A queda da girafa

Estava lendo sobre como nascem as girafas… Descobri algo interessante. Logo que vem ao mundo, o bichinho cai de uma altura de três metros. Literalmente, a girafinha despenca. E sem piedade. É uma queda e tanto. E ninguém pode se atrever a amenizar a queda. A mãe não vai gostar nada nada da atitude do “caridoso” que se meter a interferir no processo.

Mas a coisa não para por aí. Enquanto tenta se erguer, a mãe chuta o filhote até que ele se levante. É uma forma de apressá-lo. Quando tudo parece resolvido e a girafinha já está em pé, novo coice. Agora, mais forte. A girafinha volta a cair… Na verdade, o que parece cruel é apenas uma forma da natureza preparar esse animal para ser rápido, ligeiro ao levantar-se visando se defender dos predadores naturais.

Ao ler sobre o assunto, pensava na vida da gente. Refletia sobre as nossas quedas. Como educador, sei que as frustrações são fundamentais para o processo de desenvolvimento da criança. Entretanto, entendo também que, quando adultos, nossos fracassos são oportunidades para crescermos. É como a queda da girafinha… Caímos pra nos levantar. E levantarmos mais fortes.

Certa vez vi um pensamento que achei muito interessante: “dificuldades não se desperdiçam”. À primeira vista, a ideia pode parecer absurda, mas… faz todo sentido. A gente pode sofrer por sofrer. Ou sofrer e aprender com o sofrimento. Quando a gente cai, talvez nada faça muito sentido. Porém, temos que entender como uma chance de nos tornarmos mais resistentes aos temporais da vida. Afinal, ninguém vai passar por esse planeta sem levar vários tombos. Os problemas nos garantem a experiência necessária para lidarmos com cada nova situação que se colocar diante de nós.

É por isso que gente protegida demais, que vive cercada de cuidados dos pais, não dá conta de encarar a vida como ela é. Quando enfrenta os primeiros desafios, o sujeito corre, se desespera. Se é alguém sem poder econômico, intimida-se, encolhe. Se o sujeito tem poder – pelo dinheiro e/ou posição que ocupa -, o estado de pânico se revela através de gritos, ameaças… Numa tentativa de auto-afirmação.

Óbvio, ninguém gosta de sofrer. Ninguém gosta de fracassar, como escrevi aqui na semana passada. E quando a gente está na pior, vivendo a noite escura da alma, nada parece fazer sentido. As horas de dor parecem se estender… numa linha infinita. Porém, ainda que não se veja saída, é preciso confiar. Vai passar. Certa ocasião um monge disse que a espera, ainda que angustiante, é uma oportunidade de crescimento. A alma se purifica, a mente se torna mais clara, o coração mais paciente… O homem mais sábio.

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5 comentários sobre “A queda da girafa

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