A Sandra sente falta de ser atriz. Do que sentimos falta?

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Gostei de ver a declaração da Sandra. É a expressão corajosa de uma jornalista bem sucedida, mas que teve que “congelar” o prazer de exercer outra atividade, que também lhe dava prazer.

Fiquei pensando: do que sentimos falta? Não, não estou falando daquela pessoa. De um amor, de um certo alguém… Falo de coisas que, por escolhas ou circunstâncias, deixamos de fazer.

A jornalista sente falta de ser atriz.

Até semanas atrás, eu sentia falta de ser repórter. Do contato direto com as fontes, com a notícia. Felizmente, estou conseguindo conciliar as duas – ser repórter e ser âncora.

Entretanto, ainda alimento outras vontades… Também estão aqui “congeladas”, como disse a Sandra. Fazem falta as grandes reportagens, os textos mais elaborados.

Mas sei que não dá para fazer tudo. É impossível. Alguns prazeres precisam ser sublimados. Do contrário, fica um vazio no peito que incomoda e rouba a alegria de viver.

Este é o segredo: sublimar as ausências, reconhecendo que não podemos dar conta de tudo.

Dias atrás ainda falava sobre pessoas que estão num lugar, mas com a cabeça noutro lugar. Gente que abre mão de viver, pois não curte o que tem.

Acho que todo mundo sente falta de alguma coisa. Algo já vivido, já experimentado, mas que perdeu-se no passado, ficou apenas nas lembranças.

Tenho comigo a certeza que, se ficou mal resolvido, incomoda demais e está te impedindo de seguir adiante, tem que começar tudo de novo. Se foi resultado de uma escolha ou não dá para voltar atrás, é preciso olhar pro futuro e investir nele.

Para a Sandra, faz falta atuar. Mas isso não a impede de ser feliz fazendo o que faz. Este é o jeito certo de viver: aproveitar o que construímos e só espiar o passado para relembrar o que teve de bom.

Prefeitos reclamam de salário dos professores; deveriam se envergonhar

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Cerca de 700 prefeitos em Brasília. E por um motivo: o novo salário dos professores. Eles estavam lá, mas não para aplaudir o ministro da Educação, não para dizer que o reconhecimento aos educadores vem em hora oportunidade. Não, não era para isso. Foram à capital federal para reclamar, alegar que não poderão pagar os R$ 1.451,00. Sustentam que o salário dos professores vai “quebrar” as prefeituras.

Detalhe, essa será a remuneração dos professores que trabalham 40 horas por semana.

Os prefeitos deveriam se envergonhar. Os R$ 1.451,00 representam um salário miserável. Esse valor está longe de reconhecer o trabalho dos educadores. Muito longe do ideal. Em especial, porque todo prefeito, atualmente, se elege sustentando o discurso de que educação é prioridade. Prioridade onde? Porque quem reclama dessa remuneração nunca priorizou o ensino.

Boa educação é feita por bons professores. E nunca teremos bons professores se continuarmos pagando essa merreca.

O que torna a situação ainda mais revoltante é o fato de que, em 2013, teremos mais 7 mil vereadores no país. Sim, muitas cidades aproveitaram-se do que diz a lei e ampliaram o número de cadeiras nos legislativos municipais. E certamente não vão ganhar R$ 1.451,00.

Os prefeitos foram a Brasília, reclamaram do novo salário e ainda pediram que o Ministério da Educação mude a base de cálculo dos reajustes. Esse último aumento foi 22%. Os gestores municipais pedem que o cálculo seja apenas pelo IPC – a inflação do período. Ou seja, os professores não merecem nada além da inflação.

Hoje, ouvi um comentário de Alexandre Garcia sobre o assunto. Ele foi direto: “prefeito, pague o salário do professor. Economize controlando a corrupção, reduzindo os comissionados… A educação é a solução para tudo”.

É isso mesmo. É o professor que constrói o futuro. Entretanto, atualmente, quem se anima escolher a docência? Alguns poucos. Faltam professores. E isso acontece porque segmentos que sequer exigem formação profissional remuneram melhor seus trabalhadores.

Prefeitos, governadores – gestores em geral – que reclamam de um salário de R$ 1.451,00 para o professor são amigos do atraso, gente que valoriza a ignorância e desconhece o real valor do ensino.

PS- O salário inicial de um professor em Maringá, por 40 horas, é R$ 1.911, 03.

Pequenos hábitos podem destruir relacionamentos

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Cada um de nós possui hábitos muito particulares. Manias, prefiro dizer. Coisas aparentemente simples, inofensivas, que de alguma forma organizam nossa vida e formam nosso jeito de ser.

Pode ser a maneira de colocar o papel higiênico no suporte, a toalha estendida após o banho, a roupa organizada na gaveta… O jeito de sentar à mesa, de colocar os alimentos no prato (Primeiro, o arroz? Ou o feijão).

Isso é nosso. E todos temos. Talvez não seja muito consciente, mas esses hábitos – ou manias – estão em nós.

O problema é como esses hábitos se revelam dentro do relacionamento. Esses comportamentos, por incrível que pareça, afetam seriamente a vida a dois.

