A TV que a gente não deveria ver

televisao

Um dos temas mais controversos envolvendo a mídia é o que trata da regulamentação dos veículos de comunicação. Confusão comum é entendê-la como censura. Ou seja, um mecanismo que limite a liberdade das emissoras de rádio e televisão, principalmente.

A questão sempre volta à tona quando gente, como o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, cita aspectos da Constituição Brasileira e faz questionamentos do tipo:

Se esses artigos fossem aplicados de maneira séria, provavelmente mais de 80% dos programas que estão nas rádios e principalmente nas televisões teriam de sair do ar.

Cá com meus botões, não entendo que uma regulamentação seja necessariamente censura. Ela pode conter elementos que permitam a censura (e isso sim é preciso evitar). Mas não significa que a regulação da mídia impeça a liberdade de imprensa ou de expressão.

E Tarso Genro tem razão quando aponta que muita coisa poderia sair do ar.

São programas que ou transformam a mercadoria em notícia ideologizada ou promovem a violência, o sexismo e a discriminação.

O princípio de que o público deve escolher o que assistir/ouvir é muito bonito na teoria. Na prática, funciona pouco. Infelizmente, por falhas na educação, as pessoas não sabem selecionar. E embora tenham o controle nas mãos, optam pelo lixo. Como consequência, a programação piora cada vez mais.

Acho normal que televisão e rádio ofereçam diversão ao público. Mas qual a qualidade da diversão? Violência e sexo norteiam boa parte dos produtos midiáticos. E as notícias raramente contribuem para a formação da opinião pública (pelo contrário, distorcem a visão dos fatos). A gente assiste/ouve e fica com uma pergunta: “e daí?”. As notícias geralmente mostram um problema, mas raramente abrem possibilidades de reflexão sobre o assunto – e nunca apontam soluções. Na verdade, a notícia só publiciza o drama, mas não transforma, não provoca mudanças.

E existem outros problemas. Veja o caso dos domingos na TV aberta. À tarde, não há opções. Só existem programas de auditório. Escolher entre um e outro apresentador não é garantir diversidade. Oferecer opções é ter num canal programa de auditório; noutro, filme; no terceiro, talk-show; no quarto, programação infantil… E isso não existe no país. Quando num canal tem telejornal, nos demais quase sempre encontramos algo parecido. Se passa novela na Globo, passa na Record.

As temáticas abordadas por vários programas desrespeitam o público. “Vende-se” o sexo fácil, o desrespeito nos relacionamentos, a infidelidade, o desapego, o egoísmo… Associa-se felicidade ao consumo. Os modelos de beleza midiático atropelam a realidade e apresentam um ideal de corpo inatingível – como consequência, milhares de mulheres vivem frustradas e não gostam do que vêem no espelho. Crianças aprendem desde cedo que comprar é o que abre a porta do prazer; e muito novas são despertadas para o sexo, tornam-se vaidosas e, as meninas principalmente, adotam saltos, maquiagem e, na adolescência, já frequentam as salas de cirurgia plástica.

A regulamentação dos veículos de comunicação poderia qualificar a programação das emissoras. Embora pareça uma ação que desrespeita o direito do cidadão, entendo que somos obrigados a reconhecer que o público brasileiro ainda não dá conta de decidir por si só o que ver/ouvir. O que preocupa, porém, num quadro de regulação é quem vai julgar o conteúdo e quais serão os critérios. Afinal, deixar isso nas mãos do governo não me parece nenhum pouco recomendável. Mas este é assunto para um outro post.

Envelhecer é imperativo

espelho

As pessoas, na televisão, envelhecem, mas seguem tão lindas que me sinto péssima. Tenho até vergonha de me olhar no espelho.

O comentário é de uma leitora. Recebi dias atrás no Facebook. Pensei nela… Pensei em mim e concluí:

- É por isso que evito o espelho.

O espelho é cruel. Diante dele, nos sentimos péssimos. É uma ruga aqui, outra ali. Uma mancha nova na pele. E se nos despimos… socorro!!! Não faltam imperfeições.

