O que a Xuxa não disse

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O Brasil amanheceu comovido nesta segunda-feira. O depoimento de Xuxa ao Fantástico deu ao programa recorde de audiência e sensibilizou muita gente. Em qualquer página da web, encontramos algum tipo comentário sobre a entrevista. Claro, o assunto que mais tocou o público foi o fato de a apresentadora global ter sido vítima de abuso sexual na infância e na adolescência.

Semelhante a todos que gostam de Xuxa, ou têm o mínimo de humanidade, também fiquei triste pelo drama vivido pela ex-modelo. A violência sofrida, como ela admite, está gravada na memória e ainda a influência, atingindo principalmente sua autoestima.

Entretanto, não vou discutir o depoimento corajoso de Xuxa. Vou na contramão, como tenho me proposto a fazer por aqui.

Ressalto que, o que ela fez em rede nacional, foi um ato digno. Nunca precisaria se expor. Mas fez isso pelas causas que defende, pelo que acredita. E só isso já seria suficiente para aplaudi-la.

Xuxa não disse o que disse para aparecer. Talvez tenha sido um tanto ingênua (diria que foi), mas foi movida pelas coisas em que acredita.

Porém, entre a entrevista concedida e o que a apresentadora pretendia, penso, há uma grande distância. Basta olhar a repercussão.

Alguém viu alguma discussão sobre os problemas reais apontados por Xuxa?

Vamos relembrar:
- Quando criança e adolescente, Xuxa foi vítima de abuso sexual, e mais de uma vez;
- Os criminosos eram conhecidos da família;
- Ela não teve coragem de contar para os pais;
- Os pais não notaram o que estava acontecendo.

O que aconteceu com Xuxa há quase 40 anos é o mesmo que acontece todos os dias, silenciosamente, com centenas de crianças e adolescentes. Parece até haver um script. Criminosos e vítimas repetem esse lamentável roteiro: crime, intimidação, medo, silêncio e impunidade.

Por medo, Xuxa não denunciou. Por medo, crianças e adolescentes não denunciam. E o que acontece? Nada. O que o depoimento da apresentadora trouxe de novo? Apenas a admissão de que as vítimas são indefesas e, geralmente, nem os próprios acreditam nelas.

Ontem, no Fantástico, hoje, nas redes sociais, blogs e na imprensa, ninguém discutiu e nem está discutindo como romper com a lógica cruel desse tipo de crime. Xuxa não tinha por que mostrar o caminho para mudar esse cenário. Mas o Fantástico podia fazer isso. A imprensa poderia estar fazendo isso. No entanto, o que temos? Apenas o show, o espetáculo com o passado dramático da mulher mais famosa do Brasil.

A audiência do Fantástico bombou. Quem está reproduzindo, e até fazendo piada de outros temas levantados pela Xuxa, também está aproveitando-se do que impacto do que ela disse.

E o que mais dá para ver? Gente que diz:

- Coitadinha da Xuxa.
- Que triste isso, né?
- Tá explicado por que a Xuxa nunca casou.
- Que mulher de fibra é a Xuxa.
- Que coragem a Xuxa teve de admitir…

Para além disso, o que há? Nada.

Não sei se era o que a Xuxa desejava ao falar ao Fantástico. Não creio que ela esperasse que seus fãs sentissem pena dela. Acho que a apresentadora sonhou que sua declaração pudesse provocar comoção, mas que a violência, o abuso sexual contra crianças e adolescentes pudessem entrar na pauta cotidiana da sociedade.

Pelo menos por enquanto, não é este o efeito da entrevista. Até o momento, a declaração serviu para emocionar, fazer chorar, fazer rir. Lamentável. Reflexo de um país onde imprensa e sociedade ainda não parecem maduras para transformar dramas em busca de respostas, em soluções para os problemas que afligem não apenas alguns indivíduos, mas milhares de pessoas.

PS- Ainda há tempo para discutir de maneira séria o assunto. Não o crime contra a Xuxa, que ficou no passado. Mas o que fazer para pôr fim ao que acontece com outras tantas vítimas anônimas, diariamente.

Na segunda, uma música

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Não gosto de homenagens atrasadas. Este espaço está aberto há quase dois anos. Entretanto, nunca havia compartilhado uma música do Bee Gees. Hoje, trago aqui uma canção da banda por conta da morte de Robin Gibb, que junto com os irmãos Barry e Maurice, formaram um dos grupos de grande sucesso na música.

Robin morreu vítima de um câncer de colo e fígado. Desde 2010, o cantor lutava contra a doença. Porém, Robin preferia não falar sobre o assunto. Por exemplo, no último mês de novembro, após ser internado, preferiu dizer aos fãs que estava tudo bem e no caminho da recuperação.

Neste ano, Robin estava lançando um primeiro disco solo. Uma parceria com o filho, RJ. A obra serviria para lembrar a tragédia do Titanic.

Apesar da morte, o cantor faz parte da lista de artistas eternizados. A carreira construída, os shows memoráveis, os inúmeros sucessos do Bee Gees ressaltam a importância da banda.

A trajetória começou ainda na década de 1960. Como poucas bandas, o Bee Gees soube renovar-se. Transitaram por diferentes gêneros – do rock psicodélico às baladas. No repertório tem rock, disco, country, romântico, pop rock… E nos mais de 40 anos de carreira, o grupo parou, recomeçou, parou de novo… Não faltaram brigas, desencontros. Nem reconhecimentos, prêmios e homenagens. Ao todo, mais de 250 milhões de discos vendidos.

Por tudo que o grupo representa, não dá para escolher uma música que resuma o Bee Gees. Ainda assim, me atrevo a escolher uma canção, How Deep Your Love.

Vamos ouvir?

Pedagogos, mais que professores, quase sacerdotes da educação

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Considero-me um educador. Por formação, exercício profissional e escolha pessoal. Embora nunca tenha vivenciado o dia a dia da educação básica, do ensino nos primeiros anos da criança na escola, acompanho essa realidade como pai, curioso e pesquisador. Por isso, sinto-me no dever de propor uma breve reflexão neste Dia do Pedagogo.

Falar em Dia do Pedagogo soa até meio estranho. Afinal, a maioria dos profissionais desta área são mulheres. Há poucos homens formados em Pedagogia. Não creio que seja por ser uma atividade feminina. As razões são outras. Entre elas, por ser uma tradição cultural brasileira. Desde as primeiras escolas, o Estado estimulou a educação numa perspectiva quase maternal. A professora era uma espécie de mãe – ou “tia”, como ainda alguns têm o hábito de chamar.

