Internet: tudo para todos?

Hugo Chávez quer um espaço na internet só para ele. Será a trincheira dele na internet. Isto foi o que disse nessa última semana o presidente da Venezuela. O ditador, travestido de democrata, alega que quer garantir o direito dele de se comunicar com o mundo.

É isso mesmo. É um direito de Chávez. Direito dele e todos. É verdade que Chávez não precisava disso. Ele já controla a imprensa do país. Quem fala mal do presidente venezuelano é censurado. Mas Chávez afirma que não vai tocar na internet. O que pretende fazer é ter também o espaço dele para se comunicar.

A internet é um bom lugar para Chávez debater com sua gente e com o mundo. Na verdade, a rede mundial de computador tem por princípio a pluralidade de ideias, informações e ainda permite que todos possam se expressar.

Como disse na semana passada, aqui mesmo, a internet é essencialmente democrática. Claro, não em todos os lugares. Na China, por exemplo, o acesso a determinadas páginas é controlado pelo governo. Fato lamentável. Mas que não significa ser impossível driblar.

Entretanto, o que quero voltar a refletir é sobre esse princípio de “tudo para todos”. Afinal, é assim que funciona a internet. Pode-se encontrar de tudo na rede. Notícias, entretenimento, serviços… Enfim, o mundo está na tela do computador. Com a vantagem que não só se consome, mas também é possível produzir e compartilhar conteúdos.

Acontece que, como falei no texto anterior, a internet celebra a ignorância. No século XIX, alguns autores diziam que só a elite intelectual tinha sensibilidade para produzir e consumir arte. A visão deles era bastante restrita – quem sabe, até preconceituosa. No entanto, traz uma premissa bastante reveladora: nem todos são artistas; nem todos são capazes de apreciar uma obra de arte.

As coisas funcionam assim. É falácia acreditar que podemos fazer tudo que desejarmos. Até podemos, mas ninguém pode assegurar a qualidade, a eficácia dessas ações. Por exemplo, tem gente que ama música. Por isso, estuda anos e anos, se dedica, mas nunca é capaz de encantar o público.

Outra situação, o ramo de vendas. Há milhões de vendedores espalhados por aí. Mas quantos são de fato vendedores? Há centenas de cursos preparatórios. Eles ajudam. Dão orientações preciosas, mas não produzem um vendedor. É preciso ter uma espécie de aptidão natural.

Sabe, não quero aqui pontuar que nascemos determinados a fazer certas coisas e sem habilidade para outras tantas. Contudo, é preciso reconhecer que podemos aprender técnicas, saber tudo sobre uma atividade, mas ainda assim não sermos os mais indicados para aquela tarefa.

É assim na internet. Nós todos estamos aqui. E quem ainda não produz na rede só não o faz por opção. Dia desses Hugo Chávez poderá estar postando num blog ou escrevendo no twitter. Esse é o espírito democrático da rede. Mas exatamente por isso não temos garantias. Ninguém está seguro. A rede de boatos e mentiras produz mais estragos que nossas vizinhas fofoqueiras, pois a escala da disseminação de bobagens é global.

Por ignorância, inocência ou sei lá o quê, as pessoas se permitem consumir mentiras. Não raras vezes já falei sobre os textos não escritos por Arnaldo Jabor, mas publicados em sites, blogs etc e replicados por emails como sendo dele. Não adianta o cronista dizer que não é o autor. As pessoas leem como se fosse.

Ainda nesta semana falei no blog sobre uma mulher que entrou em contato comigo toda preocupada. Motivo? As mensagens que espalham o medo pela internet por causa de supostos riscos da vacina contra a gripe A.

Concluo, a democracia assegurada pela internet é um bem de todos. Porém, precisamos usá-la com sabedoria. Checar a origem e a veracidade da informação é o mínimo que se recomenda antes de reproduzirmos o que se divulga na rede.

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