Por que os homens mentem?

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Será que dou conta de responder? Acho difícil, é complexo demais. Mas, reconheço, o tema é desafiador. Sinceramente, e não estou mentindo, não tentaria sequer levantar hipóteses a respeito do assunto. Afinal, as razões podem ser as mais variadas. Entretanto, vou me atrever e listar aqui algumas considerações em respeito a uma amiga repórter que sugeriu que escrevesse sobre os motivos que levam um homem a mentir.

Até para defender minha “espécie”, diria que homens e mulheres mentem. E não venham me dizer que mentem mais que elas. Talvez poderíamos afirmar que as mulheres são mais competentes que nós. Fingem melhor. Por isso, conseguem sustentar uma mentira e até convencer-nos que se trata de uma verdade.

Mas, vamos em frente… Não faremos aqui uma “guerra dos sexos”.

Do ponto de vista bíblico, estamos tratando de um pecado. Além de condenado nos escritos sagrados, a Bíblia sustenta que os adeptos desse comportamento não entrarão no reino dos Céus.

Embora relevante, não vou discutir o assunto sob essa perspectiva.

Entendo que tal hábito, além de nocivo para o próprio indivíduo, pode resultar em mágoas, tristezas, decepções. Contudo, acredito que ninguém pode sustentar que nunca faltou com a verdade. Por motivos humanamente justificáveis – ou não – todos nós já mentimos.

Mente-se para explicar um atraso, para se dar bem nos negócios, evitar confronto ou agradar alguém e até para conquistar uma pessoa. Podem ser repetidas para não magoar a mãe que errou na hora de botar o sal na comida ou para explicar o encontro com a amante. “Inocentes” ou não estão sempre ali, prontas para serem ditas.

Numa relação, homens podem mentir para parecem mais másculos, competentes ou até carinhosos. Ainda são capazes de fazer isso para atraírem uma mulher ou sustentarem a infidelidade. Afinal, querem parecer ativos, competem entre si e, numa cultura machista como a nossa, levá-las para a cama é motivo de orgulho.

A sedução muitas vezes não é um jogo sincero. Máscaras são usadas para ocultar a face real com suas contradições, defeitos, inseguranças, medos. Elogios e gentilezas acabam sendo feitos motivados por segundas intenções. A disposição para se esperar pelo outro nem sempre é paciência ou compreensão. Não há garantias de que o abraço carinhoso é amigo. O sorriso ou a voz suave escondem a verdade. A verdade oculta, mascarada pode ser única e exclusivamente o desejo por sexo – e não necessariamente o compromisso. A mulher torna-se apenas objeto de conquista, um prêmio.

Não há remédio para tais mentiras. Elas sempre serão estratégia repetida por muitos homens. Classificá-los todos como iguais – ou acreditar que nunca haverá gestos sinceros – também é cometer um erro. Por isso, sempre haverá oportunidade para se encontrar a pessoa certa, o homem certo.

Para essa minha amiga – e para outras mulheres que possam se interessar por este breve ensaio -, diria apenas que sejam menos inocentes, mais pacientes, prudentes e sábias. Nem sempre uma melodia faz uma canção. Nem todos os elogios, sorrisos e palavras são sinceros. A observação atenta, e não precipitada, pode resultar em boas escolhas e no encontro do parceiro ideal.

Está tudo bem?

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Faz parte de nossos hábitos. Daqueles que repetimos sem ao menos pensar. Encontramos alguém e logo perguntamos: “está tudo bem?”. Não nos damos conta necessariamente do que representa a frase. Simplesmente verbalizamos. É uma maneira gentil, educada de abordar as pessoas. Escapa quase que de maneira inconsciente.

Dia desses, estava num velório. Observava as pessoas cumprimentando a viúva. De repente, chega um amigo da família. Ao falar com a mulher que tinha perdido o marido, logo tascou: “tudo bem com a senhora?”. Do meu canto, em silêncio, foi impossível não esboçar um sorriso. Aquele homem acabara de cometer uma gafe.

O fato só revela o quanto essa frase é repetida mais por um hábito do que necessariamente por uma preocupação real nossa com o que está sentindo a outra pessoa. Claro, existem exceções. Como também existem pessoas que, ao ouvir um “tudo bem?” já começam a expor toda sua vida. Ali desfilam os problemas no trabalho, no casamento, com vizinhos… enfim. E quem simplesmente quis ser educado, acaba ouvindo o que não esperava – ou não desejava. Afinal, o diálogo obvio é mais ou menos este:

- Tudo bem?
- Sim, tudo bem. E você?
- Está tudo bem, graças a Deus.

Gosto dessa troca de gentilezas. Como tantas outras pessoas, repito com freqüência. Mas confesso que a frase “está tudo bem” me incomoda um pouco. Às vezes, chego a evitar a resposta. Não pelo fato de não estar me sentindo bem, mas porque me pego pensando na profundidade do que representaria essa pergunta.

Sei. É meio filosófico isto, mas pare para pensar um pouco: o que é estar tudo bem? Não vale estar bem só de saúde. Também não pode ser apenas financeiramente. E se a saúde vai bem e a carteira também, ainda assim não dá para dizer: “está tudo bem”. Para essa condição se realizar, é preciso ir além.

Você pode ter dinheiro, mas estar infeliz com o emprego; pode ter uma boa casa, mas ter um péssimo casamento; ou pode ter um bom relacionamento com sua mulher, com seu marido, mas viver em tensão constante com a sogra; quem sabe está irritado porque seu carro vive dando problemas; ou ainda porque tem sonhos que nunca consegue realizar.

Estar tudo bem seria estar pleno. Numa condição de bem estar em todas as áreas da vida.

Não é possível viver sem os problemas cotidianos. Por isso, estar tudo bem é quase uma utopia. Sempre existirão espinhos. Alguns mais dolorosos; outros, menos. Mas estarão lá.

