O que a Carolina tem que você não tem

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Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Sou eu que estou no lugar errado, na hora errada, pensando errado ou o mundo está mesmo de cabeça pra baixo?

Como alguém pode sair com essa?

Tem mais circulando na rede. Não apenas essa imagem. É quase uma campanha virtual. É a imbecilidade em rede, mascarada de indignação. Nunca imaginei que a humanidade pudesse ser tão tosca, mesquinha, pequena.

Concordo que é preciso combater pedofilia. Concordo que precisamos combater estelionatários, corruptos… Todo esse bando de safado precisa ir pra cadeia. Mas, para tudo, né? Crime é crime. Os sujeitos que vazaram as fotos da Carolina em rede, e que antes tentaram chantageá-la, são tão criminosos quanto o sujeito que dá um cheque sem fundo, rouba senha do computador, dá golpe com cartão de crédito… As penas podem ser diferentes. Mas são crimes.

Tem gente pagando pra ter sua bundinha exibida na rede. Mas nem todo mundo quer isso. E, creio, qualquer pessoa que pense um pouquinho se sentiria inseguro ao saber que um spam pode abrir sua máquina pra gente desconhecida e de má fé. É como descobrir que o porteiro fez cópia da chave de seu apartamento para espiar por lá quando você não está.

Ah… mas a mocinha é bonita, famosa… Então, é por isso que a polícia resolveu rapidinho? Sim, e daí? E daí que a polícia teria que agir rápido em todos os casos. Não é o fato de a polícia ser negligente noutros casos que nos dá o direito de minimizar o crime contra a Carolina. A polícia fez o que tinha fazer: identificou os criminosos. E agora cabe à Justiça fazer a parte dela.

O fato revela que, quando pressionada, a polícia pode ser eficaz. Qual teria que ser nossa crítica? A polícia deveria ser sempre eficaz. No caso da Carolina e na violação do meu cartão de crédito. Como sociedade, deveríamos voltar nossos olhos para isso. E não sair por aí questionando o fato de a polícia ter feito o trabalho dela. O crime contra a atriz não é menor pelo fato dela ser bonita, gostosa, famosa ou chata, como dizem.

Mais de 8 milhões já viram as fotos. Ela tem o direito de reclamar da sua intimidade ter parado na rede. Ainda que Carolina já tivesse posado nua, o que ela nunca quis fazer, teria motivo para reclamar punição e ver os responsáveis punidos. Ela e qualquer outra pessoa que venha ter sua intimidade violada e exposta na web.

Pânico e a carequinha da Babi: festival bizarro na TV

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Estou desolado… Onde foi parar a graça dos programas de humor da tevê brasileira?

Na semana passada, critiquei aqui o CQC. Meses atrás, falei do Pânico. Agora me vejo incomodado novamente pelo programa.

Alguém pode me explicar qual a graça de deixar careca a panicat Babi Rossi?

Tudo bem… Você pode dizer: ela topou.

Respondo: ok, ela topou.

Mas e daí? Você riu? Se riu, riu do quê?

O fato de a Babi ter topado não muda nada. O que está em discussão é o bizarro, o vazio, a ausência… Nada justifica. Não tem graça raspar a cabeça de uma pessoa.

E quem riu só pode ter rido do fato de uma mulher bonita perder parte de sua beleza. Ou seja, riu da “desgraça alheia”. Coisa típica de invejosos – “se não posso ter, o outro também não pode” (neste caso, a beleza dela).

Gente, vamos parar com isso, né?

Está na hora de admitirmos o nosso mau gosto. Garantir audiência para quadros como esse é assumir que estamos vazios, perdemos as referências, já não sabemos valorar.

Passou da hora de rejeitarmos esse vale-tudo pelo Ibope.

Lembro que a atriz Carolina Dieckmann já fez isso na telinha. Mas fez em nome da interpretação de um personagem. E de uma causa maior: chamar a atenção para os problemas causados pela leucemia e a importância da doação de medula.

Agora, e a Babi???

Alguém pode me responder?

Não acredito nas aparências. Não vou sustentar a tese que a panicat não sabia de nada. Mas não sei se a jovem seria tão boa atriz a ponto de chorar no palco. Ela tinha duas opções: o cabelo do Neymar ou a carequinha do Marcelo Tas.

Depois, se deixou fotografar sorrindo? Sim.
É paga para esse tipo de tolice? Sim.
Outras topariam a mesma coisa? Sim.

Porém, volto a sustentar: não se trata da Babi. Trata-se de nós, do público que sustenta, que respalda esse tipo produção midiática. Quanta mediocridade!

Jornalista de cueca no twitter. Pode?

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Impossível não achar graça da informação:

- Geraldo Luís publica foto de cueca e irrita bispos da Record

Primeiro, pela idiotice do apresentador do “Balanço Geral SP”. Segundo, pela própria irritação dos bispos da tevê.

