É mais fácil fugir da verdade

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De vez em quando desconfio que temos um botãozinho lá dentro do cérebro. Tem a função de desligar nossa memória todas as vezes que aprontamos alguma… É sério! Já notou que é só você apertar alguém que fez algo errado e logo o sujeito sai com essa:

- Verdade? Eu fiz isso? Não lembro. Não lembro mesmo.

Conhece alguém que tenha usado esse argumento?

Estava pensando nisso quando vi o título da matéria da Folha Online:

- Paulo Bernardo diz não se recordar de voar em avião de empreiteira

O ministro tem mesmo muita coisa para fazer. Deve ter se esquecido.

Mas deixa o marido da Gleisi pra lá…. Vamos falar de nós. Afinal, políticos fazem parte de uma outra classe. Eles não são gente como a gente.

Pois bem. Esse “esquecimento” quase sempre é conveniente. Ninguém gosta de ser confrontado com a verdade. Principalmente se ela tira a nossa máscara; se mostra a nossa face.

Embora as mentiras façam parte de nosso cotidiano – em alguns casos, até como estratégia de sobrevivência -, ser pego numa delas, geralmente envergonha (tem gente safada que nem fica vermelho mais, né? Mas essa é outra história). Quem tem um pouco de pudor, fica constrangido ao ter um de seus erros descobertos.

Por isso mesmo, parece que o botãozinho entra em ação, vai lá e desliga a memória.

Dizer que esqueceu é uma tentativa de manter as aparências, minimizar o erro. É como se a pessoa estivesse falando:

- Desculpa. Se eu fiz, foi uma bobagem; algo pequeno, rápido. Nem dei conta que estava fazendo algo errado.

De alguma maneira, o discurso é: “eu não sou assim. Este não sou eu”.

Quase sempre, o “esquecimento” não cola. Pode amenizar o fato, mas a fuga, evitar a verdade só retarda e pode, inclusive, acentuar a desconfiança. Porém, assim somos nós. Nossa natureza vacilante nos torna personagens; presos em nossas aparências. Sempre será mais fácil dizer: “não lembro”.

Como curar dor de amor?

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Numa das vezes que assisti “O nome da rosa”, um diálogo entre o personagem de Sean Connery e seu noviço, interpretado pelo ator Christian Slater, chamou bastante minha atenção. O experiente monge franciscano William de Baskerville diz ao seu “aluno” Adso von Melk que boa parte dos problemas do mundo seriam evitados se não existisse amor. Segundo ele, o amor – ou paixão – move os homens, excita-os a ponto de fazê-los perder a razão. Por isso, seria a origem de muitos conflitos. Por fim, William reconhece: mas se não houvesse amor a vida seria tremendamente sem graça.

Embora pertença ao universo abstrato, o amor gera felicidade, prazer, alegria; por outro lado, também causa decepção, dor, sofrimento. Ao mesmo tempo em que dinamiza as atividades do dia a dia e faz o cotidiano ganhar contornos cor-de-rosa, rouba a paz, o sorriso e até mesmo a vontade de viver. Não raras vezes o sujeito “trava”, torna-se improdutivo.

Dia desses falava com uma atleta. Ela está nessa situação. “Travada” por amor. Ou por sofrer por amor. Depois de alguns meses de relacionamento, o namorado concluiu que tinha cansado de sofrer. Ela o esnobou durante um tempo, mas quando ele resolveu terminar, a garota descobriu que não vivia sem ele. Com isso, entraram num período de “negociação” do relacionamento. E a jovem está esperando que ele decida o que vai fazer.

Acontece que nesse período – que já dura uns dois meses -, ela simplesmente não dá conta de nada. Não trabalha direito, não consegue treinar… nada. Só espera.

Quem olha de fora pode dizer:

- Mas o que essa menina está fazendo da vida dela?

Fácil, né? Olhar de fora é fácil. Julgar, idem.

Porém, como disse dias atrás no texto “Quem se importa“, só sabe a dimensão do sofrimento quem está vivendo a dor – a dor da perda, da separação, da dúvida.