Outra razão, o salário. Paga-se pouco. E a mulher poderia contentar-se em ser a renda complementar da família. Não a principal. Ela se submeteria a um salário menor.

Esses dois motivos já seriam suficientes para não estimular o homem a trabalhar na educação infantil.

Curiosamente, as mesmas razões que não atraem os homens para a educação básica são também as responsáveis pelo drama do ensino no Brasil.

O ensino superior paga melhor que o ensino básico. Isso tira os melhores professores da sala de aula dos menores (e isso não tem nada a ver com a falta de homens dando aulas para os baixinhos). A remuneração é maior numa correspondência direta com a série do aluno. Logo, o professor que ensina na faculdade, ganha mais. E, nas universidades públicas, os doutores mais badalados não estão presentes nem nas salas de aula da graduação; preferem a pós-graduação (os cursos de especialização, mestrado e doutorado).

Com isso, quem hoje cuida do ensino das crianças é quase um sacerdote. Tem que imbuir-se do sentimento de missão. Em Maringá, por exemplo, que tem um dos melhores salários para professores no Paraná, um iniciante ganha pouco mais de R$ 900,00 por 20 horas semanais. Ainda que tenha mestrado, não chega aos R$ 1,2 mil. No ensino superior, ganha-se o dobro disso. E, por vezes, sem estar todas essas horas em sala de aula.

No entanto, nem todas as professores dão conta de fazerem por amor (porque só por paixão e fé na profissão alguém dá conta de ser efetivamente educador ganhando o que se ganha). Na verdade, muita gente que está na educação infantil escolheu Pedagogia porque era o curso mais fácil para passar no vestibular. Ou seja, não dava para garantir vaga em Medicina, Arquitetura, Direito… Optou-se, então, pela Pedagogia.

Resultado? Em sala, temos gente sem aptidão para o ensino, formação inferior e pouco compromisso com a formação do aluno.

Talvez por isso seja comum ouvir de alunos depoimentos como já escutei de minha filha. Entre outras histórias, lembro de uma vez em que uma professora substituta, sem controle da sala, reclamou dos alunos e saiu com um dessas:

- Vocês são terríveis. Fiquem quietos! Eu devia ter ficado em casa cuidando da minha filha.

Não duvido que as crianças estavam deixando-a completamente maluca. Nem que ela preferia estar com a filha. E por motivos justos. Mas o despreparo, a tensão, a frustração mostram-se evidentes.

E, como disse, o Estado não ajuda – paga mal e vê a professora mais como uma segunda mãe que efetivamente como uma educadora.

Existem exceções? Sim. Felizmente. Existem professoras comprometidas. E são elas que motivam a molecadinha a aprender.

Para elas, resta nosso reconhecimento. Reconhecimento de poucos, é preciso dizer. Infelizmente, nem a sociedade vê os professores como deveria ver. Mas essa é uma outra história…

A vida é um eterno recomeçar. Então, por que não hoje?

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Acho que não tenho uma música favorita. Entretanto, vez ou outra escuto uma canção que me toca profundamente. Hoje, lembrei dela após uma conversa. Parei por alguns instantes, liguei o som, coloquei o fone de ouvido e fiquei ouvindo…

O trecho que mais me chama a atenção diz:

O tempo não para nem pode parar, mas me dá a chance de recomeçar.

Entendo que não há nada mais precioso que a maneira como administramos nossa vida nesse eterno jogo com o tempo. E o tempo sempre nos convida a recomeçar. Cada tic-tac do relógio é um aviso: dá para começar de novo, de novo e de novo.

Sabe, aquele barulhinho soa como música aos ouvidos. Ele não avisa apenas que o tempo passa. É como um grito, um apelo para que aproveitemos a oportunidade de um recomeço.

Conheço tantas histórias infelizes. Conheço tanta gente frustrada, magoada, perdida. Gente que se perdeu em sua própria história e parece incapaz de escrever algo novo.

Todas as vezes que vejo gente assim, lembro da música. E lá está o recado. O mesmo tempo que não para é o que avisa: se o relógio nunca retrocede, por que devemos retroceder?

O tempo não volta, o relógio não para. É a vida que segue.

Deu tudo erro na escola? Agora pode dar certo.
A carreira projetada não decolou? Dá para tentar um novo projeto.
Viveu desencontros no amor? Uma nova paixão pode bater a sua porta.

A vida é assim… Um eterno recomeçar. Apenas não podemos perder as oportunidades. Não dá para passar nossos dias vislumbrando um recomeço e nos esquecer que a nossa chance é agora. O depois não existe.

Portanto, esquecendo o que passou, o tempo nos convida a recomeçar. Hoje.

Romper com o passado é ser livre para viver

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Da mesma forma que lembranças nos fazem viajar no tempo, colocam um brilho em nossos olhos, podem consumir nossos dias, roubar nossa paz, tirar nossa alegria. A vida é para ser vivida; não revivida.

Acontece que muita gente não dá conta disso. Se deixa consumir pelo passado.

Vez ou outra falo sobre esse tema por aqui. E faço isso porque o passado é intrometido. Não pede licença. Vai chegando, tomando conta, fazendo sofrer.

Todos os dias relacionamentos são destruídos pelo passado. Na tentativa de seguir juntos, fazer o namoro ou o casamento funcionar – ou até mesmo uma amizade -, as pessoas tentam perdoar, esquecer coisas que provocaram e provocam muita dor. Acontece que não conseguem fazer isso e passam a viver em função do fato que machucou.

Relacionamentos são firmados no conflito. Ninguém está isento deles. Por conta disso, as diferenças surgem, os descompassos que interrompem a trajetória planejada. Brigas, palavras ásperas, mentiras ou até traições. Tudo pode acontecer entre duas pessoas.

Por amor ou conveniência, tentam seguir juntas. Mas as lembranças estão lá. O fato passou, mas segue vivo na memória.

Sabe, o passado não se esquece; perdoa-se. A gente não aperta um botão e apaga tudo. Não existe delete das memórias. Mas temos sim a chance de escolher sofrer pelo passado ou sublimar o passado.

Quando se visita o passado, o passado se faz presente. Temos que olhar pra ele e entender: passou. Machucou? Sim. Doeu? Sim. Feriu? Sim. Mas dá pra fazer alguma coisa? Não. Dá pra voltar lá e arrumar, fazer diferente? Não. Não dá.

Então, é preciso perdoar. E perdoar não significa aceitar, tolerar. Se a mágoa é profunda demais a ponto de impedir a manutenção do relacionamento, é justo rompê-lo. Porém, se as pessoas escolheram seguir juntas, não podem fazer do presente um eterno reviver do passado. Do contrário, nunca mais serão felizes.