Os homens geralmente são mais tranquilos. Não todos, é claro. Têm muitos deles vaidosos demais. Ficam preocupados com uma espinha no rosto. Porém, historicamente, as mulheres sofrem mais. Você conhece uma mulher plenamente satisfeita com o corpo? Difícil, né?

Pior que as supostas imperfeições é o efeito do tempo. Raramente gasto tempo me olhando no espelho. Claro, faço o básico: arrumo os cabelos, passo um hidratante, ajeito sobrancelha, pelinhos do nariz… Mas não dá para ficar medindo as rugas e manchas.

Dia desses, porém, enquanto minha filha brincava comigo, levei um susto. Estávamos próximos de um espelho. Não me reconheci. O rosto não parecia meu. O que aconteceu? Bem, não dá para sair correndo. Nem voltar no tempo. As marcas de expressão estão todas aqui para não me deixar esquecer o movimento contínuo da vida. E que o envelhecimento é realidade para todos nós.

Não diria que é divertido ver as marcas do tempo estampadas no corpo. O tempo é cruel.

Vivemos sob o império da beleza. Na televisão, no cinema, nas revistas – e até nas redes sociais -, a imagem única é da juventude. Ela é onipresente.

É difícil aceitar o efeito do envelhecimento, principalmente porque rostos e corpos perfeitos parecem ser a identidade histórica dessa sociedade midiatizada. E o efeito da comparação é devastador. Afunda a autoestima. Na mesma medida, alavanca a indústria de cosméticos, as academias de ginástica, clínicas de estética e de cirurgias plásticas. Instigadas pela aparente perfeição desfilada nas telas do cinema, na televisão, nas revistas, as pessoas apostam em qualquer novidade que prometa retardar o envelhecimento. Estica, puxa… Cosméticos, nutrição, exercícios… Porém, envelhecer é imperativo. O que a mídia mostra apenas ilude. E gera frustração. Torna ainda mais doloroso o processo de aceitação.

A beleza não mora ao lado

felicidade

Quem determina o padrão de beleza? Afinal, há um padrão? Existe uma medida que defina as formas belas do corpo humano?

Confesso que sou um pouco exigente. Penso que é preciso se cuidar. Entendo inclusive que cuidar do corpo é cuidar do relacionamento. Quem procura estar bem, de alguma forma, diz pro outro que se importa, que se interessa, que o ama. Afinal, o que justifica cuidar-se pra conquistar e, após conquistado o “bem amado”, abandonar-se?

Esta semana, por exemplo, vi de longe um uma pessoa que conheço há uns oito anos. Ele está com uma barriga tão grande que chega a dobrar por sobre a calça. É um homem ainda jovem. Não deve ter 30 anos. Quando casou, a circunferência abdominal certamento não chegava a 100 centímetros. Hoje, não tenho ideia das medidas.

Entretanto, penso que há dois extremos. Existem pessoas que simplesmente abandonam-se. E outras que tornam-se reféns de um padrão irracional de beleza. Por conta disso, sofrem. E sofrem muito.

Bulimia, anorexia e outros transtornos são doenças comuns nos dias atuais. Gente que se olha no espelho e vê uma distorcida de si mesma. Sem referências do próprio corpo e com noções completamente equivocadas do que é belo, abrem mão de viver.

As mulheres são as principais vítimas. Mas muitos homens também experimentam essa lógica irracional. Como sugere Augusto Cury, escalas irracionais de sensualidade levam homens e mulheres a se sentirem deficientes, deformados, não atraentes, não admirados.

Essas pessoas fazem tudo, de exercício a intervenções cirúrgicas, para terem um corpo supostamente perfeito. Mas nunca estão satisfeitas.

