Hossokawa: algo mudou; só não dá para saber por quê

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Foto: Folha de Maringá

Ao longo dos últimos três anos, temos elogiado o presidente da Câmara de Maringá, Mário Hossokawa. Ele vinha fazendo um belo trabalho. Mudou a lógica de gastos do Legislativo. Acabou com a farra das diárias, o uso abusivo de veículos, as despesas astronômicas com oficinas, reduziu os cargos comissionados, demitiu gente que estava ali “mamando na teta” do poder público… Enfim, enfrentou uma série de interesses, mas cumpriu o que havia prometido quando se candidatou ao cargo. O resultado foi mostrado em números. Mais de R$ 3,4 milhões por ano de economia. Dinheiro que deixou de ser gasto.

Exatamente por isso não dá para entender a postura de Hossokawa no que diz respeito aos salários dos vereadores. Não apenas deles. Também do prefeito, vice e secretários. É verdade que os valores serão praticados a partir de 2013. Entretanto, ainda assim a atitude pode ser caracterizada como “legislar em causa própria”.

Voltando… Os salários aumentaram de forma abusiva, injustificada. E não venham me dizer que a legislação permite. Isso é conversa fiada. Pode, mas não há razão para que os subsídios dos vereadores cheguem a 60% do valor pago aos deputados.

Por conta dessa justificativa, os salários praticamente dobraram.

E tudo foi feito às escondidas. Ninguém sabia. Não vazou para a imprensa. O presidente Hossokawa conseguiu manter o assunto em sigilo. A transparência foi atropelada. E ele comandou o processo. Os subsídios aumentaram, quando ninguém esperava que o assunto fosse discutido. E para evitar a polêmica, Hossokawa ainda convocou uma sessão extraordinária para minutos depois de concluída a primeira votação.

Claro, a atitude causou indignação. Não apenas pelos salários. Também pela “traição”.

Sob pressão, alguns vereadores admitiram rever a posição. Diminuir os subsídios. Mas Hossokawa voltou à cena. Nessa terça-feira, garantiu que os valores serão mantidos. Falou grosso. E virou as costas para a opinião popular. Disse que vai dialogar com a população, mas nada vai mudar.

Lamentável!

O sentimento popular é de frustração. Decepção também com o presidente Hossokawa. Esperava-se mais dele. No mínimo, coerência com as ações que vinha tendo à frente do Legislativo.

Algo mudou… Só não dá para entender por quê.

Paolicchi e o dinheiro

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Foram presos, nesta terça-feira, os suspeitos de assassinarem o ex-secretário Luís Antônio Paolicchi. Em Paranavaí. Três Quatro pessoas (três homens e uma mulher) estariam envolvidas. O responsável pelo crime seria o companheiro da vítima. E o motivo seria financeiro – ou seja, o sujeito estava de olho no patrimônio de Paolicchi. Eles tinham união estável e comunhão total de bens.

Paolicchi, como a maioria dos maringaenses sabe, foi um dos responsáveis pelo maior caso de corrupção já visto na cidade. Os desvios de recursos superaram os R$ 100 milhões. E isto há mais de 10 anos.

Vejam como são as coisas… O ex-secretário roubou a cidade. O companheiro de Paolicchi, para ficar com o dinheiro, teria encomendado sua morte.

Homens se corrompem, se sujam e até matam pelo mesmo motivo: dinheiro.

Neste caso, dinheiro sujo, maldito.

Na segunda, uma música

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Não diria que a música de hoje seja a minha preferida. Mas posso garantir que está entre as que mais gosto. Faz parte daquela lista de canções que ouço inúmeras vezes e não canso. Estou falando de “Espanhola”, composição de Flávio Venturini e Guarabyra. A música é de 1982. Mas parece eterna.

Flávio Venturini, que gravou Espanhola, é autor de outras belas músicas. Entre elas, “Todo Azul do Mar”, “Linda Juventude” e “Caçador de Mim”.

Portanto, para começar a semana, vamos curtir… Aqui, num dueto com Beto Guedes.

Corinthians, quase lá…

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Eu prefiro o Vasco, mas parece que vai dar Corinthians. Tudo conspira para que o time do Parque São Jorge seja o campeão de 2011. Porém, restou uma pontinha de esperança. Está mais fácil para os paulistas, mas a equipe de São Januário é guerreira. Marcar um gol aos 45 minutos do segundo tempo, o gol da vitória, é um recado muito claro para o Corinthians: “o título pode ser de vocês, mas vão ter que lutar muito”.