E o perdão não deve ocorrer pelo outro. Não se perdoa por dó, pena ou favor ao outro. É necessário sublimar a mágoa sofrida por nós mesmos. Quando perdoamos, deixamos de ser escravos do outro, das lembranças, do passado. Ficamos livres. Livres para viver o momento. Livres para construir o futuro.

Quem vive sob o jugo do passado, sofre, chora, desconfia, perde a autoestima, desenvolve rancor, ódio, desejo de vingança, torna-se ansioso e até depressivo. Ou seja, não vive para si, vive em função do outro.

A vida é única. E curta demais. Não pode ser consumida por erros que nunca são serão reparados.

O que a Carolina tem que você não tem

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Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Sou eu que estou no lugar errado, na hora errada, pensando errado ou o mundo está mesmo de cabeça pra baixo?

Como alguém pode sair com essa?

Tem mais circulando na rede. Não apenas essa imagem. É quase uma campanha virtual. É a imbecilidade em rede, mascarada de indignação. Nunca imaginei que a humanidade pudesse ser tão tosca, mesquinha, pequena.

Concordo que é preciso combater pedofilia. Concordo que precisamos combater estelionatários, corruptos… Todo esse bando de safado precisa ir pra cadeia. Mas, para tudo, né? Crime é crime. Os sujeitos que vazaram as fotos da Carolina em rede, e que antes tentaram chantageá-la, são tão criminosos quanto o sujeito que dá um cheque sem fundo, rouba senha do computador, dá golpe com cartão de crédito… As penas podem ser diferentes. Mas são crimes.

Tem gente pagando pra ter sua bundinha exibida na rede. Mas nem todo mundo quer isso. E, creio, qualquer pessoa que pense um pouquinho se sentiria inseguro ao saber que um spam pode abrir sua máquina pra gente desconhecida e de má fé. É como descobrir que o porteiro fez cópia da chave de seu apartamento para espiar por lá quando você não está.

Ah… mas a mocinha é bonita, famosa… Então, é por isso que a polícia resolveu rapidinho? Sim, e daí? E daí que a polícia teria que agir rápido em todos os casos. Não é o fato de a polícia ser negligente noutros casos que nos dá o direito de minimizar o crime contra a Carolina. A polícia fez o que tinha fazer: identificou os criminosos. E agora cabe à Justiça fazer a parte dela.

O fato revela que, quando pressionada, a polícia pode ser eficaz. Qual teria que ser nossa crítica? A polícia deveria ser sempre eficaz. No caso da Carolina e na violação do meu cartão de crédito. Como sociedade, deveríamos voltar nossos olhos para isso. E não sair por aí questionando o fato de a polícia ter feito o trabalho dela. O crime contra a atriz não é menor pelo fato dela ser bonita, gostosa, famosa ou chata, como dizem.

Mais de 8 milhões já viram as fotos. Ela tem o direito de reclamar da sua intimidade ter parado na rede. Ainda que Carolina já tivesse posado nua, o que ela nunca quis fazer, teria motivo para reclamar punição e ver os responsáveis punidos. Ela e qualquer outra pessoa que venha ter sua intimidade violada e exposta na web.

Derrota coloca em xeque vereadores da Comissão de Finanças e Orçamento

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Depois de frustrar mais uma vez a sociedade maringaense, teremos nesta terça-feira uma nova sessão da Câmara de Vereadores. É difícil dizer que o assunto – salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice – está morto e enterrado. Este até pode ser o desejo da maioria dos parlamentares, principalmente daqueles que sustentaram os R$ 12 mil. Porém, creio que ainda há espaço para pressionar o Legislativo e pedir a redução dos subsídios. Porém, é preciso esquecer os valores defendidos por membros da Comissão de Finanças e Orçamento. Inclusive a demagogia da emenda de Paulo Soni e do discurso despropositado e utópico do Doutor Manoel Sobrinho. Salários de R$ 6,3 mil ou R$ 6,7 mil para os vereadores são uma grande bobagem. É querer “jogar pra galera”. Tentar enganar o eleitorado.

O Doutor Manoel, por exemplo, sustenta a tese que apenas está sendo coerente com o que sempre defendeu. Pode até ser. Mas tal atitude é ignorar a lógica política (da negociação, de ceder para avançar). É o mesmo que ser favorável à manutenção dos R$ 12 mil. Ele nunca vai conseguir aprovar R$ 6,3 mil, que era o subsídio dos vereadores até o ano passado. É falácia dizer que vai lutar, nem que seja no próximo mandato, para revogar a lei que, em novembro passado, aumentou os salários. O vereador sequer tem poder para isso (só a Comissão de Finanças e Orçamento tem tal condição).

E, convenhamos, se o Doutor Manoel ou qualquer outro vereador, que votou contra o projeto da Comissão de Finanças e Orçamento, estivesse muito interessado em tratar da questão (reduzir), poderia ter votado favorável e, nesta terça-feira, apresentar uma nova emenda. O regimento permite isso. Hoje, uma, duas, três… novas emendas poderiam ser analisadas e discutidas. E o projeto até poderia ser retirado da pauta para novas discussões entre os parlamentares a fim de se obter o tal consenso.

Uma coisa é certa: não há chance de passar qualquer proposta que reduza os salários dos vereadores para algo próximo de R$ 8 mil. O presidente Mário Hossokawa deu a dica na quinta-feira passada. Embora não tenha dito de maneira explícita, deixou nas entrelinhas: a Câmara pode voltar a tratar dos subsídios, mas o projeto terá de ser “coerente”, acordado entre todos os parlamentares.

O que seria uma proposta “coerente”?
- Subsídios iguais para vereadores e secretários;
- Subsídios entre R$ 9,4 e R$ 9,7 mil.

Quem, ano passado, se manifestou contra o aumento dos salários, talvez discorde desses “novos” patamares. Hoje, por exemplo, ouvi o presidente da OAB Maringá. Ele foi categórico: a entidade não aceita um salário superior a R$ 8 mil para os vereadores.

Alguém pode dizer: por que então não reduzir o dos secretários para R$ 8 mil a fim de pôr fim a alguns melindres dos parlamentares? Simples, todo mundo sabe que nenhum prefeito vai conseguir formar um secretariado pagando esses valores.

Ou seja, temos um impasse. E, ao que parece, só existe uma redução de subsídios que pode passar: a que tenha a “coerência” acima citada. Revogar a lei votada no ano passado também é impossível. A Comissão de Finanças e Orçamento até pode fazer a proposta, mas não passa no plenário.