Lembro de um casal que teve graves problemas. Na terapia, eles descobriram onde o problema começou: no rolo do papel higiênico. Isso mesmo. Um tinha o hábito de deixar a ponta do papel saindo por baixo; o outro, por cima do rolo. As brigas começaram aí. Descobriram suas diferenças e as acentuaram a partir de um “gosto” pessoal.

Essas coisas acontecem porque algumas pessoas parecem acreditar que o seu jeito de fazer é o único que está correto. Não conseguem admitir uma outra maneira.

Tenho dito que gente é bicho esquisito. Relacionamentos são complexos. Não é fácil dar certo. Entretanto, os grandes problemas geralmente surgem pelas pequenas coisas.

Nem sempre as pessoas percebem o quanto um hábito pode incomodar. Se não há flexibilidade, um certo humor para lidar com as “manias”, essas diferenças viram implicância e começam a minar o relacionamento.

Afinal, por que a minha gaveta tem que estar do jeito que ela gosta? Por que não posso comer com a perna cruzada por sobre a cadeira?

São questionamentos que surgem, vão incomodando aos poucos e separam as pessoas. Quando acordam, as palavras de carinho já acabaram, os pequenos gestos de afeto ficaram apenas nas lembranças.

Tudo por que deixaram que seus hábitos se tornassem mais importantes que a pessoa que está do lado, que escolheram para viver.

Quem é muito resistente em abrir mão de certos comportamentos cotidianos – até mesmo de organização – deveria perceber o quanto pequenas atitudes podem fazer mal e ferir o outro. A sua verdade pode ser entendida como implicância. E o que parecia apenas uma forma correta de fazer as coisas vira motivo de discórdia e desamor.

Morte aos cristãos

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Sabe aquelas coisas que você sempre ouviu falar que acontece, mas nunca teve uma prova concreta? Pois é, foi assim que me senti ao ver essa notícia.

Quando criança, por ser criado numa família cristã, e numa época em que ainda vários países sofriam com regimes totalitários, escutava notícias desse tipo. Li inclusive várias histórias de cristãos presos, torturados, ameaçados de morte e até executados. Parecia coisa da Roma antiga, mas apresentavam-se como fatos atuais.

Essas notícias me assustavam. Não compreendia como alguém poderia obrigar uma pessoa a negar sua fé. Não via lógica.

Hoje, em pleno Século XXI, cá estamos diante de um fato real: um cidadão é condenado à morte por ter uma fé diferente da professada pelo governo de seu país.

Confesso que não dá para entender. Do ponto de vista humano, não dá. Não há razão.

É verdade que a religião, por vezes, é perigosa. Mas ter uma fé, defendê-la ou mesmo tentar convencer outras pessoas de que você tem a verdade, não justifica sequer uma ameaça de prisão.

Ter uma fé e expressá-la livremente é direito das pessoas. Trata-se de algo da subjetividade do sujeito. Claro, não pode interferir a ponto de motivar contenda, inimizade, desavença ou mesmo uma guerra. Mas, quando se trata tão somente da crença, ninguém tem o direito de interferir.

É como uma opinião. Quando se tem uma, desde que não haja uso da força ou manipulação, pode se tentar convencer o outro. Isso é liberdade. Vale o mesmo para a fé e para a religião.

Pena que ainda exista quem não pensa assim. Pena que muitos ainda se calem diante de fatos como esse.

Na segunda, uma música

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Difícil definir Renato Teixeira. Ele se diz um cantor do folclore brasileiro. Acho que tem razão. Suas canções traduzem a vida cotidiana, nosso jeito de ser. Cá com meus botões, penso que a arte tem a ver com a alma do próprio artista e do momento em que ele vive. Mas ele faz isso retratando a simplicidade – e por isso, a beleza – da vida. Por isso, gosto da produção do Renato, um cantor caipira.

Hoje, compartilho “Amizade sincera”. Os verdadeiros amigos são raros. Poucos são aqueles com os quais podemos contar em todas horas. Mas, felizmente, existem. E são para estes que Renato canta:

Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo apesar de tão raros
Não há nada melhor do que um grande amigo

Vamos ouvir?

Quem sabe, nos sonhos, as estradas sejam melhores

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Dirigir talvez seja uma das minhas grandes paixões. E talvez por isso, mesmo sem uma boa razão, sempre me sentia bem em viajar – desde que eu esteja no volante. Entretanto, as rodovias têm me cansado. Em especial, as de pistas simples, que são a maioria na nossa região.

A PR 323 é a que mais trafego. Já escrevi sobre ela noutra ocasião. Por isso, não vou voltar ao assunto. Hoje, apenas resolvi falar alto de minha desilusão.

Sinceramente, não gostaria de perder a vontade de viajar. Mas ultimamente todas as vezes que penso no que vou encarar, fico incomodado.

Neste domingo, por exemplo, cheguei em casa com a cabeça doendo, um cansaço enorme. Pouco mais de duas horas dirigindo foram suficientes para me esgotar.

