Uma noite para não esquecer jamais – o discurso

No post anterior expressei um pouco do que senti na noite da última quinta-feira. Atendendo os pedidos de alguns de meus alunos, vou reproduzir aqui o texto base do discurso. A parte inicial não está presente. Foi improvisada. Também acrescentei coisas ao longo da colação de grau. Mas as anotações ficaram nas folhas que levei para o teatro. E estas ficaram com o coordenador do curso. Ainda assim, a essência aqui. Com direito aos nomes de todos.

Confesso que estou ansioso com o impacto que minhas palavras vão causar em vocês. Vocês possuem um significado tão grande em minha vida que não me sinto capaz de traduzi-lo em palavras.

Imaginei que poderia começar recordando muito do que vivemos. Afinal, estivemos juntos desde o primeiro ano. Experimentamos muita coisa juntos. Pensei também em falar sobre o processo de formação da consciência. Seria legal nos despedirmos usando o Bakhtin. Mas optei por projetar o futuro, falar da nossa responsabilidade. Não como jornalistas, mas como cidadãos.

Em dezembro, no dia 16, senti no coração um vazio. Naquela noite, depois das nove horas, encerrei minha última atividade oficial com a turma de vocês. Era a banca da Maika e, quando disse a ela que estava aprovada e a abracei, senti que um ciclo havia terminado.

Horas antes, estava com a Polyanna. Quando me despedi dela, já me sentia despedindo de toda a turma.

Sabe Valdir, vocês formam a primeira turma que acompanhei desde o primeiro ano. Por isso, estou emocionado. Quando vejo vocês aqui, Lucas, reconheço que me auxiliaram a me descobrir educador.

Vi vocês, Rogério, se desenvolverem. Mais que isso, né Sidnéia, vi descobrirem que a academia pode ser mais que um espaço para a busca por conhecimentos. Mas eu também descobri, Fernando, que o prazer de ensinar é ainda maior quando a gente se envolve, quando se apaixona.

Vocês tiveram a chance de ver o mundo de uma outra forma. Não acredito que você Ana Paula, você Andréia, Carol, Fabiana… não acredito que vêem o mundo com os mesmos olhos. Certamente possuem uma visão mais crítica da sociedade e do quanto somos responsáveis pela construção um país melhor, mais justo e que promova a inclusão de todos.

Talvez não tenham aprendido todas as técnicas da profissão, mas provavelmente compreenderam que o jornalismo não se resume em pautas e execução de reportagens.

Mas, Giuliano, quando a gente olha para as contradições às vezes tem impressão que romper com a desigualdade, com a falta de ética… temos a impressão que isto não é possível. Acontece que nós, Mariana, temos o dever de nunca perder o sentido da vida e de nossa missão – não como jornalistas, mas como cidadãos. Por que, como repete nossa ilustre mestre, a professora Luzia, o exercício da cidadania é o que deve nortear nosso trabalho.

Não se trata apenas, Murilo, de discutir sobre política. Vai muito além. Os fenômenos sociais, Thabata, devem ser interpretados e experimentados sem alienação. Isso não se faz apenas quando se é jornalista, Natalia. A gente faz também quando reconhece que assistir ou ler um jornal não é o que nos torna informados, ou que nos faz participantes dos problemas da sociedade.

Pelo contrário, Milton. Cidadania se faz, cidadania se tem numa atitude ativa, questionadora. Como disse o colega que me antecedeu, não podemos nunca perder nossa capacidade de se indignar com a injustiça.

Nossas palavras, Fábio, não precisam ser apenas expressadas no jornalismo diário para contribuírem com as mudanças que sonhamos. Hoje, Dani; hoje, Erica, há espaços alternativos. Basta desejarmos, sairmos de nossa zona de conforto e darmos o primeiro passo.

Encontraremos barreiras? Claro que sim, Carlos. Quem se envolve, nem sempre é compreendido, Beto. Sabe Ronaldo, os heróis não se tornaram heróis porque vislumbravam ser reconhecidos. Se tornaram heróis, Rosangela, porque acreditaram na causa pela qual lutaram.

Não caríssimos… Não quero desafiá-los a serem heróis. Quero desafiá-los, Justini, a terem alma de heróis. Quero desafiá-los a perceberem que cada um pode e deve ocupar seu espaço no mundo, mas fazendo isso de maneira relevante.

Quem se deixa envolver pelo desânimo, quem perde a utopia, a crença, abdica mão da vida.

Hoje, vocês são diplomados como jornalistas. Alguns seguirão na profissão; alguns vão encontrar novos caminhos. Todos, porém, são cidadãos do mundo.

E, por isso, como cidadãos, jornalistas ou não, apenas digo: vivam com dignidade, ajudem a escrever a história. Que Deus os abençoe.

3 comentários em “Uma noite para não esquecer jamais – o discurso

  1. O tempo passa e, quase um ano se passou desde essa grande noite. Hoje, agora jornalistas, só temos a agradecer por todo aprendizado, amizade e emoção de passar por essas cadeiras e por essa noite tão especial. Obrigado, caríssimo!!!

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