Uma resposta convicta, consciente – “está tudo bem!” – é quase um ato de fé. Também é uma necessidade, um motivo a se buscar, uma expressão, uma crença de que problemas existem, mas que nenhum deles é maior que a razão de nosso existir.

Descobrir as prioridades

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A desistência de Orestes Quércia da disputa por uma vaga no Senado me fez pensar que há momentos em que descobrimos o que realmente vale a pena na vida. O ex-governador de São Paulo abre mão da corrida eleitoral por causa da saúde. Ele sabe o que é mais importante. Tratar-se do câncer, lutar para vencer a doença são suas prioridades. Nada mais importa.

Na nossa vida muitas vezes demoramos para descobrir quais são nossas prioridades. É comum arrastarmos por dias, meses e até anos determinadas situações que nos consomem. Simplesmente não tomamos uma decisão. As incertezas tiram o nosso foco e não conseguimos descobrir o que realmente é mais importante. Tem gente que chega ao final da vida sem ter vivido. E isto por não ter tido atitudes coerentes com seus sonhos, desejos, aspirações.

Na verdade, quem passa a vida sem se conhecer, chega ao final dela sem saber por que viveu.

As revistas da semana

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VEJA: – O partido do polvo. A reportagem principal desta semana fala do PT e de como o partido tem estendido seus tentáculos na máquina pública. Desde 2003, quando Lula chegou ao poder, seus seguidores aceleraram uma operação de conquista de postos-chave do estado. Dos quarenta cargos mais cobiçados do governo, os partidários de Lula e filiados ao PT ocupam 22. Nesses postos eles controlam orçamentos anuais que, somados, chegam a 870 bilhões de reais. Isso representa um quarto do produto interno bruto brasileiro. Ou seja, que 25% da riqueza nacional está sob administração direta de quadros partidários e ligados a sindicatos e centrais sindicais, todos comprometidos com um programa duradouro de poder. Ainda na edição, o fim da versão impressa do Jornal do Brasil; e os efeitos das múltiplas atividades simultâneas no cérebro.

ÉPOCA: – A cartada de Serra. Em queda nas pesquisas, o tucano vai ao ataque e explora o crime cometido contra sua filha para tentar chegar ao segundo turno. Mulheres de 20, Quem são e o que querem as mulheres de 20. Uma pesquisa exclusiva revela a rotina, as aspirações e os dilemas de uma geração de brasileiras que está adiando a entrada na vida adulta. Elas têm tudo o que suas mães e avós não tiveram – liberdade, dinheiro e carreira –, mas ainda sonham com filhos. A vitória dos medíocres, como “Glee” abriu caminho para as séries que exaltam tipos fracassados.

ISTO É: – Sonhos, como usá-los na vida real. A ciência revela que sonhar deixa a memória afiada, ajuda a lidar com as emoções e nos treina para os obstáculos da vida real. FHC: um pote até aqui de mágoas. Alijado da campanha tucana, que prefere usar a imagem de Lula à dele, o ex-presidente deixa claro ao partido que está insatisfeito e ataca os marqueteiros de José Serra. Dois meninos, muitos sonhos e uma tragédia. Como era a vida dos mineiros que tentaram emigrar para os EUA, mas acabaram nas mãos de narcotraficantes mexicanos.

CARTA CAPITAL: O império vacila. The Economist: Como os EUA vão exercer o poder bélico após a retirada do Iraque? Perguntas sem respostas: a respeito das violações de dados secretos, pairam diversas dúvidas. Uma delas: como ligar as criminosas quebras de sigilo à sucessão presidencial?

As revistas da semana

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VEJA: Casar faz bem. A reportagem mostra que em tempos modernos, em que a preocupação com a carreira ocupa tanto tempo, casar ainda está na moda. Ainda na edição, a Veja procura discutir a viabilidade de algumas promessas dos candidatos à presidência da República; a tatuagem: de moda a obsessão; e ascensão social do negro no Brasil.

ÉPOCA: – As 100 melhores empresas para trabalhar e as lições da campeã Google. Na empresa símbolo do trabalho no século XXI, um ambiente criativo e inspirador com tempo livre, mesa de bilhar, massagem – e até almoço grátis. Eles querem ser perfeitos: uma nova geração de narcisistas exige de si e dos outros nada menos que a beleza absoluta. Até onde isso pode levar? Segundo as pesquisas, a aposta do presidente Lula em derrotar senadores adversários e eleger no lugar uma bancada de amigos pode dar certo. E ainda tratando de política, Tiririca: Pior que está não fica? O início do horário eleitoral traz uma nova legião de candidatos cômicos.

ISTO É: – Nunca fomos tão felizes. Com a economia a todo vapor e os avanços sociais no país, brasileiros descobrem que nunca foram tão felizes. Eles compram carro próprio, viajam mais, adquirem casa própria e realizam seus sonhos. Celebridades e quase celebridades invadem o horário eleitoral apostando que o eleitor já não suporta os políticos tradicionais. Ossos de São João Batista, agora na Bulgária. A descoberta da suposta ossada do santo expõe a pressa de quem quer explorar a fé para ganhar dinheiro com o turismo religioso.

CARTA CAPITAL: – A Petrobras na mira. A estatal, entre os jogos do mercado, financeiro e a sucessão presidencial. Ministério da Defesa vai retomar buscas por desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Os materiais encontrados serão enviados para o Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília. PT decide processar Serra por usar Lula em propaganda na TV. A exploração da popularidade do presidente por um nome da oposição reforça a tese de que é personagem central de sua própria sucessão.

Quem tem interesses?

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Aline Yuri é colaboradora deste blog

Será que os interesseiros são apenas os políticos que estão em busca de votos? Que fazem suas promessas a cada parada na feira ou lugares que lhes sirvam de palco? Será que os interesseiros são aqueles que se tornam amigos por intenção de um bom trabalho, um favor ou ainda, pelo cargo que essa pessoa ocupa?

