Nem tudo está perdido

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Nem tudo está perdido… Se ao chegar em casa, fiquei frustrado com a qualidade de um ser humano capaz de emporcalhar toda a escadaria do prédio, por outro lado, também me senti tocado pelo gesto de um garoto quando fui pegar o carro no horário do almoço.

Não coloquei o cartão de estacionamento do Estar. Como era esperado, recebi uma notificação pela ausência do cartão. Entretanto, quem emitiu a “multa” não fixou muito bem no vidro e nem o deixou visível. Por isso, entrei no carro e já ia dando partida quando um garoto chamou minha atenção.

Do lado do passageiro, ele acenava pra mim. Demorei um pouco pra entender o que era. Abaixei o vidro e ele estava me avisando que a notificação estava colada no vidro. Ele comentou:

- Estou tentando avisar, porque o senhor pode perder o papel enquanto estiver dirigindo. Aí vai ter que pagar multa, porque não conseguiu acertar os R$ 4 do Estar.

Agradeci, peguei a notificação e saí tocado pelo gesto do rapaz.

Ele não precisava fazer isso. Não mesmo. Caminhava pela calçada, viu que eu poderia perder a notificação e resolveu me avisar para que eu não tivesse que pagar uma multa depois.

O garoto poderia pensar: “este é um problema dele”.

Não estaria fazendo nada errado. Nada demais. É assim que somos. Pensamos em nós. Muito pouco nos outros. A notificação era para mim; uma possível multa, também. Além disso, quem deixou de colocar o cartão também fui eu. Ele não precisava se importar. Mas se importou.

Consegue ver a dimensão disto? Consegue perceber como tudo poderia ser muito melhor se tivéssemos disposição para nos preocuparmos só um pouquinho mais com os outros?

Tem gente que não é gente

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Ainda pela manhã publiquei o post “Carpinejar, Jô Soares e o homem borralheiro“. Quando estava chegando em casa, foi impossível não lembrar do texto. Vi um servicinho porco nas escadarias do prédio. Pelas características, concluí: é coisa de homem (apesar que, de vez em quanto, a gente topa com algumas mulheres que não são muito diferentes do que certos homens). E desses ignorantes, que não sabem valorizar o trabalho alheio.

As escadarias estavam cheias de barro. Alguém deixou o carro no estacionamento e, provavelmente estava com os calçados muito sujos. Pois o sujeito não teve nenhum cuidado e subiu emporcalhando tudo. Isto, depois do prédio estar limpinho. A zeladora cuida de tudo logo pela manhã e, nessas ocasiões, deixa tapete ou um pano de chão para que os moradores mantenham o local arrumado.

A pessoa não teve capacidade de fazer isso. Sujou, ignorando que o serviço estava feito, ignorando que tem vizinhos, que o ambiente fica com aspecto desagradável e, principalmente, que alguém vai ter que trabalhar dobrado para limpar o chão que sujou.

Acho essas atitudes mesquinhas. Um comportamento de prepotência. De desrespeito pelo outro.

Tem origem na educação. Ou da falta dela.

Carpinejar, Jô Soares e o homem borralheiro

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Um dos assuntos mais comentados no Twitter na manhã desta quinta-feira é a entrevista do escritor Fabrício Carpinejar ao Jô Soares. Mais que ser engraçada, Carpinejar fala do novo homem, o Borralheiro. Um homem que também tem que ajudar em casa em tarefas antes tidas como exclusivas da mulher.

Embora o papo do escritor com Jô Soares faça a gente rir – até mesmo do visual de Carpinejar -, vale a pena levá-lo a sério. Afinal, não há mais espaço para o homem machão – aquele que senta no sofá, assiste tv enquanto a mulher lava a louça.

Vivemos um momento em que o homem precisa se envolver. Não apenas porque a mulher também esteja trabalhando fora. Mas até por uma questão de tornar o ambiente doméstico mais justo. Que direito o homem tem de apenas assistir sua mulher colocando a casa em ordem? Quem deu a ele esse direito? Que superioridade é essa?

Ninguém perde a masculinidade por lavar louça, fazer o almoço, varrer uma casa, limpar o banheiro, trocar a fralda da criança.