O mesmo amor que já fez sorrir, dançar, que fez o desafinado cantar, é o mesmo que produz lágrimas, tristeza e deprime.

Dor de amor “trava” o sujeito. O colorido vira cinza – quando não, negro.

Quem sofre por amor não vê razão nos seus dias. Acha até que a vida perdeu o sentido. E o futuro? Deixou de existir. Tudo parece vazio.

É verdade… É só por um momento. Que podem durar dias, semanas ou meses. Mas não deixarão de ser um momento. O momento mais triste da vida? Talvez. Pode até ferir a ponto de deixar marcas que vão durar por todos os anos. Ficarão ali lembrando de uma perda, mas ainda assim haverá vida. Porém, enquanto dói, como acreditar que isso também passa?

O tempo que roubo de mim

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Cinco minutos. Às vezes tenho a impressão que tudo que preciso são cinco minutos. Cinco minutos para respirar. Cinco minutos de pausa. Para parar tudo, olhar pra mim e me encontrar em meio ao caos.

Não sei você, mas eu sinto falta desses cinco minutos.

Já notou que temos sido engolidos pela correria do dia a dia? Já notou que estamos sempre com a agenda cheia e, quando sobram cinco minutos, damos um jeito de ocupá-los com algo qualquer?

Tempo. O bem mais precioso. Porém, esvaziado por objetivos que desconhecemos. Objetivos que estabelecemos, mas que não sabemos bem aonde irão nos levar.

Esses cinco minutos que preciso são os mesmos que gasto várias vezes por dia navegando por sites e informações que sequer recordo minutos depois. Enquanto viajo pela rede parecem merecer minha atenção. Diante de meus olhos, vislumbro cada página da internet como uma parada obrigatória. Só me dou conta da inutilidade de tudo que vi e li quando sinto falta de mim.

Afinal, quem sou? O que senti? Com quem conversei? Quem esteve comigo? Quem são meus amigos? Quais dos meus problemas ainda esperam por respostas? Respostas que precisam de mim, inteiro. Não de um arremedo de pessoa que sequer se conhece – que sequer sabe dizer quais livros e filmes lhe tocaram, muito menos quem são seus melhores amigos, o que sentem…

Assim somos nós. Uns mais, outros menos. Mas todos comprometidos com suas rotinas a ponto de faltar tempo para nós mesmos. Numa sociedade apressada para viver o que menos fazemos é viver.

Na segunda, uma música

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Há semanas ensaio compartilhar por aqui uma música de Ana Cañas. Ela faz parte da chamada nova geração da MPB. Seu talento fica evidente em interpretações cheias de sentimento como em “Coração Vagabundo”, releitura de uma canção de Caetano Veloso.

Dona de uma voz agradável, Ana Cañas foi convidada para participar do Som Brasil, realizado em 2008, que homenageou Cazuza. Fazia apenas um ano que tinha sido descoberta pela crítica musical e pelo público. Hoje, compartilho uma das músicas que ela cantou naquele programa.

Jornalista pode torcer para a Seleção Brasileira?

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A pergunta não é minha. É do jornalista Renan Justi. O texto dele está no Comunique-se.

Trago a discussão para meu blog não com o objetivo de falar da posição do jornalista brasileiro diante da seleção. Quero pensar além da seleção; além do futebol.

Jornalista é uma pessoa como outra qualquer. Não adianta imaginá-lo distante dos fatos. Ele se envolve. Sente.

Por isso, pedir que um jornalista não seja um torcedor é ignorar que todos temos emoções. Vale o mesmo diante de um acontecimento político, por exemplo. Ou uma catástrofe natural.

O que diferencia – ou pelo menos deveria diferenciar – um profissional da comunicação do público em geral é sua capacidade de manter um olhar distanciado a ponto de ver acertos e erros. Mais que isso, um jornalista precisa perceber qual o seu envolvimento com o fato e até que ponto suas emoções podem ou não impedi-lo de fazer uma abordagem responsável.

No caso da seleção, o profissional pode ser torcedor, mas não deve permitir que os acertos da equipe em campo o impeçam de ver a sujeira dos bastidores do futebol; na política, pode ser eleitor do José Serra, mas não deve deixar de notar os avanços obtidos com o governo Dilma/Lula. O inverso também é verdadeiro.