Interesseiros somos todos nós. A afirmação pode ser consistente se analisarmos pelo seguinte ponto: Você trabalha apenas porque gosta? Ou tem interesses em ganhar dinheiro, que com certeza tem compromissos para ele? Afinal, precisamos viver! As perguntas se estendem muito mais além. Mas, trabalhamos para ter autonomia, por realização profissional, e por aí vai.  Namoramos, nos apaixonamos porque a pessoa pela qual temos tais sentimentos, é interessante! Estudamos, fazemos especializações, pois somos focados nos interesses futuros.

Eu, você e todo mundo somos interesseiros de plantão. E imagina, como seria o mundo se não existissem os interesseiros em busca de novas experiências, novos conhecimentos, novas oportunidades e novos méritos? Pacato? Talvez.

Mesmo sendo seres interesseiros temos nossos valores, e não podemos ocupar um espaço por falta de opções. Em tudo, seja a opção! O interesse é sempre válido, quando este não machuca e nem fere os outros.

Ninguém é dono de coisa alguma

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O mundo digital nos faz viver perigosamente. Embora viciante e, digamos necessárias, as redes sociais carregam riscos dos mais diversos. Hoje, por exemplo, vou falar com alunos sobre bullying. Acontece que o que ocorria nos pátios das escolas, hoje se dá pela internet. De maneira descontrolada e, lamentavelmente, com poucas chances de os responsáveis serem punidos.

Podemos cuidar do que falamos, escrevemos. Mas é impossível controlar completamente a maneira como serem expostos. Um maluco qualquer pode fazer o que bem entender, inclusive usando nossos nomes, assinaturas. Exemplos temos de sobra. Que o digam Mano Menezes, Sabrina Sato, Aguinaldo Silva entre outros.

Além disso, nossos deslizes podem ganhar projeção nunca antes imaginadas. Qual a chance de num passado recente as bobagens cantadas por Vanusa terem a repercussão que tiveram?

Não há mais direito de imagem. Nada. Nossas falas, gestos etc etc podem ser colocados na rede. As pessoas podem ser prejudicadas por isso. Mas nada vai acontecer. Adriane Galisteu sabe bem disso. Foi fotografada no quarto do hospital com seu bebê. A imagem foi feita por uma amiga. Foi parar no Facebook. E do Facebook para os principais sites de fofocas do país.

Ela ficou transtornada. Pode ter brigado com a amiga, rompido com ela. Mas nem o ato da foto ter sido retirada do Facebook mudou alguma coisa. Todo mundo já tinha visto e a foto deixou de ter dono. E a capa da Caras foi para o ralo.

Este é o tempo em que vivemos. Tudo é de todos. E ninguém é mais dono de coisa alguma. Nem de si mesmo – quem diria de alguma privacidade.

O tempo não pára

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Aline Yuri é colaboradora deste blog

Quantas coisas você já viveu? Quantas pessoas já passaram por sua vida? Ainda insisto, quantos planos você já fez e ainda, quantos deles você concretizou? São tantas perguntas e tantos dias que passam de forma tão rápida que, quando nos damos conta, já se foram.

Quantas coisas não conseguimos responder a nós mesmo. Vivemos todos os dias com a impressão de faltar horas, tempo pra fazer tudo que queremos para a vida. E a cada manhã levantamos com a ânsia de fazer mais, que por ventura da correria nos desculpamos.

Todas essas vontades de fazer sempre mais, querer alem do que podemos “abraçar” faz de nos insatisfeitos. O que quero colocar, é que o tempo não irá parar para nos satisfazer. Temos que filtrar o que realmente é importante pra nós. Vivemos na busca de agradar tudo e a todos, mas não é possível ter essa perfeição.

Existem pessoas importantes, lugares importantes, momentos únicos e dignos de atenção. Já os outros que não são tão relevantes assim, apenas deixe acontecer. O anseio de querer mais horas é devido não sabermos aproveitar os verdadeiros momentos.

Sobreviver não é o mesmo que viver.

Quantos anos mais vamos continuar sobrevivendo? Só temos uma vida, que, no entanto, vale valorizar. Curta intensamente as paixões, mesmo que elas não durem pra vida toda. Mas faça do tempo que durar o mais infinito possível; se dedique inteiramente a profissão que gosta, pois ela lhe trará gratidão e entusiasmo pra seguir muito mais adiante.

Cuide de seus pais! Eles são os únicos que realmente te amam sem limites e fronteiras. E um dia lhe farão falta. Preserve a natureza! É a prova da bondade de Deus conosco. Ame-se! Do contrário será impossível amar alguém.

Se alguém errar com você, perdoe, por mais que isso dure anos e anos até sarar; perdoar é tratar da ferida dia-a-dia. A mágoa não traz alegrias e sim amarguras. Lembre-se, um dia você precisara de perdão.

O tempo não pára! Faça de sua vida maravilhosa, mesmo que seja curta, pois não sabemos quando vamos partir. Tenha sempre em mente, longa ou curta precisamos viver e não sobreviver. O tempo não importa, quando fazemos dele apenas parte do mundo. Assim, chegará o dia em que olhará para traz e verá, minha vida valeu a pena!

Dizer “sim” para a vida

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Oportunidades surgem a todo momento. Já falei por aqui sobre o fato de desperdiçarmos chances reais de realizarmos nossos sonhos. Mas por que isso acontece? Há muitas razões. Entre elas, o medo de dizer “sim”.

Lembro-me de um filme aborda esse tema. Em “Sim Senhor”, o ator e comediante Jim Carrey interpreta Carl Allen. A história começa retratando o personagem. Ele surge como uma pessoa negativa, que vive reclamando. Reclama de tudo – das poucas oportunidades no trabalho até da namorada que o abandonou. Carl Allen parece um grande azarado – semelhante a muitas pessoas que conhecemos.

