Não, não é culpa do preço

Muita gente fala do preço do transporte coletivo. Principalmente em Maringá. Às vezes, transfere-se para a tarifa a “culpa” por não se usar ônibus. Afinal, o cidadão prefere o carro, a moto.

Esta semana, ouvi esse argumento de novo na Câmara de Vereadores. Uma parlamentar subiu na tribuna e sustentou que faltam vagas de estacionamento, que o fluxo no tráfego de veículos está comprometido porque as pessoas acham caro usar o transporte coletivo.

O argumento é pequeno, raso. Não revela a complexidade do problema. Não trata de todas as variáveis.

Eu discordo desse tipo de justificativa. Eu não deixaria o carro em casa mesmo que a passagem custasse R$ 1,00. E não é porque tenho dinheiro de sobra. É porque o transporte coletivo é ruim e não responde as minhas expectativas – e da maioria das pessoas.

Apesar da dificuldade para estacionar, para transitar nos horários de rush, ainda assim vale a pena tirar o automóvel da garagem.

Os ônibus estão sempre lotados. É desconfortável. E, em Maringá, brigar por espaço com a molecadinha beneficiada pelo passe do estudante não é nenhum pouco divertido. Vale acrescentar o fato de serem desrespeitosos, baderneiros…

Alguém aí acha que uma mulher, produzida para um dia de trabalho, sente-se bem naquele aperto todo, sem saber se o toque no bumbum é um esbarrão ou sacanagem de algum sujeito?

Tem ainda a espera no ponto. Na maioria dos bairros, mesmo no horário de ir pro trabalho, só passa um ônibus a cada meia hora (e nos fins de semana???). É preciso se adaptar ao ritmo do transporte coletivo. O atendimento não é personalizado. Sem contar que nem sempre tem um ponto perto de casa ou do trabalho.

E quando é preciso pegar mais de um ônibus? O sistema de integração é péssimo.
Ah… sem contar a demora na viagem. Dependendo onde a pessoa está e pra onde vai, pode-se gastar uma hora pra chegar.

Reduzir o preço da passagem não muda isso.

O cidadão só vai usar o transporte coletivo quando essas demandas forem solucionadas – preço, conforto, agilidade. E ainda assim nunca o ônibus será mais interessante que o veículo próprio. Por isso, há uma outra questão a se considerar: o desestímulo ao uso do carro. De que jeito? Pedágio urbano, eliminação de vagas de estacionamento, cobrança pelas vagas de estacionamento etc.

E tem mais: garantir formas alternativas de transporte. Valorização e respeito aos pedestres; implantação de ciclovias, ciclofaixas, espaços adequados para guardar as bicicletas, integração das bicicletas com o transporte coletivo, banheiros e vestiários nas empresas para banhos etc etc.

Este é o caminho. Infelizmente, nem tudo se resume a uma tarifa – que, no caso do transporte coletivo, nem é pago totalmente pelo trabalhador; é custeado parcialmente (ou totalmente) pelo empregador.

O BBB do transporte coletivo

A Câmara de Maringá aprovou a instalação de câmeras de vídeo nos ônibus do transporte coletivo. O projeto nasceu no próprio Legislativo. E por demanda dos motoristas, preocupados com o aumento dos assaltos.

Em Maringá, meses atrás, a prefeitura licitou o serviço de transporte coletivo. Porém, não previu a instalação das câmeras. Poderia, mas não fez. Sabe-se lá por quê.

Os equipamentos são fundamentais. Podem não impedir completamente a ação dos bandidos, mas vão representar uma ferramenta a mais para combater os crimes ocorridos no interior nos ônibus. Trata-se de uma estratégia já adotada em várias cidades.

Claro, as câmeras devem representar um ônus para o próprio usuário. A empresa certamente vai repassar os custos para a planilha. Uma atitude lamentável. Afinal, tudo leva a crer que há “gordura” na planilha de custos da TCCC – Transporte Coletivo Cidade Canção. Contudo, em Maringá, a lógica da empresa nunca foi muito favorável ao passageiro. Ainda assim, as câmeras são necessárias. Por isso, vamos aguardar as reações do Executivo, que precisa sancionar o projeto, e da própria empresa, que ficará responsável pela instalação e monitoramento das imagens.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – É definitivo: prefeitura tem de licitar transporte
A Câmara de Maringá foi notificada que a lei que autorizou a prorrogação do contrato com a TCCC é inconstitucional. A prefeitura garante que serviços não serão interrompidos e informa que já prepara licitação para definir o futuro do transporte coletivo.