Entretanto, o jornalista só dá conta disso quando reconhece sua importância social. Não é seu papel aplaudir. Ele é o mediador entre o fato e o público. Se permitir que suas emoções interferirem na sua capacidade de apresentar a notícia ao público, necessita repensar se está no lugar certo, fazendo a coisa certa.

Quase 60% dos alunos não sabem matemática

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Alunos do 3o ano. Ou, segunda série. É o que aponta o resultado da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização). Para ser mais exato, apenas 42,8% dos alunos tiveram desempenho tido como satisfatório. Sabiam o mínimo necessário.

O resultado é vergonhoso. Mas não é diferente de outros tantos indicadores da educação.

Na verdade, não existem rankings ou estudos sobre a educação no Brasil que tragam algum tipo de resultado que nos faça comemorar. Tudo bem, sempre mostram que estamos avançando. Mas numa velocidade em que qualquer tartaruga consegue ser mais rápida.

Detalhe, podemos reclamar de investimentos. Porém, a quantidade de dinheiro aplicada no setor está longe de ser insuficiente para obtermos resultados melhores – leia-se, maior aprendizagem.

Como curioso da educação, diria que o indicador apresentado pela Prova ABC reafirma o que por vezes tenho dito aqui: há uma crise na educação. Histórica. E lamentavelmente, sem perspectivas de mudanças. Porque não dá para creditar o problema só à escola. Temos que repensar o papel da escola sim, mas também do professor, das propostas pedagógicas, da contribuição do diretor… A lista é grande. Porém, tudo acaba se resumindo numa única palavra: gestão. Teremos uma melhor educação quando assegurarmos uma gestão eficaz – no setor público e privado.

Não gosto de enquetes

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Acho pobres. Nem tudo se responde com um “sim” ou “não”. Há questões complexas demais para serem tratadas na base de um “eu concordo” ou “eu discordo”.

Hoje, por exemplo, recebi uma pergunta, pelo facebook. Uma enquete:

- Você é a favor da liberação da maconha?

Desculpa, mas eu não consigo responder simplesmente com um “sim” ou “não”. A pessoa que colocou o questionamento na rede teve uma bela iniciativa. É importante fazer pensar. Afinal, quem tem a capacidade de refletir, mesmo diante de duas únicas opções de resposta, põe-se a pensar.

Mas, voltando ao tema, grandes perguntas merecem grandes respostas. E a questão da maconha é um exemplo – por sinal, o debate não é pela liberação, mas sim pela descriminalização dessa droga (algo bem diferente do que simplesmente liberar o uso).

Tempos atrás cheguei a publicar aqui um breve post sobre o tema. Confesso que continuo sem uma resposta objetiva. Penso que a sociedade precisa debater o tema. Não sei se a solução é descriminalizar a maconha. Ou, quem sabe, até mesmo outras drogas.

Sei apenas que as estratégias hoje utilizadas não dão conta do problema. Não previnem, não tratam os dependentes, muito menos combatem o tráfico de drogas.

Quem aprova a Câmara de Vereadores?

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Li há pouco que os londrinenses não aprovam a atuação dos vereadores. Cá com meus botões fiquei pensando: será que em alguma outra cidade, tem alguém que aprova?

A população tende a ser tolerando com o Executivo; as ações dos governantes são visíveis. Fica mais fácil avaliar. Quando se trata do Legislativo, a gente só vê as bobagens que os parlamentares fazem. Por sinal, quase sempre, mais bobagens que coisas relevantes.

Por isso, dou um doce para quem achar uma cidade que aprova a sua Câmara de Vereadores.

Quase sempre os Legislativos são formados por pessoas que se destacam na sociedade por ações assistencialistas. Nem sempre possuem formação crítica. Raramente estão dispostas a produzirem grandes debates com a comunidade, aprofundando-se no estudo dos problemas sociais e propondo políticas públicas adequadas.

