O que a Xuxa não disse

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O Brasil amanheceu comovido nesta segunda-feira. O depoimento de Xuxa ao Fantástico deu ao programa recorde de audiência e sensibilizou muita gente. Em qualquer página da web, encontramos algum tipo comentário sobre a entrevista. Claro, o assunto que mais tocou o público foi o fato de a apresentadora global ter sido vítima de abuso sexual na infância e na adolescência.

Semelhante a todos que gostam de Xuxa, ou têm o mínimo de humanidade, também fiquei triste pelo drama vivido pela ex-modelo. A violência sofrida, como ela admite, está gravada na memória e ainda a influência, atingindo principalmente sua autoestima.

Entretanto, não vou discutir o depoimento corajoso de Xuxa. Vou na contramão, como tenho me proposto a fazer por aqui.

Ressalto que, o que ela fez em rede nacional, foi um ato digno. Nunca precisaria se expor. Mas fez isso pelas causas que defende, pelo que acredita. E só isso já seria suficiente para aplaudi-la.

Xuxa não disse o que disse para aparecer. Talvez tenha sido um tanto ingênua (diria que foi), mas foi movida pelas coisas em que acredita.

Porém, entre a entrevista concedida e o que a apresentadora pretendia, penso, há uma grande distância. Basta olhar a repercussão.

Alguém viu alguma discussão sobre os problemas reais apontados por Xuxa?

Vamos relembrar:
- Quando criança e adolescente, Xuxa foi vítima de abuso sexual, e mais de uma vez;
- Os criminosos eram conhecidos da família;
- Ela não teve coragem de contar para os pais;
- Os pais não notaram o que estava acontecendo.

O que aconteceu com Xuxa há quase 40 anos é o mesmo que acontece todos os dias, silenciosamente, com centenas de crianças e adolescentes. Parece até haver um script. Criminosos e vítimas repetem esse lamentável roteiro: crime, intimidação, medo, silêncio e impunidade.

Por medo, Xuxa não denunciou. Por medo, crianças e adolescentes não denunciam. E o que acontece? Nada. O que o depoimento da apresentadora trouxe de novo? Apenas a admissão de que as vítimas são indefesas e, geralmente, nem os próprios acreditam nelas.

Ontem, no Fantástico, hoje, nas redes sociais, blogs e na imprensa, ninguém discutiu e nem está discutindo como romper com a lógica cruel desse tipo de crime. Xuxa não tinha por que mostrar o caminho para mudar esse cenário. Mas o Fantástico podia fazer isso. A imprensa poderia estar fazendo isso. No entanto, o que temos? Apenas o show, o espetáculo com o passado dramático da mulher mais famosa do Brasil.

A audiência do Fantástico bombou. Quem está reproduzindo, e até fazendo piada de outros temas levantados pela Xuxa, também está aproveitando-se do que impacto do que ela disse.

E o que mais dá para ver? Gente que diz:

- Coitadinha da Xuxa.
- Que triste isso, né?
- Tá explicado por que a Xuxa nunca casou.
- Que mulher de fibra é a Xuxa.
- Que coragem a Xuxa teve de admitir…

Para além disso, o que há? Nada.

Não sei se era o que a Xuxa desejava ao falar ao Fantástico. Não creio que ela esperasse que seus fãs sentissem pena dela. Acho que a apresentadora sonhou que sua declaração pudesse provocar comoção, mas que a violência, o abuso sexual contra crianças e adolescentes pudessem entrar na pauta cotidiana da sociedade.

Pelo menos por enquanto, não é este o efeito da entrevista. Até o momento, a declaração serviu para emocionar, fazer chorar, fazer rir. Lamentável. Reflexo de um país onde imprensa e sociedade ainda não parecem maduras para transformar dramas em busca de respostas, em soluções para os problemas que afligem não apenas alguns indivíduos, mas milhares de pessoas.

PS- Ainda há tempo para discutir de maneira séria o assunto. Não o crime contra a Xuxa, que ficou no passado. Mas o que fazer para pôr fim ao que acontece com outras tantas vítimas anônimas, diariamente.

CBN Maringá é finalista em dois prêmios nacionais

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Ao longo dos últimos anos, a CBN Maringá vem colecionando prêmios. Apesar de serem importantes, mais que comemorar os prêmios, festejamos cada vez que nossa equipe se torna finalista em alguma premiação importante. Afinal, não é nada fácil uma emissora de rádio do interior aparecer entre as maiores do país.

Na última semana, ficamos felizes com a notícia de que Luciana Peña e Everton Barbosa estão entre os finalistas de dois prêmios respeitados, o Sebrae e o CNI de Jornalismo.

