Às vezes, não há desejo, não há vontade. Nada. Só o sentimento de abandono. Busca-se paz. Onde encontrar? Espírito inquieto, mente confusa, corpo trêmulo… Tensão. Não parece haver razão para tamanha inquietude. Mas dores da alma não se explicam.
Há dias em que tudo que sobra é o vazio. Vazio absoluto. Pelo sim e pelo não, segue-se vivendo. Vivendo ou sobrevivendo? Não dá para saber. Viver é estar, é sentir, é notar, ser notado, amar e ser amado. Sobreviver é meio assim, assim… Deita-se e acorda-se, passa-se o dia. Mantém-se vivo. Vivo por ainda haver existência. Porém, morto para as emoções, para os sentimentos.
As buscas são insanas. O destino é desconhecido. As pessoas próximas são apenas números. Esbarro, ouço, falo. Existem, mas não estão em mim. Não as sinto. São rostos, são sorrisos… Ou lágrimas. Mas nada significam. Estou mergulhado em mim. Os outros são os outros. Neste mergulho, os sentimentos estão perdidos. Dor ou prazer parecem ser uma só coisa.
Quem sou? Onde estou? Para onde vou?
Vez ou outra, sentimo-nos assim. São sentimentos humanos. Nessas horas, nada e nem ninguém podem tornar nossos dias melhores. E quem se envolve, tenta ajudar, talvez se veja impotente, um estranho caminhando por estradas desconhecidas em meio à escuridão.
Não, não há jeitinho. Não existe um “faça isto e você vai ficar bem”. Auto-ajuda é coisa para iludidos. E emoções intensas podem ser confusas, mas não se enganam com palavras bonitas. Dor se deixa doer. Experimenta-se sem fuga até o ponto de, nesse mergulho, encontrar-se e voltar a ver o brilho do sol, a beleza da vida. Por alguns instantes, será possível respirar…

Caro Ronaldo,
Mais uma vez, vc foi fundo… Não há melhor definição do meu atual momento. Acredito voltar a ver o brilho do sol em breve, pois a escuridão já está tomando muito tempo e lugar.
Abs,
Fernanda
Espero que volte logo a ficar bem. Como disse no texto, viva a dor, sem fugir. O sol voltará a brilhar.
Obrigada,
Estou me esforçando diariamente para isso.
Fernanda
Meu caro, não vou ficar falando da qualidade do texto, é perda de tempo do que já se sabe. Vamos falar do autor, é melhor. A angústia faz de um homem a sua superação. A dor eleva, por mais que ao sentir diminua. Quem não recua não sabe o valor da conquista. Na dialética da existência há um passo a frente que reflete os recuos tantas vezes dados com dor. Viva a vida! Viva a sua vida!
Sempre te disse isso… No final só restará nós,,, pensando na existência dividida ou na construção compartilhada, mas ninguém será culpado de nossas decisões, só nós.
Você é sempre meu grande parceiro e amigo. Obrigado pelo comentário. Sempre bem vindo ao blog. Abraço.
Texto perfeito….tomara que dias melhores não tardem a chegar…até logo…
obrigado, caríssima. grato pelo comentário e por vir ao blog.
Pois é, não dá para esconder certas dores…
Obrigado por comentar. Bom dia, caríssima.
Caro amigo, a propriedade como escreve nos presenta com tamanho fascinio. O texto em muitos paragrafos nos remete a reflexão interior e ao mesmo tempo nos conduz a uma paz, talvez pela sabedoria na posição das palavras. Parabéns de muito bom gosto, adorei a leitura.
Honrado pelas palavras, Elizete. Espero que volte sempre.
É isso mesmo, uma dor estranha que tem seu próprio tempo, mas exige que você se lembre: “eu também sou importante”e olhe para si mesmo, pelo menos um pouquinho, nem que seja com ajuda profissional! Agora resta dar tempo ao tempo e esperar que, no fim do caminho, se possa “voltar a ver o brilho do sol”.
Vai dar certo, caríssima. Tenha esperança e fé. Bom dia!
E se o sol não brilhar mais?
Vai brilhar, caríssima. Mas não pode deixar de ter esperança. Se viver remoendo as perdas, viverá sofrendo. Bom dia!