Desta forma, a população fica desamparada. Seus representantes servem apenas para pedirem troca de lâmpadas, reclamarem a necessidade de tapa-buraco ou conseguir consulta médica. Votam leis, mas não fiscalizam a sua aplicação; frequentam as sessões, mas não estudam os projetos.

O cenário é lamentável. E a regra é válida para as Assembléias Legislativas e Congresso Nacional.

Mas não culpo os políticos. Eles são o nosso retrato. A nossa carinha no poder. Quando não aprovamos nossos parlamentares deveríamos perceber que estamos reprovando a nós mesmos.

A vida sem internet

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A molecada não viveu os anos sem internet. Mas, pra nós – que passamos dos 30 -, a vida fazia bastante sentido sem nada do que hoje experimentamos no universo digital. Acontece que, depois que os computadores apareceram e a rede mundial de computadores se tornou parte de nosso dia a dia, ficamos completamente perdidos quando perdemos acesso a esse mundo.

Hoje, por exemplo, é um dia completamente estranho pra mim. Desde o meio da manhã estou brigando com a minha conexão. Está lenta. Demais. Um problema no servidor comprometeu toda a rede da empresa. Resultado? Parece que estou desconectado do mundo.

Escrevo este texto pelo word. E apesar de habituado ao programa, em função da minha produção acadêmica, ainda assim estranho ficar olhando essa página branca enquanto as palavras vão sendo desenhadas na tela. Faz falta o design do navegador. Não parece que produzo um post – algo que será compartilhado num blog.

Por sinal, sei que a caixa de email está lotada. Várias mensagens esperam uma resposta. Parte do meu trabalho está ali. Desta forma, a impressão que tenho é que estou do lado de fora da minha casa, e sem as chaves.

Esquisito isso, não?

A vida não está na rede; está fora dela. Porém, a sensação é que fora do mundo digital as coisas não fazem muito sentido. Nem o trabalho que realizamos. Que, por sinal, nunca dependeu de computadores para ser realizado (o rádio e o ensino – a sala de aula – sobreviveram anos e anos sem computadores e internet).

Cá com meus botões fico pensando: como será se um dia sofrermos um apagão digital?

PS- Bem, o texto veio parar no blog depois de quase 30 minutos de espera…

Atualizado: A expressão “a vida não está na rede; está fora dela” pode causar algumas dúvidas sobre o que penso a respeito do assunto. Então, como ninguém tem obrigação de conhecer outras reflexões que produzi sobre o tema, sugiro três textos curtos. Aqui, aqui e aqui.

Corrigir o passado? Nunca. O foco é sempre o presente e o futuro

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Não é de propósito… Mas preciso voltar ao tema. Quer dizer, é uma quase volta. Uma amiga sempre reclama quando abro um novo post para continuar um assunto que abordei anteriormente. Ela diz que é como se tivesse ficado alguma coisa para trás. De certa forma, tem razão. Num blog não dá para tratar de tudo ao mesmo tempo. Isso é para os livros. E ainda não publiquei nenhum.

Voltando ao objetivo… No último post, falei sobre nossas escolhas. Hoje esbarro na coluna da Martha Mendonça e ela traz o título:

- Se você pudesse voltar no tempo, mudaria alguma coisa ou viveria tudo de novo?

O texto está aqui, pertinho… numa das abas do navegador. Porém, só vou ler depois. Primeiro, preciso refletir sozinho – ou melhor, falar alto, compartilhando com os amigos leitores.

A pergunta da Martha intriga. Tudo bem, é uma pergunta que você já deve ter ouvido. Ou ter feito pra você mesmo. Todos temos momentos de auto-avaliação. Impossível não se questionar: desperdicei meu tempo? Faria diferente?

No post anterior, terminei com os seguintes argumentos:

A vida é assim. Feita de escolhas. Todas permanentes. Nunca será possível voltar atrás. Quando erramos, o jeito é seguir em frente, encontrar um novo caminho. (…) É preciso olhar adiante – ainda que haja arrependimentos e culpas. É assim com todos nós. O que nos diferencia é a capacidade de lidar com as consequências de nossas escolhas, reconhecendo que não vamos acertar sempre. E que os erros são oportunidades de construirmos um amanhã melhor.