Quem divide uma vida deve estar disposto a dividir as tarefas.

A Pippa usou o mesmo vestido. E daí?

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O título da matéria é este:

- Pippa Middleton usa o mesmo vestido por dois dias seguidos

No primeiro, saiu para fazer compras. No segundo, foi a um jogo de tênis. Vestido vermelho, básico, bonito. Não entendo tanto assim de moda, mas me parecia bem vestida.

Agora, diga-me, qual o problema em repetir o vestido? Tudo bem, há quem diga que deve-se evitar, principalmente por tê-lo usado em dias seguidos. Até nós, que não somos celebridades midiáticas, procuramos não sair de casa dois dias seguidos com as mesmas roupas. Mas, se o fizermos, deixamos de ter bom gosto? Ou somos relaxados? Cometemos um “crime”?

Já que ontem e hoje questionei a mídia, vou fazer outra perguntinha básica:

- Por que o fato (a Pippa usar o mesmo vestido) é notícia?

Alguém pode me responder?

Ah… e por que a cunhada do príncipe é notícia mesmo?

Vamos deixar de bobagem. Temos mais o que fazer, né?

A “morte” de Amin Khader: qual a responsabilidade da imprensa?

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Uma das discussões que faço com meus alunos na disciplina de Leitura Crítica da Mídia é sobre o comportamento da imprensa em relação aos seus próprios erros. Um autor que uso como referência para tratar do assunto, Patrick Charaudeau, diz que a mídia não é autocrítica. Ela transfere os erros para os outros, para as circunstâncias; nunca se auto-avalia, nem tenta analisar qual sua responsabilidade no processo.

Estava pensando nisso ao ver na manhã desta quarta-feira o desdobramento envolvendo a falsa notícia de que o promoter Amin Khader teria morrido. O foco está em quem inventou a história. Nenhum veículo de comunicação assumiu ou vai assumir que esqueceu de algo básico: ligar para o telefone do “morto”, para algum empregado ou para alguém que morasse com Amin. E mais: se ele estava morto, o corpo deveria estar em algum lugar. Então por que não checar esse detalhe tão básico a fim de confirmar a morte?

Ninguém fez isso. O fato de um amigo(?) ter noticiado a morte foi suficiente para compartilhar com o público. Era preciso ser rápido. O mais rápido possível devido a relevância(?) e urgência(?) do assunto.

Se foi o David Brazil ou o próprio Amin que inventou a história, pouco importa. Quer dizer, importa. A gente pode discutir o caráter das pessoas, a necessidade de aparecer, a falta de bom senso… coisas do tipo. Mas importa ainda mais refletir sobre o jeito de se produzir e dar notícias.

Não tem graça alguma informar e desmentir depois. Perde-se tempo demais com bobagens. É a espetacularização da ausência, do vazio, do não existente. E o público embarca. O que é relevante fica silenciado, ou em segundo plano, pois a novela de uma falsa morte torna-se mais importante que qualquer outro fato.

Convenhamos, está na hora de virar a página. E a mídia (na pessoa inclusive de jornalistas, apresentadores e outros profissionais) de reconhecer que também é responsável por situações como essa. Quem deu eco a mentira foram os veículos de comunicação e os apressados de plantão que, inocentes ou tolos, preferiram a farsa a gastar tempo em busca da verdade.

A “morte” de Amin Khader e as mentiras na internet

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Já que o assunto aqui hoje é internet, volto a falar sobre as bobagens que se publicam na rede. Pegadinhas sempre foram normais. Mentiras mesmo. Na rede, ganham proporção desmedida. E o povo acredita. Inclusive nós, jornalistas.

Dias atrás um amigo e ex-aluno falou comigo quase desesperado. Ele viu uma notícia, achou um absurdo o fato retratado e não conseguia se convencer que trava-se apenas do chamado “jornalismo mentira”.

Eu dizia:

- É mentira. Só uma brincadeira.

Ele replicava:

- Mas está num blog sério.

Já avisei: internet é terra de ninguém. A mentira vira verdade. É preciso duvidar sempre.

Nesta terça-feira, uma brincadeira(?) de David Brazil levou muitos canais de TV, gente no Twitter e uma galera de blogs a noticiarem a morte do promoter Amin Khader.

