Casamento real: por que tanta badalação?

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Decidi! Vou escrever sobre o casamento real.

Olha, não tinha a intenção. Não mesmo.

A Kate é muita bonita. Até pode ser motivo de inspiração. O William… Bom, o príncipe é assunto para as mulheres. Ainda assim, queria ficar longe desse papo.

Acontece que não dá. Pra todo lado que olho, tem fotos, imagens, textos sobre o casamento. Seria uma conspiração? Não sei. Sei apenas que o casamento desses jovens ingleses despertou a atenção da mídia mundial. E, convenhamos, a mídia só faz cobertura de assuntos que rendem audiência – logo, bons resultados no faturamento. Gente como a gente não rende notícia. Só se fizer milagre ou cometer algum ato muito escabroso.

Eu queria muito entender tamanho interesse. É sério. Será que se trata de um fenômeno psíquico? As mulheres sonham com príncipes? Os homens, com princesas? Estariam projetando no casamento de Kate e William algum desejo inconsciente?

Nessas horas, preferia o próprio Freud para tentar explicar.

Recordo que, historicamente, há uma identificação com a nobreza. Os pobres proletários sempre amaram a nobreza. Reis e rainhas, príncipes e princesas e outros tantos de “sangue azul” são alvo dos olhares apaixonados (vale dizer que amor e ódio se confundem) de um povo que parece carente de glamour.

Nas rodinhas de trabalhadores, os senhores feudais eram alvo de comentários. Os bastidores das cortes geravam buxixos. Ainda hoje é assim. Prova disso são as dezenas de revistas de celebridades disponíveis nas bancas. E como exemplo de “acontecimento” isto se confirma no casamento do príncipe e da “plebéia”.

Nem como fato histórico – com implicância social, política, econômica ou cultural – a união de ambos tem algum valor. Contudo, milhões de pessoas em todo mundo não desgrudaram os olhos da tevê nesta sexta-feira. Ontem, fui alvo de uma dezena de perguntas sobre o casal – como se isto me interessasse.

Sinceramente, sei pouco sobre este casamento. Para mim, tem a mesma importância que a fofoca de que Edson Celulari e Claudia Raia, mesmo separados, andam “ficando”… Mas confesso que, neste momento, diante da catarse mundial pelo casamento, repito a pergunta do técnico Mourinho: por quê?

Crise de criatividade e a dura realidade

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Acompanho semanalmente a coluna de alguns jornalistas, cronistas etc. Também tem alguns blogueiros que fazem parte da minha lista de leitura obrigatória. São pessoas que gosto, que admiro – seja pela capacidade de argumentação, pela criatividade ou pelos bons temas. Entretanto, noto que ninguém consegue ser sempre brilhante. Ainda que sejam admiráveis, não há uma regularidade. Há textos que são únicos; outros que são “apenas” bons.

Confesso que isto me tranquiliza. Afinal, não raras vezes me sinto em plena crise de criatividade. Nenhum tema me empolga. Nada que esteja disposto a fazer me faz vibrar. O resultado é mais que esperado: nenhuma produção se torna significativa.

Na faculdade, numa das minhas disciplinas sempre discuto a produção cultural e as consequências do ritmo quase industrial que se impõe ao mercado da arte. Com frequência, comento que não há criatividade que resista a agenda das gravadoras, editoras, emissoras de tevê etc.

Todo mundo tem bons e maus dias. Portanto, não é só talento.

Fico imaginando o drama que vive um autor de novelas. O cara tem que escrever todos os dias durante oito, nove meses. Como é possível criar personagens e histórias que surpreendam durante todo o tempo em que a obra estiver no ar? É impossível. Ainda que existam auxiliares, gente para incentivar, trocar ideias. Afinal, tem dias que a gente simplesmente não quer sair da cama. Muito menos sentar em frente a um computador e produzir. E produzir de maneira criativa, cativante.

Cá com meus botões, entendo que deveríamos respeitar o tempo de cada um. Permitir que cada “artista” tenha a chance de ser único. No entanto, isto é só um sonho utópico. Nenhum colunista mantém seu emprego se escrever durante quatro semanas seguidas e precisar de outras três para voltar a produzir um único texto; nenhum escritor vai conseguir sobreviver de sua produção se não entregar um novo livro dentro dos prazos desejados pela editora… E assim por diante. Vale até para nós, blogueiros de plantão. Sem novos textos, a página perde visitantes. E sem eles – ou seja, vocês – não há razão para seguir por aqui.