Quer aumentar o drama? Esse projeto teria que ser apresentado pela Comissão de Finanças e Orçamento. É quase um “capricho” desses sete vereadores que rejeitaram os R$ 8 mil e mais do presidente levar a Comissão a “engolir” um subsídio maior. De certa forma, querem acuar, ensinar uma “lição”, impor uma derrota aos vereadores Dr. Sabóia, Belino Bravim e Humberto Henrique.

Não é difícil entender por quê. Os três capitalizaram politicamente com o projeto dos R$ 8 mil. Foram os mocinhos; os outros, os bandidos. Agora, com o projeto derrotado, o presidente foi rápido em colocá-los em evidência novamente. Só que sem chance de seguirem capitalizando politicamente.

Acompanhe o raciocínio:
- Se a Comissão não apresentar um novo projeto, os R$ 12 mil permanecem. E de quem será a responsabilidade? Dos três vereadores.
- Se a Comissão apresentar um projeto com valor entre R$ 9,4 mil e R$ 9,7 mil, o capital político da defesa dos R$ 8 mil também pode ir pro lixo.

Ou seja, é como meu pai dizia: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

O que vai acontecer? Difícil dizer. Nenhuma aposta é isenta de riscos.

É melhor não tentar negociar com o futuro

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Acho que todo mundo já se pegou diante do computador “pulando” de página em página, sem rumo e sem notar o que está fazendo. A internet, em especial as redes sociais, é um grande ladrão de tempo. Gastamos um tempão navegando e, muitas vezes, de forma vazia, sem objetivo prático. Por conta disso, costumo dizer aos meus alunos: quando entrar no computador para fazer um trabalho, evite a internet, as redes sociais e os serviços de bate-papo.

Entretanto, não é só o mundo digital que nos faz perder tempo. A internet apenas potencializa um hábito que parece intrínseco à natureza de quase todos nós: a procrastinação. Por si só, o termo mais parece um palavrão, quase um xingamento. Pro-cras-ti-na-ção. É, não gosto. A palavra é feia. O hábito, idem.

Procrastinação é deixar para depois. Trata-se do maior ladrão do tempo.

Às vezes me pego pensando: “e se eu tivesse que dar conta, ao final do dia, de cada minuto gasto ao longo das últimas 24 horas?”. Acho que estaria enrolado. Semelhante a muita gente, também perco tempo. Muitos minutos são jogados no lixo. Por vezes, me pego deixando algo para fazer amanhã. Sempre encontro uma justificativa, uma desculpa para não fazer agora e… fica pra depois.

O problema é que amanhã encontro o compromisso que era pra hoje. E, pior, junto com as tarefas de amanhã.

Uma vez eu li que

O dia pode trazer muitas tarefas, problemas e preocupações, mas invariavelmente elas vêm uma de cada vez.

É fato. Se a cada nova tarefa já nos ocupássemos dela, quase todos os nossos problemas estariam resolvidos.

E, sabe de uma coisa, ninguém que tem o hábito de deixar as coisas pra depois se torna uma pessoa de sucesso. O sucesso acompanha quem sabe priorizar o que é prioritário e faz uma coisa de cada vez. Faz. Começa e termina.

Acontece que, hoje – da mesma forma que, numa página de notícias, abrimos dezenas de abas para ler depois, fechando-as posteriormente sem ao menos ler metade dos títulos – assumimos uma série de compromissos, começamos a desenvolvê-los e, quando nos damos conta, estamos mexendo em mil coisas, quase enlouquecidos, porque nada ainda está concluído e outras tarefas estão chegando e se acumulando.

Embora possa parecer metódico demais, até chato, o primeiro segredo para evitar o esgotamento mental e físico, é listar o que temos para fazer e começar a fazer.

Tudo depende de tempo. Cada pequena ação. Quando procrastinamos, atropelamos nosso bem mais precioso. E coisas que deveriam fazer parte do topo de nossas prioridades – relacionamento, família, amigos, lazer – acabam sendo negligenciadas.

Temos que entender que o amanhã é imprevisível. Deixamos coisas para depois projetando como será o amanhã. Porém, amanhã tudo pode mudar. Chuva ou sol, empregado ou desempregado, carro funcionando ou carro quebrado, sorriso ou lágrima, casamento ou divórcio, junto ou sozinho, dólar em alta ou dólar em baixa, economia crescendo ou retraindo… Pode ser frustrante, mas não temos controle do que ainda está por vir. Por isso, se somente o agora está em nossas mãos, é melhor não tentar negociar com o futuro.

Talvez o melhor conselho seja:

Se empilhar muitos amanhãs, você terá muitos ontens vazios (David Jeremiah).

Na segunda, uma música

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Sempre achei Jorge Vercillo uma espécie de Djavan, sem o mesmo brilho do “original”. Ainda assim, é impossível não reconhecer a qualidade da interpretação de Vercillo e a beleza de muitas de suas canções.

Jorge Vercillo é um requisitado compositor. Em seus mais de quinze anos de carreira, Vercillo, que é formado em Jornalismo, já compôs para Ana Carolina, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Luisa Possi entre outros.

E é desse cantor, músico e compositor nascido no Rio de Janeiro a música desta segunda-feira. “Final feliz” foi gravada em 1999, em parceria com Djavan. A canção foi um dos seus grandes sucessos.

“Final feliz” fala da fé no amor, da disposição de viver um relacionamento sem medo. Afinal, quem já não se pegou preocupado, sem saber o que fazer diante de um sentimento forte, daqueles que incomoda, mas parece impossível de ser vivido?

Mas chega um momento que não dá mais pra esconder e a pessoa se rende ao amor…

Chega de fingir
Eu não tenho nada a esconder
Agora é pra valer, haja o que houver
Não tô nem aí
Eu não tô nem aqui pro que dizem
Eu quero é ser feliz, e viver pra ti

Esta é “Final feliz”, de Jorge Vercillo. Vamos ouvir?

Por que rejeitar os R$ 8 mil é aprovar os R$ 12 mil

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Nenhum vereador que votou contra o projeto da Comissão de Finanças e Orçamento reconhece que é favorável ao salário de R$ 12 mil. Nenhum. Publicamente, todos têm bons argumentos para sustentar que os subsídios aprovados no ano passado foram um erro.

Acontece que os argumentos dos parlamentares são facilmente desconstruídos.