Não passava de pegadinha.

Tenho dito, não sou dono da verdade. Mas, convenhamos, é preciso ser menos precipitado e principalmente menos inocente ao consumir informações na web.

Fica a dica: leia de novo este post aqui.

Aprenda a controlar a sua imagem

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A internet acabou com nossa privacidade. É verdade que nem todo mundo está na rede. Ainda assim, a pessoa pode ser citada, ter sua imagem publicada… Enfim, ser alvo de comentários diversos. Não dá para evitar. Você vai a uma festa, alguém tem uma máquina fotográfica nas mãos e, sem que você saiba, sua carinha vai parar no Orkut. Ninguém pediu autorização. Simplesmente publicou.

Quem tem uma função pública está ainda mais exposto. Uma exposição por escolha. Às vezes, profissional. Outras, porque fez a opção por usar as mídias sociais para se expressar, compartilhar conteúdo ou apenas para se relacionar com amigos, colegas etc.

Ainda ontem escrevia por aqui que ninguém consegue ser dono de si mesmo. Em tempos de internet, também não somos donos de nossa imagem. Ela é de todos. Até podemos interferir, tentar administrá-la. Porém, a face que mostramos pode ser confrontada por aquela que é exibida por gente que nos ama ou nos odeia.

Ainda hoje estava fuçando num novo serviço lançado pelo Google. Trata-se no “Eu na Web”. A proposta é ajudar os usuários a ter um certo controle de sua imagem na rede.

Deve ajudar. Mas não assegura que possamos ter pleno controle do que acontece na rede e muito menos de como seremos citados. Até dá para denunciar os conteúdos indesejados. Remover completamente informações problemáticas é algo um pouco mais complexo. Mas, como disse, é mais uma opção para cuidar da reputação na web.

Cá com meus botões ainda penso que o melhor caminho é evitar fazer em rede qualquer coisa que possa te envergonhar depois. Dia desses disse aos meus alunos:

- Antes de publicar qualquer coisa, use como regra: se amanhã alguém para quem for pedir emprego ver isso daqui, sentirei vergonha ou orgulho?

Vale o mesmo para outras situações. Tipo convidar alguém para sair e até pedir em casamento. Se achar que vai te constranger, evite. A exposição virtual não fica só na web; atinge-nos na vida real (fora da telinha do computador).

Quem gerencia a sua vida?

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Vi um comentário do Ulisses Efatá, falando do texto que postei sobre o uso das redes sociais, e fiquei pensando: conseguimos gerenciar alguma coisa nos dias de hoje?

Ele falava que a única forma de não se perder em meio às redes, a quantidade de conteúdo, de serviços etc etc é escolher usar apenas umas três delas e ainda administrar o tempo on e off.

Concordo com o Ulisses. Mas o termo que ele usou, gerenciar, ficou me martelando.

Tenho acompanhado o drama de um amigo apaixonado. Bom, apaixonado é modo de dizer. Ele está amando. E muito. Mas a relação é bastante difícil. Pelas circunstâncias, tem sido difícil viver esse sentimento. Mais que isso. Por vezes, tem dúvidas se é plenamente correspondido, e principalmente se vale a pena todo o investimento que tem feito nessa história de amor.

Olho pro meu amigo e sempre chego a mesma conclusão: ele não tem controle da sua vida. Tem um termo do inglês que gosto para caracterizar o estado de vida dele: stand-by. É isso. Meu amigo está em stand-by. Todos os projetos, sonhos, planos… Tudo. Enquanto a outra pessoa não embarcar de vez no relacionamento, ele segue investindo seu tempo, seu amor. Ela é sua prioridade. As demais coisas estão em estado de espera.

Ele gerencia a vida dele? Não.

Mas será que apenas nesses casos a pessoa perde o controle de sua vida? A resposta é a mesma: não.

Primeiro, porque todas as vezes que estamos num relacionamento, não somos senhores de nós mesmos. Dividimos a nossa vida com outra pessoa. Logo, nossas decisões não são apenas nossas.

No entanto, ninguém é plenamente gerente de si. Ou, dono de si.

Por exemplo, quando trabalhamos, muitas vezes o patrão é muito mais dono de nossa agenda que nós mesmos.