No Sebrae, ao todo, 1.143 trabalhos de todo o país foram inscritos. No CNI, se inscreveram 323 trabalhos de 20 estados, mais o Distrito Federal. Para dar uma dimensão do que isso significa, vale dizer que a CBN “briga” pelo prêmio com o ESPN/Estadão e Rádio Bandeirantes de São Paulo. Não é pouca coisa, né?

Por tudo isso, sempre digo que me sinto honrado por fazer parte desta equipe. E, mais vez, cá estamos pra torcer pela Luciana e pelo Everton. Mas, independente dos resultados, eles já são vencedores.

Ouça as reportagens concorrentes:
CNI de Jornalismo
Sebrae

Millôr Fernandes: quase uma filosofia de vida

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Eu não tenho muita coisa a dizer. Faço parte de uma outra geração. Por aí, sabem muito mais dele do que eu. Cada texto que encontro sobre o Millôr mostra uma pessoa ainda mais incrível – do ponto de vista humano, cidadão, profissional.

Ou seja, falar que o escritor, dramaturgo, humorista, cartunista etc etc era alguém sensacional, não vai tornar meu texto significativo nesse universo de lembranças e homenagens a esse brasileiro, motivo de orgulho para nossa gente.

Então por que também falo dele aqui?

Porque um sujeito que tenha dito uma frase como esta merece, hoje, ocupar um espaço de destaque na “estante” de todos os jornalistas que valorizam a profissão e sabem do seu papel social. Veja:

- Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados

Não, não se trata de ser do contra. Não se trata de achar tudo ruim. No entanto, é preciso questionar, duvidar sempre. Devemos reconhecer o que é bem feito, mas nosso papel principal é cobrar, cobrar… Ocupamos uma posição privilegiada, pois estamos mais próximos dos fatos, dos acontecimentos. Portanto, se nos silenciarmos, qual será nosso valor?

É… Os últimos dias não estão bons. Perdemos o Chico… Agora é a vez do Millôr. Nossa geração terá ícones, referências tão ricas como eles foram para nós?

A Sandra sente falta de ser atriz. Do que sentimos falta?

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Gostei de ver a declaração da Sandra. É a expressão corajosa de uma jornalista bem sucedida, mas que teve que “congelar” o prazer de exercer outra atividade, que também lhe dava prazer.

Fiquei pensando: do que sentimos falta? Não, não estou falando daquela pessoa. De um amor, de um certo alguém… Falo de coisas que, por escolhas ou circunstâncias, deixamos de fazer.

A jornalista sente falta de ser atriz.

Até semanas atrás, eu sentia falta de ser repórter. Do contato direto com as fontes, com a notícia. Felizmente, estou conseguindo conciliar as duas – ser repórter e ser âncora.

Entretanto, ainda alimento outras vontades… Também estão aqui “congeladas”, como disse a Sandra. Fazem falta as grandes reportagens, os textos mais elaborados.

Mas sei que não dá para fazer tudo. É impossível. Alguns prazeres precisam ser sublimados. Do contrário, fica um vazio no peito que incomoda e rouba a alegria de viver.

Este é o segredo: sublimar as ausências, reconhecendo que não podemos dar conta de tudo.

Dias atrás ainda falava sobre pessoas que estão num lugar, mas com a cabeça noutro lugar. Gente que abre mão de viver, pois não curte o que tem.

Acho que todo mundo sente falta de alguma coisa. Algo já vivido, já experimentado, mas que perdeu-se no passado, ficou apenas nas lembranças.

Tenho comigo a certeza que, se ficou mal resolvido, incomoda demais e está te impedindo de seguir adiante, tem que começar tudo de novo. Se foi resultado de uma escolha ou não dá para voltar atrás, é preciso olhar pro futuro e investir nele.

Para a Sandra, faz falta atuar. Mas isso não a impede de ser feliz fazendo o que faz. Este é o jeito certo de viver: aproveitar o que construímos e só espiar o passado para relembrar o que teve de bom.

Mudanças na CBN Maringá

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Carlos Emori e Carina Bernardino

Escrevo este post enquanto preparo a abertura do CBN Maringá desta quarta-feira. Há pouco, tirei o nome de Carina Bernardino da ficha técnica. E tiro não por causa de uma ausência momentânea – férias, folga, troca de horário… Depois de um ano e dois meses, a jornalista deixa de figurar na abertura como produtora do jornal. É definitivo. Ela será substituída por Carlos Emori.

Murilo Battisti, no ano passado, quando recebeu o prêmio Top Etanol

Carina não está deixando a CBN. Ela vai para a reportagem. A partir da próxima segunda-feira, devo ler o nome dela ao lado de Luciana Peña. Será nossa nova repórter. Vai ocupar o lugar de Murilo Battisti. Este sim está se desligando da emissora. Vai para o Canadá. E não é por causa da Luiza, né?