Parado em fila dupla II

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Eu não ia escrever, mas “tomei as dores” da motorista agredida por outro condutor… Na semana passada, escrevi aqui sobre uma cena típica do trânsito maringaense: gente parada em fila dupla. Minutos atrás, vi o fato repetir-se (é verdade que não precisa procurar pra gente ver essas coisas).

Na XV de Novembro, praticamente em frente à prefeitura de Maringá. Naquele lugar, um motorista para e, em função do alto fluxo de veículos, trava o trânsito. O carro que vem atrás freia bruscamente e outros tantos congestionam a via. E não apenas a avenida, porque estão a poucos metros de um cruzamento. Então, tudo fica confuso. Uma única pessoa prejudicou um tanto de gente.

Mas o que me deixou irritado foi o comportamento do motorista. É claro que, pela circunstância, alguém iria buzinar. Está no script. Faz parte do roteiro. O cidadão para em fila dupla, trava o trânsito… alguém vai buzinar. É só uma questão de tempo… alguns segundos, geralmente.

Acontece que o cidadão não gostou. Ele botou parte do corpo pra fora do carro, estendeu o braço e em especial o dedo médio. Além disso, desfilou uma série de palavrões.

Caramba! O cara está errado e ainda se sente na razão. Não admite que o outro buzine, reclame. Aonde estamos? O que esse sujeito pensa que é?

Gente, tudo bem que o trânsito em Maringá está longe de funcionar bem – e nem flui bonitinho, como sustenta a propaganda oficial. Entretanto, qual a razão de tanta ignorância? Desculpe-me, se o motorista faz bobagem tem que ficar quietinho. Não tem razão pra reclamar.

Dia desses, avancei um pouco num cruzamento de preferencial. Parei para o outro veículo, mas já tinha entrado quase uns dois metros além do que seria recomendável. O outro condutor exagerou. O cidadão parou o carro diante do meu só pra gritar: “otário!!!”. Achei grosseiro da parte dele. Desnecessário. Mas “botei minha viola no saco” e fiquei quieto. Eu estava errado. Pronto. Falar qualquer reação minha seria ignorância da minha parte.

De verdade, não sou ninguém na ordem do dia. Muito menos exemplo de homem ou cidadão. Ainda assim, penso que certos comportamentos estão longe do que seria tolerável. E, convenhamos, essa coisa de parar em fila dupla aqui em Maringá já virou piada. Pior, acontece pela arrogância do condutor e por falta de fiscalização mesmo.

Alguns pensamentos parecem maiores que nós

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Dia desses esbarrei num texto da jornalista Rosana Hermann. Em outras palavras, ela sustentava a importância de afastarmos os maus pensamentos. A tese básica era mesmo esta: negar-se a alimentar qualquer coisa negativa.

Eu gosto da sugestão. Ainda hoje ouvia algo parecido de uma psicóloga. Ao falar sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo, a profissional pontuava a necessidade de treinar nosso cérebro para barrar os pensamentos obsessivos que resultam em comportamentos compulsivos.

Acho mesmo que é necessário algum tipo de treinamento. Embora queira acreditar que podemos, sozinhos, dar conta de afastar o negativismo, entendo que não somos capazes de fazer isso sempre, em todas as situações.

Há lembranças que nos consomem. Noutras vezes é só nossa mente criativa, criadora trabalhando sem parar. Mas trazendo uma série de imagens e sugestões que roubam nossa paz.

E nessas horas não dá para simplesmente dizer: “não vou pensar nisso”. Quando o sono se vai, você não consegue escolher dormir.

É o cérebro em movimento… Dono de si mesmo. Maior que nossas forças, vontades.

Entretanto, ainda assim, acredito que render-se a sentimentos negativos é tudo que não podemos. Ainda que eles insistam e sejam mais fortes que nós, a busca pela paz – através de pensamentos positivos, boas lembranças etc – deve ser nosso objetivo sempre. E se não dermos conta disso sozinhos, pedir ajuda é a melhor saída. Só não devemos deixar de viver e ser feliz.

Na segunda, uma música

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Já há algumas semanas estou “ensaiando” para trazer aqui uma música de Cazuza. O polêmico poeta eternizou canções. Hoje trago “Preciso dizer que te amo”. Uma letra incrível para recordar, viver… curtir.