Temos uma festa à noite. O chefe nos convoca para uma reunião de última hora. Perdemos a festa, mas não colocamos o emprego em risco.

Sempre digo que não somos plenamente livres. Nossas escolhas quase sempre são mediadas. Há interferências. Das mais diversas. Talvez até gerenciamos nossa vida. Afinal, o gerente não decide sozinho. Apenas tenta administrar da melhor forma possível dentro de um contexto apresentado. Mas estamos longe de sermos senhores de nossa vida.

Na segunda, uma música

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A música de hoje é de uma das bandas de maior sucesso nos anos 1970 e 1980. Não diria que a música escolhida é a principal do grupo. Mas tem sim algo de especial e, por isso, optei por compartilhá-la. Estou falando de ‘Crazy Little Thing Called Love‘. Sucesso do Queen, banda que tornou Freddie Mercury uma espécie de mito do rock. Mas seu sucesso não foi por acaso. De fato, o vocalista pode ser considerado um dos maiores cantores de todos os tempos. Portanto, fica o convite: vamos à música?

Como usar corretamente blog, twitter, facebook e outras redes sociais

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Dia desses estava papeando com a Passarelli sobre o uso das redes sociais. Ela sustentava a diferença que existe entre o Twitter e o Facebook. Apontava que o ideal é não vincular as contas, principalmente no caso de empresas. São duas ferramentas distintas, que reclamam uma interação diferente com seguidores, fãs e amigos.

Depois da conversa e, diante da minha realidade, fiquei pensando no quanto dá trabalho dialogar com todas essas mídias (ah… ainda acho graça das pessoas que montam perfis para empresas; mas está todo mundo tentando fazer a coisa certa – e isso é legal).

Em 2005, estreei meu primeiro blog. Desde então, venho tentando me manter atualizado e experimentando todas as novidades.

Fui mais resistente com o Orkut, porque não gosto do caráter tão pessoal que ele tem. Quase um álbum de fotografias. Mas acabei cedendo.

Em Maringá, fui um dos primeiros a ter uma conta no Twitter. Na verdade, o primeiro jornalista. Na época, nem tinha tinha gente aqui para seguir – muito menos para ser seguido. Fiquei com uma meia dúzia de seguidores por vários meses. Nem dava ânimo tuitar.

Depois, ainda abri contas no Linkedin, Foursquare… enfim.

O blog sempre foi minha grande paixão. Primeiro, para postar notas – geralmente os bastidores das matérias que produzia ainda para o Hoje Maringá (atualmente, Hoje Notícias). Com o tempo, fui abrindo novos blogs, experimentando outros provedores… e acabei tornando este aqui meu principal espaço para reflexão.

Pela vontade de tornar este espaço mais pessoal, acabei deixando de publicar o factual, as notas e serviços. O desejo de também fazer isso já me fez abrir outros vários blogs, principalmente para experimentar ferramentas como o Posterous e o Tumblr.

Acontece que com tantas “casas” na rede simplesmente não dou conta delas. Nenhum espaço é priorizado. E no caso do blog, twitter e facebook, acabei integrando todos eles e tudo que produzo é repercutido nessas mídias. O conteúdo é praticamente pensado para os blogs e repercutido nos demais espaços.

Na perspectiva de um uso produtivo dessas mídias sociais, está tudo errado. Melhor, tudo não. Quase tudo. O blog não é o twitter e nem o twitter é o facebook. Mas como dar conta de ser significativo nessas diferentes redes? Não dá. Pelo menos, por enquanto, ainda não achei a minha fórmula para dar conta. Por isso, vou tentando, experimentando, errando… E, quem sabe em algum momento, acerte.

Quando é preciso mudar

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Relacionamentos são feitos por concessões. Aceitamos o outro. Mas a aceitação envolve perdas. Para nós e para o outro. E para que a relação seja minimamente saudável, feliz, essas perdas precisam ser divididas, equilibradas. Se apenas um dos envolvidos mudar, alguém poderá se sentir injustiçado. Isso tende a provocar desgastes e, com o tempo, a perda dos bons sentimentos.