Como ficar satisfeito tendo de encarar filas imensas? Como sentir prazer quando você fica travado atrás de um caminhão por minutos e mais minutos? O que há de divertido em trafegar por uma rodovia por quilômetros sem conseguir passar dos 50 km/h?

É quase impossível pedir paciência aos motoristas. Fazer isso num feriado, lá de vez em quando, seria aceitável. Em todas as viagens, é uma afronta. Por isso, é plenamente compreensível as centenas de acidentes. Estão todos esgotados, irritados.

Sabe o que é pior? Não consigo ver algo que sinalize que isso vai mudar. Os governos não investem em estradas. Não planejam duplicações, ampliações de pistas… Nada. As obras são pontuais. E quase sempre para atender um quadro de emergência.

Lamentável!

Vou dormir. Quem sabe nos meus sonhos, as estradas sejam melhores.

Luan Santana, decadente?

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Lauro Jardim, colunista respeitado da Veja, revela que o cantor está em baixa.

Fato ou não, quero refletir sobre o assunto. Não pelo Luan Santana, necessariamente. Mas pela efemeridade do sucesso.

Usamos o adjetivo “artista” para falar de cantores como Luan, Michel Teló, Gustavo Lima etc etc. Entretanto, se é arte o que eles fazem, por que perdem o brilho em tão pouco tempo?

No mundo contemporâneo, poucos são os que conseguem consolidar uma carreira. Tudo é coisa de momento.

Hoje, o momento é do Teló e seu “Ai se eu te pego” (ou já tem outro no topo das paradas?). Ontem, foi o Luan Santana. Amanhã… quem será?

Os artistas de hoje escrevem seu nome na história por momentos de sucesso. E não por uma carreira.

Isso tem muito a ver com o comportamento da sociedade, que reclama por novidade, e da própria produção artística, que é vazia.

Na música, por exemplo, acordes fáceis, refrões repetitivos, frases de simples memorização… são parte da estratégia. E a música “gruda” na cabeça das pessoas. Até quem não gosta, sem querer, começa a cantarolar.

Acontece que coisas fáceis perdem a graça rapidamente. Enjoam.

E junto com as músicas, enjoamos dos artistas que as interpretam.

Poucos são capazes de se renovar e manter-se em evidência. Até porque a indústria cultural é um verdadeiro balcão de negócios. E, se o público quer novidade, não se furta em apresentá-las. Por isso, tantas carinhas e vozes novas todos os dias no rádio e na televisão.

É ruim isso? Depende do ponto de vista.

No que diz respeito a mim, não sou afetado por essa urgência de uma música nova, de artistas que vão e vem. Tenho impressão que eles (os artistas) acabam reféns dessa lógica e, por isso, sofrem mais que o público.

Sobre o público, o problema é outro…

Parece-me que o gosto musical apenas reflete a pobreza estética de uma cultura formada sem bases muito sólidas. A efemeridade do sucesso artístico apenas reproduz os demais valores (ou da falta deles) de nossa sociedade. A questão, portanto, vai além do simples gosto. Tem a ver com o tipo de formação que temos.

Revitalização, por enquanto, só na placa

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Fiz a foto no início da noite de ontem. À tarde, publiquei aqui os questionamentos sobre a reforma da praça da Catedral. A obra ainda não começou. Embora a licitação já tenha sido finalizada, uma empresa esteja contratada, ninguém sabe quando os operários começam a trabalhar.

Lamentável!

A reforma da praça da Catedral: coisas que não entendo

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Tem coisas que eu não entendo. Por mais que me esforce. Uma delas é esse imbróglio envolvendo a reforma da praça da Catedral de Maringá.

Vou explicar. A Catedral é a principal referência turística da cidade. Talvez um dos pontos mais belos.

A praça anda caidinha, caidinha.

Depois de muito tempo, a prefeitura desenvolveu um projeto, apresentou à igreja, abriu licitação e divulgou a empreiteira vencedora.

Uma obra de mais de R$ 5 milhões.

Quando foi encerrada a licitação, o secretário de Obras Públicas falou à imprensa que, em cerca de 10 dias, a administração municipal assinaria a ordem de serviço e os trabalhos começariam.

Até aí, tudo bem.

Passado o prazo, alguns de nós lembramos que as máquinas já deveriam estar chegando ao local. Pelo menos, alguns operários. Nada.

Pergunta pra um, pergunta pra outro, descobrimos que a bendita obra estava empacada. A ordem de serviço não seria assinada.

Motivo: o projeto da prefeitura avança por sobre 345 metros quadrados que são de propriedade da igreja. E a administração da Catedral não quer encrenca com o Ministério Público. Afinal, tem viva a lembrança de uma outra picuinha: durante anos, o município pagou a conta de energia elétrica da Catedral. O Ministério Público entendeu como irregular e a igreja teve que se explicar.

Agora, a Cúria não quer ver as cenas se repetirem. Por isso, pede um parecer jurídico que sustente que estará livre de problemas. O fato de a prefeitura executar uma obra, e pagar por ela, numa área da igreja, não resultará em cobrança ou alguma ação judicial. É essa segurança que a igreja quer.

A posição é justa.