Mulheres com barriginha ou dobrinha nas costas se submetem a lipoaspirações; aquelas que têm seios menores, colocam silicone; as que têm seios grandes, reduzem; mulheres magras passam semanas, meses em academias para ganhar massa muscular… Homens de várias idades tomam suplementos diversos para “crescer”. Precisam ficar saradões.

brunetO problema é que os padrões estéticos mudam com a mesma rapidez que surge um novo celular. Luiza Brunet, sucesso como modelo nos anos 1980, não seria referência de beleza nas passarelas nos dias de hoje. E por falar em passarelas, quem inventou essa história de garotas de 15, 16 anos serem as referências de corpo para exibirem as novas coleções?

Às vezes chego a ter a impressão que existe uma intenção oculta em plantar a insatisfação constante, porque gente insatisfeita consigo mesmo consome mais, gasta mais.

Tem alguma errada. Mulheres reais não são feitas em máquinas. Não são produzidas em escala industrial. Possuem biotipos diferentes. Algumas são baixas, outras altas. Há aquelas medianas. Vale o mesmo para os homens. Tem gente magrinha. Tem gente mais forte. Alguns desenvolvem barriguinha com facilidade. Às vezes, culote. Entretanto, do ponto de vista da indústria da beleza, não existem seres humanos; existem objetos humanos.

banhistaE detalhe, o que se mostra como o padrão estético atual é apresentado como uma referência absoluta de beleza. A verdade estética, o modelo supremo, perfeito. Silencia, porém, que não faz tanto tempo assim que eram exaltadas em verso e prosa mulheres roliças, gordas – como a retratada por Jean Auguste Dominique no início do Século XIX.

Por meio da televisão, do cinema, das revistas uma imagem é construída. Afinal, aquilo que pensamos sobre nós é resultado daquilo que vemos, escutamos, sentimos. Quando os veículos de comunicação desfilam esse padrão irracional de beleza, homens e mulheres passam a se espelhar nele. A imagem torna-se realidade. A imagem passa a ser o objetivo a ser alcançado pelas pessoas normais. E isso desenvolve frustração, vergonha e até depressão, porque as referências são inatingíveis para a maioria. Tem gente que ganha meio quilo e já fico ansioso.

Sabe, como disse lá no comecinho do texto, defendo a importância de cuidar-se. Estar bem. Mas o que é estar bem? Será que estar bem é agredir-se? Deixar de comer um pedacinho de chocolate após a refeição? Dividir uma pizza com a pessoa amada de vez em quando? Tomar um sorvete numa noite de calor? Ou estar bem é contar as calorias a cada porção que se coloca na boca? É ficar atrás da última receita da moda? Visitar o cirurgião plástico antes de todas as férias? Sofrer toda vez que vê a atriz na novela das 21h desfilar à beira do mar (e lamentar-se não ter o corpo dela)?

Gente, todo mundo tem alguma parte do corpo que não gosta e parece imperfeita. Não dá pra viver se lamentando por isso. Estar bem é estar saudável. É aceitar-se, amar-se. É ter disposição pra viver e pra fazer viver.

Há vida inteligente no BBB?

Andressa Ganacin, de Cianorte, é uma das participantes do BBB

Andressa Ganacin, de Cianorte, é uma das participantes do BBB

Estreia de mais um Big Brother. É o 13º. Diferente da grana extra do fim do ano, o reality show não me proporciona nenhum prazer. Pelo contrário, produz inclusive certo estresse. Sem contar que, neste ano, até estava interessado em dar uma olhadela no “O canto da sereia”. Mas como achar disposição pra ver televisão depois das bizarrices do BBB? Dá não. Melhor deixar o aparelho desligado. Nas horas vagas, gasto uns minutinhos navegando na internet e invisto outros em algum livro.

Confesso que já espiei algumas edições do BBB. Acho que o último foi o da Grazi Massafera, vencido pelo Jean Wyllys, hoje deputado federal. Em alguns momentos, o programa até teve vida inteligente. Ou, pelo menos, fez rir. Agora, não tem mais graça. É repetição. É mais do mesmo.