São novos ares. Para todos nós. Boa sorte, Carina. Você é capaz. O rabugento aqui vai sentir falta de você falando sem parar. Seja bem vindo, Emori. Creio que faremos uma boa dupla. Estou otimista. Quanto ao Murilo, sentiremos saudade. Você fará falta, caríssimo. Que a temporada no Canadá represente crescimento e garanta a realização de seus sonhos.

PS- O Murilo se despede da equipe local da CBN no próximo fim de semana. Ainda contaremos com suas reportagens ao longo desta semana.

Época, “ai se eu te pego”

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Deu o que falar a capa da última Época. Michel Teló na primeira página de uma das principais revistas do país incomodou muita gente. Um seguidor do meu twitter chegou a dizer que a capa o fez desistir de assinar a publicação.

Quem não gosta do sertanejo e seu “ai, se eu te pego” ficou indignado com o fato de a reportagem classificar o sucesso de Michel como reflexo ou tradução da cultura popular brasileira.

Diante da polêmica, uma amiga me mandou a sugestão: “escreve sobre isso, Ronaldo”. Ela sabe que o rabugento aqui adora discutir questões polêmicas. Porém, optei por esperar a Época disponibilizar integralmente o conteúdo na internet. Não iria comprar a revista. Nem encontrei alguém com a edição para me emprestar. E falar sem ver a reportagem seria uma agressão a todos os valores que defendo: só tratar de um assunto quando temos argumentos minimamente coerentes. Cair no lugar comum não contribui, não produz reflexão.

É verdade que ninguém está muito a fim de parar, pensar… refletir. O negócio é sair despejando bobagens. Quando propomos a necessidade de ver a história sob um outro prisma ainda corremos o risco de não sermos entendidos. E isso não significa que estou aqui para produzir uma verdade. Apenas apresentar uma opinião.

Mas… vamos em frente.

O que dizer do Teló na capa da primeira Época de 2012? Perfeito. Qual o problema? Vamos deixar de ser hipócritas, puritanos, conservadores, intelectualistas. É só uma capa. Por que a revista não pode estampar o cara que estourou no mundo da música em 2011? Por que a música dele é vazia, pobre? Vazios e pobres somos nós que consumimos esse tipo de coisa. O Michel Teló e sua música fazem sucesso porque nós gostamos, ouvimos, compramos – ou baixamos – seus CD’s e ainda damos audiência aos programas em que se apresenta.

Não estou questionando o talento do sertanejo. Se o público fosse outro, talvez ele interpretasse outras músicas. Afinal, como a própria reportagem da Época mostra, Teló colocou “Ai, se eu te pego” no último disco porque percebeu, ao ouvir uma moça de sua equipe cantarolando “nossa, nossa, assim você me mata”, que era a música que faltava para “grudar” no ouvido das pessoas. Ou seja, está provado que tem exata percepção do que o povo quer ouvir. Isso se chama sintonia. Ele só está cantando o que as pessoas querem. No mundo da indústria cultural, mantém-se no topo – faz sucesso – quem produz o tipo de “arte” que o público deseja.

Voltando para a revista… A Época, como toda imprensa, é um veículo de comunicação de massa (massa, ok?). É, antes de tudo, uma empresa. E empresas sobrevivem do lucro. O lucro é garantido – semelhante ao sucesso do artista – pelo público (quem consome a revista, jornal, programa de tevê etc). Se o Michel Teló é o nome mais badalado do momento, por que não pode estar na capa?

Alguém aí acha que as férias da Dilma renderiam capa? Vamos deixar de ser ingênuos. Está todo mundo em clima de festa. Férias, minha gente! Uma capa séria, respeitável – como alguns gostariam – passaria batido. Ninguém comentaria.

Por sinal, diga-me… E com toda sinceridade do mundo:

- Qual foi a última capa da Época que você ouviu as pessoas comentando?

Eu não lembro. E olha que gosto da revista. Não recordo nem qual foi a da última semana (teria que olhar no site).

Ao publicar o Michel Teló, a Editora Globo acertou. Criou o maior buchicho. Era tudo que a revista precisava. Começar o ano com uma bela polêmica (alguém aí ouviu falar da capa da Veja esta semana?). Os meios de comunicação sobrevivem do “barulho” que fazem. Precisam ser lembrados, estar na boca do povo.

Você pode até dizer:

- Mas não combina com uma revista elitizada.

Talvez, eu respondo. Meses atrás, a Veja trouxe uma pesquisa mostrando que esse tipo de música feito por gente como o Teló agrada todos os públicos. Inclusive os das classes A e B.