Tudo muda após uma palestra de auto-ajuda. Como que hipnotizado pelo palestrante, o personagem de Jim Carrey passa a dizer “sim” para tudo.

Embora trate do assunto de forma cômica e até pouco responsável, o filme é capaz de chamar nossa atenção pela maneira emburrada como muitas vezes recebemos os presentes que a vida nos dá.

Por medo ou insegurança, tem gente que sofre para dizer um “sim”. O “não” se repete em seus dias e a vida vai desfilando diante de seus olhos. Mas vê tudo à distância. As oportunidades passam e a pessoa não consegue se apropriar de nenhuma delas.

Os “nãos” que permanecem em nossos lábios são barreiras que construímos entre nós e a vida que sonhamos. Podem nos roubar a chance de fazer boas amizades, conquistar um novo emprego ou mesmo de vivermos um grande amor.

Ninguém precisa e nem deve dizer “sim” para tudo. Temos o direito de responder “não” para uma proposta pouco responsável ou mesmo agressiva. Você não vai aceitar a “cantada” de um colega de trabalho apenas porque deseja dizer “sim” para a vida. Nem vai responder “sim” a uma proposta de emprego, se está feliz onde trabalha, tem boa remuneração, é reconhecido pela chefia e tem a possibilidade de construir uma carreira estável e de sucesso.

Entretanto, ter mais disposição para ousar, experimentar é reconhecer que falar “sim” para a vida é abrir a janela para o futuro, para a vida que sempre que sonhamos, mas que por vezes rejeitamos com nosso negativismo e falta de fé.

Os persistentes rótulos

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Em todo momento somos julgados sem ao menos sermos conhecidos. Esta é uma ação que se repete a quase todos os momentos de nossas vidas. A cada nova amizade, a cada nova apresentação somos rotulados por pessoas que sequer nos dão a oportunidade de mostrar nossa essência.

Se pararmos para refletir, o hábito de rotular inicia tão cedo em nossas vidas que acabamos por achar, que ele faz parte de nosso cotidiano.

E saímos por aí, nomeando tudo e a todos.

Quando rotulamos deixamos de lado a sensibilidade de entender determinados comportamentos que, às vezes, por questão do ambiente de trabalho ou situação que nos encontramos, precisamos agir com um pouco mais de sutileza e seriedade.

Rotular tornou-se tão cômodo para as pessoas, que é simples puxar um assunto com alguém. Deixamos os valores se apagar em comentários fúteis e sem fundamentos. Isso em qualquer ambiente; no trabalho, na faculdade e nos momentos de lazer. São comentários pequenos e vazios para que uma conversa possa fluir. Ao contrário, tempos atrás em que ainda era uma simples menina, era normal ouvir comentários sobre o tempo, o clima e deles iniciavam-se um bate-papo.

Hoje não, raramente temos essas atitudes quando queremos nos enturmar. E rotular, falo não só me referindo às pessoas, mas também musicas, filmes e outras artes. Usamos das críticas já instaladas pela mídia e por sua grande influência, não permitimos realmente conhecer para ter nossas próprias opiniões.

Chamamos essa atitude de comportamento Mid Cult, ou seja, empregamos os méritos já existentes de produtos e artes, para espelharmos nossas opiniões a respeito de algo, pelo simples fato de ser um produto de origem nobre. Precisamos dar chance para as pessoas se apresentarem da maneira que realmente são. Temos também, que nos dar a oportunidade de conhecer, aprender e experimentar sermos mais nós.

Contudo, para todos esses costumes que nos encarregamos de ter, vale lembrar: Por trás de um rótulo há sempre um conteúdo.

Nem tudo depende de nós

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Sabe aqueles dias que você esbarra com um texto que parece escrito para você? Foi mais ou menos assim que me senti ao ler a coluna de hoje da Francine Lima. O título por si só já é bastante sugestivo: O peso que cada um carrega.

Entre outras coisas, a repórter da Época ressalta que é preciso relaxar. Afinal, nem tudo depende de nós. Por mais que nos esforcemos, façamos a nossa parte, não temos controle sobre tudo e sobre todos. Não dá para se antecipar aos problemas e tentar impedir que certos desastres aconteçam. Há momentos em que temos de aceitar as imperfeições, os “nãos” que a vida nos oferece.

Não é simples. Não mesmo. Por vezes, é decepcionante. Mas nem tudo vai funcionar como desejamos. Continuaremos sendo obrigados a passar mais tempo no trânsito do que o aceitável; as filas nos caixas, inclusive dos supermercados, vão continuar demorando; os professores continuarão inflexíveis com certos prazos; alguns alunos permanecerão desinteressados; amigos e amores vão nos decepcionar; algumas pessoas nunca se apaixonarão por nós… Teremos perdas ao longo da vida e muitas delas, inevitáveis.

É preciso aceitar que nem tudo depende de nós. Do contrário, continuaremos sob esse eterno peso.

Por isso, para concluir, proponho que pensemos:

Gastamos tubos de energia nos dedicando ao que não podemos controlar, e deixamos de lado muitas coisas que só funcionam se assumirmos a responsabilidade sobre elas. Eu convido você a refletir sobre as responsabilidades que anda assumindo e o peso que anda carregando nas costas.

Vamos viver melhor quando aprendermos a rir da vida e aceitarmos que a máxima do Zeca Pagodinho (Deixa a vida me levar) pode até servir de receita para a felicidade.

Um toque de ousadia e fé na busca pela felicidade

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Dia após dia sonhamos que a vida seja diferente. Desejamos fugir da rotina. Pensamos em coisas que nunca alcançamos. Queremos carinhos nunca tidos… Esperamos que os céus nos surpreendam com os presentes que sempre almejamos.

Este é o retrato de nossa alma. O coração humano sonha, anseia, busca motivos novos para ser feliz. Porém, muitas vezes, resiste às mudanças.

