é o país do futuro, o futuro chegou.

Frase de efeito ou não, saiu da boca de Obama. E virou manchete. Significa uma crença real do presidente dos EUA? Não sei. Mas sugere algo que nós, brasileiros, já deveríamos começar a sustentar: nosso país deixou de ser um coadjuvante no cenário mundial. Enquanto potências fraquejam, o Brasil muda, o Brasil cresce – e em todos os aspectos: econômico, social, cultural etc. A visita de Obama atesta isso.

O professor deve estimular o aprendizado, mas não torná-lo uma obrigação

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Aprendi que, quando o assunto é educação, não existem posições definitivas. Ser flexível, rever conceitos são atitudes fundamentais. Tanto ao pesquisador da educação quanto ao professor.

O educador também é um aluno. Por vezes, um aluno de seus alunos. Ouvir e aprender com eles é ser sábio. O professor não sabe tudo. Nunca saberá. Outras vezes, os sinais emitidos pelos alunos sugerem que é preciso rever a proposta pedagógica ou mesmo o jeito de ensinar.

Como pai de alunos, curioso da educação e ainda professor, noto que alguns colegas ainda se incomodam com o desinteresse do aluno e o culpam por isso. Na tentativa de fazê-lo permanecer em sala e se envolver com o programa da disciplina, criam estratégias das mais variadas que tornam aquele espaço quase um quartel militar.

Recordo que quando comecei a dar aulas, era um desses professores dispostos a tudo pra manter o acadêmico em sala – ainda que não estivesse interessado em minhas aulas. Uns dois anos atrás, conversando com uma jovem, que havia sido uma das minhas alunas mais brilhantes, aprendi uma grande lição: a melhor maneira de fazer o acadêmico estar em sala é despertar nele o desejo pelo conhecimento que tenho a oferecer. Não são as faltas que lanço no diário de classe ou as notas atribuídas à participação. O segredo está no conhecimento. Se o aluno percebe que o professor tem algo a oferecer e este saber pode lhe ser interessante, ele estará em sala. O conhecimento é o que deve estimular, não as ferramentas coercitivas.

Esta filosofia é transformadora. Por duas razões: reconheço minha responsabilidade em provocar o desejo pelo conhecimento ao mesmo tempo em que dou liberdade ao aluno de escolher se quer ou não aprender.

Desde então deixei os livros de chamada guardados no armário e tenho ido para a sala a fim de dar aula, compartilhar conhecimentos. Admito, não é simples encarar os alunos e dizer a eles que não tem chamada, as avaliações são reflexivas, mas com consulta, podem muitas vezes fazê-las em dupla/trio/grupo e que só precisam estar em sala os que se interessam pelo que tenho pra ensinar. Após terminar a primeira aula, fica a dúvida: quantos vão retornar?

A mudança de método me fez descobrir que o professor, ao demonstrar claro interesse em promover o conhecimento ao aluno, consegue aquilo que o docente preso aos esquematismos não consegue: salas cheias e alunos envolvidos.

O prazer maior diante de uma sala cheia, sem que os alunos estejam ali obrigados a assistir sua aula, é do próprio educador. Ganha o professor, ganham os alunos, já que estes descobrem que a aquisição do saber – ainda que cansativa – não deve ser por obrigação, mas por uma escolha consciente.

Dizer “não” e a crise da autoestima

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Conheço gente que tem enorme dificuldade pra dizer “não”. A pessoa assume compromissos simplesmente por que não dá conta de olhar primeiro para si. Alguém pode até dizer: – mas olhar pra si é ser egoísta. Concordo, parcialmente. Acontece que a preocupação em atender sempre não faz bem. E geralmente é motivada pela necessidade de agradar.

O vizinho chega e, pra não arrumar confusão, você diz sim para aquele pedido chato. Ela quer deixar o filho na sua casa. O moleque é um diabinho, mal educado, quebra tudo. Mas você sorri amarelo e diz… sim.

No trabalho, o colega precisa de um dia de folga… Você está atarefado, com agenda cheia, estressado, já está tomando energético pra dar conta de ficar acordado até altas horas… Mas o colega precisa da folga e diz:

- Você pode fazer o relatório pra mim?

Ele pergunta já sabendo da resposta…

- Tudo bem. Pode deixar comigo. Aproveita a viagem.

Por dentro, você se sente explorado. Fica irritado, mas não tem coragem de desagradar.

Mas essa dificuldade pra dizer “não” também acontece em relacionamentos. A pessoa tem uma relação doentia, sofrida. Ainda assim, aceita tudo. É como se outro estivesse fazendo um favor de ficar com você. Embora doentia, a relação é mantida, porque o desconhecido assusta e parece não haver vida longe do “objeto idolatrado”.