Cá com meus botões, fico pensando no que o sujeito tem na cabeça? Se queria fazer graça, eu diria que tal foto é muito sem graça. Já acho de gosto duvidoso a publicação de fotos de caráter íntimo, em especial por quem tem uma imagem pública – jornalistas, atores, políticos etc. E, por ser homem, mostrar-se de cueca… socorro, hein? Será que as meninas gostam? Tenho dúvidas.

Quanto aos bispos, quem mandou contratar o apresentador? Afinal, o camarada não deve ter muita coisa no cérebro para achar bonito colocar mo twitter fotinha se exibindo de cueca. Bom, melhor do que sem nada, né?

De duas uma: ou o cara deve muito resolvido ou carente demais.

Adeus, Chico

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Meses atrás, escrevi aqui sobre o drama de Chico Anysio. Nosso maior humorista estava hospitalizado, lutando pela vida. Nesta sexta-feira, porém, não resistiu. Leva com ele a graça, a inteligência e beleza de um humor que anda fazendo falta na televisão.

Nunca fui um fã do Chico. Não fiz parte da geração que viveu os grandes momentos do comediante. Quando o descobri, já era adolescente e o seu “produto” de maior sucesso era a Escolinha do Professor Raimundo – copiada até hoje por vários humoristas e até por quem não domina o assunto, caso de Gugu Liberato, na Record.

Entretanto, cresci ouvindo meus pais falarem do grande Chico Anysio. Comentavam, inclusive, dos tempos dele no rádio.

Talvez por isso sempre o admirei, mas tendo por ele um olhar muito mais de respeito que de participante do seu público.

Hoje, quando digo “Adeus, Chico”, faço isso não com lágrimas como daqueles que riram com suas piadas. Nem há dor na despedida. Mas há a sensação de perda. Perda de um profissional digno, que foi referência no que fez e, principalmente, perda de uma escola de humor que deixou de existir na telinha há algum tempo.

A morte de Chico significa um pouco a morte do humor capaz de provocar risos com piadas aparentemente ingênuas, personagens caricatos ou pela inteligência das críticas políticas e sociais. Isto, num tempo em que o sexo não era estratégia para ganhar audiência nem escada para comediante provocar o riso do público.

O Chico morreu. Mas já sentíamos falta de sua arte.

Foto: Folha de São Paulo

A Sandra sente falta de ser atriz. Do que sentimos falta?

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Gostei de ver a declaração da Sandra. É a expressão corajosa de uma jornalista bem sucedida, mas que teve que “congelar” o prazer de exercer outra atividade, que também lhe dava prazer.

Fiquei pensando: do que sentimos falta? Não, não estou falando daquela pessoa. De um amor, de um certo alguém… Falo de coisas que, por escolhas ou circunstâncias, deixamos de fazer.

A jornalista sente falta de ser atriz.

Até semanas atrás, eu sentia falta de ser repórter. Do contato direto com as fontes, com a notícia. Felizmente, estou conseguindo conciliar as duas – ser repórter e ser âncora.

Entretanto, ainda alimento outras vontades… Também estão aqui “congeladas”, como disse a Sandra. Fazem falta as grandes reportagens, os textos mais elaborados.

Mas sei que não dá para fazer tudo. É impossível. Alguns prazeres precisam ser sublimados. Do contrário, fica um vazio no peito que incomoda e rouba a alegria de viver.

Este é o segredo: sublimar as ausências, reconhecendo que não podemos dar conta de tudo.

Dias atrás ainda falava sobre pessoas que estão num lugar, mas com a cabeça noutro lugar. Gente que abre mão de viver, pois não curte o que tem.

Acho que todo mundo sente falta de alguma coisa. Algo já vivido, já experimentado, mas que perdeu-se no passado, ficou apenas nas lembranças.

Tenho comigo a certeza que, se ficou mal resolvido, incomoda demais e está te impedindo de seguir adiante, tem que começar tudo de novo. Se foi resultado de uma escolha ou não dá para voltar atrás, é preciso olhar pro futuro e investir nele.

Para a Sandra, faz falta atuar. Mas isso não a impede de ser feliz fazendo o que faz. Este é o jeito certo de viver: aproveitar o que construímos e só espiar o passado para relembrar o que teve de bom.

Whitney Houston e a fama que consome e faz sofrer

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Não sou famoso. Nem tenho a pretensão de ser. Entretanto, imagino que a vida de um famoso seja cheia de contradições. É verdade que a bajulação e o dinheiro garantidos pelo sucesso fazem um bem enorme, principalmente para o ego. Entretanto, a vida sob os holofotes também tem um custo elevado.

Há muitas perdas. A primeiras delas é da privacidade. Embora milhares de pessoas façam tudo para aparecer e ter seus 15 minutos de fama, ter a vida vasculhada não é divertido. Se a pessoa vai à praia, será fotografada, filmada; se vai ao restaurante, idem; se beija alguém, sai na capa da revista… Isso pode até ser agradável por algum tempo. Mas não o tempo todo.