Por mais que haja sintonia entre pessoas que se amam, há diferenças que devem ser conciliadas. Ninguém é igual – psicológica e culturalmente. Sofremos a influência do meio em que vivemos. Isto nos forma. Forma hábitos. Coisas que achamos normais, incomoda o outro.

Quem entra numa relação e quer que o outro se adapte ao seu jeito de ser tem grande chance de não ser feliz. E principalmente de não fazer o outro feliz.

E, desculpe-me, se a gente ama, por que não abrir mão de algumas coisas? O que vale mais: seus caprichos ou outro na sua vida? Tem mais um detalhezinho: quem pode assegurar que seu jeito, seus hábitos são os melhores? Quem disse que você está certo e o outro errado?

Sempre acho que muitas vezes sofremos e fazemos sofrer por coisas pequenas. A gente elege como fundamentais. Bate o pé, briga. Mas por que não tentar? Será que mudar um hábito visando agradar vai roubar sua identidade?

Tudo bem. O outro pode estar exagerando… Nesses casos, é preciso conversar, negociar. E também reconhecer que pertencem a universos diferentes; que por essas coisas que a gente não entende, encontraram-se e agora “água e vinho” dividem uma vida.

Portanto, se o outro preenche seu coração, o vazio de sua alma, por que não mudar? Diferenças podem se tornar pequenas ou até serem ignoradas quando alguém está disposto a tudo por amar.

Ninguém é dono de ninguém

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É bom sentir-se no controle. Nada melhor do que ter a sensação de que nada escapa ao seu poder. Nada.

Mas se a sensação é boa, a verdade joga-nos na face a realidade: ninguém tem controle absoluto sobre tudo.

Numa empresa, o chefe pode sentir-se senhor absoluto de tudo. Ainda assim, vez ou outra será contrariado. Se é dono, pode mandar embora. Eliminar o problema. Se é empregado, como dizem por aí, a hora dele também vai chegar. Porém, em ambas situações, nem sempre terá sob seu domínio as pessoas que deseja.

E o que dizer das relações? Impossível controlá-las. Até é possível investir, conquistar e alimentar um sentimento, mas não é possível ser dono dele.

Dia desses num desses papos mais informais, uma pessoa me contou que foi taxada de controladora. Mas, se por um lado era tida como controladora; por outra, estava triste porque o namoro tinha acabado.

Que controle é este?

Podemos até monitorar, rastrear ou sei lá o quê… fazer isto a fim de saber onde está, com quem conversou, se está saindo com mais alguém. Porém, ninguém é dono do sentimento do outro.

Você pode ser desejar ser único, mas não tem poder para tornar-se único se o outro não te der esse direito. Você pode querer ser amado, mas não o será se este sentimento não estiver no coração da outra pessoa. Você pode desejar que o outro responda suas declarações mais inspiradas, mas não terá resposta se ao outro faltam palavras.

Talvez seja frustrante. E por vezes, é. Nada dói mais que o desejo de ser correspondido. Mas isso não se controla. É só um desejo, uma vontade. O outro não é nosso. Só será se doar-se, apaixonar-se, entregar-se. Está aí a beleza de uma relação. Os dois juntos é que dão sentido aos sentimentos e assim se completam tornando-se um só.

O que acontece com Amy Winehouse?

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Não sei se faz dois ou três anos, mas já escrevi sobre a cantora britânica aqui. Talentosa, de voz poderosa, Amy está se desconstruindo diante dos nossos olhos. Seus fãs ainda a cultuam, cantam com ela e até vão aos seus shows esperando seus vexames. Entretanto, ela definha no palco. Dá dó, pena.

Criticá-la é bobagem. Amy está doente. É um exemplo do que a dependência química pode fazer. Mais que aplaudi-la ou achar graça em vê-la balbuciando as letras de suas canções, de maneira completamente desordenada, o público deveria ver que ali está piscando sem parar um sinal de alerta. Amy está morrendo aos poucos… Precisa sim de tratamento. Mas só ela pode desejar isso. E os amigos, fãs etc deveriam incentivá-la a buscar isso. Só assim poderemos vê-la novamente brilhar nos palcos.

O vídeo abaixo ajuda a entender o momento triste da britânica.