Tenho a impressão que ano após ano só mudam as caras. As bundas, peitos, coxas e músculos são os mesmos. Ah… tem também um e outro gay, um pseudo-intelectual… e por aí vai. São as gostosonas e os saradões, mais as figurinhas que o Boninho arruma pra garantir a diversidade de gêneros.

Neste ano, pra ajudar a escolher mais alguns integrantes do reality show, voltou a tal Casa de Vidro – a gaiola humana para o exibicionismo de formas e curvas devidamente definidas em academias de ginástica e pelo bisturi dos cirurgiões plásticos. Sinceramente, não sei quem são os maiores imbecis: os que ficam lá dentro se exibindo ou os que ficam do lado de fora espiando.

O BBB é mesmo um negócio muito louco. E o poder de sedução da Globo, impressionante. Mesmo quem não assiste, sabe tudo do programa. Não é preciso ver. Apenas estar conectado aos meios de comunicação. Em algum lugar, a gente fica sabendo das novidades. E as redes sociais estão aí pra nos manter conectados no programa.

Quanto aos que ainda assistem, tenho a impressão que os homens ficam grudados na telinha por causa do desfile de belas mulheres. Já algumas mulheres sublimam seus desejos com os saradões de plantão ou se divertem com as fofocas e intrigas – ambiente relativamente conhecido por muitas delas. Mas, enfim, ninguém vê o BBB porque encontra vida inteligente ali.

Bom, duvido muito que este ano seja diferente dos anteriores. A espiadela na galeria dos já selecionados, nos que estão engaiolados… não revela nada além do cardápio já conhecido (muita carne e alguns temperinhos). Mas não dá pra reclamar. O BBB nada mais é que o retrato da cultura dominante brasileira. E a TV só oferece o que o público deseja.

Então, vamos adiante…

Por que os jornais não dizem quem apoiam?

O The New York Times declarou apoio à reeleição de Barack Obama. O editorial foi publicado nesse sábado, 27.

Quando vi a notícia, lembrei de uma discussão que já fiz várias vezes em sala de aula. Nos Estados Unidos é comum os jornais se posicionarem. E sem prejuízos. Para eles, para os eleitores e para os políticos.

O NYT anunciou que prefere Obama e isso não o fará perder leitores republicanos. Nem Mitt Romney deixará de falar com os repórteres do jornal. Também não se sentirá perseguido.

Há maturidade política suficiente nos Estados Unidos para que todos entendam tal atitude como natural. Sabem que os veículos de comunicação não deixaram de exercer seu papel social pelo fato de apoiarem um candidato.

Como isso seria aqui no Brasil? Impossível, né.

Os eleitores diriam que os jornais e jornalistas estariam vendidos. Os políticos passariam a privilegiar as informações para os que os apóiam e se achariam perseguidos pelos veículos que escolheram os adversários. E, por vezes, muitos meios de comunicação perderiam a linha e se engajariam, de fato, na campanha eleitoral. Seria um “deus nos acuda”.

Infelizmente, o que acontece lá não tem como acontecer por aqui. Embora ainda ache que seria mais justo, inclusive com os eleitores – afinal, todos têm uma posição -, falta maturidade para todas as partes envolvidas.

Pouca gente daria conta.

Por enquanto, há apenas dois exemplos de posicionamento declarado. Nas eleições presidenciais, o Estado de São Paulo declarou apoio a José Serra; a revista Carta Capital, a Dilma Rousseff.

É alguma coisa. Um começo. Quem sabe, um dia a gente chegue ao ponto de ter uma cultura política que permita um debate transparente e sem e menos hipócrita.

Fantástico, Facebook e ingenuidade(?)

Não sei se é por ignorância, ingenuidade… sei lá. Sei apenas que me irrito profundamente quando vejo certas coisas na rede. A última é uma mensagem que circula no Facebook repercutindo uma reportagem do Fantástico. Deixa eu reproduzir aqui:

Quem assistiu o Fantástico ontem (domingo, 21/10) sabe da falta de proteção no Facebook.