Uma vida diferente é resultado de uma mudança. Pode ser uma simples mudança – talvez apenas de atitude diante do mundo, um novo olhar. Mas pode exigir mais que isso.

A realização de um sonho às vezes passa por aceitar que é preciso pagar um preço. Talvez num primeiro momento pareça muito alto, mas quem sabe seja necessário para alcançar o que sempre se desejou.

Tem uma frase que resume uma grande verdade… E que pode ser aplicada a diversas situações.

- Não há almoço grátis.

Não gosto muito dessa frase, preciso confessar. Mas cabe no contexto de nossa reflexão. Quem busca uma vida nova deve aceitar que terá de pagar por isso.

Não queremos a rotina. Mas nos assustamos com as mudanças.

Queremos um novo emprego. Mas temos medo de bater na porta de outras empresas e ouvirmos um “não”.

Ansiamos conquistar novos amigos. Mas não queremos nos decepcionar com as pessoas.

Desejamos nos sentir amados. Mas preferimos a conveniência de um relacionamento desgastado e morto.

É mais fácil continuar vivendo com o que temos. Afinal, já conhecemos o ambiente, sabemos seus limites e nos acomodamos. Temos nossos sonhos, reclamamos que nunca os alcançamos, entretanto queremos que se realizem sem abandonarmos os castelos que construímos.

O medo, que gera a insegurança, faz parte de nós. O desconhecido nos assusta. Ninguém consegue olhar para o amanhã, pois não há uma janela aberta para o futuro. Ainda assim, a vida nos ensina que somente aqueles que aceitam correr riscos conseguem superar limites e experimentar o prazer da realização de um sonho.

Nessa caminhada, muitas vezes, há sofrimento. Rompimentos causam dor. Implicam em abandono e, por outro lado, em andar por trilhas ainda desconhecidas. Porém, a disposição para mudar é a única forma de dar um passo em direção ao que sempre desejamos.

Como na passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, as irmãs daquele homem choravam a sua morte. Elas desejavam tê-lo com vida. Quando Jesus foi visitá-las, e prometeu o milagre, ficaram assustadas. Diante do túmulo, a frase do Cristo foi:

- Tirai a pedra.

Era um exercício de fé. Aquelas mulheres tinham a chance de mudar o cenário, mas era necessário “tirar a pedra”. Tinham que romper com a insegurança, com o medo de serem envergonhadas diante dos amigos.

Hoje, para realizarmos nossos sonhos também temos de “tirar a pedra”. Um toque de ousadia e fé é o primeiro passo para superarmos as barreiras que nós mesmos criamos e, assim, sermos felizes.

A realidade é bastante cruel

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Vamos fechando a conta da semana. Queria deixar por aqui um texto mais reflexivo, mas faltou tempo e disposição para escrever. Então, fica uma boa dica de leitura no blog da Rosana Hermann. Só “pra variar”, ela faz a gente pensar com o post “Massa, Rubinho e o mundo real”.

Mais que abordar o que ocorreu no GP da Alemanha no domingo passado, a zeladora do Querido Leitor lembra do quanto o mundo real é diferente de nossas utopias.

- O mundo real, além de ser ilusório, no sentido de falso, também é muito, muito injusto.

Ainda que tenhamos que viver dia após dia o desejo de tornar o mundo melhor, a realidade é bastante cruel.

Quando a vida deixa de fazer sentido

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O que leva alguém a desejar deixar de viver? As mortes por suicídio são sempre intrigantes. Como entender alguém que simplesmente optou por abrir mão da vida? Embora tal escolha não seja justificável – afinal a vida é o bem maior que temos, presente de Deus -, não raras vezes, a vida deixa de fazer sentido e a morte parece ser a única saída.

Pessoas num estado de depressão profundo perdem a alegria de viver. Tudo que dá prazer alguém emocionalmente saudável não é capaz de garantir felicidade a uma pessoa deprimida.

Entretanto, nem sempre é preciso estar doente para perder o sentido da vida. Problemas financeiros, um emprego ruim, perseguição na escola ou no trabalho, uma decepção amorosa ou mesmo um relacionamento ruim podem tirar o desejo de acordar a cada novo dia.

Talvez não seja o seu caso… Mas muitos de nós já despertamos, olhamos para o relógio, lembramos de nossos compromissos, porém a única coisa que desejávamos era continuar ali, debaixo dos lençóis e simplesmente fugir de tudo e todos. O desejo é apenas aquele: “que um buraco se abra e simplesmente sejamos engolidos por ele”.

Nesses dias, colocar os pés no chão é doloroso – é como se pisássemos em espinhos; a luz do sol parece apenas intensificar o sofrimento; e o calor do novo amanhecer é semelhante a uma chama que queima a alma, aumentando a angústia, a ansiedade e o medo.

Quando a alma chora, não há beleza do mundo. Não há cores, não há sons. O cantar dos pássaros soa apenas como mais um ruído ou se perde nas tempestades do coração.

Um pensador certa feita disse:

- Quando a alma chora, olho da janela do meu quarto e do, alto do meu prédio, não vejo a beleza da cidade. Vejo apenas a chance de silenciar meus tristes ais; de calar minhas lágrimas; de penetrar e me perder no esquecimento.

Caro amigo, estar no mundo é estar sujeito aos prazeres e desprazeres da vida. Ainda que se apele para a razão, nossas emoções muitas vezes falam mais alto. E se provocam sorrisos, não raras vezes também nos fazem chorar. Quem deseja viver intensamente, terá dias em que o sorriso vai brotar fácil em seus lábios; mas também deve aceitar que lágrimas não desejadas vão descer pela sua face. Nessas horas, muitas vezes a vida perde o sentido.

Quando isso acontece, resta-nos a fé.

