Gostei de ver a declaração da Sandra. É a expressão corajosa de uma jornalista bem sucedida, mas que teve que “congelar” o prazer de exercer outra atividade, que também lhe dava prazer.

Fiquei pensando: do que sentimos falta? Não, não estou falando daquela pessoa. De um amor, de um certo alguém… Falo de coisas que, por escolhas ou circunstâncias, deixamos de fazer.

A jornalista sente falta de ser atriz.

Até semanas atrás, eu sentia falta de ser repórter. Do contato direto com as fontes, com a notícia. Felizmente, estou conseguindo conciliar as duas – ser repórter e ser âncora.

Entretanto, ainda alimento outras vontades… Também estão aqui “congeladas”, como disse a Sandra. Fazem falta as grandes reportagens, os textos mais elaborados.

Mas sei que não dá para fazer tudo. É impossível. Alguns prazeres precisam ser sublimados. Do contrário, fica um vazio no peito que incomoda e rouba a alegria de viver.

Este é o segredo: sublimar as ausências, reconhecendo que não podemos dar conta de tudo.

Dias atrás ainda falava sobre pessoas que estão num lugar, mas com a cabeça noutro lugar. Gente que abre mão de viver, pois não curte o que tem.

Acho que todo mundo sente falta de alguma coisa. Algo já vivido, já experimentado, mas que perdeu-se no passado, ficou apenas nas lembranças.

Tenho comigo a certeza que, se ficou mal resolvido, incomoda demais e está te impedindo de seguir adiante, tem que começar tudo de novo. Se foi resultado de uma escolha ou não dá para voltar atrás, é preciso olhar pro futuro e investir nele.

Para a Sandra, faz falta atuar. Mas isso não a impede de ser feliz fazendo o que faz. Este é o jeito certo de viver: aproveitar o que construímos e só espiar o passado para relembrar o que teve de bom.