Hoje, o timão venceu o Figueirense por 1 a 0; o Vasco derrotou o Fluminense, 2 a 1.

No próximo domingo, o Corinthians só precisa de um empate. Mas terá pela frente o Palmeiras. Já o Vasco terá de vencer o Flamengo, que ainda busca uma vaga na Libertadores. Para ser campeão, o time do Rio tem que vencer e torcer por uma derrota do Corinthians.

Como nessas horas o Brasil se divide entre corintianos e não corintianos, e me incluo no segundo grupo, vou torcer por essa combinação de resultados. Claro, vou desagradar meu filho. Faz parte, né?

Não tem jeito de deixar o Natal pro ano que vem?

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Faltam 30 dias pro Natal. Isso mesmo. Exatos 30 dias. Um mês.

Legal, né?

Só se for pra você.

Não estou nenhum pouco contente com a chegada do Natal (olha minha carinha feliz). Mal saí de um e já arrumaram outro. Isso está ficando repetitivo. Chato mesmo.

É um coloridinho aqui, uma arvorezinha ali, umas lampadazinhas acesas acolá…

Tudo de novo.

Socorro!!!

Sem contar o comércio. Todo mundo louco pra empurrar coisas.

- Compra, compra, compra!!!

Poxa, a impressão é que nem paguei as contas do Natal passado e já querem meu dinheiro de novo!?

Sei lá… Não tem jeito de sair de férias agora e voltar só depois que passar o Natal?

Assim me livro daquele monte de presentes, da comilança, do trânsito infernal, das musiquinhas insuportáveis, daquelas festas sociais que sempre tem um chato (eu, provavelmente)… Ah, e ainda escaparia da pressão dos alunos com notas ruins que querem se livrar do exame, passar de ano… Seria uma boa ideia, não?

Não tem jeito de deixar o Natal pro ano que vem?

E agora, Paulo Soni?

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Foto: Folha de Maringá

Gostei da manchete do jornal O Diário:

- Revisão de supersalário depende de Paulo Soni

Penso que o jornalismo também tem o dever de mobilizar, pressionar, questionar. É isso que fez a publicação nesta sexta-feira.

O vereador não deve ter ficado muito feliz. Pode reclamar que será visto pelo eleitorado como o único responsável pelos mais de R$ 12 mil que devem ganhar os parlamentares da próxima Legislativa. De fato, ele não está sozinho nessa. Entretanto, neste momento, Soni tem a chance de fazer a coisa certa. Algo realmente significativo.

A sociedade discorda desse mega aumento salarial. Ninguém acha justo que um vereador ganhe tanto. Não importa que a legislação autorize. Importa que é abusivo, incoerente, injusto.

Paulo Soni é da Comissão de Finanças e Orçamento. Ele e Flávio Vicente são os vereadores que podem propor a revisão do novo teto salarial. Vicente já admitiu que voltará atrás. Sentiu a pressão de sua base eleitoral e agora fala num subsídio de R$ 8,4 mil. Resta Soni. Se ele assinar, a Câmara terá de voltar a discutir o assunto. A sociedade maringaense poderá ser contemplada em sua demanda.

O vereador disse que pretende ouvir os colegas antes. Não vai fazer nada sem o aval dos demais que aprovaram o aumento de quase 100%. Por isso, a manchete do jornal é significativa. Soni precisa entender qual a responsabilidade dele no processo. Tem mesmo que ser colocado no centro das atenções. O parlamentar precisa se mexer. Não pode ficar posando de bonzinho. Está na hora de defender os interesses do povo; não dos seus pares.

Etanol: caímos num grande engodo

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Vivemos numa economia de mercado. Há liberdade para fixação de preços. A relação entre produção, oferta e demanda determina os valores de venda. Isso é positivo. Entretanto, em alguns casos, tornamo-nos reféns do mercado. Precisamos do produto, mas somos obrigados a pagar preços que consideramos injustos. É o caso do álcool combustível – o etanol.

Em Maringá, o litro já é vendido por mais de R$ 2. Na mesma época, no ano passado, girava em torno de R$ 1,70. As usinas justificam que o valor está diretamente relacionado a problemas na safra.

Não vou discutir o argumento.

Entendo que, no caso específico do etanol, há uma exploração descabida dos consumidores. Gasolina por aqui nunca foi combustível acessível. Sempre pagamos caro. O álcool era nosso sonho de um combustível barato, energia renovável.

Em diferentes momentos, o governo procurou incentivar a produção. No início da década de 1980, quase todos os carros eram movidos por esse combustível. Dez anos depois, voltávamos a usar gasolina.