Ah… detalhe, a Época fez jornalismo. Uma reportagem perfil. Não rompeu com a ética, com nenhum valor da profissão. Revistas semanais também trazem entretenimento.

Eu não gosto da música dele. Quem sabe, você também. Os jornalista que escreveram a reportagem não precisam gostar. Entretanto, não é motivo suficiente para deixar de ousar numa edição de janeiro da revista – quando não tem nada muito significativo acontecendo e o próprio leitor está a fim de amenidades.

E, por fim, a última crítica que li/ouvi… O fato de a revista sustentar que Michel Teló traduz a cultura popular. Vamos lembrar o que é cultura? Cultura é o conjunto de valores de um povo. Cultura não é ser culto. O que somos, o que gostamos, nossas preferências revelam qual é a nossa cultura.

Partindo desse pressuposto, responda-me:

- A letra de “Ai, se eu te pego” não traduz os valores atuais?

Sexo, sexo, sexo. Todo mundo anda louco para “pegar” alguém. Baladas, agito, diversão… é o que todo mundo deseja. E, no caso do sertanejo, ele traduz tudo isso de maneira divertida. É picante, mas não é vulgar. Também combina um estilo (estética, moda) jovem, despojado, alegre… A cara de um Brasil que, embora não seja de todos nós, é sim da maioria.

A piadinha do Evaristo Costa: “você gosta de mamão?”. Eu prefiro jornalismo

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A piadinha sem graça do Evaristo Costa fez o jornalista, o Jornal Hoje e a Sandra Annenberg figurarem no trending topic do Twitter. Se o objetivo era “dar o que falar”, a brincadeira foi perfeita. Evaristo e Sandra riram bastante da bobagem (mamão, mão…). E agora está todo mundo gastando tempo para discutir o assunto. Inclusive eu.

Numa segunda-feira vazia como esta – com pautas fracas -, o “casal” do JH “esquentou” o jornal. Porém, esvaziou o bom senso.

Concordo que o jornalismo passa por mudanças. E a principal delas é a ruptura com aquele ar sisudo que predominou durante anos. Brincar, rir fazem parte dessa nova forma de contar os fatos.

Nesse sentido, o Jornal Hoje tem servido de laboratório. A Globo busca para suas bancadas profissionais que estejam cada vez mais à vontade no comando dos telejornais. A aposta em Patrícia Poeta para o Jornal Nacional reforça essa tese.

Ainda assim, há diferença entre dar as notícias de maneira informal e o que Evaristo fez hoje na bancada do JH. A brincadeira, que é já é sem graça por natureza, não acrescentou nada ao jornal nem à reportagem que foi exibida na sequência. Foi mau gosto. Reflexo da pouca habilidade que muitos de nós, jornalistas, têm para lidar com o improviso e, em especial, com o humor.

Não dá para saber qual a reação da cúpula global ao ocorrido. É certo que, na tentativa de deixar os telejornais mais leves, outros equívocos – ou erros – serão cometidos. Contudo, penso que as brincadeiras precisam ter um propósito. E embora o público esteja habituado com banalidades, é dever do jornalismo garantir o mínimo de qualidade às informações. Que tenhamos risos, mas que o humor seja inteligente.

É necessário lembrar que ainda fazemos jornalismo. Entretenimento encontramos noutros programas. E com gente especializada nisso.

A morte de Daniel Piza

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Não gosto de falar de morte. Nem pretendia fazer o meu primeiro post deste ano falando sobre alguém que deixou a vida. Entretanto, a primeira coisa que li quando cheguei em casa há pouco foi sobre a morte do jornalista Daniel Piza.

Muita gente que frequenta este espaço nunca deve ter ouvido falar dele. Pelo menos, não por aqui.

Minha admiração pelo jornalista e escritor era silenciosa. Eu o acompanha a distância. Vez ou outra, passava por seu blog.

Conheci Daniel Piza quando esteve em Maringá anos atrás numa Semana de Comunicação organizada pela Faculdade Maringá. Ele era “o cara” do jornalismo cultural. Ao ouvir sua palestra fiquei boquiaberto. Pensava: como alguém pode saber tanto de literatura e ter lido tantos livros?

O jornalista era jovem. Morreu aos 41 anos, vítima de um AVC. Foi na sexta-feira.

Ler sobre o fato me deixou tonto. Passou um filme da minha vida. Afinal, nossa diferença de idade é de apenas cinco anos. E é assustador saber que alguém que você admira morreu tão cedo, deixando filhos ainda pequenos. Surpreende e dá medo.