HOJE NOTÍCIAS: – Maringá ‘estoura’ meta e vacina mais que estipulado pelo MS
Maringá deve estourar a previsão e vacinar, contra a gripe A, cerca de 20 mil pessoas a mais que os 157.649 previstos pelo Ministério da Saúde para serem imunizados na cidade. Até agora, a Secretaria Municipal de Saúde já imunizou 115 mil e ainda falta concluir a vacinação no grupo de 20 a 29 anos, idosos portadores de doenças crônicas e pessoas de 30 a 39 anos.

JORNAL DO POVO: Festa da Canção começa hoje no Centro
Tem início hoje mais uma edição da Festa da Canção. O evento reúne atrações musicais e culturais, barracas gastronômicas e feira de artesanato. A festa é uma opção de lazer para a família neste final de semana. Durante dez dias 14 entidades assistenciais oferecerão ao público pratos diferenciados todas as noites.

As manchetes dos jornais de Maringá

- Maus hábitos fazem subir casos de câncer
O Diário destaca que, no ano passado, 341 maringaenses morreram da doença. Os casos que mais aumentam estão diretamente ligados à alimentação inadequada, uso de álcool e cigarro. Reportagem revela que o número de casos de câncer pode aumentar em até 50%.

- Contratos com a Sanepar e TCCC serão discutidos neste ano
A manchete do Hoje Notícias trata da retomada dos trabalhos da Câmara de Maringá e os principais temas que serão debatidos neste ano. Ontem, o prefeito Silvio Barros destacou que o contrato com a Sanepar vence este ano. Também lembrou que a prefeitura, por determinação judicial, terá de licitar o serviço de transporte coletivo.

- Saúde alerta para rápido crescimento de casos de dengue
O Jornal do Povo fala da quantidade de casos de dengue em Maringá. Até ontem, a Secretaria de Saúde já havia notificado mais de 200 casos, com 45 confirmados – 16 a mais que o registrado na última sexta-feira. Reportagem ainda revela que o Hospital Municipal será responsável por fazer o pronto atendimento da população, vítima da doença.

As manchetes do dia

- O contrato secreto da Sanepar
O jornal O Diário destaca o contrato da prefeitura de Maringá com a empresa de saneamento do Paraná. Uma reportagem revela como o ex-prefeito Said Ferreira prorrogou, em 1996, a concessão dos serviços de água e esgoto por mais 30 anos, sem a autorização da Câmara de Vereadores. Se for válido, o contrato com a companhia vence em 2040.

- Hoje Notícias: até o momento, não recebemos a edição desta quinta-feira.

- Transporte coletivo perde 230 mil usuários
A manchete do Jornal do Povo fala do número de passageiros do transporte coletivo em Maringá. O gerente transportes coletivos da Secretaria dos Transportes (Setran), Mauro Menegazzo, aponta que, nos quatro primeiros meses deste ano, 7.490 milhões utilizaram o transporte coletivo contra 7.721 milhões no mesmo período do ano passado, representando 230 mil pagantes a menos em 2009, ou seja, 58 mil usuários por mês. A Setran pretende realizar um estudo para avaliar o que o usuário pensa do sistema de transporte. A partir dos resultados, a secretaria pretende propor mudanças no transporte coletivo.

Diário do Noroeste
Casos de impetigo levam Santa Casa a interditar UTI neonatal e berçário

Folha de Londrina
Gripe A coloca parte da UEL em quarentena

Gazeta do Povo
Documentos sugerem que Richa Filho sabia de repasses a comitê

Jornal do Brasil
Gripe suína nas escolas da Zona Sul

O Globo
Senado tenta descobrir quem movimentou contas secretas

Valor Econômico
Licitação para transporte rodoviário vai ser adiada

O Estado de S.Paulo
Neto de Sarney agencia crédito para funcionários do Senado

Folha de S.Paulo
Lula vai vetar apenas um ponto da MP da Amazônia

Acidente envolvendo ônibus da TCCC – II

Minha amiga carioca Beth comentou sobre os motoristas de ônibus do transporte coletivo:

Hoje em dia percebo que as pessoas contratadas pra dirigir um coletivo, tanto aí, quanto aqui no Rio, são ‘qualquer um’!
É de um descuido com a humanidade o modo como eles dirigem e se portam ao volante desses enormes ônibus.
E o que me deixa mais estupefata é que o nosso povo, humilde por natureza, ainda agradece a eles quando param no ponto.
Fico prá morrer vendo isto.
São empregados, pagos para isso, não importa se ganham pouco ou muito, mas teem que exercer seu papel condignamente. Se estão insatisfeitos com o salário que procurem outra alternativa, mas este é um dos empregos que tem que ter o maior cuidado para exercê-lo. Levam e trazem pessoas, seres humanos e suas máquinas são verdadeiros prédios ambulantes.