Por um ensino melhor

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Encerrei mais uma gravação do Questão de Classe. Sempre que termino um papo sobre educação fico indignado. Penso no quanto o assunto é importante, mas vejo, por vezes em números, a tremenda contradição que existe entre discurso e prioridade nas políticas públicas do Estado brasileiro.

É verdade que não existe um modelo ideal. Mas dá para fazer mais e melhor, inclusive com os recursos atualmente disponíveis. Sabe o que muitas vezes falta? Comprometimento.

Dia desses entrevistava a atual secretária de Educação de Maringá, Edith Dias. Ela é professora. É verdade que boa parte da vida dedicou a política; muito menos à sala de aula. Mas a Edith tem uma característica que gosto: ela acompanha o processo. É o tipo de secretária que vai na escola, entra na sala de aula, vê o que o professor está fazendo.

Quando o assunto é educação pública, no Brasil, a coisa é muito largada. Não tem cobrança de metas, resultados. Às vezes, até se cobra. Mas quando se faz isso não são apresentadas as diretrizes – o como fazer.

O gestor precisa se interessar pelo que está acontecendo em sala. Não deve apenas oferecer formação continuada para os professores, boa sala de aula, salário digno. Isso importa. Muito. Mas é necessário ver o que está acontecendo, como os projetos estão sendo executados.

Quando isso não ocorre, por mais que haja boa vontade do educador, fica faltando aquele “onde queremos chegar?”. Afinal, o objetivo da educação é um objetivo comum. O professor tem que ser valorizado no que ele faz de melhor, mas não é só a verdade dele que deve estar em sala. Uma proposta de ensino comum a todos deve ser o alvo. Para que isso aconteça, tem que ter gestor – alguém que trabalhe para promover (e fazer cumprir) as políticas da educação.

Na segunda, uma música

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Há um ano compartilhei por aqui uma música de Gal Costa. Ontem, enquanto pensava numa música para esta segunda-feira, pensava em Gal. Tentava lembrar de algumas de suas canções. Uma das que mais gosto é “Nossos momentos”, de autoria de Haroldo Barbosa. Vale ouvir!

Pode cair o mundo, estou em paz

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Como discuto muito sobre arte numa das minhas disciplinas na faculdade, vez ou outra surge a pergunta: fotografia é arte?

Resposta bem objetiva: sim. Mas não todas.

Não quero aqui discutir arte. Nem fotografia. Só lembrei desse papo por causa de uma foto que vi hoje. Publiquei primeiro no meu blog de notas/notícias. Mas gostei tanto da imagem que resolvi compartilhar por aqui.

Foto da Getty Images

Se esta fotografia se configura numa peça de arte ou no simples registro de um momento histórico, pouco importa. Importa o sentimento expresso por esses jovens.

Gente, para tudo… Estava o maior tumulto. Tinha briga, bomba, polícia, gente sendo presa. De maneira bem popular poderíamos resumir: “o pau tava quebrando”. Pois é. “O pau estava quebrando” e o casal namorando. Ali, no meio da rua, no meio da confusão. O mundo até poderia estar caindo, mas não sobre a cabeça deles. Eles se encontraram numa espécie de universo paralelo e – protegidos apenas pelo desejo, pelo sentimento – encontraram uma forma de expressar o que sentem um pelo outro.

Cá com meus botões fiquei pensando: quanta gente por muito menos não consegue simplesmente dizer uma palavra de carinho; demonstrar através de um toque, de um gesto que o outro é importante?

O amor é sentimento ou decisão?

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Está aí a questão… Quem se atreve a responder?

Essa coisa de filosofar sobre o cotidiano nem sempre dá certo. Vez ou outra a gente ouve perguntas como esta daí. Esta semana alguém me fez esta pergunta. E insistiu na busca de uma resposta.

Sinceramente, não sei responder. Definir o amor é algo que não me atrevo. Não por ser desprovido de amor, mas por que creio que cada pessoa o experimente e vivencie de forma diferente.

Penso que, se o amor é algo que sentimos, logo é um sentimento. Mas que sentimento é este? Amor não seria a junção de outros sentimentos? Por exemplo, amamos alguém que nos faz sentir paz, alegria, prazer. Ou seja, temos a sensação que amamos alguém quando este alguém faz a diferença em nossa vida – quando nos toca de uma maneira única e especial.