A liberdade é um dos bens mais preciosos. É bom não sentir-se pressionado e poder ir ao supermercado de chinelo e camiseta velha ou sem nenhuma maquiagem.

Também se perdem amigos e até a família fica distante. A maioria dos famosos teve uma vida antes de tornar-se estrela. Tinha amigos, gente que não estava ali por causa da fama do sujeito. Ainda no último domingo falava sobre o preço do sucesso para Michel Teló. O casamento dele acabou. Teló perdeu a esposa. Outros perdem a namorada, o marido… O contato com os pais, irmãos, tios, primos fica cada vez mais restrito. E, por vezes, a família passa a ser uma lembrança no porta-retratos. Ou serve para aparecer naqueles depoimentos chorosos nos programas dominicais da televisão.

Nem todos estão preparados para isso. Por isso, a mesma fama que causa deslumbramento e leva à glória pode roubar a alegria de viver.

Não sei se foi este o caso de Whitney Houston. Entretanto, não faltam exemplos de artistas – nomes da música, do cinema e da televisão – consumidos por um grande vazio existencial. Todo o sucesso, o dinheiro e os aplausos que receberam não foram suficientes para garantir felicidade. Muitos tentaram acalmar o coração no sexo fácil, no uso de medicamentos, álcool e drogas.

E é fácil entendê-los. As perdas que o sucesso impõe são grandes demais para alguns. As exigências e as cobranças, também.

Quem chega ao topo sente-se na obrigação de ali permanecer. O mundo não tolera o fracasso. Um filme ruim de bilheteria, um disco que não vende, um show que não atrai multidões são suficientes para tirar o artista das capas de revista. Desaparecem os convites para festas, os contratos publicitários vão minguando e o mesmo que aplaudia é aquele que ignora, critica e abraça uma outra celebridade que desponta.

Também deve ser difícil conviver com pessoas que te elogiam o tempo todo. Os erros são silenciados. Porém, quem estaria ali dizendo a verdade? Verdadeiro e falso se confundem e o sujeito atrás do personagem (o artista) talvez viva a solidão. Tem tudo o que precisa, todos estão a sua volta, mas não sabe se é amado.

Não, não estou dizendo que é ruim ser famoso. Apenas que todos eles são pessoas. E pessoas sofrem, perdem-se em seus próprios sentimentos e emoções – mesmo tendo a glória que o sucesso pode garantir.

Michel Teló: relacionamentos que se perdem no caminho

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Foto: Fabio Guinalz / Fotoarena

O mesmo sucesso que garante visibilidade e dinheiro é o que pode levar ao distanciamento das pessoas amadas. Há um momento em que uma nova realidade se impõe. E quase nada resta a fazer.

Pensava nisto enquanto via a notícia:

- Sucesso acaba com o casamento de Michel Teló

Alguns podem simplesmente dizer: “ah… o sujeito agora vai aproveitar para pegar todas!”. Afinal, o que não faltam são “fãs” dispostas a transarem com qualquer famoso. Sem contar as oportunistas de plantão loucas para se tornarem paqueras, amantes, namoradas etc e, na primeira oportunidade, aparecerem nas revistas de famosos.

No entanto, para o sujeito que está atrás do artista por vezes existe uma outra verdade. Uma separação como a do Teló nem sempre é desejada. Talvez seja só conseqüência.

Nem sempre se trata de uma opção. Quando a pessoa percebe, os caminhos não são os mesmos e o relacionamento simplesmente deixa de existir.

Haverá os críticos de plantão, aqueles que adoram uma boa fofoca e um caso para julgarem. Não percebem, porém, que a vida não é tão simples. E que certas situações só são evitadas quando previstas.

Não, não estou saindo em defesa do cantor. Sinceramente, não tenho o mínimo interesse na vida privada dele. Apenas reflito a respeito do cotidiano dos relacionamentos. Muitas vezes as pessoas ignoram que suas escolhas vão levá-las para caminhos completamente diferentes. E, quando isso acontece, tornam-se estranhos vivendo numa mesma casa.

O relacionamento do cantor foi consumido pelo sucesso. A vida dele com a da esposa não se cruzavam. Certamente, os interesses já não eram os mesmos. Nem os sonhos.

São situações que acontecem com frequência nos relacionamentos. Não é só “coisa de famoso”.

Também não se trata de deixar de amar, desejar… Nem significa que existam brigas, conflitos ou traição. Os parceiros apenas se perdem no caminho. E, quando percebem, estão distantes demais. Não há mais espaço para conciliar os interesses. Resta a separação.

Como disse, esse processo se dá sem que haja consciência. Um dos parceiros pode até notar que tem algo errado. Entretanto, às vezes, não consegue expressar isso ou sensibilizar o outro que o casamento está em risco.

Ao longo dos anos aprendi que só há uma maneira de evitar tal situação: manter-se em alerta. Fatos novos nos surpreendem, é verdade. Mas, se o relacionamento é prioridade, dialogar sobre a rotina de ambos, os sonhos, o futuro pode ajudar a manter o casal numa mesma trajetória.