Logo, quando a Martha pergunta: “se você tivesse a chance de voltar atrás, mudaria alguma coisa?”, acredito que todos nós vamos encontrar deslizes em nossa trajetória. Situações que – hoje, com a experiência que temos – seriam evitadas.

Acontece que, lá atrás, quando fizemos nossas escolhas, achávamos que era o melhor. Ninguém escolhe o pior.

Fazemos as bobagens que fazemos porque entendemos que valiam ou valem a pena.

O que está por vir pode ser projetado, idealizado, mas pertence ao universo do imaginário. Só depois de embarcarmos em nossas escolhas é que vamos vivê-las. Com os acertos e erros decorrentes da construção diária que é nossa própria existência.

Por isso, parece-me que o melhor da vida é mesmo o conhecimento que adquirimos nessa jornada incrível que é a vida. Se mudássemos o que já vivemos, que garantias teríamos de que o presente seria melhor? O que teríamos aprendido?

Creio que nada é perdido. Nem as experiências mais desastrosas.

Dia desses encontrei uma educadora. Ela tem 60 anos. Num desses papos existenciais, ela confessou:

- Estou na minha melhor fase. Não trocaria a vida que tenho por nenhuma outra.

Ela comentou que foram os pecados cometidos ao longo de seus 60 anos que garantiram a sabedoria que hoje tem para saber aproveitar o que a vida tem de melhor.

Esse é o segredo: aprender. Aprender sempre. Principalmente com nossos erros.

Se tivéssemos a chance de mudar algo no nosso passado deixaríamos de ser quem somos. Que graça teria?

E para aqueles que não gostam do que são, fica a dica: a vida segue. O que somos hoje não precisa ser o que seremos amanhã. Sempre há tempo de mudar. Não no passado, que já não nos pertence; mas no futuro, que ainda está por vir.

PS- Agora vou ler a coluna da Martha.

Nossas escolhas, nossa vida

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É bom saber que podemos escolher. Sempre temos escolhas. Afinal, até quando só temos um caminho, podemos optar em seguir por ele ou simplesmente continuar onde estamos.

Porém, embora a decisão seja nossa, nada nos perturba mais que a dúvida: fizemos a coisa certa? E se eu tivesse feito diferente?

Quando fazemos uma escolha, abrimos mão das possibilidades que tínhamos naquele outro universo – que estava por ser construído. Por isso, sempre restará uma pontinha de insegurança. Teria sido melhor? Nunca saberemos. Até podemos embarcar na imaginação, desenhar possibilidades. Mas tudo não passará de imagens, projeções.

Para a maioria de nós, o critério básico de uma escolha é a segurança. O caminho já trilhado parece um risco menor. Sentimo-nos confortáveis nos ambientes conhecidos. Podem não ser os mais desejados. Mas sabemos lidar com cada uma das situações. Elas estão previstas. Haverá poucas surpresas. O novo, por mais especial que possa ser, representa o risco de perder o já existente. Então, gera insegurança. Em alguma ocasiões, até nos damos a chance de experimentar um pouco. Entretanto, se tivermos de abrir mão de tudo que construímos, poucos terão a coragem e a ousadia de romper com o presente e o passado e investir no futuro.

A vida é assim. Feita de escolhas. Todas permanentes. Nunca será possível voltar atrás. Quando erramos, o jeito é seguir em frente, encontrar um novo caminho. A opção que tivemos, não existirá mais. É preciso olhar adiante – ainda que haja arrependimentos e culpas.

É assim com todos nós. O que nos diferencia é a capacidade de lidar com as consequências de nossas escolhas, reconhecendo que não vamos acertar sempre. E que os erros são oportunidades de construirmos um amanhã melhor.

Cada final é um novo começo

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Nesse domingo esbarrei numa frase publicada pela amiga e jornalista Bianca Oliveira:

- Toda história tem um fim, mas na vida cada final é um novo começo.

Pesquisei um pouco e descobri que a frase foi dita no filme “Grande menina, pequena mulher“. Pelo menos é o que diz o Google. Ou melhor, o Wikipédia.