A fé é que nos faz vislumbrar a chance de voltar a sorrir. A fé é que põe esperança no coração e nos faz crer que o cinza que hoje domina a nossa paisagem vai se dissipar e as cores do arco-íris voltarão a brilhar amanhã. A fé é o que supre o vazio da nossa existência e nos faz resistir, esperando que a vida possa ter um novo sentido, capaz de nos fazer prosseguir.

As oportunidades nossas de cada dia

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Elas estão ali… Bem próximas, diante de nós, basta agarrá-las. Se as abraçarmos, sonhos podem se realizar, toda uma vida pode ser completamente diferente. Elas são as oportunidades. Não as encontramos todos os dias. Em algumas fases da vida, são mais frequentes. Noutras, quase ausentes. Mas desfilam para todos. O que faz de uns mais “sortudos” e de outros, “azarados”, é a capacidade de vê-las e alcançá-las.

O que me impressiona é a ausência de percepção de que as oportunidades existem. Infelizmente, vamos perder algumas delas. Não tem jeito. Por medo, timidez, ansiedade, precipitação, miopia etc, certas chances que a vida nos oferece simplesmente ficarão no reino do “e se”. E se eu tivesse pedido aquela moça em namoro? E se eu tivesse aceitado aquele emprego? E se eu tivesse falado com o fulano? O “e se” não existe. É só uma hipótese para especularmos diante de algo que não volta mais.

Lembro de um amigo que gostava muito de uma garota durante o período escolar. Era apaixonado por ela. Via na jovem tudo que gostaria de encontrar numa mulher. Sentia ciúmes dos relacionamentos que ela mantinha. Observou e até a confortou nas vezes que terminou namoros. Sabia que podia ser o cara que a garota procurava. Mas a convivência e amizade o impediram de dar o passo decisivo. Ele nunca perguntou: “você quer namorar comigo?”. Vale dizer que essa pergunta, hoje, caiu em desuso, mas, na época, era fundamental para começar um relacionamento.

No dia em que se casou, a garota estava lá. Não como noiva, mas no papel de madrinha. Nunca soube se ela aceitaria ficar com ele. Perdeu a chance de ser feliz? Talvez não. A vida quem sabe tenha sido generosa dando-lhe uma outra companheira. Mas a pergunta ficou: “como seria se tivesse tido coragem de vencer o medo e a pedisse em namoro?”. Teria dado certo? Ou seria trágico? Nunca saberá.

Acontece que, não se perdem oportunidades apenas nos relacionamentos. Na vida profissional sobram exemplos de pessoas que poderiam ter conquistado sucesso, mas esbarraram numa certa inocência ou na pouca crença de que são capazes. Às vezes a chance está lá, mas a pessoa não acredita. Tem ocasiões que falta tão pouco – quem sabe algumas horas de dedicação a mais, um pouco de comprometimento, demonstração de vontade, disciplina, rigor com horários, ousadia, criatividade. No entanto, a pessoa não consegue ver que o momento decisivo está diante dela.

Isto acontece muito com nossos jovens. É natural. A adolescência, a juventude são feitas de erros e acertos. São os erros que contribuem para a construção do indivíduo. São os erros que nos capacitam a ter melhores critérios de julgamento, mais experiência. Certamente, decisões que tomo hoje poderão causar arrependimento amanhã. E, se fossem tomadas amanhã, a escolha poderia ser outra.

Ainda assim, há um caminho de sabedoria. Quando se trilha por ele, é mais fácil descobrir e se apropriar das oportunidades que a vida oferece. Mas a sabedoria é algo que se conquista por meio do estudo, da observação, da capacidade de ouvir, da busca de bons conselhos conselhos, da escolha de boas amizades, do respeito e atenção aos mais velhos.

Sons do amor

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A mensagem abaixo não é minha. Mas reflete o que acredito. Vale a leitura.

***

Comunicação! A arte de falar um com o outro, dizer o que sentimos e pretendemos, falando com clareza, ouvir o que o outro fala, deixa-lo certo de que estamos ouvindo é, sem sombra de dúvida, a habilidade mais essencial para a criação e a manutenção de um relacionamento amoroso.

A afirmativa é de Leo Buscaglia, professor de uma universidade da Califórnia.

Ele diz que o mais alto nível da comunicação é o não verbal. O que quer dizer: se você ama, mostre isto em atitudes. Faça coisas amorosas para o outro. Seja atencioso. Coloque os seus sentimentos na prática.

Faça aquela comida favorita. Mande flores. Lembre-se dos aniversários. Crie os seus próprios feriados de amor. Não espere pelo dia dos namorados.

Mas é possível fazer mais…

Diga sempre ao outro que o ama, através de suas palavras, suas atitudes e seus gestos. Não pense que o seu par já sabe disso. Ele precisa desta afirmação.

Cumprimente sempre o seu amor pelos trabalhos bem-feitos. Não o deprecie. Dê o seu apoio quando ele falhar. Pense que tudo o que ele faz por você, não o faz por obrigação. E estímulo e elogio asseguram que ele vai repetir a dose.

Quando você se sentir solitário, incompreendido, deixe que ele saiba disso. Ele se sentirá mais forte por reconhecer que tem forças para confortar você.

Afinal, os sentimentos, quando não externados, podem ser destrutivos. Lembre que, apesar de amá-lo, o outro ainda não pode ler a sua mente. Não se feche em si mesmo.

Expresse sentimentos e pensamentos de alegria. Eles dão vida ao relacionamento. É maravilhoso celebrar dias comuns, datas pessoais, como o primeiro encontro, o primeiro olhar, o dia da reconciliação depois de um breve desentendimento.

Dê presentes de amor sem motivo. Ouça a sua própria voz a falar de sua felicidade.

Diga ao seu amor que ele é uma pessoa especial. Não deprecie os sentimentos dele. O que ele sente ou vê é sua experiência pessoal, portanto, importante e real.