Com as mudanças do Face, agora todos ficam sabendo de coisas de gente que nem estão nos nossos contatos, só porque um contato faz um comentário ou “curte” algo de alguém.

Então peço a gentileza de:

(1) Aqui mesmo, logo acima, posicione o mouse sobre a minha foto (sem clicar).

(2) Espere até aparecer uma janel
a e posicione o mouse sobre o ícone “Amigos
…” (também sem clicar), depois

(3) Desça até “Configurações” e aí sim clique. Vai aparecer uma lista:

(4) Clique em “Comentários e opções Curtir” desmarcar esta opção.

Assim minhas atividades ficarão restritas aos meus amigos e familiares, não se tornarão domínio público.

Quando vi essa publicação no perfil de uma amiga, mandei um recado e, completei:

- Toda vez que encontro esse tipo de publicação na página de algum aluno ou ex-aluno, tenho vontade de bater. Esqueceram das minhas aulas?

Vamos por partes. Primeiro, provavelmente quem compartilhou esse conteúdo não viu a reportagem do Fantástico. A matéria mostra o quanto perdemos a privacidade. Mas não é por uma mudança no Facebook. O Facebook não mudou. É o mesmo. Igualzinho. E as configurações de segurança também.

A ausência de cuidados com aquilo que publicamos é que tornam nossos dados públicos, visíveis inclusive para estranhos. E sobre isso não precisávamos assistir a reportagem do Fantástico. Trata-se de um assunto recorrente em blogs, sites e páginas especializadas em redes sociais. Aqui mesmo já publiquei vários textos a respeito do tema.

Segunda questão, não é preciso ser um especialista pra ver o quão imbecil é esta mensagem que circula na rede. Quando a pessoa pede pro outro mudar a configuração de amizade, na verdade, está entregando a sua privacidade nas mãos do “amigo”. É como se você fosse pro quarto namorar e desse a chave pra um colega pedindo: “mantém a porta fechada pra mim?”. Caríssimos, quem tem que fechar somos nós. Não o outro. E é simples demais fazer isso: basta entrar nas configurações – privacidade e segurança – e controlar o que você quer que seja visto no seu perfil. E por quem.

Pelamordedeus!!! Se não sabe configurar o seu Facebook, não sabe controlar sua privacidade na rede, feche a conta. Pelo menos, não vai ficar exposto.

Terceiro ponto. Vamos nos informar direito – antes de compartilhar e antes de usar algo. A gente repete coisas na internet sem saber o que estamos falando. Vamos checar, confirmar, entender primeiro. E não é possível admitir que façamos uso de serviços, estejamos nas redes sociais, sem saber como usá-las e as consequências disso. É um absurdo como algumas pessoas se expõem. Gente que sequer faz parte da lista de amigos tem acesso a fotos de desconhecidos na praia, na piscina, na balada… fotos de lingerie diante do espelho. Para tudo, né?

A pessoa publica o nome de familiares, endereço, os locais para onde viaja, onde almoça… com quem saiu, com quem ficou… Uma loucura! E depois se assusta com a reportagem do Fantástico. Pior, mantém-se ignorante achando que os amigos é que devem reconfigurar seu status. Socorro, viu!?

PS- Ah… aperte o botãozinho do mouse no link e veja a reportagem. Vale a pena.

Xanddy e Carla Perez: reféns da fama

Como estou reclamando do mundo, vamos a mais uma. O que o público tem a ver com a vida íntima dos famosos? Com o casamento das celebridades?

Gente, será que não temos mais nada pra fazer não?

É fato histórico. Desde sempre foi assim. Na antiguidade, sabia-se da vida dos nobres pelas cozinheiras, pelos serviçais. Tecnologicamente e economicamente, evoluímos. Mas, no comportamento, somos parecidos com nossos antepassados.

As pessoas se interessam pela intimidade dos outros. Principalmente, se são pessoas importantes. Entretanto, essa curiosidade, esse de consumo voyer, me incomoda profundamente.