Porém, vamos ao que eu não entendo. Se:

- durante meses a prefeitura desenvolveu o projeto;
- o projeto foi apresentado à administração da igreja;
- o projeto foi analisado pela igreja e pela prefeitura;
- o projeto foi licitado e, enquanto o edital estava aberto, tudo parecia em perfeita ordem;

por que só agora lembram das obras nesses benditos 345 metros que pertencem a igreja, mas estão dentro do projeto e seriam pagas pela prefeitura?

Ninguém viu antes?
Se viu, por que não falou?
Se falou, por que ninguém ficou sabendo?

À primeira vista, dá a impressão que a igreja não viu direito o projeto. Ou viu e não disse nada. Afinal, poderia ter barrado lá atrás. A cidade não precisava ficar esperando por uma obra que agora nem dá para saber quando vai começar.

Por outro lado, será que a prefeitura sabia que teria problema e mesmo assim deu seqüência ao processo licitatório?

Não sei quem está certo ou quem está errado. Sei apenas que isso é barbeiragem. Alguém fez bobagem.

O papai matou a mamãe

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A frase é de uma garotinha de quatro anos. Foi dita minutos depois de a pequena ter presenciado o pai esfaqueando a mãe.

O fato aconteceu em Maringá por volta do meio-dia dessa terça-feira de Carnaval. O pai da meninha, um jovem de 24 anos, brigou com a mulher, também 24 anos, e a matou. Depois de ter cometido o crime, pegou sua motocicleta, foi para a avenida Colombo e, trafegando na contramão, foi atropelado por um caminhão. Provavelmente, suicídio.

Ouvi essa história hoje pela manhã. Entretanto, só há pouco soube que tinha uma garotinha envolvida.

A pequena teria saído de casa, após o crime, a fim de pedir ajuda. Provavelmente, sem entender muito bem o que estava acontecendo. E sob fortes emoções.

Fiquei chocado. Por ser jornalista, estou acostumado com histórias dramáticas. Já desenvolvi um mecanismo de defesa e raramente me envolvo com os fatos. Entretanto, toda vez que tem criança envolvida, a coisa complica… Lembro dos meus filhos.

Eu não sei como vai ficar a cabecinha dessa garota. Ela perdeu a mãe e o pai. No mesmo dia. Ser criada sem os pais já é motivo para comprometer o desenvolvimento dela. Ter visto a morte da mãe, e pelas mãos do próprio pai, deve motivar um trauma difícil de ser superado.

Essa menina vai precisar de muita ajuda, compreensão, amor para superar as perdas e, principalmente, as cenas que assistiu. A avó, que ficará com a guarda da garota, terá de ser sábia. E entender que o episódio pode deixar marcas que vão aparecer apenas na adolescência ou na fase adulta.

No entanto, esse caso me faz refletir em algo que vai além da menina, do casal e das mortes brutais. Por que as pessoas têm filhos quando não estão preparadas para isso? Por que se unem sem maturidade para dividirem uma vida?

Eu não sei o que motivou a briga. Sei apenas que gente é bicho esquisito, complexo, pode perder a razão. Porém, matar é outra história. Pessoas emocionalmente imaturas não deveriam assumir relacionamentos. E quem aceita viver com alguém assim tem de entender os riscos que está correndo. Logo, não pode ter filhos.

Hoje, não faltam mecanismos para evitar uma gravidez.

O problema é que esse tipo de pessoa não tem capacidade de pensar, de lembrar-se que, quando tem um filho, torna-se responsável por uma outra vida. São pais que matam os sonhos, os futuros de seus filhos.

Lamentável. Ainda mais por notar que todas as contradições da sociedade nascem em famílias desestruturadas. O mundo paga um preço muito alto por ignorar o valor e as influências (para o bem e para o mal) das relações estabelecidas dentro de casa.

Quando a vida nos escapa

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Por situações que nem sempre se tem controle, muitas vezes não vivemos o aqui e agora. Simplesmente não se sente. Não se experimenta. O momento vivido nos escapa. O corpo está num lugar. A mente, noutro.

As pessoas mais felizes são aquelas que se ocupam do que realmente estão fazendo. São aquelas que não permitem que a realidade escape em função de uma outra possibilidade que apenas vislumbram.

Costumo brincar que não há nada pior que comer algo pensando noutro prato, noutro gosto. Acho que você sabe o que é isso. Você está diante de uma pizza deliciosa, mas deseja uma picanha na chapa. Não tem jeito… Por melhor que a massa esteja, não será devidamente saboreada.

Tem gente que vive assim. Vive, mas não vive. Afinal, que graça tem estar mas não estar? Tocar mas não sentir? Ouvir mas não escutar?

É verdade que nem sempre é possível. Às vezes as preocupações nos consomem. Entretanto, tem gente que simplesmente ignora o que tem e passa os dias vislumbrando o que não tem.

A pessoa está em casa, cercado da família, mas está com a cabeça noutro lugar. Passa o dia ali, mas não repara o que acontece – muito menos vive aquele momento.

Não percebe o movimento dos filhos, o sorriso da esposa, o toque roubado do namorado, a piada do amigo…

Tem aqueles que são capazes de ir pra cama com alguém idealizando outra pessoa, outra transa.