Vieram os anos 2000 e o álcool foi redescoberto. A indústria automobilística adaptou-se e criou o conceito flex – veículos à gasolina e álcool. Até motocicletas passaram a ser movidas a álcool. Parecia que, finalmente, deixaríamos de ser reféns desse mercado. Poderíamos escolher. Por gosto ou preço.

Hoje, notamos que caímos num grande engodo. Há cerca de um ano, quem usa etanol vem tentando driblar o preço alto. Se possui carro flex, vai alternando. Ou misturando. Mas é impossível sair do posto satisfeito. A impressão é que fomos enganados.

Produtores – e em especial, usineiros – estão rindo à toa. Contam com a boa cotação do açúcar do mercado internacional e com a forte demanda interna por álcool. O lucro está garantido.

O mercado de etanol nunca foi confiável. E nem há perspectivas de que um dia venha ser. O setor não parece comprometido com o país. Muito menos com os consumidores. Os interesses são particulares. E o governo não demonstrar ter força – ou disposição – para abrir a caixa preta.

Poderia ser diferente? Sim. Dominamos essa tecnologia a ponto de sermos copiados pelos Estados Unidos. Entretanto, se há 10 anos chegamos acreditar que exportaríamos para a América, hoje, precisamos importar deles para atender o consumo interno. Lamentável! Porém, apenas reprodução de uma antiga verdade: “a corda sempre arrebenta no lado mais fraco”. Nós, consumidores, pagamos a conta.

“Antes pegador que veado”

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Caio Castro

A frase é do sujeitinho aí do lado. O global está na novela Fina Estampa. Faz parte da lista dos novos famosos.

Sinceramente, não tenho o hábito de trazer “celebridades” aqui pro blog. Nem falar da vida delas. Entretanto, fiquei impressionado com a fala desse ator.

O cara consegue numa só frase revelar machismo e preconceito. Impressionante!

Pior é que são essas cabecinhas que andam inspirando muito gente. E fazendo as meninas suspirarem.

O sujeito tem que pensar muito pequeno para fazer tal comparação. Primeiro, porque não há mérito em ser “pegador”. E, segundo, porque ser homossexual não torna ninguém digno de pena nem faz a pessoa ser pior ou melhor que outra.

Vereadores: teremos “fôlego” para ficar no “pé” deles?

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Entidades de Maringá querem a revogação do aumento dos subsídios dos vereadores. Ninguém concorda com os mais de R$ 12 mil de salário. É mesmo um absurdo. Como também é exagerado o salário do próximo prefeito – acima de R$ 25 mil.

Mais que discutir os valores, tenho questionado o ato dos vereadores. Eles traíram os eleitores. Votaram às escondidas. O povo foi pego de surpresa. Mesmo a oposição só soube minutos antes da sessão de quinta-feira. Gente como o vereador Flávio Vicente, da Comissão de Orçamento da Câmara, não deixou que o assunto vazasse. A imprensa nada soube. Com isso, e mais uma sessão extraordinária realizada minutos depois da ordinária, o tema já estava encerrado na noite daquele mesmo dia.

Por isso, desde sexta-feira passada a sociedade maringaense discute formas de reverter a lei – por sinal, já sancionada pelo prefeito Silvio Barros e divulgada ontem no Diário Oficial.

Felizmente, ainda é possível evitar que nosso dinheiro vá para o ralo. A lei pode ser revogada. Outra pode ser votada – até 30 dias antes da eleição do próximo ano.

A pergunta é: os vereadores terão disposição para fazer isso?

No que depender da maioria, certamente não.

No entanto, noutros casos a pressão popular surtiu efeito. Os vereadores precisam da sociedade. Além de buscarem votos, carecem de dinheiro para a campanha eleitoral. Isto significa que a cidade tem chance de reverter o quadro. Entretanto, deve ter “fôlego” pra isso. Não pode ser uma campanha de momento.

Não pode haver descanso. A pressão tem que ser feita até o último momento. A cada nova sessão do Legislativo um grupo precisa estar lá, protestando. Em cada reunião de bairro, alguém deve cobrar a redução dos salários. Em cada entrevista na imprensa, lembrar a trairagem dos parlamentares e questionar quando votarão uma nova lei para evitar essa festa com o dinheiro público.

Os parlamentares votaram o aumento dos salários – e da verba de gabinete – por contarem com a memória curta dos eleitores. Sabiam que a medida era impopular e sofreriam críticas na imprensa e pressão da sociedade. Contudo, eles esperam que o assunto caia no esquecimento tão logo encerre o ano legislativo. É isso que devemos evitar. Temos que mostrar que continuaremos atentos. A cobrança, constante. E o último ato, nas eleições de 2012.

