Talvez o assunto mais comentado nestes dois últimos dias envolve uma enfermeira flagrada espancando o próprio cão, um Yorkshire. A atitude dela é revoltante. Dá raiva. Sinceramente, não tenho estômago. No vídeo, o bichinho aparece até mesmo sendo arremessado para o alto. Segundo a polícia, o animal morreu. Não teria resistido aos ferimentos.

A mulher, ainda jovem – apenas 22 anos -, é mãe. Tem uma garotinha de três anos. No vídeo, por sinal, a agressão é assistida por uma criança. Fala-se que é a filha dela.

Bom, mas não vou abordar o que todo mundo já discutiu. Tem notícias em abundância sobre o assunto na rede. Quero falar sobre a atitude das pessoas em relação à agressora.

A jovem está sofrendo um linchamento público. Em rede. O nome, o endereço, fotos… tudo foi divulgado. Além disso, a autora desse ato de brutalidade ganhou todos os adjetivos possíveis e imagináveis. Claro, virou um monstro.

Merecido? Não sei. Sinceramente, não gosto de reações passionais. Eu não estava lá. Não vi. As imagens são um recorte. Alguém já se perguntou se ela é tão louca assim? Três minutos contam a história da vida de uma pessoa? São suficientes para julgarmos alguém? Penso que não.

Alguns repórteres foram ouvir os vizinhos para identificar o perfil da mulher monstro. Foi descrita como supertranquila, calma, boa pessoa. Pode ser uma máscara? Pode. É obvio que sim. Mas também pode ser verdade. Quem sabe seja tudo isso.

E o ato de espancamento? Não é justificável. Porém, talvez tenha sido um único surto. Um momento de perda de razão. Um momento em 22 anos de vida.

Seres humanos, gente de bom coração, também surtam. Piram.

Repito, não justifica. No entanto, nada justifica o linchamento público.

Peraí, gente… Para tudo. O que estão fazendo na rede é o que ela fez com o cachorro. Com a diferença que estão arrebentando com a vida de alguém para toda uma vida. Isso é correto? Eu não acho.

Daqui a 10 anos, 20 anos, alguém pode colocar o nome dela no Google e achar o histórico. Ficará marcada – junto com a filha, marido… pais. Eles que nada tiveram a ver com o assunto serão relacionados ao crime. Pelos cantos, vai ter sempre aquele que dá uma cutucadinha no vizinho ao lado e diz:

- Sabe de quem ele é marido?
- Sabe quem é a filha dele?
- Ah… essa menininha é filha daquela…

Desculpem-me, caríssimos, mas não concordo com essa coisa de “olho por olho, dente por dente”. Ela deve pagar pelo que fez. Porém, não cabe a nós fazermos justiça. Justiça se faz na Justiça. Multa, prisão, serviços sociais… enfim. Agressão a animais tem pena prevista. Ela foi denunciada. Vai pagar pelo que fez.

Quando entramos nessa onda de linchamento não somos melhores que ela. Tornamo-nos iguais. Ela agrediu o cachorrinho. Nós a agredimos. Somos tão brutais e cruéis quanto ela foi com o bichinho. Com a diferença que permaneceremos impunes e ainda nos sentiremos donos da razão.

Deveríamos ter vergonha do nosso senso de justiça. Que pobreza de espírito.