Livros parecem ter vida própria

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Gosto dos livros. Sou apaixonado por eles. Talvez por isso tenho livros que até hoje não pude ler. Estão lá na prateleira, guardados, reclamando atenção. Acontece que há sempre uma nova obra que parece ainda mais encantadora. E lá vou eu em busca dela.

Uma das sensações ruins é quando as últimas páginas começam a ser folheadas. Quando o livro é maravilhoso, daqueles de tirar o fôlego, é angustiante perceber que está acabando. Depois da última frase, nada mais haverá para ler. Não tem continuidade… Terei que tentar o desconhecido, uma nova obra. Fica ainda pior quando já li tudo daquele autor.

Às vezes, demora para encontrar algo que empolgue novamente. A sensação é de que nada vai substituir o “antigo amor”.

São por essas razões que sempre tenho a impressão que os livros têm vida própria. Nossa relação com eles é sempre única. Ninguém sente a mesma coisa diante de uma obra. Cada pessoa tem sua leitura, seu jeito de conversar com o livro. Pena que poucos têm tido disposição para viver essa paixão.

Desrespeito e vergonha na rodoviária de Maringá

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Estive na rodoviária de Maringá. Foi ontem à noite. Gente, aquilo está nojento. É sério. Nojento talvez nem seja a melhor palavra para falar do terminal. As andorinhas (são andorinhas ou pombinhas? eu é que não iria olhar pro teto, né?) tomaram aquele espaço. Tem milhares delas. O prédio está todo sujo. Os vidros, o piso… tudo. Os passageiros e acompanhantes entram sob uma chuva de dejetos das aves.

Por coincidência, quando estava lá, vi à distância a Alana, repórter da RPC. Ela fazia um “ao vivo” para o Paraná TV. Observei-a deixando o terminal. Ela usava as folhas da pauta para tentar se proteger enquanto saia do prédio.

Fui com minha filha buscar meus pais. Achei que não sairia limpo dali. Fiquei indignado. Já tinha noticiado o fato na CBN Maringá, mas não imaginava que a situação era tão grave.

Não é uma indignação apenas pela sujeira. É pela sensação de abandono. O cidadão chega ali e está desprotegido. Tudo bem… Alguns diriam: “são só aves”. Eu discordo. Não é uma questão de ser só aves. É uma questão de saúde pública, de higiene.

Falaram em colocar uma tela para impedir que as andorinhas usem o terminal como abrigo. Ainda não tem tela por lá. Já ouvi dizer que o Ibama não quer conversa, já que as aves podem morrer.

Desculpem-me, não vou ser politicamente correto.

Danem-se os ambientalistas de plantão! As aves vão encontrar seu espaço.

Algo tem que ser feito.

É ridículo, mas um guarda-chuva é bem vindo para circular pela rodoviária de Maringá.

Aquilo ali é um desrespeito aos usuários. Uma agressão a quem passa por lá. E fala contra a cidade. Imaginem: alguém vem de São Paulo pra Maringá… O que ele encontra? Uma rodoviária completamente cagada e uma chuva de dejetos. Qual a primeira visão que terá da cidade?

Sinceramente, se nada há por fazer, então que a rodoviária seja fechada. Entreguem-na às aves. Vamos logo reconhecer que elas são mais importantes que as pessoas, os passageiros. Façamos como em cidades pequenas: parar os ônibus ao lado de bares, restaurantes, postos… Qualquer esquina é melhor que um terminal tomado por aves.

Dá vontade de “baixar as portas”…

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Não gosto desse clima pré-feriado. O dia de folga é amanhã (pros outros, que fique claro), mas todo mundo já trabalha hoje num ritmo que chega a ser angustiante. E isso é contagioso. Dá vontade de “baixar as portas” e ir pra casa. Todo mundo parece mais sonolento, preguiçoso. Na verdade, conta-se as horas para o fim do expediente.

Não há o que fazer. É assim mesmo. Trabalha-se, mas a motivação ficou em casa.

Curiosamente, enquanto escrevo, o celular vibra… São novas mensagens que chegam no meu twitter. Assunto? O feriadão que está chegando. Motivo? Todo mundo na expectativa dos dias de folga.

Neste ano, dois feriados caíram em sequência. O 21 de abril (Tiradentes) e a Sexta-feira Santa. Chance pra muita gente viajar, descansar… É quase uma microférias.