Cuidados ao escolher uma faculdade

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O período de vestibular coincide com a divulgação de indicadores do MEC. Supostamente, servem para mostrar a qualidade das instituições de ensino. Consequentemente, ajudariam os candidatos a escolher melhor uma faculdade.

Acontece que esses dados são confusos. Pouca gente consegue entender de fato cada número. Eles se misturam. Você pode ter um curso com 4 no Enade dentro de uma faculdade com Índice Geral de Cursos, o chamado IGC, nota 2. E aqui estão apenas dois indicadores. Há outros.

O Ministério da Educação criou ao longo dos anos uma série de mecanismos que ajudam a manter a qualidade do ensino superior, principalmente nas instituições privadas. Isso é positivo. Entretanto, apenas especialistas dão conta de decifrá-los. O público pouco entende desses números. E nem os jornalistas estão preparados para lidar com eles.

Geralmente, nós profissionais da comunicação pegamos o dado oficial e divulgamos. Por ser oficial, simplesmente ampliamos sua visibilidade.

Acontece que, ao fazer isto, confundimos o público e, por vezes, penalizamos instituições de ensino que lutam para fazer um trabalho sério.

Vou explicar melhor. Há casos de faculdades que passaram por uma avaliação do MEC, tiveram nota ruim, fizeram posteriormente correções – quase sempre burocráticas – e solicitaram uma nova avaliação. Com isso, melhoraram seus indicadores. No entanto, nesse processo, há mais de uma nota para uma mesma situação. Resultado? Se divulgada a menor, a que foi obtida antes da última avaliação, a imagem da instituição é completamente comprometida.

Isso acontece todos os anos. O processo é continuo. As faculdades estão sempre trabalhando para melhorar seus indicadores. E os números divulgados pela imprensa – com base nos dados do MEC – nem sempre são os vigentes.

Erro dos jornalistas e meios de comunicação? Talvez. Diria, porém, que o maior responsável é o próprio Ministério da Educação que, com seus sistema confuso, pouco esclarece o público.

Por isso, fica uma sugestão para quem vai escolher a faculdade: vá além das notas divulgadas. É sempre bom checar. Verificar o que a instituição diz, o que aparece na imprensa e, por fim, passar no site do MEC. O candidato vai perceber que há mais de um número. E que estes podem servir a todos os interesses – desde o do marketing da própria faculdade até aqueles que servem para uso apenas dos concorrentes.

Trânsito: fluidez ou vagas de estacionamento?

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É imperativo. Precisamos decidir. O que queremos? Um trânsito com fluidez ou manutenção das vagas de estacionamento?

Não dá para ter as duas coisas.

Em Maringá – e em muitas outras cidades do país -, o trânsito está caótico. Simplesmente, travado. O motorista não consegue trafegar com tranquilidade. E quando precisa estacionar, é um “deus nos acuda”.

Parte da lentidão deve-se a procura por vagas. Na busca por um lugar para estacionar, o condutor mantém o veículo em velocidade baixa, prejudicando quem vem atrás. Sem contar a troca constante de faixas de rolamento, os estacionamentos em fila dupla etc.

Através da Secretaria de Transportes, o município tenta garantir o mínimo de fluidez. No final de 2009, vieram os binários – as avenidas em sentido único. Ao longo do ano passado e também deste, algumas vias foram remodeladas. Os canteiros foram reduzidos, abertas novas faixas de rolamento… e estacionamentos, eliminados.

Um novo “pacote” de mudanças vem aí. A prefeitura anuncia que, em horário de pico, será proibido estacionar na avenida Morangueira. E não vai parar por aí. O mesmo ocorrerá na Tuiuti, Guaiapó e Cerro Azul.

O objetivo é não travar o trânsito. Este é o foco das ações. Por conta disso, estacionar ficará cada vez mais difícil.

Embora ainda não trate disso, num futuro próximo, será preciso eliminar os estacionamentos de vias como as ruas Santos Dumont, Néo Alves Martins, Joubert de Carvalho etc.

Se a cidade quiser manter as vagas, o trânsito vai parar. Se optar por assegurar a fluidez, faltará estacionamento.

Não importa qual a escolha, muita gente ficará insatisfeita.

A lógica sugere que a opção será por fazer o trânsito funcionar. Afinal, é preciso garantir a mobilidade. O trabalhador, empresário, consumidor… quem precisa vir para o centro será “incentivado” a usar o transporte coletivo. Ou terá de deixar o veículo em estacionamentos privados, onde as tarifas serão cada vez mais altas, já que a cidade não se preparou para essa nova realidade e são poucas as empresas que operam esse serviço.