Não tem jeito, num casamento, os sonhos devem ser comuns; sonhado por ambos. Se as escolhas são opostas, lá na frente, será impossível caminharem juntos.

Photoshop, imagens construídas e nossa fuga da realidade

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Desculpa aí... Preferi o rosto da Angelina Jolie a bundas e coxas para ilustrar este post

Lia há pouco sobre os benefícios do Photoshop. O programa de tratamento de imagens é o melhor amigo das celebridades. Não apenas das celebridades. É ferramenta fundamental para a publicidade. Gente comum, que se atreve a usá-lo, também consegue bons resultados.

Entretanto, o mesmo Photoshop que faz milagres é o que nos ilude. Toda vez que olho a capa de uma revista fico imaginando o que a imagem esconde. Quais as imperfeições? Onde a ferramenta do Adobe foi mais utilizada? Sinceramente, é difícil saber qual é o real. Tenho impressão que vemos apenas um vislumbre do que poderia vir a ser; nunca da pessoa real.

O que acho mais curioso é que a projeção vende. Gostamos da ilusão. A gostosona da Playboy atrai olhares. Seduz. Desperta o desejo. Poucos ainda acreditem que haja tamanha perfeição, mas ainda assim se entusiasmam.

Mulheres se “matam” nas academias e gastam pequenas fortunas nas clínicas de estética movidas pela vontade de se assemelharem às mulheres que ilustram as capas das revistas femininas. Querem a barriguinha perfeita da celebridade do momento – ainda que esta tenha sido “fabricada” num programa de computador.

Não entendo por quê. Tenho a impressão que existe algo em nós, maior que nossa razão, que prefere o virtual, o fictício. Seria uma fuga da realidade? Talvez.

O mundo real não é tão belo. Os produtos que compramos não são perfeitos. As celebridades não são tão glamourosas. Sabemos disso. Mas preferimos nos enganar. Nosso desengano com o real nos faz namorar com fragmentos de um universo mágico e encantador, embora inacessível pois inexiste.

Isso parece nos mover, nos dá fôlego para viver. A realidade é dura, cruel. As imperfeições mostram o quanto a vida é fugidia, passageira. Desejamos escapar dela. O feio nos acusa e diz que nada é semelhante aos nossos sonhos paradisíacos. E que a mesma vida que nos escapa é a que revela nossas rugas e a morte que não podemos evitar.

Época, “ai se eu te pego”

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Deu o que falar a capa da última Época. Michel Teló na primeira página de uma das principais revistas do país incomodou muita gente. Um seguidor do meu twitter chegou a dizer que a capa o fez desistir de assinar a publicação.

Quem não gosta do sertanejo e seu “ai, se eu te pego” ficou indignado com o fato de a reportagem classificar o sucesso de Michel como reflexo ou tradução da cultura popular brasileira.

Diante da polêmica, uma amiga me mandou a sugestão: “escreve sobre isso, Ronaldo”. Ela sabe que o rabugento aqui adora discutir questões polêmicas. Porém, optei por esperar a Época disponibilizar integralmente o conteúdo na internet. Não iria comprar a revista. Nem encontrei alguém com a edição para me emprestar. E falar sem ver a reportagem seria uma agressão a todos os valores que defendo: só tratar de um assunto quando temos argumentos minimamente coerentes. Cair no lugar comum não contribui, não produz reflexão.

É verdade que ninguém está muito a fim de parar, pensar… refletir. O negócio é sair despejando bobagens. Quando propomos a necessidade de ver a história sob um outro prisma ainda corremos o risco de não sermos entendidos. E isso não significa que estou aqui para produzir uma verdade. Apenas apresentar uma opinião.

Mas… vamos em frente.

O que dizer do Teló na capa da primeira Época de 2012? Perfeito. Qual o problema? Vamos deixar de ser hipócritas, puritanos, conservadores, intelectualistas. É só uma capa. Por que a revista não pode estampar o cara que estourou no mundo da música em 2011? Por que a música dele é vazia, pobre? Vazios e pobres somos nós que consumimos esse tipo de coisa. O Michel Teló e sua música fazem sucesso porque nós gostamos, ouvimos, compramos – ou baixamos – seus CD’s e ainda damos audiência aos programas em que se apresenta.

Não estou questionando o talento do sertanejo. Se o público fosse outro, talvez ele interpretasse outras músicas. Afinal, como a própria reportagem da Época mostra, Teló colocou “Ai, se eu te pego” no último disco porque percebeu, ao ouvir uma moça de sua equipe cantarolando “nossa, nossa, assim você me mata”, que era a música que faltava para “grudar” no ouvido das pessoas. Ou seja, está provado que tem exata percepção do que o povo quer ouvir. Isso se chama sintonia. Ele só está cantando o que as pessoas querem. No mundo da indústria cultural, mantém-se no topo – faz sucesso – quem produz o tipo de “arte” que o público deseja.