Abrace sempre. A comunicação de amor não verbal revitaliza a relação.

Respeite o silêncio do seu companheiro. Momentos de quietude também fazem parte das necessidades espirituais de cada um.

Finalmente, deixe que os outros saibam que você valoriza a quem ama, pois é bom partilhar as alegrias de um saudável relacionamento com os outros.

É possível que você esteja pensando que todas essas idéias não são realmente necessárias entre pessoas que se amam. Talvez pense que essas coisas acontecem de forma espontânea.

Mas, nem tanto. Nem sempre. São esses vários aspectos da comunicação que constituem o alicerce de um relacionamento amoroso saudável. Eles também produzem os sons mais maravilhosos do mundo. Os sons do amor. Experimente!

Em resposta à ditadura da imagem

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Dia desses, falei aqui que somos “escravos da imagem”. Apontei que precisamos usar máscaras para a convivência social. Entretanto, se todos temos necessidade de maquiar nossos instintos naturais e silenciarmos parte do que somos ou pensamos, por outro lado não devemos permitir que isso se torne um fardo. Por isso mesmo, hoje abro espaço para falar do que podemos chamar de síndrome da aprovação. Mas afinal, o que é esta tal de síndrome da aprovação?

Preciso primeiro dizer que não se trata de nenhum transtorno psicológico. Não é também uma doença. Mas certamente é algo que rouba a nossa vida e nos faz sofrer.

Vamos aos sintomas dessa síndrome… Quando vai falar com alguém, você se preocupa com as impressões que a outra pessoa tem a seu respeito? Será você nunca se pegou falando algo do tipo: “Veja bem, eu não assisto muito televisão, mas ontem vi tal programa…”. Ou ainda, ao participar de um almoço na casa de alguém: “Olha eu não sou de comer muito, mas essa comida está tão gostosa…”.

Se você se identificou, é muito provável o diagnóstico: você sofre da síndrome da aprovação. Eu vou mais longe… Quase todos nós sofremos dessa síndrome. Estamos sempre nos ocupando de controlar a imagem que os outros têm de nós. É por isso que nos justificamos tanto. Como tenho dito, isto não é ruim. Contudo, quando nossa imagem se torna mais importante que nossos sentimentos, perdemos a paz, a felicidade e deixamos de ser autênticos.

Na verdade, queremos sempre parecer mais simpáticos do realmente somos; queremos dizer que somos humildes; queremos parecer mais cristãos… Enfim, temos medo de nossos defeitos. Por isso, fazemos um esforço enorme para que as pessoas próximas nos vejam como gostaríamos de ser.

O problema é que essa necessidade de ser aprovado pelos outros tira de nós a essência de nossa personalidade. Passamos a vida inteira ocupados em controlar o que as pessoas pensam a nosso respeito e deixamos de ser originais, verdadeiros. Passamos a viver uma mentira diária.

Preste atenção, quase sempre nos vestimos imaginando a reação dos outros. Por isso, fazemos contas enormes, até quando não podemos, a fim de comprar um traje novo para ir a um casamento. Estamos preocupados em evitar a imagem de que só temos roupas velhas. Afinal, não queremos que ninguém nos veja com a roupa que estivemos na ultima cerimônia.

A síndrome da aprovação está presente em quase todos os nossos atos. Quem vive debaixo da ditadura da imagem, só consegue ser autêntico quando está sozinho. Mas, como a gente passa a maior parte do tempo se relacionando com os outros, vive-se mais ocupado em justificar-se que experimentando e aceitando os verdadeiros limites.

Na verdade, por conta da necessidade de sermos aprovados, usamos uma máscara social praticamente o tempo todo. E o que é necessário, também pode nos fazer mal. Tem aqui um outro detalhe muito importante: quase sempre quem passa a vida se justificando e tentando controlar sua imagem, perde a chance de realmente ser amado. Não vale a pena ser amado pelo que aparenta ser… É bom ser admirado pelo que realmente é.

Ser autêntico, verdadeiro consigo mesmo, permite que a pessoa saiba quem são seus amigos. Controlar a imagem é necessário para convivência. Mas sem exageros, pois ninguém gosta de conviver apenas com a miragem.

A Copa tem uma moda própria?

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Amanhã tem Questão de Classe. O programa de educação, cultura e comportamento da CBN entra no clima da Copa do Mundo. Vamos falar sobre “Moda na Copa”. E claro, lembrar que as mídias sociais – em especial o Twitter – estão fazendo o maior sucesso durante o Mundial.

Ana Paula Passarelli fala para o Questão de Classe

Nossa convidada é a consultora em Marketing de Moda, Ana Paula Passarelli.

Gravamos a entrevista hoje à tarde. Num papo agradável, divertido trocamos ideias sobre esse momento em que tudo se resume ao verde e amarelo. Vale ouvir. Amanhã, às 16h, pela CBN Maringá.

Avós têm direito de educar os netos?

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Os avós têm direito de participarem da vida dos netos. Devem fazer isso. Mas até que ponto devem opinar na educação deles? Não há uma resposta pronta para tal questionamento. Mas o assunto carece ser melhor debatido e, principalmente, refletido dentro das famílias.

Esta semana soube de uma história que motivou um bom diálogo lá em casa. Vou compartilhar o fato.

Dia desses, um casal de amigos foi visitar a filha. Ela é casada e tem uma garotinha de dois anos. A pequena é a paixão dos avós. É tudo para eles. Mas a menina é elétrica, daquelas crianças que precisam de paciência, orientação adequada, disciplina e correção para terem um desenvolvimento saudável.