O cenário não é animador. Entretanto, nós criamos o caos. Somos responsáveis. Nossa paixão por carros tornou o trânsito insuportável. Teremos que deixá-los em casa. No dia a dia, ocuparão as garagens de nossas casas, vão acumular poeira… Serão artigo de luxo – acessíveis ao bolso; mas para contemplação, não para uso.

A beleza que mata

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A imagem para o post podia ser de corpo inteiro, mas penso que só o rosto da Angelina Jolie já diz tudo, né?

A busca pela beleza é um direito. Não sou contra cirurgia plástica. Nem tenho qualquer preconceito contra quem colocou silicone. Pouca importa se o seio é natural ou é resultado de uma prótese. Vale o mesmo para nariz, bumbum, barriga… Prevalecendo o bom senso, as pessoas têm direito de corrigirem o que desejam. Importa sentir-se bem.

Entretanto, é preciso reconhecer que as plásticas estão na moda. Temos um modismo. Adolescentes alteram o corpo. Manipulam. Ou até mutilam – no caso daquelas que optam por retirar costela para afinar a cintura. Mulheres muito jovens, ainda com “tudo em cima”, submetem-se ao bisturi a fim de conquistar um corpo idealizado – que nem sabem muito bem qual é.

Por conta disso, há um comércio irresponsável de plásticas. No Brasil e fora dele. Por aqui, médicos não especializados se atrevem a atender clientes. E, por vezes, colocam em risco a vida dos pacientes – na maioria, mulheres. Elas, na busca pelo modelo ideal, “esquecem” de checar a qualificação profissional, resultados anteriores etc. Os resultados acabam sendo insatisfatórios. É um corte desproporcional aqui, uma cicatriz feia ali, um umbigo estranho, uma barriga nitidamente “feita” em sala cirúrgica… Sem contar os casos de morte.

Foi o que o Fantástico mostrou nesse domingo. Como é restritivo o custo de um procedimento com um médico respeitado, muita gente tem optado por “profissionais” que atendem nos países vizinhos – Paraguai, por exemplo. A promessa de um milagre estético tem o preço mais alto: colocar a própria vida em risco. Lamentável.

A sociedade que valoriza a imagem é a mesma que transforma gente em coisa. A estética ganhou contornos inalcançáveis. O real não é tão belo. E nenhuma cirurgia faz milagres. Por isso, predomina a insatisfação com o próprio corpo. Insatisfação que alimenta um mercado milionário e que se sustenta pela angústia da projeção do que é ser belo.

Na segunda, uma música

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Vamos começar a semana… Sempre desejando dias melhores. E, como se repete há quase dois anos, na segunda-feira, temos aqui uma música. A canção de hoje é do Leoni, que começou com o Kid Abelha e, ao longo da carreira, teve grandes parceiros – Cazuza, Paula Toller, Roberto Frejat entre outros.

A canção escolhida vem num dueto com Herbert Vianna. Trata-se de uma de suas composições mais conhecidas, “Por que não eu?” (claro, ele também é autor de “Garotos”, “Só pro meu prazer”, entre outras). E certamente traz lembranças pra muita gente.

Para os amigos, a música de hoje.

Violência gratuita antes do almoço de domingo

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Não tenho o hábito de compartilhar coisas muito pessoais. Sempre digo que, embora o blog seja pessoal, minha vida não rende histórias. Que graça tem transformar este espaço num diário? Sou só uma pessoa comum, como milhões de anônimos. A diferença única é ter esse lugar aqui pra falar com amigos sobre ideias… E é sobre isso que realmente vale a pena falar.

Entretanto, hoje voltei a sentir necessidade de compartilhar algo que ocorreu comigo. Confesso que não acordei num dos melhores dias. Tenso, preocupado, um tanto irritado e ainda ansioso pela participação do meu filho no PAS. Foi assim que peguei o carro para ir almoçar.

Quando ia para um dos shoppings da cidade, notei que o trem de cargas tinha parado o trânsito. Sempre que isso acontece, procuro dar a volta. Prefiro rodar mais alguns quilômetros a ficar ali, parado, debaixo do sol quente. Esta foi minha escolha.

Já estava no Novo Centro, quando fui atravessar a avenida Horácio Racanello. Não vi veículos. Avancei um pouco. Percebi um ciclista, parei. É verdade que um pouco além do ponto ideal. Mas, quem tinha a preferência, podia passar com tranquilidade.