TCCC com os dias contados…

Gostei desse título aí… Mas é provável que o “sonho” de muita gente não se concretize.

Ainda assim, o vereador Mário Hossokawa acredita que Maringá vai ter de fazer uma nova licitação para a concessão do transporte coletivo.

Como muita gente já sabe, existe uma disputa jurídica que tem mantido o monopólio da Transporte Coletivo Cidade Canção. Mas, na opinião do presidente da câmara, os recursos do Legislativo só devem servir para ganhar prazo. Breve o município terá de fazer uma licitação. Hossokawa não tem dúvidas de que isso vai acontecer.

PS – Ele também contou à CBN Maringá que a Câmara pode ter perdido o prazo de recurso da decisão judicial que obriga a abertura imediata de uma licitação. Estamos checando se isso, de fato, aconteceu.

Um racha com o ônibus da TCCC…

No início da manhã, quando vinha para o trabalho, não resisti à tentação… Tive que “medir forças” com um ônibus do transporte coletivo. Numa das descidas da avenida Nildo Ribeiro da Rocha, pisei no acelerador e fiquei lado a lado com ele. No velocímetro, 90km/h. Depois de registrar a velocidade exercida pelo motorista numa via perigosa, tirei o pé e voltei ao limite permitido, 60km/h.

Menos de cinco minutos depois, no semáforo do cruzamento da avenida Nóbrega com Perimetral, a minha frente, um outro veículo freiou para evitar ser pego por outro ônibus da empresa. Embora o sinal estivesse verde para o carro, o motorista da TCCC avançou o sinal vermelho, e em velocidade incompatível com a via.

Essas são infrações e abusos cometidos todos os dias nas ruas e avenidas de Maringá. Os mesmos veículos que garantem o transporte de milhares de pessoas podem representar um risco para pedestres, ciclistas, motociclistas e outros motoristas. Basta imaginar o que pode acontecer quando um ônibus circula a 90km/h numa avenida, principalmente numa descida.

Nesses horários, geralmente há crianças, idosos… E, como é sabido, todos estão soltos, sem cinto de segurança. Uma parada brusca pode ferir muita gente.

Os avanços de sinal também não deveriam ser tolerados. Primeiro, pelo risco que tal comportamento representa. Segundo, pelo péssimo exemplo aos demais motoristas. Por fim, por insinuar que a empresa está acima da lei.

E esta talvez seja a questão mais importante a se discutir aqui. É verdade que o município não reúne condições de fiscalizar o trânsito em todas as vias da cidade. Mas a impressão que se tem é as autoridades de trânsito são coniventes. Quando o assunto é a empresa de Transporte Coletivo Cidade Canção, o silêncio impera.

As infrações e abusos cometidos pelos ônibus da TCCC são conhecidos. Mas não há informações sobre punições, multas e muito menos ameaça de rompimento do contrato.

É verdade que a concessionária investe, tem bons veículos. Mas também é verdade que a lista de problemas é extensa. Desde aos abusos no trânsito até a ausência de transparência e clareza na formatação do preço da tarifa. Entretanto, o que lamentamos é que não indicações de que isso um dia vá mudar.

A não greve…

É uma piada esse negócio de prometer greve e não concretizá-la. Os motoristas de ônibus da empresa de transporte coletivo de Maringá prometiam cruzar os braços e não tirar os veículos do pátio. Mas a promessa não foi cumprida. Os ônibus estão nas ruas. Sorte dos usuários; azar do sindicato.

Grupo atira contra ônibus da TCCC…

A bandidagem está cada vez mais ousada em Maringá. Hoje, abrimos o CBN Maringá falando sobre um ônibus da TCCC que foi alvo de um grupo armado no conjunto Tarumã, na zona sul da cidade. Ontem à noite, ladrões quebraram os vidros do ônibus e atiraram contra o veículo na tentativa de fazer o motorista parar. O motorista falou com a reportagem da CBN. Ele contou que os motoristas dessa linha são frequentemente ameaçados por ladrões que entram nos ônibus, pulam as catracas e agora estão até com armas de fogo.

Na CBN Maringá, a gente tem falado sobre a escalada da violência e também a respeito dos assaltos aos ônibus do transporte coletivo. Chama a atenção o fato de que a prefeitura e a empresa tiraram os cobradores com a justificativa de que diminuiram os assaltos. Não foi o que houve. Pelo contrário, a violência contra os ônibus aumentou – mesmo todo mundo sabendo que os motoristas andam com muito pouco dinheiro (geralmente R$ 20 ou R$ 30).

O que nos assusta é a perspectiva de que logo os passageiros também serão alvo da bandidagem. E, ao que parece, nada será feito.