Resta a quem vai trabalhar, o consolo de que não estará sozinho. Se este é o seu caso, fica triste não (rsrs)… Também estarei de plantão. E com dezenas de provas para corrigir quando sair da rádio. Então, vamos em frente.

Parado em fila dupla

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O relógio marca 13h50. O endereço: rua Neo Alves Martins, quase esquina com a avenida Getúlio Vargas. Centro de Maringá. Região dos bancos. Um cidadão de meia idade, talvez uns 50-55 anos, parou o carro em fila dupla. Não demonstra preocupação alguma. Motoristas usam a buzina, tentam chamar a atenção. Ele prossegue, calmamente, como se contando dinheiro ou separando alguns papéis. Do lado de fora, outro senhor – um pouco mais novo – está encostado junto à porta. Eles conversam. O semáforo está aberto. Mas apenas um lado da via permite o fluxo dos demais veículos. Vejo a cena de longe. Nenhum agente de trânsito por perto. Cena típica em Maringá. Não, o típico não é só pela falta de um guarda; o típico é pelo comportamento natural do motorista maringaense que, tempos atrás, chamei aqui de medíocre.

Encontrar uma vaga de estacionamento nesse horário é quase impossível. Num jogo de sorte, às vezes, dá certo. Mas isso justifica travar o trânsito parando em fila dupla?

De verdade, não tenho forças para discutir esse problema. Assisti passivamente a cena do motorista. Vejo ela se repetir todos os dias, em diferentes lugares. Muitas vezes, no centro de Maringá. Não deve ser muito diferente noutras cidades do mesmo porte – em especial aqui no Brasil. Também não posso cobrar que, provincianos como somos, tenhamos uma atitude mais civilizada.

O que o motorista faz com o carro revela um pouco o que ele é como pessoa, ser humano. O cara que para o carro em fila dupla, atrapalhando o fluxo dos demais, mostra que ele se sente acima da lei, dos outros condutores, o que ele está fazendo é mais importante que o que os outros estão fazendo… E por aí vai.

Ele sabe que está errado. Mas isso não importa. Não pra ele. O fato de cometer uma infração é menor que a importância dele e do que está fazendo. É o sentimento típico: “os outros que se danem”.

Esse é o mesmo cidadão (???) que, depois de abastecer, mantém o veículo diante da bomba de combustíveis enquanto ele vai pagar ou pegar alguma coisa na loja de conveniência. Ele não quer saber se tem outra pessoa esperando para encher o tanque. Primeiro os interesses dele. O outro pode esperar.

Questão de educação? Sim. Mas não de educação de escola. É de educação de casa mesmo – aquela dada por pai e mãe. Educação que vai continuar em falta, já que anda faltando pais de verdade. Muitos que ocupam tal papel apenas reforçam o comportamento egoísta, individualista natural da sociedade contemporânea. Lamentavelmente, seguiremos ensinando nossos filhos a serem tão reizinhos quanto o personagem deste post.

Na segunda, uma música

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Estou em dívida com um amigo e aluno. Já deveria ter postado uma música do artista sugerido. Entretanto, vai ficar para outro dia… Hoje, vou de Shania Twain. Ela tem várias canções de sucesso. Mas vou optar por música dela que descobri dias atrás, When you kiss me (Quando você me beija).

Meu amor ao próximo não chega a tanto…

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Dia desses escrevi por aqui sobre o bem e o mal que existem em nós. Eu realmente acredito que, dentro de nós, existe uma luta entre essas duas forças. E também entendo que não é o fato de haver um conflito interno entre o bem e o mal que nos torna pessoas boas ou más. Alguns dizem que são por nossas ações que somos julgados.

Uma das coisas que supostamente revelaria que somos bons é a compaixão, o amor pelo outro – em especial, pelos pobres. Não vou aqui entrar na concepção do que é ser pobre. Afinal, existem pobres de espírito, de conhecimento e outros que são pobres de recursos materiais (dinheiro mesmo). Mas, socialmente, ajudar quem precisa de dinheiro é um dos critérios de bondade.

Cá com meus botões, estava refletindo: não passo neste critério. Tudo bem… Uma avaliação mais profunda vai revelar que, quando o pedido tem origem (uma entidade séria, um amigo que está tentando angariar recursos pra ajudar uma pessoa realmente necessitada), procuro contribuir. Não sei se é por consciência, culpa ou sei lá quê. Mas procuro ajudar.