O ciclista não quis isso. Freou, jogou a bicicleta no meio da avenida e veio em minha direção. Xingando. Fiquei surpreso. Assustado. Fiz o que sempre faço. Pedi desculpas. Afinal, estava errado. Não o tinha fechado. Porém, avancei um pouco sobre uma das vias da pista.

O jovem não se contentou em xingar. Partiu para a agressão e começou a chutar a porta do meu carro. Insisti tentando me justificar. Não deu resultados. Dei ré e saí do local.

Ao meu lado, estava minha esposa; no banco de trás, minha filha. Elas ficaram chocadas. Minha pequena simplesmente não entendia o que havia acontecido. Eu também não.

Não era motivo para raiva. O ciclista não foi fechado. Não precisou frear com violência. Não caiu. Nada. Mas optou parar, xingar-me e, na tentativa de me agredir, danificou meu carro.

Lamento pelo veículo. Pelo prejuízo que tive. No entanto, o que mais me incomodou foi o ato de violência gratuito. Sei que, se o jovem estivesse armado, não teria pensado duas vezes em atirar contra mim.

Por quê?

Não consigo crer que alguém com tal atitude possa ser chamado de humano, ser humano. Também não pode ser chamado de animal. Animais não fazem isso. Animais se defendem ou atacam por sobrevivência.

Qual é o gênero que identifica seres como esse? Gostaria de responder. Não consigo.

A escolha nem sempre é nossa

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Alimentamos a ilusão de que somos donos de nossos destinos. Não, não somos. É verdade que fazemos escolhas. E podemos optar por qual caminho seguir. Entretanto, nem sempre decidimos por nós mesmos. Por vezes, outros escolhem por nós. Nem todos os caminhos são os nossos caminhos.

O que dizer daquele trabalho pelo qual é apaixonado, mas que, por uma dessas coisas que ninguém consegue entender, você é demitido?

E quando a mulher que você ama, por quem faria qualquer coisa, simplesmente te descarta?

Situações comuns, mas que revelam que nem sempre temos o controle de nossa vida. Podemos não aceitar que seja assim, mas nem todas decisões cabem a nós.

No caso de um emprego ou de um relacionamento, você pode investir todas suas energias. Ainda assim, não há garantias de que a sua vontade irá prevalecer.

Nessas horas percebemos o quanto é ruim ter a vida, o destino nas mãos de outra pessoa. É frustrante ver que seus sonhos podem se tornar pesadelos.

Entretanto, não há o que fazer. Faz parte da lógica da vida. Dependemos do outro. Não somos ilhas. Não dá para simplesmente dizer: “ninguém vai decidir por mim”.

Podemos até ter certo grau de independência, mas haverá situações que nos escapam. Alguém vai achar que não somos suficientemente bons; outros vão nos rejeitar, virar as costas e deixar-nos… Sempre existirá um amor não correspondido.

E por mais que saibamos que isso acontece com todo mundo, vai doer. Doer demais. Restará, porém, o consolo do tempo. E a esperança de um novo sonho… De um sonho e de um futuro bom.

O papa, os evangélicos e o poder

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O papa está preocupado com o crescimento dos evangélicos. Como líder da maior religião cristã, é justificável o temor de Bento XVI. Afinal, enquanto cresce a população evangélica, o número de católicos encolhe. No Brasil, por exemplo, o censo de 2010 revelou que a quantidade de fieis era inferior a 70%; vinte anos atrás, passava de 83%. Isso não é diferente noutros países.

Entretanto, cá com meus botões, tenho a impressão que a posição do papa não se deve apenas a uma perda de fieis. Mas sim ao temor de uma perda de território.

Durante séculos, Roma não foi apenas o centro do mundo cristão; foi o centro político. A Igreja deixou de ter o domínio político, mas não perdeu sua vocação política e de autoridade. O desejo de ser única e incontestável permanece latente.

Muitos líderes católicos demonstram tolerância, flexibilidade. Gente como o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, que respeita a diversidade religiosa. Entretanto, a sensação que tenho ao ouvir a declaração do papa é de que Roma aceita a pluralidade de religiões porque esta é garantida pelos estados. A postura de quem arroga ser superior ainda está lá… apenas silenciada pelo contexto sócio-histórico, cultural e político.

Vereadores: eles traíram seus eleitores

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Decepcionado. Talvez esta seja a única palavra que consigo usar para expressar o que sinto diante da atitude dos vereadores maringaenses. Nessa quinta-feira, eles aumentaram a verba de gabinete e os próprios salários. O gabinete dos parlamentares terá um assessor a menos, mas R$ 4 mil a mais. Já o subsídio dos parlamentares saltou de R$ 6 mil para R$ 12 mil.