Não ser capaz de dizer “não” é motivado por uma baixa autoestima. Quem é inseguro, não tem amor próprio e precisa da aprovação alheia sofre na busca de agradar – como se só o outro pudesse dar sentido a sua existência. Tem solução? Claro que sim. Mas passa por se conhecer melhor e entender que ser “bonzinho” sempre não garante a admiração dos outros. Pelo contrário, o universo conspira a favor das pessoas bem resolvidas e que sabem se valorizar.

PS- Este é o assunto do Questão de Classe desta quinta-feira, pela CBN Maringá.

Ah… vale dizer que hoje tem gente que não sabe dizer “sim”. É um outro problema. Porém, pra outro dia, outro post.

A ditadura do sucesso

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Sucesso. Esta talvez seja uma das palavras que mais me incomodam. Todo mundo quer, sonha e até faz loucuras pra conseguir “sucesso”. Mas o que não consigo dar conta é da representação que ganhou tal palavra. Sucesso hoje combina com duas coisas: dinheiro e fama. Quando se pensa em “sucesso”, deseja-se dinheiro e fama.

Ninguém pensa: “sou um sucesso” morando numa casinha da periferia, com mulher e três filhos em casa. Esse cara pode estar sossegado, satisfeito com a vida. Pode estar tudo bem. Mas ele nunca vai acreditar que é um sucesso – ainda que tenha uma família feliz.

De fora, ninguém vai olhar pra esse sujeito e dizer:
- Fulano, você é um sucesso!

Construir um lar, uma família, não faz parte do conceito atual do que é ter sucesso. Quem fez ou faz a escolha por viver no anonimato, levando uma vidinha simples, não é visto como uma pessoa bem-sucedida.

O que é pior… O sujeito é pressionado a buscar esse sucesso. Do contrário, é visto como medíocre, incapaz. Não basta ter um emprego; é preciso ter uma profissão de status, um ótimo salário e ocupar cargos de projeção. Não basta ter uma boa esposa; ela deve ser a mais bela, desejável – além de inteligente. Não basta ter filhos amáveis e educados; necessitam se destacar entre os colegas de classe, serem os melhores no esporte, os mais ousados e corajosos.

Diria que os valores estão invertidos? Talvez. Entretanto, invertidos ou não, pouco importa. Vivemos sob essa ditadura. A ditadura do sucesso. Uma ditadura que parece libertar e garantir prazer e até felicidade. Talvez estejamos ignorando a essência humana. Mas, afinal, no mundo atual, do que ela vale mesmo?

Na segunda, uma música

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Ela gravou seu primeiro disco em 1968. Ainda não se destacava como cantora solo, mas demonstrava seu talento numa banda que fez muito sucesso, Os Mutantes. Depois daquele primeiro disco, Rita Lee gravou muitos outros e se consagrou como a principal roqueira da música brasileira.

Nesta segunda-feira, compartilho uma música dela não apenas pelo que Rita Lee representa para o mundo artístico. Mas principalmente porque a cantora fez algo ainda pouco comum por aqui: disponibilizou em seu site todas as suas músicas, de todos os seus álbuns. É todo o acervo de Rita Lee para quem já é fã e para quem ainda quer conhecer mais dessa senhora pouco convencional.

Imitar famosos revela falta de identidade

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Está no blog Mulher 7 X 7:

- Tudo o que a futura princesa Kate veste esgota nas lojas ou é copiado

Parei no título. Ele resume bem um de nossos hábitos… Gostamos dos famosos. Invejamos as celebridades. Queremos copiá-los. O cabelo, os olhos, a maquiagem, as roupas… tudo. Nos salões de beleza é comum ouvir: – Pode fazer um corte igual o da fulana de tal?

Hoje, os cirurgiões plásticos ouvem com frequência o desejo de mulheres que pedem a boca da Angelina Jolie. Em rostos que não pedem tal desenho, essas “plastificadas” ficam quase deformadas. E ainda não entendem por que o profissional não conseguiu o efeito sonhado.

O “endeusamento” dos famosos é histórico. Na antiga Grécia, as referências eram os deuses do Olímpo – ou ainda os atletas famosos, os grandes guerreiros. Com o tempo, os nobres foram sendo copiados. E tudo que deles se falava gerava enorme interesse entre os proletários.

Não vejo como problema admirarmos pessoas e até se inspirar em gente que tenha bom gosto e bons hábitos. Entretanto, a completa imitação revela falta de identidade, de personalidade. Gente que precisa em todo tempo de referências externas é gente que ainda não sabe quem é, o que é e o que quer da vida.

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