Vamos pela lógica… Se o sujeito diz que pretende reduzir os salários de R$ 12 mil, por achá-lo um absurdo, e defende R$ 6,7 mil, o que é melhor: aprovar um subsídio de R$ 8 mil ou deixar os R$ 12 mil?

Segunda situação. Se o vereador entende que R$ 12 mil é demais, concorda com as críticas dos eleitores, defende a redução, apóia R$ 9,4 mil, mas essa proposta não é provada, qual a atitude mais coerente: concordar com o projeto de R$ 8 mil ou permitir a manutenção dos R$ 12 mil?

O resumo da ópera é simples: ao rejeitar os R$ 8 mil os parlamentares maringaenses disseram preferir os R$ 12 mil aprovados no ano passado.

Após a votação, quem defendeu R$ 6,7 mil ou R$ 9,4 mil saiu-se com a justificativa de que fez a parte dele: votou pela redução, apenas não concordou com o projeto da Comissão de Finanças e Orçamento.

Esses parlamentares se apegaram a uma tese fajuta e, ao que parece, acham que o eleitor é ignorante o suficiente para aceitá-la. Não, caríssimos. Pode existir uma meia dúzia de cidadãos inocentes a ponto de até defender:

- Ah… mas o Doutor Manoel defendia R$ 6,7 mil.
- Ah… mas o Luiz do Postinho sempre disse ser favorável a R$ 9,4 mil.

Meia dúzia pode dizer isso. A maioria das pessoas vai entender que o fato concreto é este: os R$ 12 mil foram mantidos. E isso só foi possível por causa do voto contrário de sete vereadores – mais a abstenção do presidente – ao projeto que reduzia os subsídios.

Coerência os vereadores teriam se tivessem praticado o discurso que vinham apresentando à imprensa. No microfone e diante das câmeras, sempre diziam: haveria redução. Nem que fosse para os subsídios atuais. Eu e vários colegas da imprensa ouvimos isso ao longo das últimas semanas. O que supostamente faltava era fechar um consenso por um valor. Consenso este que não ocorreu por não haver verdadeiro interesse em construí-lo. Caprichos pessoais, melindres, picuinhas, birrinhas levaram os parlamentares a não fazer concessões. E isso vale para quase todos – inclusive para alguns (vereadores e até manifestantes populares) que não abriam mão dos R$ 8 mil.

Não diria que houve manobra para permanecer os R$ 12 mil. Uma série de coisas motivou o resultado da votação. Entretanto, os parlamentares que votaram contra os projetos da Comissão de Finanças e Orçamento também não podem lavar as mãos. Eles são sim responsáveis pelos subsídios de R$ 12 mil para a próxima legislatura, para os futuros secretários, vice prefeito e prefeito (neste caso, R$ 25 mil).

Deram hoje, aniversário de Maringá, um “belo” presente para os cidadãos desta cidade.

Sete são responsáveis pela manutenção do salário de R$ 12 mil para os vereadores

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A Câmara de Maringá encerrou mais um capítulo da novela envolvendo os chamados supersalários. Na sessão dessa quinta-feira, os vereadores rejeitaram a proposta de redução dos subsídios e mantiveram os R$ 12 mil aprovados no ano passado. Os projetos da Comissão de Finanças e Orçamento que previam a redução dos salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice não foram aprovados. Faltou um voto. Um único voto. A votação terminou empatada 7 a 7. Era preciso o oitavo voto.

Votaram contra o projeto que reduzia os salários dos vereadores:
- Dr. Manoel Sobrinho;
- Luiz do Postinho;
- Heine Macieira;
- Paulo Soni;
- John Alves Correa;
- Wellington Andrade;
- Zebrão.
O presidente Mário Hossokawa se absteve.

O projeto da Comissão de Finanças e Orçamento tinha como proposta um subsídio de R$ 8 mil para os vereadores da legislatura 2013-2016. Também foi rejeitada a proposta de redução dos salários do prefeito, vice e secretários. O chefe do Executivo vai ganhar R$ 25 mil; os demais, R$ 12 mil.

O resultado não surpreendeu. Talvez tenha surpreendido o presidente da Comissão, Carlos Eduardo Sabóia, e o vereador Humberto Henrique. Eles contavam com o voto de Luiz do Postinho e, na “hora H”, o vereador voltou atrás e disse não ao projeto que reduzia os subsídios.

Após a votação, o presidente Mário Hossokawa disse que aconteceu o que ele previa: divididos, sem acordo entre os vereadores, os supersalários seriam mantidos. Entretanto, o presidente apontou que ainda há espaço para uma nova proposta de redução dos salários, desde que a Comissão de Finanças e Orçamento queira voltar a discutir o assunto.

Sinceramente, não acredito nisso.

Na verdade, houve muito jogo de cena na questão dos salários. E erros estratégicos. O primeiro, a divulgação para a imprensa da proposta dos novos subsídios sem um diálogo prévio com os demais vereadores. A imprensa soube antes da proposta. Isso irritou vários parlamentares.

Segundo, a Comissão não propôs subsídios equiparados para vereadores e secretários. A maioria dos parlamentares nunca aceitou ganhar menos que os secretários. Logo, daria buxixo. E deu.

Há outras questões que precisam ser consideradas. O movimento promovido pela internet confrontou os vereadores. Não serviu para pressioná-los. Pelo contrário, propôs uma queda de braços. Não tinha e não representava a população, forçou a participação na sessão pública da Comissão de Finanças e Orçamento, fez manifestos desprovidos de respeito aos parlamentares e serviu apenas para o espetáculo nas sessões plenárias e nas redes sociais.

O movimento na internet começou bem, é preciso dizer. Teve papel importante para manter a questão dos salários em evidência, principalmente na imprensa. Entretanto, como movimento, estrategicamente, perdeu-se ao longo do tempo. Foi infeliz em algumas ações. As pizzas da última terça-feira, por exemplo. A tentativa do champagne nesta quinta-feira, idem.

Ouvi de vários de vários vereadores a afirmação: “não vou dar o gostinho pra eles. Se aprovarmos a redução, vão comemorar como se fossem uma vitória deles”.

No confronto entre o movimento feito pela internet e os vereadores, perdeu a sociedade maringaense.

Por fim, é necessário considerar a postura dos vereadores Manoel Sobrinho e Luiz do Postinho. O primeiro optou por um discurso demagógico de que os subsídios deveriam ser os atuais R$ 6,7 mil, já defasados. E a tese era o ganho salarial do povo, o salário mínimo. Acontece que, se fosse esse o subsídio, seria a terceira legislatura (doze anos) seguida com a mesma “remuneração”.