Contudo, nunca dou dinheiro pra quem me para na rua ou no semáforo. Não consigo me sensibilizar com os casos relatados. Do ponto de vista cristão, a gente tem que “ajudar sem olhar a quem”. Então, deve valer para esse pessoal que tem sempre um bom argumento para pedir um dinheirinho. O problema é que não dou conta disso. Minha resposta é sempre “não”. Acho até que dou mau exemplo para meus filhos. Mas meu amor pelo próximo não tem chegado a tanto.

A única coisa que não muda é a mudança

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A frase não é minha. Ouvi de uma amiga. Não sei se é dela. Mas gostei da idéia que vem junto com o enunciado. Em especial, por representar uma grande verdade: tudo, o tempo todo, está em mudança. Somos metamorfoses ambulantes.

Mudamos todos os dias. Mudamos e nem percebemos. Tornamo-nos melhores, ou piores. Mas mudamos. Somos influenciados pelo meio. Pessoas com as quais nos relacionamos, textos que lemos, notícias que ouvimos, filmes que assistimos… Conceitos, valores chegam até nós e nos fazem diferentes.

Teses que defendíamos, abandonamos. Outras que rejeitávamos, adotamos. É a vida em constante movimento.

Não acredito em pessoas que dizem “eu sou o mesmo de sempre”. Tenho medo delas. Quem não se renova, para no tempo. Bloqueia novos conhecimentos, rejeita a descoberta e ignora que o princípio básico da vida é o desenvolvimento. Se o mundo muda, por que seremos resistentes?

Conheço gente que parece ter vergonha de reconhecer que o segredo do crescimento humano – e até espiritual – está na constante mudança. O fato de termos assumido uma posição ontem e outra hoje não deveria ser demérito para ninguém. É motivo de orgulho. É sintoma de aprendizado; capacidade de reconhecer um erro – ou até mesmo de entender que a verdade de ontem talvez não valha para hoje.

Viver é reconhecer e participar das mudanças. Em nós e fora de nós. Abrir-se para elas é aceitar as condições cíclicas da própria existência. Rejeitá-las é isolar e se negar a experimentar o aqui e agora da vida.

Uma nova forma de exclusão: a digital

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Semanas atrás discuti na CBN Maringá o resultado de um importante estudo sobre as novas tecnologias. A pesquisa apontava que tantas novidades estão criando uma nova forma de exclusão. O foco do estudo era falar sobre as novas barreiras de acesso à leitura em virtude dos Ipad’s da vida.

Ontem, enquanto lia sobre o lançamento do Iphone branco, pensava exatamente na impossibilidade de compra de algumas dessas “novidades”. A cada dia, um aparelhinho diferente é lançado. O Iphone é mais que um modismo. O Ipad, idem. Outros tantos equipamentos, também. Entretanto, estão longe do alcance de milhões de pessoas.

Dia desses, num papo com amigos, falávamos sobre o Ipad. Pra quem curte tecnologias, um desejo de consumo. E não é só isso. O tablet da Apple reúne tantas vantagens que é impossível não querer comprá-lo. Vale o mesmo para o Iphone (já mais “velhinho”, mas com versão 4 e, nos próximos meses, também na cor branca).

São tecnologias que fornecem inúmeras possibilidades, mas que não são para o bolso da maioria. Em especial, no Brasil. Por isso mesmo, parece-me que estamos sim criando uma nova forma exclusão. Gente com salário, carreira, carro e até casa própria, mas que não dá conta de acompanhar tantas novidades. Um jeito moderno de diferenciar o povo.

O bem e o mal que existem em nós

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Estava lendo há pouco um comentário sobre o filme “Cisne Negro”. E, a partir do que li, fiquei pensando nos nossos conflitos de alma. A constante luta entre o bem e o mal. Tenho repetido que nossos sentidos sempre desejam o mal. Lembro inclusive de uma passagem bíblica. O apóstolo Paulo – o São Paulo, como alguns preferem – chega a confessar: – O bem que quero, não faço; o mal que evito, isto faço.

Os filósofos gregos já diziam que o homem virtuoso busca o bem. É mesmo uma busca. O bem não nasce em nós. Costumo brincar com meus alunos que a maldade nasce conosco. Basta observar duas crianças brincando… Elas podem ainda nem saber falar, mas já demonstram alguns dos “pecados” da humanidade: egoísmo, cobiça, inveja… E a lista pode ir longe.

Eu chegaria a dizer que, praticar o bem não é sinônimo de um coração bom. Pode até ser natural para alguns. Mas quase sempre é resultado de uma escolha.