Uma coisa é certa: amor não é aquela loucura cega que tira o nosso foco e nos faz perder o rumo. Isto é paixão. E paixão acaba. Perde-se com a realidade, reveladora de todas as nossas contradições e defeitos.

Por isso, amor também pode ser uma decisão. Às vezes, escolhemos estar ao lado de alguém, ajudar, apoiar, cuidar… E ninguém dá conta de fazer isso por uma outra pessoa sem ter amor.

Seria então o amor algo que temos dentro de nós e apenas escolheríamos o alvo, o objeto ou a pessoa a ser amada?

Difícil responder.

Sei, porém, que os gregos são mais felizes do que nós. Eles têm mais de uma definição para amor – por lá tem conceito para amor entre homem e mulher; amor entre amigos e irmãos; amor do divino pelo humano; e ainda o amor sem interesse. Além disso, filosofaram tanto sobre o amor e apresentaram aos humanos os deuses do Olímpo em todo o seu universo místico, repleto de histórias tão belas (e outras nem tanto), que devem saber muito mais que nós sobre o que é o amor.

Quanto a nós, que fomos privados pelo vocabulário que nos concedeu só uma só palavra para definir algo tão complexo, resta-nos viver. Viver e experimentar o amor. Sendo ele um sentimento ou uma decisão, não podemos negar: faz bem. Torna o homem melhor, pois aproxima, nos torna gentis, pacientes, tolerantes, fiéis, perseverantes, prestativos, justos, capazes de perdoar…

Rostos desconhecidos

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Estou longe de ser famoso. Entretanto, meu trabalho é público. Por isso mesmo, muita gente me conhece. Embora esteja longe das câmeras de TV, os anos de dedicação ao rádio, o tempo na faculdade, as ações públicas ligadas à instituição religiosa que pertenço me fizeram relativamente conhecido.

Ser conhecido não me deixa constrangido. Embora seja um “caipira” na relação com o público, não me incomodo por ter um trabalho e desenvolver atividades que me expõem. Nem estaria aqui – com blog, twitter, facebook etc – se me preocupasse com isso.

Mas algo me incomoda.

Tenho uma natureza tímida e sou bastante reservado, mas procuro ser agradável, gentil. Educado, talvez seja a palavra que melhor defina minha motivação no trato com as pessoas.

Acontece que muita gente que me conhece é completamente desconhecida para mim. Às vezes, até já vi, cumprimentei, ou convivi durante algum tempo. Contudo, pela quantidade de relações que estabeleço diariamente, o tempo torna alguns rostos completamente desconhecidos para mim.

Esta semana dei de cara com uma mulher. Quando me viu, abriu um sorriso. Ela estava na recepção da CBN. Eu retribuí o sorriso, cumprimentei-a e troquei algumas palavras. Cá com meus botões, consultava todo meu arquivo de imagens e nomes, mas simplesmente não sabia com quem estava falando. Somente quando vi o marido dela, soube de quem se tratava.

Na semana passada, andava pelo centro de Maringá com minha esposa. Como conversávamos, um rapaz ouviu minha voz, ficou um tempo próximo e, quando paramos no semáforo, ele veio me cumprimentar. De cara perguntou: “não lembra de mim?”. Felizmente, nem esperou a resposta. Já foi dizendo quem era. Facilitou minha vida.

Situações como essa fazem parte da minha rotina. E, de verdade, me incomodo. Não por ser reconhecido. Mas porque muita gente me conhece, sente-se próximo – quase um amigo -, mas eu não sei quem é a pessoa.

Recordo agora que semanas atrás eu saia da academia, um cara estava estacionando o carro para entrar numa empresa, acenou, sorriu pra mim e me cumprimentou: “e daí Ronaldo, tudo bem?”.

Respondi, mas sigo sem saber quem era o sujeito.

Nessas horas penso nas tantas pessoas com as quais devo esbarrar por aí. Gente que já entrevistei, conversei, fui apresentado… Ouvintes, pessoas que faziam parte do público de eventos que já apresentei, de cerimoniais (até casamentos) que já fiz… Rostos e nomes que não lembro. Mas que me conhecem, sabem quem sou e até se sentem íntimos.

