Desfecho do sequestro de Santo André…

Diante do resultado desastroso do sequestro de Santo André, todos nós ficamos sem saber o que dizer. A violência, o drama das famílias, uma garota ferida, outra praticamente morta e o sentimento de que a estratégia da polícia foi ineficaz, a gente fica com vontade de falar, falar, mas percebe que não há argumentos. Então, por sugestão da minha amiga carioca, a Beth, reproduzo aqui um texto que vale a pena ser lido.

PS- Não pedi licença ao autor, mas penso que a causa é nobre e James Pizarro não vai se incomodar.

Em qualquer país do primeiro mundo, em casos de sequestro, só a polícia especializada negocia e trata com os bandidos. Jamais se cogita a participação de parentes das vítimas ou de psicólogos e demais intermediários. Assim como a energia elétrica, água, telefone são totalmente cortados, deixando os sequestradores absolutamente isolados. Nos países asiáticos, a polícia dá um prazo de duas horas, ao cabo do qual entram em ação os atiradores de elite e executam os sequestradores.
No Brasil, no recente sequestro ocorrido em Santo André, SP, com desfecho trágico para as duas meninas sequestradas ocorreu de tudo em matéria de espetáculo circense. Trocas de bilhetinhos, comida farta, luz cortada e depois religada, celular do meliante recarregado, sequestrada de menor idade libertada e depois novamente sequestrada, comércio da área interrompido, escola fechada, moradores impedidos de entrar em suas casas, sequestrador acompanhando pela televisão todo movimento da polícia, compromisso por escrito da polícia afirmando ao sequestrador que se comportaria com cavalheirismo,etc…etc…
Tudo transmitido pelas emissoras de TV, ao vivo, para todos os países do planeta, confirmando nosso subdesenvolvimento em matéria de combate ao crime. Tudo pelo período de quase uma semana.
Os próprios chefes do tráfico de drogas que atuam naquela área, sentindo-se prejudicados em seu comércio, telefonaram para a mídia e afirmaram que se deixassem com eles, o sequestro terminaria em menos de uma hora.
Enquanto essa comédia se desenvolvia, policiais civis e força pública de São Paulo brigavam nas ruas em frente ao palácio do governador paulista. Agressões, cassetetes, gás lacrimogêneo…usados pelas duas corporações que se enfrentavam e que deveriam combater criminosos. Delegacias fechadas e público largado às traças.
No Rio de Janeiro, coronel-chefe de um dos presídios cariocas, guiando seu próprio carro e sem seguranças, foi abatido pelos marginais com 60 tiros.
Depois de 100 horas de sequestro, e impelidos por tiros que ouviram dentro do apartamento, finalmente a polícia de SP explodiu a porta do apartamento e resgatou as meninas. Uma delas, Eloá, com uma bala na cabeça com perda de massa cefálica,uma bala na virilha, operada e mantida sob coma induzido. A outra, Naiara, com uma bala na cabeça. O criminoso, lépido e faceiro, saiu sem nenhum arranhão.
Enquanto policiais brigam entre si por, os criminosos riem da incompetência política para resolver os problemas. Enquanto cidadãos se escondem acuados em suas casas, traficantes dão gargalhadas diante das penas brandas e certeza da impunidade. Enquanto pais entram em pânico quando filhos demoram a voltar da rua, bandidos passeiam em seus carros blindados e com suas metralhadoras de última geração. Enquanto os políticos recém eleitos calculam quanto vão amealhar com os salários milionários dos futuros cargos, meliantes fazem e acontecem.
Enquanto tudo isso ocorre, nosso popular presidente segue sua vocaçãode turista cumprindo o estafante compromisso de fazer uma viagem atrás de outra. Nas quais perdoa dívidas de países que nos devem. Promete ajuda. Faz piadinhas que encantam os estrangeiros.
Nosso presidente viaja em avião importado, a dez mil pés de altura. Bem alto.
Para não ouvir os protestos dos policiais.
Os gemidos patéticos de todos nós.
E os berros de pavor e sangue de Eloá e Naiara.

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