O Doutor Manoel sabia que a emenda de R$ 6,7 mil não seria aprovada. Viu a emenda ser rejeitada antes da votação do projeto da Comissão de Finanças e Orçamento. E, quando teve a oportunidade de votar num projeto coerente e que tinha possibilidade de reduzir os subsídios, votou contra. Ou seja, também foi favorável à manutenção dos R$ 12 mil.

Já Luiz do Postinho cedeu à articulação feita por John Alves Corrêa e Wellington Andrade. Ele era voto certo ao projeto da Comissão de Finanças e Orçamento. No entanto, por pressão, não teve coragem de aprovar a redução dos subsídios. Foi o voto que realmente faltou.

A gentileza que faz falta

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Talvez eu não seja um exemplo de gentileza. É provável que não. Até por ser introvertido, quase sempre, não estou tão aberto às pessoas. Porém, uma das coisas que mais aprecio é o respeito pelo outro, o cuidado para não ofender, não magoar… Nem sempre tenho sucesso, reconheço. Mas sei que palavras são armas poderosas. Uma palavra pode fazer sorrir, mas também pode causar marcas que, ainda que o tempo passe, dificilmente serão apagadas.

Hoje, meu filho trouxe uma nova filosofia de vida. Ele contou que um dos seus professores sustenta a tese de que todos pensamos. Porém, alguns têm “pensamento de pombo”. O sujeito até pensa. Mas enquanto pensa, “faz a cagada”.

É fato: muita gente reproduz essa máxima. Por conta disso, sustento a tese de que a gentileza nunca pode nos faltar. Em momento algum. Nem nos grandes conflitos. Ou nos momentos de péssimo humor, mesmo quando também nos sentimos feridos. Eu sei… Não é fácil. Porém, a agressividade verbal revela descontrole das emoções. Mais que isso, desrespeito ao outro.

Quem não tem domínio sobre si mesmo, não pode querer que o mundo lhe ofereça rosas. Gente que fala sem pensar, não se dá conta que afasta as pessoas. Uma palavra na hora errada pode causar mágoas profundas.

E sabe, tenho aprendido que dá pra evitar falar alto, gritar, ser indelicado no trato com os outros. A grosseria não conquista. E nem garante ganhos. Até é possível acuar o outro por um tempo, fazê-lo sentir-se constrangido, silenciá-lo. Mas não posso crer que alguém que deseja ser respeitado reproduza um comportamento rude.

Tem gente que parece achar natural ser ignorante, agressivo e o outro, a pessoa com a qual se relaciona, deve aceitar isso, compreender e acolher. Não, caríssimos, não pode ser assim. Isso é ser egoísta e ignorar que o outro também sente, também tem sentimentos e também deseja ser acolhido. Em relacionamentos amorosos, a gentileza é ainda mais necessária. Duas pessoas que se admiram, que tem carinho uma pela outra, não se tratam mal.

Ser gentil não é ser fraco. É ser cortês com o outro como gostaríamos que outro fosse cortês e amável conosco. É ser simplesmente humano.

 

 

 

Quem é o outro pra mim?

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O que eu espero dele?
O que busco nele?
Que função tem na minha vida?
Afinal, pra quê serve?

Talvez essa discussão seja um pouco negativa. Quem sabe, pessimista pelos questionamentos dos valores humanos. Entretanto, egoístas que somos, o outro quase sempre é objeto de nosso desejo se ocupa algum papel. Papel que nós projetamos e que o outro desempenha.

No post anterior, propus refletirmos sobre por que o outro é quem precisa mudar. Nunca reconhecemos que também carecemos de mudanças. E isto acontece porque nem sempre somos capazes de reconhecer que o mundo não gira em torno de nós.

O outro existe. O outro tem sentimentos. O outro é como nós. É um de nós.

Portanto, por que vejo no outro alguém que deva servir aos meus interesses?

É verdade que num planeta que superou os 7 bilhões de habitantes, posso me sentir no direito de me relacionar com pessoas com as quais simpatizo, com as quais tenho afinidades e os mesmos ideais.

Porém, não é assim que funciona. Quase sempre, nossas escolhas não se dão apenas por conta de simpatia, afinidades ou projetos. Escolhemos nos relacionarmos com aqueles que se prestam a atender as nossas necessidades.

Ao longo dos anos, aprendi no convívio com uma dessas pessoas raras, únicas, que as relações não devem se basear na utilidade. Não devo tratar bem apenas porque a pessoa me é útil.

Lembro de diálogos do tipo:
- Por que ele você trata bem? Não seria por que precisa ou vai precisar de um favor?

Ou ainda:
- Você notou que só dá atenção para as pessoas quando elas são importantes?

A gente faz isso. E com muita frequência. Usamos nossas habilidades para nos fazer queridos pelos que podem nos ajudar hoje ou amanhã. Ou quando queremos conquistar alguém. Depois da conquista, revelamos todas nossas contradições, mal humor, desapego… nosso egoísmo.

Sabe, tenho uma certa birra do tal de networking. A rede de contatos profissionais, por vezes, é baseada em relações falsas, hipócritas. O sujeito busca tornar-se próximo de pessoas tão somente pelas possibilidades profissionais que podem ser abertas a partir desses contatos. É algo necessário? Sim, mas, convenhamos, é a institucionalização da falsidade. Muita gente faz caras e bocas pra pessoas com as quais sequer trocaria uma única palavra não fossem as posições que ocupam. Trata-se de um jogo de interesses em que não há inocentes. Porém, não deixa de ser um “toma-lá-dá-cá”.

Não creio que deixaremos de ser assim. Faz parte da natureza da sociedade contemporânea. As relações são baseadas em interesses. No profissional e no afetivo. Porém, é uma pena que sejamos tão mesquinhos. Afinal, a grandeza do homem está justamente na capacidade de reconhecer no outro qualidades, virtudes e contradições também presentes em si mesmo.

Mudar: por que não eu?

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Já notou que todo mundo defende a importância das mudanças, mas nunca assume que precisa mudar? Vez ou outra escrevo um texto sobre relacionamento, trabalho, educação etc e encontro alguém que diz:

- Ronaldo, adorei seu texto. Mandei pra fulano. Ele precisa ler o que você escreveu.

Dia desses, um sujeito encontrou um texto sobre os conflitos que nascem no relacionamento porque uma das partes implica com pequenas coisas. Tipo, as meias que não estão na ordem por cores como a mulher deixou. O casamento dele está em xeque. E por causa dessas “picuinhas”.

Ele pediu socorro. Queria saber o que fazer. E disse que a mulher precisava ler meu texto.