O que conforta, no caso de Daniel Piza, é saber que, embora tenha tido a vida interrompida com apenas 41 anos, o jornalista e escritor deixou uma vasta produção. Ou seja, ele fez a vida tornar-se significativa. E se nossos dias são importantes pelo que fazemos deles, Piza soube tornar o tempo que passou por aqui bastante relevante.

Globo deve substituir Fátima por Renata Vasconcelos

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Eu gostei da ideia. Não assisto o Jornal Nacional. Porém, ter a Renata Vasconcelos no lugar de Fátima Bernardes me parece uma decisão acertada da Globo. Talvez até veja vez ou outra o JN só para acompanhar o desempenho da Renata. Acho a jornalista uma simpatia. Além de grande profissional. 

Embora ainda não tenha sido confirmado pela emissora, a Folha diz que Fátima Bernardes deixará a bancada do principal telejornal. Deve ganhar um programa matinal. 

Estava na hora. Fátima tem perfil para comandar um programa dela. Deve enriquecer as manhãs da Globo. E reconhece que a profissional tem uma imagem que hoje independe do JN. 

Só vai ser estranho ver o tio Bonner sem a Fátima… 

Atualizado- Patrícia Poeta é outro nome forte para o lugar de Fátima. No Estadão, já é dada como a substituta.

Atualizado (2) – Pois é, a Globo confirmou Patrícia Poeta. E Renata Ceribelli como nova titular do Fantástico. Lamento a escolha da emissora. Embora a Patrícia esteja muito bem no dominical, preferia a apresentadora do Bom Dia Brasil.

Que deselegante…

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Só há pouco vi o vídeo que mostra a repórter Monalisa Perrone sendo atacada quando entrava ao vivo no Jornal Hoje. Ele falava da saúde do ex-presidente Lula. A jornalista foi empurrada, caiu, machucou o joelho. Felizmente, o pessoal técnico foi rápido e cortou o “protesto” do sujeito. No estúdio, Sandra Annhenberg resumiu: “que deselegante”.

Claro, o termo usado pela âncora do JH virou piada no twitter. Não poderia ser diferente. Gente vazia faz piada de tudo. Até da desgraça alheia.

A discussão feita pelo público na rede social acaba esvaziada pela ausência de critérios e por uma subjetividade construída com base nas imbecilidades televisivas de programas que tornam o humor acrítico referência de qualidade.

O “que deselegante” da Sandra está entre os assuntos mais comentados do twitter.

Sinceramente, quando vi o vídeo, abri o microblog para ver o que as pessoas estavam falando. O inocente aqui achou que encontraria uma discussão bem humorada sobre o tema, mas com o mínimo de responsabilidade e criticidade. Não foi o que vi. Todo mundo brinca com a frase da âncora e pouca gente lembra da repórter machucada, do agressor sem causa e do que isso representa para o Jornalismo (Já imaginou se a moda pega? Lembram da dancinha do “Pânico”?).

Defendo a necessidade de uma sociedade ativa, capaz de se mobilizar – ainda que em atos individuais. Mas empurrar uma jornalista e sair berrando para uma câmera parece-me insensatez. Um ato nulo.

Por outro lado, que graça tem fazer piada da falta de uma frase mais adequada para classificar a agressão? A Sandra e o Evaristo foram surpreendidos pela atitude do jovem tanto quanto a repórter e os telespectadores. Penso que a Sandra saiu-se muito bem. Teve presença de espírito e conseguiu, ao lado do colega de bancada, dar continuidade ao jornal.

Poderia ter dito outra coisa? Sim. Mas alguém pensou em alguma coisa equilibrada e “padrão Globo” para sair-se de uma situação como esta?

Eu gostei do “que deselegante”.

Deselegantes somos nós quando rimos de tudo – até do que não tem graça nenhuma.

Brasileiros: não somos otimistas; somos alienados

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A Época desta semana traz o título:

- Brasil, o país do otimismo

Gostei da capa. Verdinha. Uma espécie de bandeira do Brasil estilizada. Tem até uma carinha sorridente.

A reportagem é baseada numa pesquisa que trata das expectativas das pessoas com o país. Ainda não li a matéria. Optei por escrever antes de ler. Afinal, minha proposta não é discutir a reportagem e nem o estudo. Quero apenas “pensar alto” sobre o que entendo a respeito de nosso otimismo.

Cá com meus botões, tenho impressão que o brasileiro não é otimista; é alienado. Nosso povo está “se lixando” para o país. Quer mesmo é levar a sua vida, cuidar de si mesmo. O negócio é garantir “o meu”.

Dane-se se o Orlando Silva é corrupto. Político é assim mesmo. Todo político é corrupto. O que importa é que estou empregado, ganho meu dinheiro, faço meu churrasco nos fins de semana, saio com os amigos, tomo minha cerveja…

Não é mais ou menos assim que somos?