Tudo bem… Cada um vive como bem quer. No entanto, tenho aprendido que a vida é curta demais para deixarmos que se esvazie por projeções de um mundo irreal e não tocável.

Morda a língua; ouça teu filho!

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Foi mais ou menos esta a frase que ouvi do amigo e doutor em Psicologia, Daniel de Freitas Barbosa. Ao gravar o primeiro Questão de Classe da temporada 2012, falamos sobre a importância do diálogo entre pais e filhos. O assunto parece um tanto batido, mas pouca gente se dá conta de que efetivamente não existe conversa com a molecadinha.

Sou pai. Sei bem do que estou falando. Por mais que estude o tema e tenha formação na área de Psicopedagogia, falo mais que ouço. Não tem jeito. Lá em casa também é assim… Eles abrem a boca e a gente já “metralha” a garotada com dezenas de palavras por segundo. Não sei como não morremos sufocados, sem ar. Não dá tempo nem de respirar. Imaginem como fica a cabecinha deles?

Pois é… Também somos filhos. E tivemos nosso tempo na infância e adolescência. Odiávamos os sermões. Ainda lembro do meu pai falando grosso. Aquele homem de 1m93, um vozeirão… Jesus!!! Era de lascar.

Claro, hoje sinto falta. Ele ainda está lá… Mas não tem a mesma vitalidade, disposição para argumentar. Quando erro, apenas vejo em seus olhos uma lágrima de decepção, tristeza. Os argumentos do passado não existem mais. Entretanto, sei que minha saudade não é dos sermões. É de ver meu pai forte, cheio de vida… É de ouvir sua voz firme.

Diálogo implica em falar e ouvir. Na relação pais e filhos, talvez ouvir mais que falar. Afinal, pelo papel que exercemos como educadores, naturalmente nos colocamos como uma presença ativa na vida deles.

Por isso, a ordem do doutor Daniel é necessária. Morda a língua; ouça teu filho!

Não temos paciência para ouvir nossos filhos. Não queremos saber o que eles têm a dizer. Pensamos que a razão e a verdade estão conosco. Eles, os filhos, são ingênuos, inocentes, inexperientes… nada sabem.

Na verdade, tenho a impressão que nosso problema é outro. No fundo, temos medo das crianças e dos adolescentes. Medo de que descubram que não somos heróis. Medo de que revelem nossas fragilidades, a falta de conhecimento, a vergonha, os pudores, os tabus.

Quantas vezes não temos respostas para os por quês? Os baixinhos nos colocam contra a parede com suas perguntas. É ali que começamos a fechar o canal de diálogo. Quando a adolescência chega, nossos filhos percebem que não somos dotados de um conhecimento supremo. Viram as costas e nos rotulam como ultrapassados, velhos bobões.

Sabe, conversar com os filhos é a única maneira de protegê-los. Mas é preciso entender que nem sempre teremos respostas. Por vezes, seremos questionados e nos sentiremos envergonhados. Ter humildade nessas horas é fundamental. Quando isso acontece, não adianta falar grosso. Respeito se conquista, inclusive dizendo “não sei” ou “me perdoe”.

Por fim, da mesma forma que filhos não nascem prontos, ninguém se torna pai ou mãe pelo simples fato de gerar uma criança. Pais devem aprender a ser pais. Se a gente estuda para ser jornalista, advogado, professor, médico etc, por que achamos que não é necessário preparo para educar os baixinhos?

Na segunda, uma música

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Este espaço representa um desafio pessoal… Gosto de música. Porém, não posso dizer que sou um ouvinte da produção contemporânea. Por isso, compartilhar uma canção todas as segundas-feiras, me leva a descobrir coisas novas. Talvez não seja para os leitores e amigos, mas, para mim, muitos dos artistas que estão aqui eram até então ilustres conhecidos.

É o caso da banda que escolhi para hoje. Quando vi o nome “Lady Antebellum” pela primeira vez, pensei que fosse uma cantora. Descobri que se trata de uma banda country pop. A musicalidade é agradável.

A herança musical de dois membros do grupo e um empurrãozinho da indústria fonográfica ajudaram na sua formação em 2006.

Um dos primeiros sucessos de Charles Kelley, Dave Haywood e Hillary Scott foi “I run to you”. Vale ouvir.

E daí que o Brasil é o terceiro país com mais usuários no Google+?

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Tudo bem… O Google+ já tem cerca de 90 milhões de usuários no mundo. Os brasileiros representam 5,43% desse total. Mas, sinceramente, diga-me: o que isso significa? Para mim, nada. Tenho perfil lá, mas raramente uso. Vez ou outra recebo uma sugestão de leitura, um comentário.. Nada além disso.

A rede ainda não encantou. E nem parece capaz de reagir. O Facebook não para de crescer. A rede do Mark Zuckerberg muda, altera, provoca, irrita… mas está todo mundo lá. Interagindo.

Já a rede do Google é uma pasmaceira geral. Tenho dezenas de amigos lá, conhecidos e “seguidores”. Entretanto, quase ninguém usa.