Claro, sempre fico honrado. Mas, fora desse contexto, acho graça na maneira como lidamos com os nossos defeitos. A gente nunca os reconhece. Quando admitimos, sustentamos que o outro tem que nos tolerar do jeito que somos. E se alguém precisa mudar, não somos nós.

Em palestras de motivação, por exemplo, é curioso notar que nos acotovelamos pra dizer:

- O sicrano tinha que ouvir isso. Ele é desse jeitinho.

É assim que somos. Gostamos das mudanças. Mas não em nós. É a namorada que precisa mudar, o marido, o filho, a nora, a sogra, o chefe… Eles sim.

Mas, sabe… Tenho aprendido que o universo nos devolve tudo na mesma medida. Quando mudamos, o mundo muda. Nossas ações geram reações. E quando damos às pessoas aquilo que esperamos delas, por vezes, somos recompensados. Mas nossas atitudes precisam ser sinceras. Não mediadas por interesses mesquinhos, baseados num processo de troca.

Não somos perfeitos. E nossa resistência em mudar, nosso desejo de que o outro mude e seja como gostaríamos, não melhora as coisas. Só perpetua um ambiente hostil, onde os problemas persistem e o que nos incomoda segue nos fazendo sofrer.

Portanto, por que não começarmos as mudanças por nós mesmos?

CBN Maringá é finalista em dois prêmios nacionais

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Ao longo dos últimos anos, a CBN Maringá vem colecionando prêmios. Apesar de serem importantes, mais que comemorar os prêmios, festejamos cada vez que nossa equipe se torna finalista em alguma premiação importante. Afinal, não é nada fácil uma emissora de rádio do interior aparecer entre as maiores do país.

Na última semana, ficamos felizes com a notícia de que Luciana Peña e Everton Barbosa estão entre os finalistas de dois prêmios respeitados, o Sebrae e o CNI de Jornalismo.

No Sebrae, ao todo, 1.143 trabalhos de todo o país foram inscritos. No CNI, se inscreveram 323 trabalhos de 20 estados, mais o Distrito Federal. Para dar uma dimensão do que isso significa, vale dizer que a CBN “briga” pelo prêmio com o ESPN/Estadão e Rádio Bandeirantes de São Paulo. Não é pouca coisa, né?

Por tudo isso, sempre digo que me sinto honrado por fazer parte desta equipe. E, mais vez, cá estamos pra torcer pela Luciana e pelo Everton. Mas, independente dos resultados, eles já são vencedores.

Ouça as reportagens concorrentes:
CNI de Jornalismo
Sebrae

Na segunda, uma música

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Dias atrás conversava com alguém sobre a maneira como as músicas podem expressar sentimentos. Uma das canções que apresentei pra essa pessoa tinha um toque um tanto brega. Não por ser necessariamente brega, mas pelo contexto em que estamos e o momento histórico em que a música foi composta.

Eu argumentava que parece que falar sobre sentimentos está um tanto fora de moda. Entretanto, fui desafiado e tive que reconhecer que, de fato, há muitos artistas contemporâneos que ainda revelam emoções em suas canções e o fazem com tanta profundidade quanto gente que estava nos palcos há 20 ou 30 anos.

A música de hoje é um exemplo disso. Feels Like Tonight, da banda Daughtry, num ritmo moderno, fala das coisas do coração e mostra que as músicas ainda podem dizer com uma outra beleza aquilo que nós nem sempre damos conta de verbalizar.

Vamos ouvir?

O crime contra Carolina Dieckmann é alimentado pelo nosso comportamento voyeur

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A internet potencializou os crimes. E deu oportunidade pra gente com alma criminosa, mas que temia ser bandido no “mundo real”, de extravasar suas maldades.

A vida em rede nunca foi um porto seguro. Talvez não exista um outro espaço que forneça tantas possibilidades de se viver de maneira marginal. O sujeito pode, escondido atrás da tela de um computador, roubar senhas, invadir contas bancárias, divulgar fotos alheias, espalhar mentiras – sobre acontecimentos ou pessoas – etc etc.

O que está acontecendo com a atriz Carolina Dieckmann é um exemplo concreto desse tipo de crime.

Carolina optou por não ceder às chantagens e agora luta para tirar da web suas fotos pessoais e ainda encontrar o responsável por expor sua intimidade na rede.

A tarefa da atriz é ingrata. O site onde as fotos foram colocadas é inglês. Isso dificuldade o processo. Mas a situação vai além. Ainda que o criminoso seja encontrado, o site elimine as fotos, essas imagens nunca mais estarão sob controle de Carolina. Afinal, qualquer pessoa pode baixar essas fotos, guardar no computador, pendrive, CD ou mesmo em seu email e, posteriormente, voltar a divulgá-las.

As fotos de Carolina Dieckmann, que eram privadas, agora são públicas. E não deixarão de sê-las. Nenhuma multa ou punição vai reparar seus danos.

Tenho dito que a internet pôs fim à privacidade. E ninguém mais tem controle pleno sobre sua imagem. Alguém pode me fotografar, filmar e, depois, colocar na rede. Sem meu consentimento. Sem que eu saiba.

Meu computador e meus arquivos podem ser invadidos. Ninguém está seguro.

Alguém pode até dizer:

- Ah… mas quem mandou essa menina fazer fotos sensuais? Quem mandou fotografar pelada?

Gente, vamos parar com esse discurso moralista, né? Na intimidade, todo mundo tem direito de fazer o que quiser. Se ela fotografou nua ou não, não é problema nosso. E as imagens estavam no computador dela. O computador não é público; é propriedade privada. É preciso entender isso e respeitar as escolhas alheias.

O que é problema nosso é nossa curiosidade – maldosa, inclusive – pela intimidade dos outros. Esse tipo de crime só existe porque nós consumimos essas ações criminosas.

Da mesma forma que o roubo é mantido porque existe o receptador, a divulgação de imagens privadas de famosos – ou não – só acontece porque, do outro lado, existe o voyeur, aquele que espia pelo buraco da fechadura.

A reação de Carolina foi digna. O enfrentamento da situação, não ceder à chantagem, coloca as coisas no devido lugar. As fotos são íntimas, são dela, mas não mostram nada que todo mundo não tenha – corpo, seios, bumbum, sensualidade etc. Embora não tivesse a intenção de exibir-se, sua nudez não é crime; o crime é do outro, que divulga. Ela também não se apequena ao ter sua privacidade invadida por milhares, milhões de anônimos. Na verdade, são esses que se tornam menores ao consumirem, às custas de uma ação marginal, as imagens de sua intimidade.