Sinceramente, não sei o que dizer. Poderia dizer que é um absurdo. Porém, isto todo mundo diz. E o sentimento de revolta não vai mudar nada.

O que os vereadores fizeram ontem foi vergonhoso. Traíram o desejo popular. Afinal, sabem que ninguém aprovaria tais medidas. Entretanto, viraram as costas para os eleitores e olharam apenas para os próprios interesses.

Nem isso é novidade. Políticos usam o poder para se beneficiaram e para prestigiarem seus verdadeiros representados – gente que financia campanha, faz lobby etc. O povo serve apenas para assistir ao espetáculo, o jogo de cenas em que supostamente seus “representantes” os representam. Nessas horas, eles batem na mesa, falam grosso, dão show. Ganham aplausos e, nas eleições, votos.

Não me vejo representado por esses políticos. Eles não defendem os meus interesses. Eu discordo do aumento da verba de gabinete e do subsídio dos vereadores. Não acredito que seja justo. E nem me venha com o argumento de que os assessores agora vão trabalhar em período integral. Mesmo em meio período, nunca tiveram tanto o que fazer – basta dar uma olhadela no embasamento dos projetos que são votados no plenário; textos rasos, superficiais, em alguns casos, inconstitucionais. Com carga horária completa, apenas teremos mais gente circulando a toa na Câmara. Sem contar que, com remunerações tão pomposas, sempre haverá o risco de parte desses salários engordar a conta bancaria dos próprios contratantes ou servir até para pagamento de cabos eleitores informais.

Quanto aos salários dos próprios vereadores, a maioria não merece R$ 12 mil. Não deveria receber nem os atuais R$ 6 mil. Basta dar uma olhadela na pauta do Legislativo. Nessa quinta-feira, por exemplo, além de votarem projetos do Executivo e desses em benefício próprio, aprovaram:

- nome de rua;
- autorização para comércio ambulante em todos os eventos públicos;
- promoção de curso de capacitação para coletores;
- implantação de cobertura nas academias da terceira idade;
- instalação de chuveiro flex em casas populares etc.

E pode-se dizer que a tarde de ontem ainda foi produtiva.

Na prática, pagamos muito caro para ter um Legislativo. O dinheiro gasto com gabinetes, assessores, estrutura e vereadores seria muito melhor aproveitado se estivesse nas mãos do próprio povo.

PS- Votaram contra os aumentos: Humberto Henrique, Manoel Sobrinho e Mário Verri.

Uma infindável rede de fofocas

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Todo mundo diz abominar uma fofoca. Porém, poucas sãs as pessoas que não alimentam tal hábito. Nocivo, vale dizer. Falar da vida alheia, contar histórias a respeito de parentes, vizinhos, amigos, colegas de trabalho ou de escola faz parte do nosso comportamento. Claro, ninguém admite.

Quem aceita o rótulo de “fofoqueiro”? Está para nascer quem vai gostar desse adjetivo. Os fofoqueiros são os primeiros a bater no peito e dizer: “eu??? De jeito nenhum”.

A coisa é tão esquisita que quem rejeita ouvir fofocas ou evita falar dos outros geralmente é banido do grupo. Na verdade, os grupos se sustentam pelas conversas a respeito de pessoas. Muitas vezes, daquelas que são tidas como amigas.

Raras são as pessoas que conversam sobre ideias e não sobre gente. No entanto, adotar o silêncio a respeito do outro é aceitar ser visto como diferente – por vezes, arrogante, prepotente, orgulhoso etc etc. Não falar sobre o outro é ser o chato; é ser o antissocial.

Ao falarmos de pessoas sempre nos justificamos.

- Ah… não estou falando mal dela. Só estou contando o que aconteceu.

E assim seguimos contando casos e causos. Afinal, nossas histórias nunca têm a presença do outro para que possa se defender. Muito menos, apresentamos todos os lados de um fato. Apenas o que ouvimos dizer.

E é bem isso, né? Fofocas quase sempre são feitas de “terceira mão”. Nunca estivemos lá. Sempre, ouvimos dizer.

Toda fofoca traz uma carga de mentira; e maldade. Basta observar que, sobre quem falamos, nunca pode nos ouvir. Se ouvir, perdemos o “amigo”.

A vida do outro é assunto nosso. Lamentável. Uma atitude pobre, mesquinha de nossa parte. Porém, somos assim. Faz parte de nossa natureza. Da nossa face má, hipócrita.