Rede social tem uma lógica própria. Uma coisa quase de química entre a rede e os usuários. Além disso, procuramos estar onde os outros estão. Ninguém escolhe ou participa de rede se não está em rede. Tem que ter gente, conversa, buxixo, fofoca, amizade, azaração… Também informação, notícias.

Não me parece que o Google terá fôlego para garantir isso a sua rede social.

Unanimidade perigosa na Câmara de Maringá

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O termo usado para definir a posição dos vereadores é bastante sugestivo. Unânimes. Vereadores unânimes. É fato que são unânimes quando o assunto é baixar o salário de R$ 12 mil, aprovado para a próxima legislatura. Entretanto, essa “unanimidade” é enganosa. Nunca uma “unanimidade” pôde ser tão perigosa.

É preciso dizer que a revisão dos subsídios só vai acontecer por causa da pressão popular. Com algumas exceções, a maioria dos parlamentares, que agora defende a redução, recuou por causa da reação da comunidade – principalmente nas redes sociais (com eco na imprensa local).

O que aconteceu na reunião dessa quinta-feira e os bastidores do Legislativo trazem algumas impressões. Há um grupo disposto a resolver a questão. Quer responder a sociedade e definir os novos subsídios. Outros estão sendo levados pela “onda”. Sentem o impacto das críticas, mas não estão empenhados em derrubar os salários. Ainda assim, no discurso, mostram-se unânimes.

Acredito que os subsídios serão revistos. Reduzidos. Mas o acordo não será tão simples.

Há feridas não fechadas. Vereadores que querem dar show. E ainda quem está pouco interessado no assunto.

É difícil prever, por exemplo, como irão reagir Wellington Andrade e John Alves Correa. Ambos nem participaram da reunião de ontem.

Ninguém aposta no que Wellington poderá fazer. Já o ex-presidente tem agido de forma irônica. E John é completamente imprevisível. Nunca é possível saber que “armas” pode utilizar.

Paulo Soni está machucado. Ofendido. Sente que foi o único responsabilizado pela ausência de uma reação imediata da Câmara quando o subsídio de R$ 12 mil foi aprovado. Ele participava da Comissão de Finanças e Orçamento, que poderia ter apresentado um projeto de revisão dos salários. Foi parar na capa dos jornais. Foi acuado pela imprensa. Flávio Vicente teria colaborado para isso, quando disse que assinaria o projeto de revisão e só faltava Soni fazer isso. Por isso, quer manter os atuais R$ 6,7 mil. E não perdoa Vicente.

Manoel Sobrinho, que parece ter parado no tempo, nos anos áureos da revolução cubana, também sustenta os R$ 6,7 mil.

Convenhamos, soa quase como demagogia fixar o subsídio dos vereadores no patamar atual.

Mas o salário dos vereadores não é o único problema. Tem ainda o do prefeito, do vice e dos secretários. E só a chamada oposição quer mexer nos subsídios do Executivo. Os valores poderão ser reduzidos? É provável que sim. Mas apenas por uma questão simbólica, para dar uma espécie de resposta à sociedade.

São situações como essas que colocam em xeque a revisão dos subsídios. A Comissão de Finanças e Orçamento promete apresentar um novo projeto. Fará isso após a reunião com representantes de entidades de classe. No entanto, quem garante que esse encontro será produtivo?

Ainda assim, uma proposta deverá voltar a ser apreciada no plenário. Provavelmente já no próximo mês. Resta esperar pelo bom senso. Inclusive da sociedade. E dos movimentos populares.

A crítica aos vereadores quase sempre se justifica. Em especial, pela pouca produtividade da Câmara. Isso, porém, não é argumento para deixar de reconhecer que cabe sim um reajuste nos subsídios. O que precisamos é que isso seja feito sobre bases (indicadores econômicos) razoáveis. O passo seguinte é nosso: eleger gente mais qualificada para nos representar.

Redes sociais foram fundamentais para manter pressão sobre os vereadores de Maringá

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Confesso que estou surpreso. Surpreso e satisfeito. Não imaginava que a sociedade tivesse fôlego para manter viva a discussão sobre os salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice.

Quando a Câmara de Maringá aprovou os chamados supersalários, a pressão começou. Os parlamentares foram acuados. E, num primeiro momento, parte deles virou as costas para a sociedade.

Aqui no blog comentei que os vereadores contavam com o esquecimento da população. E contavam mesmo. Naquelas conversas de bastidores, alguns têm coragem de revelar que esperavam pela reação popular. Porém, achavam que, depois de algumas semanas, o assunto cairia no esquecimento.

Como ainda faltava um ano para a disputa eleitoral, não haveria prejuízos nas urnas.

Não foi o que aconteceu. Por algumas semanas, o tema até chegou a ser silenciado. Mas não por muito tempo. Foi só durante as festas de fim de ano e o recesso da Câmara. Os trabalhos recomeçaram e a pressão voltou.

Muito disso se deve as redes sociais. Tanto a organização de movimentos de reação quanto ao debate continuo do tema. E, como a mídia reflete as flutuações da atmosfera social, o assunto se manteve na pauta do dia dos veículos de comunicação.