Tudo bem, sou rabugento, chato mesmo. No entanto, o famoso não tem direito nem de curtir uma crise entre quatro paredes. O que acontece – e até o que não acontece – vai parar na imprensa.

Vi hoje a reclamação de Xanddy, marido da Carla Perez. O sujeito usou o Instagram pra negar a crise no casamento. Mas a sua reclamação maior não foi em função do constrangimento pra ele e pra mulher. Foi por causa dos filhos.

Nossos filhos são os mais atingidos. São crianças e ficam sendo interrogados.

É bem isso mesmo. As crianças, que nada tem a ver com a história, são inocentes, pagam um preço alto por serem filhos de famosos. O povo fala da celebridade e a família paga a conta.

Não me parece justo.

Aí alguém pode dizer: “ah… mas é só não ter problema”. Ignorância demais, né? O fato de se tornar conhecido não isenta a pessoa de problemas. E a fama nem deveria representar uma prisão, como infelizmente ocorre.

Acho que tudo poderia ser muito mais simples se o público se dispusesse a ser apenas isso: público. Com direito a ser fã. Mas sem cultuar seus ídolos a ponto de invadir a vida privada deles.

PS – Claro, tem celebridade que escolhe exibir sua intimidade. Mas aí é uma outra história.

Trabalhar de biquíni não é prostituição

A afirmação não é minha. É da panicat Babi Rossi. A mesma que teve a cabeça raspada, ao vivo, no programa Pânico, da Band.

Em entrevista a revista Quem, ela defendeu seu trabalho e respondeu as críticas daqueles que a julgam por se apresentar de biquíni no horário nobre da televisão.

Falam que somos garota de programa, só porque você está de biquíni. Mas, gente, é uma beleza, é tão natural, o corpo humano é tão bonito. Adão e Eva nasceram pelados! Deus fez a gente assim, então, qual é o problema? Eu estou ali de biquíni, mas estou trabalhando.

Babi tem razão. Exibir o corpo na telinha não a define como prostituta (embora a prostituição também possa ser um trabalho). O fato de desfilar diante das câmeras com biquínis minúsculos não significa que seja garota de programa. E ainda que outras colegas de Pânico já tenham agido como prostitutas de luxo, ninguém pode dizer – até que provem – que ela também faça sexo por dinheiro.

Enfim, como já disse por aqui, não é o tamanho da roupa nem o que a pessoa veste que define o que ela é.

Entretanto,  embora o corpo humano seja bonito – em especial, os dessas garotas, escolhidas por seus atributos físicos para se exibirem na televisão -, Babi não pode negar que se vende. A panicat não pode posar de inocente. Ninguém desfila com pouca roupa diante de câmeras de TV porque é um “traje” mais confortável. A razão é conhecida: mexer com a libido do público, seduzir, provocar e garantir audiência.

Ou seja, meninas de biquininho na TV são estratégia de audiência. É pra prender sujeito mal resolvido na frente na televisão… A proposta é jogar com o desejo, com a vontade. Essas garotas estão ali para chamar a atenção do público não pelo conteúdo intelectual do programa, mas sim porque seus corpos atraem olhares, despertam o que há de mais instintivo. Ainda que não passem de experiências imagéticas, essas garotas atuam no campo do prazer.

Panicats e afins – bailarinas, auxiliares de palco etc – podem não vender seus corpos para o sexo. Mas os entregam a um outro mercado: o do espetáculo e da sedução vulgar. Vendem seus corpos como produtos que atendem a um desejo voyer do telespectador. Elas não estão ali porque falam bem, porque têm grandes ideias, porque são geniais. São mulheres que aceitam ser objeto… objeto de desejo, mas objeto. O produto delas não é o conhecimento. É o corpo. Por isso, também são descartáveis. Têm data de validade – como qualquer outra mercadoria.

Quando o corpo se torna uma mercadoria

Tempos atrás defendi aqui que não devemos julgar as pessoas pelas roupas que usam. Principalmente, no caso das mulheres. Afinal, não é o tamanho da saia que traduz o caráter. Nem a disponibilidade para o sexo.