Voltando para a revista… A Época, como toda imprensa, é um veículo de comunicação de massa (massa, ok?). É, antes de tudo, uma empresa. E empresas sobrevivem do lucro. O lucro é garantido – semelhante ao sucesso do artista – pelo público (quem consome a revista, jornal, programa de tevê etc). Se o Michel Teló é o nome mais badalado do momento, por que não pode estar na capa?

Alguém aí acha que as férias da Dilma renderiam capa? Vamos deixar de ser ingênuos. Está todo mundo em clima de festa. Férias, minha gente! Uma capa séria, respeitável – como alguns gostariam – passaria batido. Ninguém comentaria.

Por sinal, diga-me… E com toda sinceridade do mundo:

- Qual foi a última capa da Época que você ouviu as pessoas comentando?

Eu não lembro. E olha que gosto da revista. Não recordo nem qual foi a da última semana (teria que olhar no site).

Ao publicar o Michel Teló, a Editora Globo acertou. Criou o maior buchicho. Era tudo que a revista precisava. Começar o ano com uma bela polêmica (alguém aí ouviu falar da capa da Veja esta semana?). Os meios de comunicação sobrevivem do “barulho” que fazem. Precisam ser lembrados, estar na boca do povo.

Você pode até dizer:

- Mas não combina com uma revista elitizada.

Talvez, eu respondo. Meses atrás, a Veja trouxe uma pesquisa mostrando que esse tipo de música feito por gente como o Teló agrada todos os públicos. Inclusive os das classes A e B.

Ah… detalhe, a Época fez jornalismo. Uma reportagem perfil. Não rompeu com a ética, com nenhum valor da profissão. Revistas semanais também trazem entretenimento.

Eu não gosto da música dele. Quem sabe, você também. Os jornalista que escreveram a reportagem não precisam gostar. Entretanto, não é motivo suficiente para deixar de ousar numa edição de janeiro da revista – quando não tem nada muito significativo acontecendo e o próprio leitor está a fim de amenidades.

E, por fim, a última crítica que li/ouvi… O fato de a revista sustentar que Michel Teló traduz a cultura popular. Vamos lembrar o que é cultura? Cultura é o conjunto de valores de um povo. Cultura não é ser culto. O que somos, o que gostamos, nossas preferências revelam qual é a nossa cultura.

Partindo desse pressuposto, responda-me:

- A letra de “Ai, se eu te pego” não traduz os valores atuais?

Sexo, sexo, sexo. Todo mundo anda louco para “pegar” alguém. Baladas, agito, diversão… é o que todo mundo deseja. E, no caso do sertanejo, ele traduz tudo isso de maneira divertida. É picante, mas não é vulgar. Também combina um estilo (estética, moda) jovem, despojado, alegre… A cara de um Brasil que, embora não seja de todos nós, é sim da maioria.

“Antes pegador que veado”

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Caio Castro

A frase é do sujeitinho aí do lado. O global está na novela Fina Estampa. Faz parte da lista dos novos famosos.

Sinceramente, não tenho o hábito de trazer “celebridades” aqui pro blog. Nem falar da vida delas. Entretanto, fiquei impressionado com a fala desse ator.

O cara consegue numa só frase revelar machismo e preconceito. Impressionante!

Pior é que são essas cabecinhas que andam inspirando muito gente. E fazendo as meninas suspirarem.

O sujeito tem que pensar muito pequeno para fazer tal comparação. Primeiro, porque não há mérito em ser “pegador”. E, segundo, porque ser homossexual não torna ninguém digno de pena nem faz a pessoa ser pior ou melhor que outra.

Tudo que querem é se mostrar

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Eu não entendo… Não mesmo. Tudo bem, a Psicologia estuda o tema, tem várias teses, mas ainda assim não dou conta desse exibicionismo público praticado por alguns. Em especial pelas mulheres.

Estava navegando no site da Folha e “trombei” com a notícia:

- Após assumir celulite, Nicole Bahls exibe bumbum para paparazzo

Desculpem-me, mas não vou reproduzir a foto do bumbum da Nicole. Nem explicar quem é ela. Quem quiser, procure no Google.

O que me motiva a escrever é essa sede por ser notícia. Não importa de que maneira. Primeiro, a garota vai lá e diz: “tenho celulite”. Pronto, garante a manchete. Depois, vai para a praia, bota um biquininho e, na primeira oportunidade, exibe o bumbum. Claro, ganha nova manchete.

Essas pseudo-celebridades vivem disso: notícias e fotos do corpo e da vida sexual delas.

Como há um público que consome essas tolices, elas se mantêm em evidência. Claro, até que a celulite consuma tanto “talento”.

O problema é que esse exibicionismo – como forma de se manter em evidência – tem sido copiado por milhões de anônimos. Usam as mesmas estratégias e, potencializados pelas redes sociais, transformam o corpo em material de marketing pessoal.

Cá com meus botões, fico pensando no quão pobre de espírito o ser humano tem se tornado. O intelecto foi sucumbido por um corpo bonito.