Importa é que as coisas dêem certo para nós.

Até queremos um país desenvolvido, rico, uma potência mundial. Porém, não queremos nos envolver. Envolvimento dá trabalho. Requer esforço, comprometimento e espírito coletivo.

Vivemos sob a crença de que assistir os telejornais, ver uma ou outra notícia na internet já nos torna cidadãos.

Preferimos simplificar as coisas. Não queremos entendê-las.

Se tem buraco na rua, a culpa é do prefeito. Se faltam médicos nos postos de saúde, idem. Se o pedágio sobe, o problema é do governador. Se os aeroportos estão lotados, a presidente é incompetente.

O resumo simplista do problema pode até trazer uma parte da verdade. No entanto, não é só uma questão de culpa ou responsabilidade. As coisas vão além disso. E lamentavelmente, passam pelos nossos valores. Porque se as ruas pelas quais trafego estivessem devidamente asfaltadas e bem cuidadas, não estaria nenhum pouco preocupado com as centenas de pessoas que vivem em moradias de risco. O vereador é safado, mas se for meu amigo/conhecido e conseguir um emprego para o meu filho, estou feliz da vida.

Nosso otimismo cego faz cerca de 90% dos pais brasileiros acreditarem que as escolas de seus filhos são boas. É o que revelou uma pesquisa recente publicada na Veja. Para eles, importa ter um lugar para deixar a molecada enquanto trabalham. Escola é abrigo e espaço para ensinar a ler, escrever e garantir um diploma a fim de ter um bom emprego e ganhar muito dinheiro.

Por isso, não gosto desse otimismo. Temos sim que acreditar no país. Mas entender que o Brasil é feito por pessoas. E nossa alienação pouco colabora. Continuamos guiados pelos Sarney’s da vida, Maluf’s etc etc. Sintoma claro de que otimismo sem ação e uso da razão e do conhecimento são pouco producentes.

Jornalista pode torcer para a Seleção Brasileira?

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A pergunta não é minha. É do jornalista Renan Justi. O texto dele está no Comunique-se.

Trago a discussão para meu blog não com o objetivo de falar da posição do jornalista brasileiro diante da seleção. Quero pensar além da seleção; além do futebol.

Jornalista é uma pessoa como outra qualquer. Não adianta imaginá-lo distante dos fatos. Ele se envolve. Sente.

Por isso, pedir que um jornalista não seja um torcedor é ignorar que todos temos emoções. Vale o mesmo diante de um acontecimento político, por exemplo. Ou uma catástrofe natural.

O que diferencia – ou pelo menos deveria diferenciar – um profissional da comunicação do público em geral é sua capacidade de manter um olhar distanciado a ponto de ver acertos e erros. Mais que isso, um jornalista precisa perceber qual o seu envolvimento com o fato e até que ponto suas emoções podem ou não impedi-lo de fazer uma abordagem responsável.

No caso da seleção, o profissional pode ser torcedor, mas não deve permitir que os acertos da equipe em campo o impeçam de ver a sujeira dos bastidores do futebol; na política, pode ser eleitor do José Serra, mas não deve deixar de notar os avanços obtidos com o governo Dilma/Lula. O inverso também é verdadeiro.

Entretanto, o jornalista só dá conta disso quando reconhece sua importância social. Não é seu papel aplaudir. Ele é o mediador entre o fato e o público. Se permitir que suas emoções interferirem na sua capacidade de apresentar a notícia ao público, necessita repensar se está no lugar certo, fazendo a coisa certa.

A “morte” de Amin Khader: qual a responsabilidade da imprensa?

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Uma das discussões que faço com meus alunos na disciplina de Leitura Crítica da Mídia é sobre o comportamento da imprensa em relação aos seus próprios erros. Um autor que uso como referência para tratar do assunto, Patrick Charaudeau, diz que a mídia não é autocrítica. Ela transfere os erros para os outros, para as circunstâncias; nunca se auto-avalia, nem tenta analisar qual sua responsabilidade no processo.

Estava pensando nisso ao ver na manhã desta quarta-feira o desdobramento envolvendo a falsa notícia de que o promoter Amin Khader teria morrido. O foco está em quem inventou a história. Nenhum veículo de comunicação assumiu ou vai assumir que esqueceu de algo básico: ligar para o telefone do “morto”, para algum empregado ou para alguém que morasse com Amin. E mais: se ele estava morto, o corpo deveria estar em algum lugar. Então por que não checar esse detalhe tão básico a fim de confirmar a morte?