Bem, embora a origem da frase seja importante, reproduzo aqui muito mais pela verdade que ela traduz que por ser dita num filme.

Lembro de uma crônica. Nela, entre outras coisas, havia uma grande lição: nada dura para sempre. A alegria ou o choro sempre chegam ao fim. Ou seja, como diz a frase acima, “toda história tem um fim”. Por mais feliz ou triste, tem um fim.

Confesso, não gosto da ideia. Principalmente quando se trata de algo bom, que nos faça bem. Por que querem tirar nossa felicidade? Por que as coisas boas da vida precisam acabar? Não sei. Talvez seja porque o que é ruim também acaba. A lógica é a mesma. E se for por isso, vou aceitar esse jeito democrático de equilibrar coisas boas e ruins. Claro, seria perfeito se só o que existe de ruim tivesse um final. Entretanto, a vida não é perfeita.

Por outro lado, todo o final nos acena que a vida se abre para algo novo. Melhor ou pior, difícil dizer. Mas é novo. E o vir a ser, ainda que nos surpreenda e até incomode, ainda assim traz a esperança de que o melhor estará por vir.

Na segunda, uma música

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Sempre que penso nos anos 1980 me perco nas lembranças dos inúmeros sucessos musicais de tantos artistas e bandas que despontaram para o público. Uma das bandas mais significativas surgidas naquela época, e que ainda reúne milhares de fãs, é o Paralamas do Sucesso. Nesse fim de semana, lembrei de uma de suas canções. Não diria que é a que mais gosto. Nem que tenha muita riqueza em sua letra. Entretanto, “Uma brasileira” já valeria ouvir tão somente por sua musicalidade, sua balada gostosa. Então, para começar a semana… fica minha sugestão.

Nas redes sociais, o desejo de se dizer importante

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Tem uma lógica pra esse hábito de sair curtinho tudo que aparece no Facebook. É a necessidade de interagir. Você nada vê, nada lê, nada sente, nada experimenta. Mas precisa estar lá. Precisa mostrar que se faz presente, que não está em silêncio. É a urgência do tempo somada a busca por ser relevante, por se apresentar participante.

É como se fosse um grito em meio ao caos na tentativa de dizer:

- Ei, também estou aqui. Também quero falar… Olhem pra mim!

Já notou como queremos ser necessários? E ser necessário passa por tentar estar em todos os lugares. Ainda que de maneira rasa, superficial.

Isso se revela em todas as dimensões dos sentidos nas redes sociais. Estamos lá. E temos que falar. Interagir é só uma das ferramentas para mostrar nossa face. E precisamos de “amigos”, seguidores. Não importa quem são. Basta que a lista seja grande. No Twitter, alguns chegam a usar mecanismos para potencializar os números.

Talvez tudo isso seja só reflexo de nossas carências. A afetiva quem sabe seja a maior delas, na busca por nos sentirmos queridos, amados, respeitados…

Curte, mas não lê

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Tudo bem, cada um faz o que bem quer, o que bem entende. Mas sempre me incomodo com o fato do sujeito curtir algo no Facebook sem ter lido. Principalmente notícias, comentários ou posts.

Você publica o link e em menos de dois segundos tem gente curtindo. Ok, é legal. É uma forma de prestigiar o conteúdo compartilhado pelo outro. Mas confesso que não entendo muito bem essa lógica: como o cara aprova algo que não viu?

Isso acontece todos os dias comigo. Vou lá, publico e alguns segundos depois vejo uma notificação do Facebook. Alguém curtiu. Mas certamente não leu. Não deu tempo.

Também uso a ferramenta. Acho até que foi uma das maiores sacadas da rede de Mark Zuckerberg. Entretanto, gostaria de acreditar que quando ganho um “curtir” foi porque a pessoa realmente gostou, aprovou o que foi publicado. Não teria sido só um gesto automático – como outros tantos que repetimos todos os dias nesse nosso jeito louco de viver, passando por alto a verdadeira experiência de sentir, tocar, experimentar.

Byafra e o comercial: uma volta ao começo

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Escrevo enquanto ouço Byafra. Acredita? Pois é. Nem eu.