Por isso, nessa quinta-feira, logo após a sessão ordinária, os vereadores vão se reunir para um primeiro diálogo a fim de buscar o consenso no que diz respeito aos subsídios.

Não será fácil, é verdade. Até porque muitos deles trabalharam pelo aumento. Entretanto, estão dispostos a recuar. Querem pôr fim a esse assunto que promete assombrá-los até o fim da atual legislatura. Os vereadores não querem isso. Pensam na disputa eleitoral e desejam apresentar-se ao eleitorado com uma lista de bons serviços prestados. Principalmente, com o título de moralizadores da Casa de Leis.

Afinal, com algumas exceções – essa bobagem dos salários é uma delas -, as ações da atual Legislatura são muito distintas de outras tantas que vimos em anos passados, em especial quando se comprava notebooks por R$ 10.980,00 e a lista de viagens e diárias dos parlamentares não cabia numa folha de papel.

Como disse, a reunião de hoje é uma primeira tentativa. Alguns, como Heine Macieira, alimentam a expectativa que seja possível fechar um acordo ainda hoje visando apresentá-lo às entidades de classe já no dia 1º de março.

Fica nossa esperança que o bom senso prevaleça.

E salve a democracia!

Vai tarde, Ricardo Teixeira

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Tem coisas difíceis de entender… A sujeirada de Ricardo Teixeira é antiga. Faz parte da história dele à frente da CBF. Entretanto, os casos suspeitos – ou concretos – nunca foram pauta da imprensa nacional. Talvez em função da força da entidade, dos interesses econômicos, da importância do futebol para os índices de audiência. Entretanto, o silêncio está sendo rompido. Por quê?

Teixeira está fragilizado. Esbarra nas portas fechadas da presidente da República. O diálogo com a Fifa já não é o mesmo. Blatter não parece disposto a manter a associação com Teixeira. E agora a imprensa, que sempre o protegeu, divulga denúncias contra o presidente da CBF.

Ao que parece, o reinado de Ricardo Teixeira está acabando. Não sei se isso é bom ou ruim. Difícil acreditar que o futebol brasileiro será profissionalizado. Os cartolas todos têm velhos hábitos. E os clubes brasileiros são ferramentas usadas por alguns para enriquecer e garantir prestígio. Também não dá para saber se haverá conquistas a ponto de afetar a Copa de 2014.

Apesar das dúvidas, torço pela queda de Teixeira. Será hoje? Ninguém sabe. Por enquanto, só especulação. Acho que só um milagre salva o presidente da CBF.

Entretanto, como diria o filósofo Tiririca, “pior que está não fique”. Então, já vai tarde, Teixeira.

Sobre a mídia… Bem, a mídia é a mídia. Uma teoria que a gente chama de “preservação da face” explica bem seu comportamento. Em resumo, os veículos agem de acordo com o que é conveniente.

Meu retorno às reportagens e uma Câmara mais sensível ao apelo popular

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Depois de seis anos, retornei à reportagem ontem à tarde. Estava com saudade. E voltei para fazer algo que gosto: especiais sobre política. Vou conciliar a primeira edição do CBN Maringá, a produção e gravação do Questão de Classe a as externas, principalmente na Câmara de Vereadores.

Ser âncora da CBN é um orgulho. Quem me conhece um pouco, sabe bem do que estou falando. Estou na emissora por opção e pelo prazer que tenho em trabalhar na “rádio que toca notícias”. Entretanto, sentia falta das externas. Buscar o assunto, encontrar o entrevistado, pedir por atenção para gravar uma entrevista – ou colocá-lo, ao vivo, no jornal de um colega – são coisas que gosto de fazer.

Nessa terça-feira, estive no Legislativo. Foi a primeira vez que retornei à Câmara após ter deixado as reportagens. Confesso que senti um friozinho na barriga. A responsabilidade é grande. E tinha um gosto de novidade. Acho que até me atrapalhei com o “ao vivo” dentro do jornal da tarde. Quando terminei, tive que ligar para o Gilson Aguiar e fazer aquela pergunta básica:

- Ficou bom? O que achou?

Mas, sabe, preciso confessar outra coisa: tem uma coisa diferente na atual Legislatura. As sessões continuam um circo, é verdade. Nunca será diferente. Já me conformei. Aquela coisa de vereador falando na tribuna e outros papeando no celular, parlamentar chegando atrasado, votando sem saber direito no que está votando… enfim, isso tudo está lá. Não mudou. Nem vai mudar.

Entretanto, há no grupo atual de vereadores – não em todos, é claro – uma sensibilidade maior ao apelo popular. Uma preocupação com a imagem da Casa. A possibilidade de revisão dos chamados supersalários é um exemplo disso.

Ontem, enquanto conversava com o vereador Carlos Eduardo Sabóia, da Comissão de Finanças e Orçamento, ele foi muito claro: “estamos retomando essa discussão porque a população acha imoral o subsídio de R$ 12 mil”. Esse valor não é ilegal. Pelo contrário. Contudo, a sociedade reagiu, foi dura nas críticas aos parlamentares e, hoje, os mesmos vereadores que votaram os subsídios na surdina, escondidos, estão dispostos a voltar atrás.