Pois bem, após o almoço, a família estava reunida. E a garotinha resolveu dar seu showzinho. Normal, afinal é criança. Mas também é natural, numa situação como essa, que os pais interfiram. Entretanto, a avó foi a primeira a tentar justificar as reações da menina. Como se sabe, quando isto acontece, a situação fica um pouco mais difícil de ser administrada. Afinal, a criança ganhou um apoio. Nesse caso, seu “advogado” era nada menos que a mãe de sua mãe. Embora ainda “inocentes”, esses baixinhos não são nada bobos. Ainda assim, aquela jovem foi firme. Cumpriu seu papel. Corrigiu a pequena. Ou, pelo menos, tentou.

A avó, que já tinha feito bobagem, ganhou um aliado: o marido – no caso, o avô da criança. Aquele homem brigou com a filha por esta ter disciplinado sua neta. Resultado? Confusão. Das grandes. E agora está todo mundo magoado.

Comportamento desastroso. Porém, muito comum. Não são raras os desencontros familiares por causa de netos. Muita gente fala que “vó estraga os netos”. Acho a constatação um tanto exagerada. Mas tem um fundo de verdade. Elas geralmente são mais tolerantes com as crianças. Já passaram pela fase de serem pais, arrependeram-se de determinadas atitudes que tiveram no passado e estão naquela fase de acharem tudo bonitinho.

Não há problema em ter mais paciência. Essa capacidade de entender algumas atitudes das crianças é dada pela experiência, pela capacidade de relevar pequenos gestos. Entretanto, alguns avós parecem se tornarem infantis na relação com os filhos. Ignoram que podem ser conselheiros, mas já não ocupam a função de educadores. Toda vez que interferem no processo de educação dos netos desconstroem os alicerces lançados pelos pais no dia a dia com seus filhos.

Vô e vó não são pais de seus netos. Quando uma mãe corrige a criança, ainda que esteja errada, os avós devem se silenciar. Do contrário, tiram a autoridade dela como educadora. Como disse, os pequenos são espertos. Eles sabem explorar as brechas deixadas no processo disciplinar. Recordo que meus filhos sempre foram mais atrevidos – e até hoje são – quando meus pais ou sogros estão por perto. A garotada percebe que, se aprontar, terá menos chance de ser corrigida.

Entendo como fundamental a participação dos avós da vida dos netos. São boas referências. Necessárias. Mas devem aprender a se silenciarem quando o assunto for disciplina. Um conselho aos filhos (agora, pais), num momento de diálogo – com calma e tranqüilidade – será bem-vindo. Nada mais que isto. Qualquer situação diferente desta, pode colocar em risco a formação das crianças.

A leitura revela a vida e nossas contradições

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Se sou apaixonado pelo universo das palavras, também amo a leitura. Uma não caminha sem a outra.

Ler é uma atividade prazerosa, mas desafiadora. Cansa, dá sono. Somos preguiçosos, talvez por isso pouca gente tenha tal hábito. É mais fácil ver televisão, por exemplo. Não exige esforço. Leitura implica ação, uma atitude ativa.

A leitura abre as portas do mundo. A vida se revela em toda sua beleza. É nisso que consiste o prazer. Saber mais, conhecer mais produz uma sensação indescritível. Claro, nos torna mais exigentes, seletivos, reflexivos.

Mas o que ler? Talvez a resposta mais prudente seria: bons livros. Contudo, esta é uma verdade parcial. Penso que não há leitura proibida. Há sim necessidade de um olhar crítico, capaz de discernir se há qualidade ou não no conteúdo proposto. Porém, em cada leitura existe a possibilidade da formação de um novo conhecimento – ainda que seja para aprender o que não vale o esforço de ser lido.

Enquanto escrevo este texto, tenho em mãos um exemplar da revista Claudia. Trata-se da edição do mês de junho. Já esteve comigo no estúdio pela manhã. Veio para a minha mesa agora à tarde. Várias pessoas já olharam, pegaram, folhearam. Ouvi alguns comentários, digamos, engraçados. Afinal, trata-se de uma publicação feminina. Um amigo brincou:

- É para te inspirar?

Sorri, respondi que sim. Afinal, a Mariana Ximenes está na capa e ela realmente é uma bela mulher.

Mas não estou com a Cláudia por causa da atriz – nem por causa das matérias sobre como combater a celulite ou das táticas de sedução da Luiza Brunet. Tem ali assuntos curiosos, importantes – inclusive para nós, homens. Acontece que, às vezes, nossos preconceitos nos cegam. Julgamos sem conhecer. Deixamos de experimentar por ser “coisa de mulher” ou por aquela desculpa “é auto-ajuda; não leio”. Outras vezes, em função de nossas crenças, convicções religiosas, colocamos um rótulo de “é pecado; não pode” e nos fechamos para o mundo.

Temos o direito de não gostar de determinadas coisas, rejeitá-las completamente. Não há problema nisso. Entretanto, ninguém pode fazer isso sem uma justificativa razoável. Se não gosta, por quê? Tem que haver um motivo. Quando afirma “não presta”, não presta por qual razão? Existem argumentos para isso? Talvez o gênero não agrade. Isso é compreensível. Porém, não dá para simplesmente negar-se a conhecer por que alguém falou que não era bom ou por um conceito formado fora de nós.

Experiências múltiplas de leitura contribuem para a formação de uma visão de mundo mais ampla. Quando olhamos sempre sob uma perspectiva, vemos tudo de forma estreita; por vezes, deformada. É necessário ir além. Não há limites para o conhecimento. O mundo não se escreve e nem pode ser pintado de uma única maneira. Os seres humanos são complexos. As relações que estabelecemos se firmam em gostos, valores e desejos muito individuais. Dispor-se a ler tudo e sobre tudo é se abrir para entender a vida. Esta não se resume ao que entendemos ser a única verdade. Somos contraditórios como contraditória é a terra dos humanos.

Os textos que lemos nos revelam fragmentos incontáveis da face dos homens. Por isso, quando nos dedicamos à leitura estamos nos dispondo a viver coisas novas, nem sempre imaginadas; por vezes, rejeitadas; quase sempre, reveladoras.

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