Lula pode transferir votos a Dilma

Sou um desconhecido perto de Carlos Augusto Montenegro. Mas discordo dele. O presidente do Ibope sustenta que “o brasileiro não é pau mandado”. O argumento serve para justificar a tese de que o presidente Lula não vai transferir votos para Dilma Rousseff.

Até entendo que a ministra não terá os votos que teria Lula se fosse ele o candidato à presidência da República. Entretanto, a transferência de votos existe. Temos casos clássicos no país. Um deles a vitória de Celso Pitta, em São Paulo. O secretário era um político sem importância, mas se elegeu prefeito, em 1996, por causa de Paulo Maluf.

No ano passado, o “poste” Márcio Lacerda foi eleito prefeito de Belo Horizonte por contar com o apoio do então prefeito Fernando Pimentel e do governador Aécio Neves.

Ou seja, usar o argumento que Lula não transfere votos é esquecer a história.

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Judiciário em baixa com a população

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revela que o brasileiro desconfia da Justiça e reclama da morosidade. Juízes são vistos como parciais e nem sempre, honestos. Mais curiosa foi a nota atribuída ao Judiciário. Recebeu 5,6. Menor que segundo trimestre deste ano (5,9).

Perguntei aos ouvintes e leitores do Twitter que nota dariam. Ouvi de tudo. Até gente que chamou os juízes de mafiosos. E a menor nota que atribuíram ao Judiciário foi 6. Ou seja, os senhores da lei estão mesmo com a moral baixa diante da população.

Sanepar: por que só agora?

Comentei há pouco na CBN Maringá… Foi importante a sabatina do presidente da Sanepar, Stênio Jacob, na Câmara de Maringá. Uma iniciativa democrática, cidadã.

O que se lamenta é que o contrato e as ações da Sanepar venham ser discutidos só agora.

Por que só agora? Por que não antes? Por que não sempre?

Se há suspeitas a respeito do contrato, se há dúvidas sobre os investimentos e lucros, se faltam dados sobre as ações da Sanepar, se questiona-se o valor das tarifas, deveríamos lembrar quem tem o dever de fiscalizar. O Legislativo tem tal função.

Ontem, cumpriram este papel. Mas, historicamente, tem havido negligência, displicência. Vereadores têm o dever de fiscalizar o poder público. Contratos e serviços prestados por empresas como a Sanepar, Transporte Coletivo Cidade Canção etc carecem ser acompanhados com regularidade.

A ausência do legislador no dia-a-dia da cidade se revela nas descobertas posteriores de aditivos, de contratos suspeitos, de superfaturamentos e até de desvios de recursos, como efetivamente ocorreu na gestão de Jairo Gianoto. E o Parlamento tem responsabilidade, por não ter cumprido seu papel.