Crime e castigo…

Entendo que a redução da maioridade penal não resolve o problema dos crimes entre adolescentes. Até já a defendi. Hoje, concordo que não é a solução. Mas continua favorável a uma legislação mais rigorosa. Por exemplo, tivemos um sequestro em Apucarana. Foi cometido por dois adolescentes, irmãos – um de 15, outro de 12 anos. Sequestraram um menino de 11 anos. Já tinham passagens na polícia.

Hoje, leio no Globo que um garoto de 12 anos acusado de furtar veículos foi preso. Também tinha passagens na polícia pelos mesmos crimes. Detalhe, esta foi a oitava prisão do “menino”.

Aplicar a legislação atual significa permitir que estejam livres em alguns meses. Vão cometer novos crimes. É regra.

Por isso, penso que a legislação carece de revisão. Esses meninos não podem ser punidos como adultos. Mas também não devem ficar soltos. Devem ser ressocializados na verdadeira concepção da palavra. Entretanto, a sociedade não está preparada para isto. Mas deve refletir sobre o problema.

Acontece que estamos ocupados demais com nossos problemas. Ignoramos as questões mais amplas. Deixamos de cobrar políticas de educação, assistência social e segurança – que poderiam reduzir a criminalidade – da mesma forma que minimizamos a necessidade de planejamento e investimentos amplos no trânsito. Nossos políticos ficam livres, leves e soltos para a manutenção de um discurso “solucionista” e simplista. Mas nunca se ocupam de ir à raiz dos problemas.

E, se não tratarmos deles, incentivaremos a manutenção de um modelo de sociedade que entrará em colapso. É como a economia americana. O modelo bushiano indicava que explodiria… Explodiu.

Um comentário em “Crime e castigo…

  1. Os políticos se utilizam de um discurso patriarcal, e a sociedade sempre cai no velho conto das promessas. Em época de eleição os candidatos apresentam um cenário que me lembra o Jardim do Éden, mas, que na sua essência não passa de um mero discurso vazio que nos conduz do nada para lugar nenhum.
    Vivemos em um modelo político-social falido, criticamos os políticos como se fossem seres vindos de outro planeta. Nos esquecemos que eles são uma amostra da nossa sociedade, e portanto, refletem o pensamento da maioria. O jeitinho brasileiro descrito por Sérgio Buarque de Holanda vive, um país onde inteligente é quem sonega imposto, compra produtos piratas, transforma o público em privado ou menos, adora contar para os amigos que o padeiro errou no troco e ele ficou com R$ 1,00 a mais.
    Reduzir a maioridade penal não resolve, apenas irá ajudar inchar ainda mais o sistema prisional brasileiro. Continuaremos a criar monstros que sequestram, matam e roubam. Creio que a única saída é investir pesado em educação, um sistema educacional baseado na moral e na ética. Hoje, educamos nossas crianças para ganharem dinheiro e passar no vestibular, esquecemos do crescimento do ser. Vivemos em um mundo de geladeira cheia, carro na garagem, televisão ligada e alma vazia.

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