Entretanto, há um outro lado: o uso do corpo como estratégia de autopromoção. É o caso, por exemplo, dessas pseudo-celebridades televisivas.

Veja esta foto.

(Foto: Orlando Oliveira/AgNews)

Quem é a garota? Uma ex-latinete que estaria concorrendo ao Miss Bumbum.

Andressa Urach apareceu vestida assim no aeroporto. Precisava? Claro que sim. O produto dela é o corpo. Usar essa roupa para pegar um avião, “parar” o aeroporto rende nota em jornais, fotos em revistas, publicações em sites. É assim que funciona.

Recordo de uma entrevista com o produtor desse evento, o Miss Bumbum. Lembro dele contando que as participantes pagam por serviços de assessoria de comunicação. E são orientadas sobre o que falar, o que vestir e como se portar. Elas vivem para serem flagradas pelas lentes dos fotógrafos. E os flagras, é claro, são armados. O fotógrafo está no lugar certo, na hora certa… e a modelo, óbvio, finge que nem percebeu. Age, digamos, naturalmente.

O público voyer, fascinado por corpos midiaticamente perfeitos, se encanta pelas gostosas de plantão e consome essas informações. Elas se promovem, garantem 15 minutos de fama e ganham dinheiro com isso. Essas “famosas”, seus agentes e todo mundo que transforma corpo em mercadoria… mercadoria em notícia.

Há certa percepção por parte do público de que tudo não passa de imagem. Até os corpos dessas mulheres são fabricados. Porém, prefere-se viver a ilusão. Prefere-se gozar o efeito. A ilusão de um prazer imagético, sem sensações verdadeiras, mas que engana os sentimentos reais e ajuda a tornar a vida mais leve.

Xuxa, Galisteu e o “espólio” de Ayrton

A Xuxa foi no Pedro Bial e disse que procurou o Senna pra voltarem. A Adriane Galisteu, namorada do então piloto, ficou mordida e usou o twitter pra expressar seu descontentamento.

Esse é o resumo do novo embate público entre Xuxa e Galisteu. E tudo por causa de um ex-namorado. Famoso sim. Ídolo sim. Mas… morto. E o coitado nem está aqui pra se defender.

Já escrevi sobre a Xuxa no blog. Já defendi o direito dela de se expressar e revelar ter sido vítima de abuso. Mas tem coisas que são muito imbecis.

O mundo todo sabe do romance dela com Ayrton. Todos os fãs também sabem que, quando ele morreu, o piloto estava com Galisteu.

O que seria elegante da parte da Xuxa? Respeitar isso.

Sabe o que mais? A família dele deveria fazer o mesmo.

- Ah… mas a família não gostava da Adriane. Preferia a Xuxa; alguém aí talvez possa dizer.

O que isso tem a ver com a história? Quando morreu, ele estava com a então modelo. Não era com Xuxa. Ponto final. Dona Viviane Senna, principalmente ela, deveria agir com a elegância de uma mulher que sabe ir além da habilidade de sustentar-se sobre um salto alto.

E tem mais… Se a Xuxa e a família de Ayrton não sabem lidar com isso, a Galisteu também não. O que ela ganha em expressar publicamente seu incômodo diante dessas declarações? Nada. Não ganha nada. Fica parecendo uma viuvinha traída. E pior, deve deixar o atual marido desconfortável.

Convenhamos, né? Um pouco mais de compostura e respeito até a memória do morto seria de bom tom.

O engraçado é que essas celebridades só reproduzem em escala midiática o que muita gente faz no dia a dia. E o “falecido” nem precisa estar literalmente morto. Tem gente que passa a vida inteira sem enterrar de vez um romance que acabou. E, por vezes, ainda fica disputando com outras ex quem foi a mais amada.

Socorro, viu? Vamos viver! A vida se faz com olhar voltado para o que está adiante, não no retrovisor.