Isso nunca vai mudar. Alguns de nós, talvez. No entanto, onde houver duas pessoas, sempre haverá o nome de uma terceira. Esta, nada pode fazer. Apenas esperar sua vez para colaborar nessa intrincada e infindável rede de fofocas.

A crase que dá crise

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Não é muito novidade que sou um bocadinho chato… Mas até tento me controlar. Entretanto, tem coisas que me incomodam profundamente. Erros de Português em cartazes, fachadas de lojas etc estão na lista.

Claro, também erro. E muito. A nossa ortografia é cheia de regras. Dar conta de todas é uma tarefa quase impossível.

Entretanto, tem uma expressão que me faz entrar em crise.

A partir de…

Toda vez que circulo pelo comércio, vejo esse “a” com crase. O erro está lá… gritando. E em lojas conceituadas. Sinceramente, não entendo por quê. É mais comum encontrar a expressão com erro que da maneira correta.

O sujeito escreve:

- Camisas à partir de 29,90…
- CDs à partir de 9,90…

Socorro! Dá dor no estômago.

De onde tiraram esse acento?

O brasileiro quase sempre esquece da crase. Porém, quando vai escrever “a partir”, lembra dela. De forma equivocada. “Partir” é um verbo. Não pode ser antecedido por um artigo feminino. Mas… quem vai lembrar disso???

Afinal, escrever corretamento nem é tão importante assim, né?

PS- Dicas sobre o uso da crase.

Quem estará conosco ao final da vida?

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Poucos relacionamentos permanecem vivos; a maioria perde-se no caminho

Há pouco vi algumas fotos no Facebook. Também li os comentários. Um deles me tocou. Uma frase simples… Dessas repetimos. Falava de amizade. Ressaltava uma amizade eterna. O motivo era simples: a faculdade está acabando, a formatura está chegando, mas, apesar do fim de um período, a promessa: a amizade vai continuar.

É algo bonito de ver. Gostoso de sentir. Uma mistura de saudade com o mais sincero desejo de eternizar tudo que foi vivido ao longo de dias, meses e anos.

A faculdade é mais que anos de estudo. Amizades nascem ali. Relacionamentos são construídos.

Isso também acontece na infância. Na adolescência. Na fase jovem ou adulta. Pode ser com vizinhos, colegas de classe ou de trabalho. Os ambientes nos aproximam. E fazemos amigos. Em muitos casos, conhecemos a mulher dos nossos sonhos. A garota, o príncipe encantado…

Mas a vida é feita de ciclos. Num momento, estamos ali brincando com os amiguinhos que moram próximos; noutro, com gente que conhecemos na escola… Por fim, passam a fazer parte de nossa vida aqueles com quem dividimos responsabilidades no trabalho, na igreja ou nos encontramos no clube.

Poucos são os que ficam. Aqueles que permanecem para além das fases da vida.

É triste isso. Porém, é a própria vida em movimento.

A promessa de amizade eterna feita no comentário de uma foto talvez se torne realidade. Mesmo assistindo de longe esse espetáculo proporcionado por sentimentos verdadeiros, torço para que não se distanciem. Contudo, a lógica dos desencontros – mais que forte que qualquer outra – faz-me acreditar que daqui a alguns anos ainda vão se considerar amigos, mas provavelmente estarão há meses sem trocar palavras.

Manter um relacionamento requer esforço. Curtir uma foto no Facebook, deixar um comentário no MSN… podem ser expressões de carinho. Mas é muito pouco para perpetuar a chama do amor. É preciso encontrar, falar, tocar. Acontece que o dia a dia nos consome, nos distancia.

Quando mudamos de cidade, trocamos de emprego ou terminamos a faculdade, encerramos um ciclo e iniciamos outro. Neste, tudo é novo – inclusive as pessoas com as quais vamos conviver. Novas amizades virão. Isso é maravilhoso! Significa que estamos vivos. No entanto, outras que amamos e foram importantes para nós simplesmente serão esquecidas – ou ficarão na lembrança de um tempo que não tem mais volta.

Isso revela o quanto somos solitários. E os relacionamentos, ocasionais. Ficam conosco apenas aqueles que escolhemos não abandonar. Por opção e investimento, já que terão de estar no topo de nossas prioridades. Se nos deixarmos embalar pela rotina da vida, passaremos pelas diferentes fases, experimentaremos sentimentos e sensações incríveis, mas aqueles que realmente foram importantes terão ficado pelo caminho. Quem estará conosco ao final da vida?

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