Não basta fazer, tem que contar que fez

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Esta é a máxima que alimenta as redes sociais. O sujeito tira férias e publica as fotos. Sai para jantar e escreve onde foi, com quem foi, quem viu e se a comida estava boa. Vai na balada e tudo que rolou acaba no orkut, facebook etc etc.

O sucesso das redes sociais se dá não pelo interesse em compartilhar conteúdos. O sucesso está baseado no desejo de aparecer. Um desejo histórico e crescente numa sociedade movida pela imagem.

Não basta fazer, tem que contar, mostrar que fez.

Sempre foi assim. O cara transa com uma garota e precisa contar vantagem. A menina se frusta com o sujeito e espalha os defeitos dele. A pessoa encontra um famoso e não basta cumprimentá-lo; é preciso fotografar e mostrar para todo mundo.

É o exercício do exibicionismo, da necessidade de ser – ou pelo menos, aparentar que é.

Ninguém está satisfeito em viver simplesmente. É preciso mostrar, exibir, potencializar o que há de melhor. Ou o pior, quando é para transferir o problema para o outro. Nunca assumindo seus próprios erros.

Tenho amigos que dizem: você é péssimo de marketing pessoal. Concordo. E sofro as consequências disso. O que faço ou deixo de fazer, faz parte da esfera privada. Mas, do ponto de vista profissional, algumas coisas deveriam mesmo ser mostradas.

Quer dizer, mostrar-se pode não ser de todo ruim. Porém, geralmente as pessoas se perdem no exibicionismo da vida privada e o que de fato interessa acaba sendo silenciado. Parece haver um desejo que as move em fazer de cada instante um página de Caras. O reino da futilidade estereotipado num modo vazio de se dizer feliz.

O que acontece com Amy Winehouse?

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Não sei se faz dois ou três anos, mas já escrevi sobre a cantora britânica aqui. Talentosa, de voz poderosa, Amy está se desconstruindo diante dos nossos olhos. Seus fãs ainda a cultuam, cantam com ela e até vão aos seus shows esperando seus vexames. Entretanto, ela definha no palco. Dá dó, pena.

Criticá-la é bobagem. Amy está doente. É um exemplo do que a dependência química pode fazer. Mais que aplaudi-la ou achar graça em vê-la balbuciando as letras de suas canções, de maneira completamente desordenada, o público deveria ver que ali está piscando sem parar um sinal de alerta. Amy está morrendo aos poucos… Precisa sim de tratamento. Mas só ela pode desejar isso. E os amigos, fãs etc deveriam incentivá-la a buscar isso. Só assim poderemos vê-la novamente brilhar nos palcos.

O vídeo abaixo ajuda a entender o momento triste da britânica.

É jornalismo ou preconceito?

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Uma gorjeta. Tudo bem… Era um bela gorjeta: 75 reais. Mas a gorjeta de 75 reais virou notícia na página online do jornal O Globo. O dono da boa ação é o deputado federal Everardo Oliveira da Silva.

Conhece? Talvez não por este nome. O deputado Everardo é o humorista Tiririca. Acho que agora ficou fácil…

Desde que foi eleito, Tiririca se tornou alvo da mídia. Uma gorjeta para o barbeiro vira notícia. Qualquer movimento, rende nota da imprensa.

Normal? Não sei.

O fato de ter sido o mais votado justifica os holofotes? Ou a motivação implícita seria um certo preconceito com o humorista?

Tá… Vamos combinar… Também acho um absurdo a eleição do Tiririca. Não acredito que tenha perfil pra ser deputado. Mas, convenhamos, ele tinha o direito de disputar vaga na Câmara. Como todo mundo tem. Se há culpados, estes são os eleitores e o sistema eleitoral brasileiro que leva lideranças políticas a usarem gente como ele para garantir mais vagas para o partido no Legislativo.

Feito o esclarecimento, voltemos ao tema central: a cobertura dada aos movimentos do deputado Tirica se justifica? Não tem nada, nadinha de preconceito?

Quantos outros parlamentares ocupam vagas na Câmara Federal – e até no Senado – e também fazem papel ridículo? Se é para ridicularizar o Tiririca, outros também não renderiam pauta? Ou o fato de não serem famosos seria o motivo? Afinal, embora pagos pelo nosso dinheiro, esses ilustres parlamentares desconhecidos não dão audiência, né?

Bem, o papo aqui não tem a pretensão de trazer nenhuma conclusão. É só pra pensar alto. É só uma reflexão sobre hábitos da imprensa, e nosso olhar para as notícias – que acaba motivando as escolhas da mídia.

O que tenho a ver com a Mirella e com o Ceará?

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Está lá… Há semanas entre as notícias mais lidas. Mas o que tenho a ver com isso? Euzinho aqui não tenho nada a ver com essa história. Porém, muita gente deve ter algum tipo de interesse no tema, né?