Ninguém fez isso. O fato de um amigo(?) ter noticiado a morte foi suficiente para compartilhar com o público. Era preciso ser rápido. O mais rápido possível devido a relevância(?) e urgência(?) do assunto.

Se foi o David Brazil ou o próprio Amin que inventou a história, pouco importa. Quer dizer, importa. A gente pode discutir o caráter das pessoas, a necessidade de aparecer, a falta de bom senso… coisas do tipo. Mas importa ainda mais refletir sobre o jeito de se produzir e dar notícias.

Não tem graça alguma informar e desmentir depois. Perde-se tempo demais com bobagens. É a espetacularização da ausência, do vazio, do não existente. E o público embarca. O que é relevante fica silenciado, ou em segundo plano, pois a novela de uma falsa morte torna-se mais importante que qualquer outro fato.

Convenhamos, está na hora de virar a página. E a mídia (na pessoa inclusive de jornalistas, apresentadores e outros profissionais) de reconhecer que também é responsável por situações como essa. Quem deu eco a mentira foram os veículos de comunicação e os apressados de plantão que, inocentes ou tolos, preferiram a farsa a gastar tempo em busca da verdade.

As revistas da semana

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VEJA: – A liberdade sob ataque. A edição desta semana destaca que os reflexos da sucessão de escândalos que fizeram a lama subir até o gabinete mais próximo da Presidência da República e derrubaram até agora sete servidores fizeram-se sentir pela primeira vez nas pesquisas eleitorais divulgadas na semana passada (…). A queda provocou uma violenta reação do governo. Não contra os acusados de malfeitorias e corrupção na Casa Civil, de onde emanaram os episódios mais cabeludos, mas contra quem os denunciou. Em uma série de comícios e entrevistas, o presidente Lula dedicou a semana a desferir ataques contra a imprensa com uma virulência inédita. Ainda na edição da Veja, uma reportagem especial sobre a química que comanda os sentimentos e a estréia no cinema de Comer Rezar Amar, com Julia Roberts.

ÉPOCA: – Tiririca. A cara do novo Congresso. Uma pesquisa inédita explica o sucesso de candidatos despreparados – como o comediante que, apesar do rumor de ser analfabeto, pode se tornar o deputado mais votado do país. Petrobras, o impacto da maior oferta de ações da história no futuro do Brasil. Um filme sobre a história do Facebook mostra episódios que seu fundador, Mark Zuckerberg, preferia que ninguém soubesse.

ISTO É: – O avanço da onda vermelha. De cima a baixo no País, o eleitor apoia a continuidade e tende a garantir uma quase inédita maioria governista no Congresso. A vida debaixo da terra. Os mineiros presos no Chile estão lidando de forma serena e cooperativa com a longa espera pelo resgate. É a prova de que tragédias são capazes de fazer seres humanos ultrapassarem os próprios limites. Bons de bola, ruins de escola. Levantamento mostra que clubes são omissos em relação à educação de atletas mirins.

CARTA CAPITAL: – Eles ainda sonham com a marcha. Em desespero, a oposição tenta evocar fantasmas do passado, alimentada pela mídia. IBGE registra menor taxa de desemprego em oito anos. Renda média mensal também bate recorde. O STF e a Ficha Limpa: em caso de empate, vale o voto pró-sociedade. Terminou empatada a votação no STF. O que fazer? A sociedade desempata, simples assim.

JB online: vale a pena pagar pela informação?

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Começa hoje uma nova fase para o Jornal do Brasil. Ontem, circulou a última edição impressa desse importante jornal na história do país. Hoje, recebi o convite para me tornar assinante da versão online. O custo é relativamente baixo: R$ 9,90. Mas, cá com meus botões, não consigo apostar que a iniciativa terá sucesso. O que o JB terá de diferente para fazer valer pagar para ter acesso a versão online?

O jogo que aprendi

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Pode parecer distante para aqueles que não conhecem, mas a verdade é que está tão próximo de nós que acabamos por não perceber. Falo do Jornalismo. Quando entrei na faculdade, um ano de experiências, momento em que eu estava ali para conhecer, descobrir. Hoje, não muito longe desse primeiro ano, me encontro no segundo ano do curso, e como já vejo diferença.

Era difícil entender uma profissão que muito vemos, mas tão pouco entendemos. Aí armei uma jogada e dela estou aprendendo a jogar. Comecei aplicar o que aprendo no jornalismo em minha vida. Descobri que, como os repórteres são pautados pela manhã, do que eles precisam fazer em sua jornada de trabalho, também, nos deparamos com a pauta da vida. Todos os dias em qualquer profissão que seja já temos pré-determinado o que temos que cumprir durante o dia.