Desencontros do amor

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- Desculpe-me, não fique chateado, mas prefiro não responder.

- Tudo bem, eu entendo. Vou respeitar seu silêncio.

Talvez você já tenha vivido esse diálogo. Ou final de diálogo. Talvez não tenha sido desse jeito, mas um tanto parecido. Entretanto, quem já terminou uma conversa dessa forma sabe bem do que estou falando. O sentimento é de frustração. E para as duas partes. A primeira, por se dar conta de que não tem as palavras certas para responder; a segunda, por esperar por algo que possa tocá-lo ou acalmar o coração.

Quem ficou sem a resposta quase sempre buscava algo a mais. Talvez tenha dito palavras de carinho. Talvez tenha feito promessas. Talvez tenha dito “eu te amo”… Ou simples “palavras de um futuro bom”. Mas a outra pessoa não estava na mesma sintonia. Quem sabe por ainda ter dúvidas. Quem sabe por insegurança. Quem sabe por ter sido pega de surpresa e não querer magoar.

Às vezes, o silêncio é melhor que uma palavra mal falada. Mas, como somos alimentados por expectativas, ficar sem uma resposta quase sempre é decepcionante. 

Está implícita na frase “Tudo bem, eu entendo. Vou respeitar seu silêncio” o discurso:

- Eu entendo, mas será que não pra dizer alguma coisa? Eu preciso de suas palavras agora!!! Será que não pode dizer que concorda, que aceita, que será diferente, que vai mudar, que também gosta, que espera, que ama???

Do outro lado, quem optou pelo silêncio, no coração, reclama:

- Ele precisava dizer isto? Tinha que ser justo agora? Não quero magoar, mas o que vou dizer?

Esse tipo de diálogo nunca termina bem. Não estou falando de terminar em briga, desacordo ou algo do tipo. Não termina bem para o coração. Ninguém fica feliz. E, provavelmente, quem esperava por uma palavra – não qualquer palavra, é claro -, invariavelmente, pode aceitar o silêncio, mas vai se questionar:

- O que está errado? Onde errei? O que ainda preciso fazer?

Não tem jeito, caríssimos. A vida é mesmo assim. É feita de desencontros. O melhor mesmo é aceitá-la. Compreender que nem sempre teremos tudo que queremos. E que, no coração, ninguém manda. Nem no nosso nem do outro. E amanhã… Amanhã o sol pode voltar a brilhar, a vida pode voltar a sorrir.

Vitória sem vencedor

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Sempre brinco que quanto mais a gente corre atrás do dinheiro mais ele corre da gente. É só uma brincadeira, evidente. Entretanto, vez ou outra me pego pensando em quanto tempo e energia gastamos nessa luta: ganhar dinheiro.

Não há nada de ruim nisso. Claro, desde que seja de maneira diga.

O que me incomoda é como deixamos a vida passar por conta disso. Somos consumidos – ou nos deixamos consumir.

É verdade que o dinheiro garante bem-estar, qualidade de vida. É bom comer bem, frequentar bons restaurantes, hotéis, viajar, ter boa casa, carro etc etc. Sem contar todas as novidades maravilhosas da tecnologia.

Porém, daria pra viver sem o último lançamento de celular… Daria pra viver numa casa menor… Daria pra viver sem trocar de carro todos os anos… É possível viver bem de maneira mais simples. 

Tudo é uma questão de prioridade.

Por que digo isso? Porque o mesmo dinheiro que garante alguns privilégios é o que ocupa nossos dias, tira nosso tempo e até nossa paz.

Nossa agenda está cada vez mais lotada de compromissos. Compromissos profissionais. E qual o tempo para as pessoas que amamos?

Quantas vezes deixamos de assistir o teatrinho de nossos filhos na escola?

Quantas vezes jogamos bola com as crianças no últimos meses?

Quantas vezes sentamos no chão e rimos de coisas tolas com a molecadinha de casa?

Quantas vezes sentamos ao lado da pessoa amada e nos deixamos enlevar pela atmosfera de carinho, ternura, ainda que nenhuma palavra tenha sido trocada?

Não dá, né? Estamos ocupados demais.

Tudo que fazemos é regulado pelo relógio. Somos escravos do tempo. Não por culpa do tempo. Por culpa nossa. Somos escravos de nós mesmos por priorizarmos o que não seria prioritário.

Levamos uma vida vazia, porque nos ocupamos da necessidade de vencer. Uma vitória sem vencedor, em que só há perdedores, pois esgotamos nossas forças, energias, nosso tempo para ganhar dinheiro. Atropelamos amigos, família, pessoas que amamos… Em nome do quê?

Dias atrás pensava: num velório, do que falamos a respeito daquela pessoa que está ali, no caixão? Falamos dos carros, das casas, dos títulos, das empresas? Ou falamos do legado moral, da bondade, do altruísmo, da humildade, do amor pela família e pelos outros?

Sabe, vivemos para garantir o bem-estar de amanhã quando o amanhã ainda não existe. 

Não há problema com o dinheiro. Nem com o que ele nos proporciona. O problema está em como ocupamos nossos dias para conquistá-lo abrindo mão de viver. 

O retorno de um leitor quase sempre faz sorrir a alma de um escritor

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Quem não tem o hábito de escrever, ou escreve apenas o factual, talvez não tenha ideia do que significa um gesto simples como o compartilhamento de um texto seu por uma outra pessoa. Falo isso por que geralmente agradeço cada amigo que lê algo meu e, depois, divide o que leu com seus amigos no Facebook, Twitter etc.

É provável que meu agradecimento esteja longe de tocar esse amigo como eu gostaria. É provável que essa pessoa não tenha dimensão do que significa, do sentimento implícito atrás de um:

- obrigado, caríssimo. valeu por compartilhar!

Ainda assim, sinto necessidade de fazer isso.

Um texto que escrevo representa parte de mim. São minhas teses, minhas ideias. Coisas que acredito e que, por vezes, defendo. Não é muito. Porém, é expressão do que sou e de como vejo a vida.

Muitas vezes, é minha forma de agir como cidadão, de fazer pensar e, quem sabe, contribuir para que alguém viva melhor.

Cada texto tem significado único para o autor. Por isso, um comentário, um “curtir”, um “RT” no Twitter etc são mais que aplausos. Afinal, quem escreve nem sempre procura aplausos. Busca sim encontrar eco para suas palavras – seja por vê-las provocar uma reflexão, uma discussão ou simplesmente por tocar alguém. Esse é o maior presente para um escritor.

O retorno de um leitor quase sempre faz sorrir a alma de um escritor.

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