Deixa explicar. Estou falando da série de notícias(???) a respeito de Mirella Santos e Ceará. Ela é ex-mulher de um cantor. O Latino. Ele é comediante. Pronto. E estão namorando.

A última deles que está entre as mais lidas do R7 é esta daqui:

- Ceará e Mirella trocam novos beijos em público

Diga-me: eles não podem? E que importância isso tem na ordem do dia?

Podem. E se não pudessem, também não seria um problema nosso.

Então, por que as notícias relacionadas ao casal estão bombando na net? Ninguém tem mais nada pra fazer? Ou pra ler? Deve ser isso. Não há nada mais interessante. Afinal, se “novos beijos em público” viram noticia, já não sei mais o que é notícia ou o que de fato importa.

As cantoras pop e o futuro das mulheres

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Que as celebridades têm influência sobre nós, não é novidade. Há uma tendência em se imitar o ídolo. Eles lançam moda, estimulam hábitos e comportamentos.

Por isso mesmo, ao ler um texto do jornalista André Forastieri, resolvi compartilhar por aqui uma reflexão proposta no blog dele.

Ao falar sobre as cantoras pop – começando por Madonna, passando Beyoncé, Rihanna, Shakira até chegar a Lady Gaga -, Forastieri aponta que imagens e gestos sugerem que elas se comportam como prostitutas. Ao fazer isto, traz uma questão bastante séria:

Comunicação não é o que você fala, é o que o outro ouve. Madonna fazia boca de boquete, usava uma fivela escrita “boy toy” e se dizia feminista – e daí? Ela, como essas moças todas, parecia estar disposta a fazer tudo por dinheiro. Sozinha, fez este estrago. Me pergunto o que o efeito conjunto dessas moças todas fará nas garotinhas de hoje. Será que o futuro será de “material girls”?

Rihanna está entre as principais cantoras popComo ressalta o jornalista, não se trata de ser moralista, até porque o que essas cantoras “vendem” nos palcos, muitas vezes, está longe de ser o que são como mulher. Entretanto, a imagem ilude e estimula a imitação. É inevitável colocar em discussão a pergunta: como será a geração dessas garotinhas que hoje assistem e rebolam ao som de Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna, Shakira etc etc?

Não acredito na máxima de estímulo-resposta. Ou seja, a sociedade como reflexo dos estímulos recebidos. Entretanto, o fato de se estar alheio à realidade, a ausência de criticidade e principalmente da falta de pais dispostos a refletir com seus filhos sobre os hábitos contemporâneos tende a colocar em risco a formação de uma identidade saudável e equilibrada do ponto de vista emocional.

Como sempre digo por aqui: cada um faz o que bem entender do corpo. As escolhas são nossas. No entanto, até que ponto tal ousadia – em que mulheres se vendem como objetos de desejo, quase mercadorias em prateleiras à espera da melhor oferta – não causará marcas profundas à alma?

Tatuagem do Neymar na boca e no braço? Importa é a mediocridade humana

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Sempre digo, cada um faz o que quer… do corpo, da vida. Enfim. Mas tem atitudes que não são compreensíveis. Dias atrás, vi a notícia de uma garota que tatuou o nome do Neymar. Gravou nos lábios. Ela tinha namorado. Tinha. Perdeu.

Hoje, a garota está de volta ao noticiário. Ela fez nova tatuagem. E apareceu pedindo que o atacante jogue no Atlético Mineiro.

Estou pouco interessado no pedido dela. Menos ainda no Neymar jogando no Galo. Entretanto, fico pensando no que essa menina tem na cabeça? Desculpa, deve ser vazia. Só pode.

Já acho burrice tatuar o nome de namorado, marido, mulher etc etc no corpo. E não me venham dizer que é declaração ou prova de amor. Tem outras formas de dizer que ama. Ninguém precisa marcar o corpo para dizer “te amo”.

Mas, e essas apaixonites agudas por ídolos?

Tempos atrás li um texto sobre tatuagem do Ivan Martins. Fiquei impressionado com a argumentação do jornalista. Ele conseguiu resumir bem o tema. E de uma forma que concordo plenamente. Afinal, gosto é gosto. Mas mudamos demais nosso jeito de ser, nossos pensamentos para carregar uma marca que pode deixar de ser significativa ao longo dos anos.

Ainda assim, trata-se de uma escolha, uma opção. As pessoas são livres. E devem exercer tal liberdade. Mas o exercício da liberdade implica em ter sabedoria.

Contudo, pense nos lábios dessa garota… Ela vai envelhecer e terá o nome do Neymar nos lábios. Talvez se case, tenha filhos, netos. E lá estará o Neymar. Que deixará de ser jogador, de brilhar… E, se tiver muita sorte e competência, talvez seja uma boa lembrança pelas conquistas no futebol. Nada mais. Mas a jovem de hoje carregará consigo as marcas de uma escolha baseada em sentimentos confusos e sem propósito.