Byafra, quando eu era garoto, ainda era Biafra. Isso, com “i”. E cantava nos programas dominicais. Não, não era o Faustão. Nem o Gugu. Muito menos Eliana ou, como é nome daquela grandona da Record? Hum… Ana (deixa eu consultar o Google para saber a grafia). Ana Hickmann. Por sinal, consultar o Google me levou ao Wikipédia. Descobri a origem desse sobrenome diferente. É alemão.

Pois bem… Não tinha nenhuma intenção de escrever sobre o Byafra. Muito menos de ouvi-lo. Mas resolveram colocá-lo num comercial de seguros do Bradesco. Virou hit na internet. Está todo mundo achando graça, inclusive o próprio cantor, que havia caído no ostracismo. Quer dizer, a gente lembrou dele tempos atrás por causa de um outra história inusitada – ou, engraçada. Mas, sinceridade, o sujeito tem que ser muito bem resolvido – ou estar desesperado para voltar aos holofotes – para aceitar virar motivo de piada.

Então, voltando… Por causa do comercial, resolvi dar uma olhadela na produção do cantor. “Sonho de ícaro” é o tipo de música que todos nós, com pouco mais de 30 anos, lembramos. E muito bem.

Mas, diferente de alguns “artistas” mais recentes, Byafra não foi cantor de uma música só. Uma olhadela na lista de músicas gravadas por ele faz a gente recordar de “Te amo“, “Rua ramalhete” (que é linda, e tem uma versão cantada junto com o Roupa Nova), “Leão ferido“, “Reluz“, “Seu nome“… E por aí vai.

Não vou dizer que muitas das músicas dele são melhores do que as que a gente ouve nas rádios. Nada disso. Foi uma época. E ponto. O restante da história é só saudosismo. Porém, confesso que, Byafra pode até ser um bocado meloso, mas valeu a pena recordar algumas de suas canções.

Fica a dica! Pode até não ser um programão, mas… Está aí. Em cada uma das músicas citadas deixei o link pra quem quiser ouvir.

Quando a tecnologia vai revolucionar a educação?

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Um professor de Harvard aponta que os tablets e smartphones vão revolucionar a educação. Concordo com Christopher Dede. Diria que as tecnologias já estão revolucionando a maneira de ensinar. Entretanto, pelo despreparado do sistema educacional, essa revolução nem sempre é positiva. Ainda é mais comum um smartphone roubar a atenção de um aluno que auxiliá-lo no processo de aprendizagem.

Em países como o Brasil, apenas alguns poucos professores dominam todas as ferramentas tecnológicas. Além disso, ainda que tenham o domínio, faltam recursos para que acessem essas novidades todas. Quantos educadores podem ter um tablet? Quantos alunos podem adquirir um iPad?

Não faltam notícias de laboratórios de informática fechados porque há carência de professores para orientar os alunos no uso desses equipamentos. Também sabemos que, no Brasil, temos umas das piores médias de computadores por aluno. Pra se ter uma idéia, temos uma máquina para cada seis alunos.

Professores também admitem que quase sempre sabem menos que os alunos quando o assunto é o uso do computador.

Como disse, acredito que a educação será revolucionada por todas essas novas possibilidades que a tecnologia oferece. Entretanto, ainda vejo que a nossa sala de aula não é muito diferente do que era há 50 anos. Lá ainda temos um professor, um quadro e um giz. Além do famigerado livro didático.

Curioso é que quando esse educador se propõe a oferecer uma aula mais interativa (ou com uma roupagem mais moderninha), usando algum equipamento – que pode ser tão somente um de DVD e uma televisão – não raras vezes esses aparelhos não funcionam. Ou simplesmente não existem em número suficiente para atender às salas de aula. E isso acontece até mesmo em instituições particulares.

Pelo menos do lado de cá, entendo que há um descompasso entre a evolução tecnológica, o sistema educacional e os próprios professores. Portanto, a educação só será beneficiada por essas novidades todas quando, além de os educadores acreditarem nisso, também os gestores investirem e patrocinarem as mudanças que o setor precisa.

Quem se importa?