O bem e o mal fazem parte de nossa alma. Estarão sempre lá… Em algum momento, uma ou outra face poderá ser revelada.

FHC não gosta do povão?

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Tenho evitado falar sobre política… Mas não resisti. Será mesmo que Fernando Henrique não gosta de pobre? O ex-presidente da República disse que a oposição deve esquecer o povão e focar na classe média. O argumento gerou um tremendo mal estar em políticos da oposição e do próprio PSDB.

Bobagem. Falta de interpretação. Não tenho nenhum motivo para defender FHC. Nem tenho grande simpatia pelo tucano. Entretanto, convenhamos, é preciso saber ler o que ele disse. Fernando Henrique estava falando de estratégia política. Quem hoje se sente desprotegido pelo governo? A classe média.

O povo foi adotado pelo governo. As políticas sociais protegem os mais pobres. Eles já se sentem cuidados pelo PT e pelo grupo político que administra o país. Já a classe média, que está em pleno crescimento, recebe pouco amparo do Estado. Por sinal, é a classe que mais sente o peso do próprio Estado.

Essa classe tem uma lista de demandas que está em stand-by. Vai desde as injustiças tributárias até a falta de políticas de atendimento satisfatório em áreas como educação, saúde e segurança.

Para FHC, a oposição deveria “adotar” a classe média e passar a representá-la. É o que resta à oposição como estratégia de sobrevivência política. Discurso em favor dos pobres nunca vai “colar” mais que o discurso do próprio governo – que além do discurso mostra ações práticas. O que o ex-presidente está dizendo é simples: se focar nos pobres, a oposição vai morrer.

O texto: uma arte

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“Trombei” há pouco com uma amiga jornalista. Ela é responsável por um site feminino. Num papo rápido, surgiu a idéia de escrever para o público que frequenta a página. Comentei que topo, desde que possa seguir a linha do que faço aqui no blog.

Depois de separar alguns textos, fiquei pensando no conteúdo que produzo. É sempre difícil dimensionar a qualidade do que a gente faz. Confesso que, por vezes, cito o que escrevo para meus alunos. Quase sempre como exemplo de alguma coisa que vale a pena refletir, dentro do contexto da própria discussão acadêmica.

Entretanto, nunca gastei tempo em promover (tornar popular) minhas publicações. Algumas coisas vão acontecendo naturalmente. Por exemplo, meu espaço na Rede Novo, que só não é maior por desleixo meu. Também a repercussão em outros sites, blogs etc. Amigos e alunos às vezes brincam que preciso publicar, transformar em livro, minhas “viagens” filosóficas.

É bom ouvir elogios, comentários positivos a respeito dos textos. Uma aluna dia desses falou que ser âncora da CBN não “está com nada”. Eu devia mesmo era me tornar conselheiro amoroso. A brincadeira veio depois do texto “No relacionamento, a mentira pode ser santa”.

Tudo isso é muito bom, confesso. Entretanto, ainda sinto que escrever – em especial a ponto de publicar um livro – deve ser mais que um capricho pessoal. Uma obra deve ser significativa, transformadora. Ainda não sei se dou conta disto. Sem contar que, para isso, é preciso de certo grau de loucura. Não há arte sem loucura. E eu ainda entendo que o texto é uma forma de arte, de expressão quase que filosófica. Neste caminho, ainda estou só no início.

Na segunda, uma música

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Pra não esquecer… e nem deixar pra depois das 23h, como aconteceu na semana passada, fiz um esforcinho e cá está a música desta segunda-feira. Escolhi uma das mais lindas canções de Diana Krall. Essa popular cantora e pianista canadense lançou seu primeiro álbum em 1993. O jazz é seu estilo. No Brasil, muitas de suas músicas se tornaram conhecidas em novelas da Rede Globo, inclusive a escolhida para hoje.

“Look Of Love” tem uma letra belíssima. Entre outras coisas, diz:

Mal posso esperar pra te abraçar, sentir meus braços ao seu redor
Quanto tempo esperei
Esperei só pra te amar, agora que te encontrei
Nunca vá embora

Bom, então, vamos à música.

Passada a comoção, será que nossas crianças estarão protegidas?

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Tenho procurado responder todos os comentários que chegam por aqui. Mas de ontem pra hoje não deu. Além da falta de tempo, foram vários textos e todos discutindo o mesmo assunto: a tragédia no Rio. O fato lamentável, que nos tocou, comoveu e que não conseguimos entender, certamente vai nos machucar por muito tempo.