É só uma questão de reflexão, para entendermos que a vida é fruto do que desejamos pra nós mesmos. Em qualquer área profissional, temos nossas obrigações a serem cumpridas. Creio eu, que mais que qualquer outra coisa a profissão é quem determina nossa felicidade. Se tivermos sucesso profissional, somos capazes de fazer com que nossa alegria se espalhe pelo resto de nossa vida pessoal.

No jornalismo encontrei uma satisfação que antes provocava o vazio. E a pergunta me indagava: “O que eu quero ser?”. Hoje, a palavra que me cabe a este momento é feliz, em que começo a construir uma profissional que quero ser.

Experiências de educação e aprendizagem

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Esta semana tive bons momentos ao lado meus alunos. Fiquei feliz demais com o envolvimento deles em algumas atividades.

Na noite de segunda-feira, minha turma do segundo ano, da disciplina de Estética da Comunicação, apresentou projetos de “arte e educação”. Foi emocionante. Trouxeram exemplos em vídeo, fotos, reportagens de como a arte pode ser transformadora. Foi um aprendizado e tanto para todos. Afinal, quando trazemos o pensamento teórico para sala de aula sempre fica aquela impressão de que entre a teoria e a realidade concreta existe um abismo. Quando saíram da sala, conseguiram provar muito daquilo que apresentamos em nossas aulas. Notei o quanto o olhar deles mudou a respeito da arte e de sua função social e educativa.

E ontem tive uma experiência ainda mais animadora ao lado de meus alunos do terceiro ano. Assumi o desafio de trabalhar com os futuros jornalistas a disciplina de Comunicação Digital e Internet. Temos vivido muita coisa interessante. As novas ferramentas tecnológicas possibilitam um universo novo, incrível. Temos discutido isso, mas colocar em prática nem sempre é tão simples dentro de uma sala de aula.

Acadêmico faz cobertura da palestra pelo Twitter

Por isso, aproveitamos uma palestra na Faculdade América do Sul para testar algumas ferramentas. Saí de lá muito feliz. Vi meus alunos se envolverem completamente. Melhor, curtiram o que estavam fazendo. Estava no olhar deles. Fizemos streaming do evento (transmissão ao vivo pela internet), brincamos no Twitter, fotografamos tudo e as imagens foram para a rede em tempo real, fizemos matérias em vídeo e em áudio… Enfim, utilizamos muitas das possibilidades que a internet nos oferece.

Criamos um “tumulto” bom durante a palestra. Todo o grupo participou e a experiência foi melhor que tudo que já vivenciamos em sala.

Antes de deixar o local, tive que chamar meus alunos e ressaltar a felicidade de vê-los tão envolvidos. Senti mais uma vez que educar é possível. Mas é preciso ousar, arriscar. Permitir-se errar é um caminho que deve ser trilhado pelo educador que sonha promover a aprendizagem.

Só diplomados são jornalistas profissionais

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Não sabia desta… Desde a decisão do Supremo, quem não tem diploma consegue o registro como jornalista. Porém, os não diplomados recebem o título de “Jornalista/decisão STF”. Apenas os que concluíram o curso são identificados como “jornalista profissional”.

Reflexo do fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo

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Como era previsto, a decisão do Supremo está afetando as faculdades de Jornalismo. Uma reportagem do Comunique-se revela que, das 17 universidades federais, em 14 delas houve uma queda na procura pela graduação na área.

Mas há um entendimento comum: o reflexo será momentâneo. O público que deseja exercer a atividade jornalística não identificará noutros cursos a formação necessária para esse mercado profissional. E nem as empresas vão absorver gente desqualificada. Ou seja, as faculdades continuarão relevantes.

A edição no nosso cotidiano jornalístico

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Não aprecio fazer edição de entrevistas. Não tem nada a ver com o fato de ser cansativo. Minha relação com a fala do outro é de angústia. É o pensamento do outro expresso através de palavras. Cortar uma frase daqui, tirar outra dali parece uma agressão ao entrevistado. Pode interferir na produção de sentidos.

Por isso, o sofrimento é grande quando o convidado fala mais que o tempo que disponho para cada bloco da entrevista. Meu lema é gravar dentro de um limite que encaixe na programação. Às vezes, escapa. Aí entra o segundo desafio: convencer o pessoal da produção e da técnica a usar o programa sem cortes. Dá trabalho, mas aqui na CBN o pessoal é de uma gentileza sem igual. Quase sempre chegamos a um acordo.

Em último caso, tiro os exageros das minhas perguntas, um argumento aqui e ali e, se necessário, uma pergunta e a resposta inteiras. É melhor que cortar uma fala do entrevistado que possa prejudicar o sentido desejado quando expunha suas ideias.

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