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Nunca é simples ajudar alguém que sofre. Já disse aqui noutras ocasiões que me sinto desafiado todas as vezes que preciso acalmar um coração triste – seja por dores físicas ou da alma. Encontrar as palavras certas é uma tarefa difícil.

Mas e quando é você que sofre? Quem se importa?

Vivemos apressados. Falta-nos tempo para tudo. E gente que traz consigo feridas provocadas por experiências mal-sucedidas representa-nos um peso. Não queremos ouvir. Bastam-nos os nossos próprios males.

Nosso tempo é para o trabalho. E para o prazer. A vida passa ligeiro e queremos curtir tudo intensamente. O sofrimento do outro angustia e parece nos fazer desperdiçar tempo.

Talvez por isso, quando é a gente que sofre, a impressão que dá é que todos estão ocupados demais.

E não é uma impressão. Estamos sim ocupados demais. Ocupados com nossos próprios desejos, sonhos… problemas.

Quem está disposto a ouvir, abraçar… raramente percebe a dimensão de sua atitude. Só outro sabe o que esse gesto representa.

E sabe por quê? Porque a dor que mais dói é aquela que você está sentindo aqui e agora. Quem se dispõe a ajudar não dá conta disso porque não está vivendo a dor do outro. E cada pessoa sente a vida de uma maneira completamente diferente. Às vezes, olhamos pro sujeito e logo dizemos:

- Está sofrendo por causa disso? Ah, mas eu já passei por isso, por aquilo…

E desfilamos uma série de argumentos que justificariam tudo, mas que não servem para tirar do outro o peso do seu sofrimento.

Entretanto, aprendi ao longo da vida que poucas coisas são tão significativas quanto ser ouvido quando a alma chora. Ter com quem conversar, encontrar alguém disposto a dar um abraço e que seja capaz de falar as palavras certas é mais que uma demonstração de amizade. É daqueles gestos nobres, que tocam profundamente e que nunca esquecemos.

Acho que ser amigo é um pouco isso: ser capaz de se doar a quem sofre. É fácil demonstrar amizade quando temos motivos para comemorar (nas festas da vida, é gostoso abraçar todo mundo, rir junto). Difícil é se deixar envolver pela dor do outro e permitir que sua vida ajude a fazer a vida do outro ter algum sentido.

Na segunda, uma música

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A gente sempre tem um pé no passado. Vive recordando coisas e, felizmente, algumas delas fazem bem ao coração. Ontem, lembrei bastante de uma canção do Guilherme Arantes. Resolvi compartilhar com os amigos do blog. Pra curtir, “Cheia de charme”.

Uma boa semana a todos.

Não exitem governos democráticos

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Eles são democráticos e defensores da liberdade de expressão até o momento em que as críticas batem à porta. Nenhum governo lida bem com os questionamentos feitos por adversários e pela população. Há uma espécie de crença, da parte deles, que sempre fazem o melhor, estão sempre certos e que as críticas são estratégia para desestabilizá-los. É maldade, denuncismo etc etc. Ou seja, não reconhecem que podem estar errados. Ou que a escolha deles pode não ser a da população.

Falo isso em função do estudo feito pelo governo inglês para restringir o uso das redes sociais. Por lá, como sabemos, a população foi para as ruas, mobilizada, em protestos organizados pelo Twitter e Facebook.

É verdade que alguns desses manifestos foram exagerados e terminaram em baderna, violência. Porém, justifica a reação do governo? Justifica a tentativa de censura? Nunca.

E detalhe, isto está acontecendo na Inglaterra – lugar de luta histórica pela liberdade de expressão. Foi lá inclusive que surgiu o conceito de quarto poder, pelo reconhecimento dos governantes da força da palavra escrita – ainda no Século XIX.

A reação lamentável do governo inglês, como eu disse, é esperada. Os donos do poder nunca saberão lidar com a democracia. Ela só é conveniente a eles enquanto não há o contraditório. A manutenção do status passa pela construção de uma imagem apreciada pelo público. Por isso, as críticas os deixam acuados, já que colocam em xeque, fragilizam o projeto de poder.

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