De verdade, só espero que seja o primeiro e último massacre numa escola. O que nos assusta, porém, é que, passada a comoção, talvez nada aconteça para evitar novas tragédias. E ainda que providencias sejam tomadas, não há garantias de que nossas crianças estarão completamente protegidas.

Tragédia no Rio: nós, a imprensa e a busca de um por quê

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Hoje é dia do jornalista. Talvez uma oportunidade para refletirmos sobre nossa profissão. Entretanto, nenhum jornalista vai se ocupar disso nesta quinta-feira. Afinal, mesmo quem está longe do Rio de Janeiro quer entender o massacre ocorrido numa escola da Zona Oeste. Onze crianças foram vítimas de um imbecil, neurótico, doente mental.

Jornalistas, comentaristas e “simpatizantes” da imprensa querem esgotar o tema. O negócio é falar, falar sem parar. Ainda que tudo ainda esteja confuso, o objetivo é um só: continuar atualizando as notícias sobre o fato. Há uma busca sem medidas por um único detalhe novo do acontecimento. Não importa onde ele esteja, nem como será descoberto; ainda assim, é preciso oferecer uma notícia nova sobre a tragédia.

Trata-se de uma ação quase irracional, inconseqüente. Não há autocrítica. Nada. Não importa se tudo está no campo do “achismo” ou se realmente existe alguma coisa que valha a pena ser publicizada. O público quer novidades. Nós queremos mais informação. E queremos entender por quê.

Mas, sabe caro leitor, não tem por quê. Eu e você não vamos entrar na cabeça do sujeito. Claro, como disse no post anterior, no universo dele há uma justificativa para esse ato de tamanha crueldade. Mas, para nós, nada justifica. E não justifica mesmo.

Hoje e nos próximos dias estaremos incomodados, entristecidos porque crianças inocentes morreram. Foram assassinadas. E sem motivo. Pior, num ambiente que só deveria proporcionar crescimento. Escola deveria ser lugar de paz, de formação de valores e produção do conhecimento; local para abrir a alma, encontrar-se vida. Nunca para uma tragédia; encontro com a morte.

Todas as notícias que vimos e que ainda veremos sobre esse fato são palavras ao vento. Vidas não serão devolvidas. O criminoso não será punido. Ele já se puniu. Tirou a vida. Deixou-nos impotentes; não temos ninguém contra quem descarregar nossa raiva. A morte dele frustra a sociedade do direito de questioná-lo, acusá-lo, condená-lo.

Não encontraremos respostas. Nada vai saciar nossa indignação e muito menos esse desejo de entender por quê. A imprensa vai tentar… Até nos cansar. Mas nenhum argumento será suficiente.

Cá com meus botões entendo que resta-nos apenas chorar pela morte de inocentes, lamentar a fragilidade da vida e a insegurança que nos cerca, desejar que homens e mulheres consigam ser humanos e sonhar que a loucura um dia esteja restrita apenas ao mundo das artes – pois só lá as tragédias possuem seus encantos.

Tragédia no Rio: crianças mortas por atirador

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Absurdo esse fato ocorrido no Rio de Janeiro. O cara entra na escola e sai atirando contra crianças inocentes. Como um ser humano pode fazer isso? Teria deixado de ser humano? É coisa do demônio, como alguns dizem?

Quem comete esse tipo de crime sempre tem, dentro do seu universo pessoal, uma justificativa para tamanha loucura. Entretanto, é impossível compreender tal ato.

Enquanto ouço e leio notícias sobre o fato, recordo que o Questão de Classe (CBN Maringá) desta quinta-feira trata da violência contra o professor. Até chegamos a falar sobre esse tipo de crime – atirador que entra em escola e dispara contra alunos. Entretanto, meu convidado – o doutor em Educação, Raymundo de Lima, – pontuou, fora do ar, que não acreditava que, no Brasil, pudéssemos ver esse tipo de crime.

Isto foi anteontem. Ou seja, terça-feira, enquanto gravávamos o programa. Hoje, a gente vê esse absurdo. Pra mim, fica a impressão que não podemos mais duvidar de nada. Não estamos isentos de nenhuma forma de loucura humana. E pior, ninguém está preparado para situações como essa. Não há investimento em prevenção e a qualquer momento outros fatos como esse podem se repetir.

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