É uma conquista da sociedade? Sim. Mas é preciso reconhecer que os atuais vereadores estão mais comprometidos com a população que os elegeu.

Acho que uma frase que ouvi ontem do Belino Bravin resume bem este momento:

- Não adianta a gente remar contra a maré.

E se estão dispostos a respeitar a população, significa que, definitivamente, estamos amadurecendo – tanto nós, eleitores, quanto eles, os políticos (nossos representantes).

Vendas do comércio revelam nosso descaso ao conhecimento

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As vendas do comércio varejista cresceram em 2011. Não como se esperava, mas cresceram. Entretanto, ao detalhar os dados apresentados pelo IBGE me chamou a atenção um segmento: o de venda de livros, revistas, jornais e papelaria.

O IBGE trouxe dados de dez atividades econômicas. Sete tiveram crescimento; três sofreram retração. As perdas mais significativas foram sentidas por quem vende livros, revistas, jornais e papelaria – saldo negativo de 5,3% na comparação com 2010.

Este é o tipo de indicador que pouca gente presta atenção. E quando se trata do assunto é apenas para falar numa perspectiva econômica. Entretanto, entendo que o dado é revelador. Mostra o verdadeiro valor que o brasileiro dá ao conhecimento.

São nos livros, revistas, jornais… que temos fontes preciosas de informação. E, quando o dinheiro encurta, o brasileiro corta o que considera desnecessário.

O indicador econômico sugere que nossa gente entende que o conhecimento é despesa. Não é prioridade.

Concordo que esses produtos têm preços elevados em nosso país, principalmente se levarmos em consideração a renda do trabalhador. Ganha-se pouco.

Ainda assim, estamos muito longe de sermos uma nação que valoriza a leitura. Leitura que produz saber, criticidade, conhecimento. Lamentável!

Whitney Houston e a fama que consome e faz sofrer

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Não sou famoso. Nem tenho a pretensão de ser. Entretanto, imagino que a vida de um famoso seja cheia de contradições. É verdade que a bajulação e o dinheiro garantidos pelo sucesso fazem um bem enorme, principalmente para o ego. Entretanto, a vida sob os holofotes também tem um custo elevado.

Há muitas perdas. A primeiras delas é da privacidade. Embora milhares de pessoas façam tudo para aparecer e ter seus 15 minutos de fama, ter a vida vasculhada não é divertido. Se a pessoa vai à praia, será fotografada, filmada; se vai ao restaurante, idem; se beija alguém, sai na capa da revista… Isso pode até ser agradável por algum tempo. Mas não o tempo todo.

A liberdade é um dos bens mais preciosos. É bom não sentir-se pressionado e poder ir ao supermercado de chinelo e camiseta velha ou sem nenhuma maquiagem.

Também se perdem amigos e até a família fica distante. A maioria dos famosos teve uma vida antes de tornar-se estrela. Tinha amigos, gente que não estava ali por causa da fama do sujeito. Ainda no último domingo falava sobre o preço do sucesso para Michel Teló. O casamento dele acabou. Teló perdeu a esposa. Outros perdem a namorada, o marido… O contato com os pais, irmãos, tios, primos fica cada vez mais restrito. E, por vezes, a família passa a ser uma lembrança no porta-retratos. Ou serve para aparecer naqueles depoimentos chorosos nos programas dominicais da televisão.

Nem todos estão preparados para isso. Por isso, a mesma fama que causa deslumbramento e leva à glória pode roubar a alegria de viver.

Não sei se foi este o caso de Whitney Houston. Entretanto, não faltam exemplos de artistas – nomes da música, do cinema e da televisão – consumidos por um grande vazio existencial. Todo o sucesso, o dinheiro e os aplausos que receberam não foram suficientes para garantir felicidade. Muitos tentaram acalmar o coração no sexo fácil, no uso de medicamentos, álcool e drogas.

E é fácil entendê-los. As perdas que o sucesso impõe são grandes demais para alguns. As exigências e as cobranças, também.

Quem chega ao topo sente-se na obrigação de ali permanecer. O mundo não tolera o fracasso. Um filme ruim de bilheteria, um disco que não vende, um show que não atrai multidões são suficientes para tirar o artista das capas de revista. Desaparecem os convites para festas, os contratos publicitários vão minguando e o mesmo que aplaudia é aquele que ignora, critica e abraça uma outra celebridade que desponta.

Também deve ser difícil conviver com pessoas que te elogiam o tempo todo. Os erros são silenciados. Porém, quem estaria ali dizendo a verdade? Verdadeiro e falso se confundem e o sujeito atrás do personagem (o artista) talvez viva a solidão. Tem tudo o que precisa, todos estão a sua volta, mas não sabe se é amado.

Não, não estou dizendo que é ruim ser famoso. Apenas que todos eles são pessoas. E pessoas sofrem, perdem-se em seus próprios sentimentos e emoções – mesmo tendo a glória que o sucesso pode garantir.

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