Talvez até lá a Medicina faça o milagre de apagar tatuagens. É provável que aconteça. No entanto, hoje não garantia de que isso vá acontecer. Certamente, a menina não pensou nisso. Quem sabe pense que sua paixão pelo Neymar será eterna. Que o jogador vai brilhar para sempre. Ou ainda que seus momentos de “fama” tenham algum valor. Pena que não perceba que, na cultura midiática, ela só é notícia porque faz papel de macaco de circo.

Casamento real: por que tanta badalação?

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Decidi! Vou escrever sobre o casamento real.

Olha, não tinha a intenção. Não mesmo.

A Kate é muita bonita. Até pode ser motivo de inspiração. O William… Bom, o príncipe é assunto para as mulheres. Ainda assim, queria ficar longe desse papo.

Acontece que não dá. Pra todo lado que olho, tem fotos, imagens, textos sobre o casamento. Seria uma conspiração? Não sei. Sei apenas que o casamento desses jovens ingleses despertou a atenção da mídia mundial. E, convenhamos, a mídia só faz cobertura de assuntos que rendem audiência – logo, bons resultados no faturamento. Gente como a gente não rende notícia. Só se fizer milagre ou cometer algum ato muito escabroso.

Eu queria muito entender tamanho interesse. É sério. Será que se trata de um fenômeno psíquico? As mulheres sonham com príncipes? Os homens, com princesas? Estariam projetando no casamento de Kate e William algum desejo inconsciente?

Nessas horas, preferia o próprio Freud para tentar explicar.

Recordo que, historicamente, há uma identificação com a nobreza. Os pobres proletários sempre amaram a nobreza. Reis e rainhas, príncipes e princesas e outros tantos de “sangue azul” são alvo dos olhares apaixonados (vale dizer que amor e ódio se confundem) de um povo que parece carente de glamour.

Nas rodinhas de trabalhadores, os senhores feudais eram alvo de comentários. Os bastidores das cortes geravam buxixos. Ainda hoje é assim. Prova disso são as dezenas de revistas de celebridades disponíveis nas bancas. E como exemplo de “acontecimento” isto se confirma no casamento do príncipe e da “plebéia”.

Nem como fato histórico – com implicância social, política, econômica ou cultural – a união de ambos tem algum valor. Contudo, milhões de pessoas em todo mundo não desgrudaram os olhos da tevê nesta sexta-feira. Ontem, fui alvo de uma dezena de perguntas sobre o casal – como se isto me interessasse.

Sinceramente, sei pouco sobre este casamento. Para mim, tem a mesma importância que a fofoca de que Edson Celulari e Claudia Raia, mesmo separados, andam “ficando”… Mas confesso que, neste momento, diante da catarse mundial pelo casamento, repito a pergunta do técnico Mourinho: por quê?

Natalie Portman: importa se ela dançou?

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No mundo das artes – ou das celebridades – o assunto do momento é: Natalie Portman dançou ou não dançou em “Cisne Negro”? A atriz levou o Oscar na premiação deste ano. Apenas confirmou o favoritismo. Mas nos últimos dias, o desempenho de Portman está sendo questionado porque sua dublê/figurante alega que fez boa parte das cenas. O diretor já a defendeu e sustentou que era a atriz quem fez pelo menos 80% das cenas.

Cá com meus botões, entendo que isto pouco importa. A interpretação é Natalie Portman. Quem emagreceu e traduziu todo o drama da dançarina foi a atriz. Na verdade, a dança é o que há de menor em “Cisne Negro”. Por sinal, quem conhece de dança sabe que as sequências não convencem – até porque o foco do filme é o drama psicológico, a entrega à arte em que morte e vida, sucesso e fracasso se confundem. Então, vamos deixar de picuinha?

Imitar famosos revela falta de identidade

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Está no blog Mulher 7 X 7:

- Tudo o que a futura princesa Kate veste esgota nas lojas ou é copiado

Parei no título. Ele resume bem um de nossos hábitos… Gostamos dos famosos. Invejamos as celebridades. Queremos copiá-los. O cabelo, os olhos, a maquiagem, as roupas… tudo. Nos salões de beleza é comum ouvir: – Pode fazer um corte igual o da fulana de tal?

Hoje, os cirurgiões plásticos ouvem com frequência o desejo de mulheres que pedem a boca da Angelina Jolie. Em rostos que não pedem tal desenho, essas “plastificadas” ficam quase deformadas. E ainda não entendem por que o profissional não conseguiu o efeito sonhado.

O “endeusamento” dos famosos é histórico. Na antiga Grécia, as referências eram os deuses do Olímpo – ou ainda os atletas famosos, os grandes guerreiros. Com o tempo, os nobres foram sendo copiados. E tudo que deles se falava gerava enorme interesse entre os proletários.

Não vejo como problema admirarmos pessoas e até se inspirar em gente que tenha bom gosto e bons hábitos. Entretanto, a completa imitação revela falta de identidade, de personalidade. Gente que precisa em todo tempo de referências externas é gente que ainda não sabe quem é, o que é e o que quer da vida.

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