Claro, é impossível reconhecer todo mundo. Mas, humano que sou, também me preocupo com a minha imagem. Não queria ser visto como um chato, arrogante, prepotente ou sei lá mais o quê. Tudo bem que não dá para pedir que as pessoas gostem da gente. Porém, nos rejeitarem quando não temos culpa não é algo desejável.

Expectativas frustradas

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Você já frustrou a expectativa de alguém? Já se sentiu frustrado pela atitude – ou pela ausência dela – de uma pessoa que gosta?

Claro que sim.

Todo mundo já frustou expectativas e teve expectativas frustradas. A frustração, por sinal, é necessária para nossa crescimento emocional. Em especial, na infância. Pais que protegem demais seus filhos não os preparam para a vida. Quando adultos, serão pessoas frágeis emocionalmente ou mesquinhas, arrogantes, prepotentes.

Bem, mas este não é o foco do nosso papo aqui… Quero falar de gestos simples que dizem “você é importante” ou que revelam o que somos e o que podemos ser na vida de alguém.

Dia desses uma amiga fez aniversário. O namorado não a presenteou e ainda apareceu com uma desculpa esfarrapada. Disse que presentear é um hábito cultural criado pelo mercado.

Não diria que ele está completamente errado. O mercado se apropriou das datas comemorativas. Elas foram transformadas em boas oportunidades de negócio.

Entretanto, isso pouco importa. Quando a gente faz aniversário quer ser lembrado. E um presente é mais que bem-vindo. O mesmo vale para o Dia dos Namorados, Dia das Mães, Pais, Crianças, Natal etc etc etc.

Haja dinheiro…

Mas não adianta reclamar. As pessoas esperam por isso, criam expectativas. Nós esperamos, nós criamos expectativas.

O presente ali é simbólico. É um gesto de carinho. Representa mais que um objeto. Junto vem a mensagem: “eu me importo com você. Eu amo você. Você é importante para mim”. Não importa se é coisa do mercado ou não. Tem muita gente interesseira no mundo… É verdade. Mas sentimentos não se medem em cifras.

Todo mundo é carente de afeto. Por mais durão que possa parecer. Por isso, sempre há o desejo de se sentir importante para o outro. Ser lembrado numa data especial é uma maneira de ser tocado. Pena que nem todo mundo consegue entender algo tão simples.

Liberdade de expressão: sabemos usar?

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Creio que não. E não só por aqui. O que dizer desse americano que se passou por uma blogueira lésbica? Detalhe, além de criar essa personagem, saiu-se com com a informação de que estaria sofrendo represálias e, por fim, teria sido presa por forças de segurança da Síria.

O que dizer dos milhares de anônimos que fazem circular conteúdo duvidoso ou de ataque moral?

E os pedófilos?

Gente, o que não faltam são crimes na rede.

Tenho dito que a internet é terra de ninguém; que se “gato por lebre”. Mas também tenho apontado que o universo digital é a representação maior da democracia – tanto pelo acesso quanto pela produção de conteúdos. Hoje, todo mundo pode ler o que quiser e pode escrever o que bem entender.

Entretanto, tamanha liberdade parece nos fazer mal. Ao invés de haver um uso racional, produtivo, construtivo deste espaço, faz-se dele um território minado onde o sujeito-leitor tanto pode pisar com segurança quanto sair ferido.

O que esse americano fez foi totalmente irresponsável. Um desserviço a quem gasta seu tempo, trabalhando de maneira cuidadosa, ética, moral para construir um ambiente digno da confiança do leitor.

Mas ele foi pego. E os outros tantos que circulam por aí?

O que me preocupa é que a irresponsabilidade de alguns prejudica outros tantos e pode, inclusive, colocar em xeque a liberdade que temos. Por exemplo, os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática aprovaram um requerimento convocando os presidentes dessas empresas para tratar da circulação de conteúdo no Facebook e Orkut. Eles querem conhecer os mecanismos existentes para rastreamento de informações veiculadas nesses serviços.

Ou seja, daqui a pouco, por causa da imbecilidade de alguns, todos nós viveremos dentro de um sistema constante de vigilância, num espaço em que a liberdade poderá ser apenas uma utopia de uma democracia fingida.

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