O motorista maringaense é medíocre

Tudo bem… Talvez não sejam todos. Verdade. Não são todos. Eu me sinto maringaense e não me vejo como um motorista medíocre. Tem muita gente que dirige bem. Mas é irritante conduzir pelas ruas e avenidas de nossa cidade. E não por culpa de nossas autoridades. Nós somos o problema. Criamos o caos; não apenas porque temos veículos demais. O caos é resultado da incapacidade de dirigir com habilidade, respeito, atenção, objetividade.

Dia desses encontrei uma conhecida no supermercado. Ela é psicóloga e já esteve comigo algumas vezes na CBN. Era horário de almoço, estávamos pegando algumas frutas, legumes etc e, depois de um breve cumprimento, ela falou:

– Acabei de ouvir, na CBN, uma reportagem sobre o trânsito. Ia mandar um email. Como te encontrei, vou falar direto pra você o que penso.

As considerações dela foram pertinentes. Tínhamos tratado do que chamamos de “violência no trânsito”. Ela discorda da ideia. Aponta que o conceito está equivocado.

– Trânsito violento é o de São Paulo. Lá os motoristas estão apressados, correm muito. Em Maringá, não. Aqui é lento demais. O motorista daqui é imprudente, dirige mal. A cidade cresceu, a frota de veículos aumentou e a gente continua dirigindo como se morasse numa cidadezinha do interior.

Ela tem razão. Basta observar os binários. Gente, é um absurdo. A Secretaria de Transportes de Maringá criou o sistema. É ótimo. Pela primeira vez temos o funcionamento efetivo da chamada “onda verde”. Tudo controlado para rodarmos a 50 km/h. Mas quem diz que conseguimos? Só longe dos horários de pico. Do contrário, tudo devagar, devagarinho.

De um lado da via, o condutor está sempre procurando uma vaga de estacionamento ou desacelerando para virar no próximo cruzamento. Do outro, há sempre um motorista devagar ignorando que a via da esquerda é para quem está mais rápido.

Este, por sinal, é um comportamento impressionante em Maringá. Não existe pista rápida. Os dois lados são lentos. Tem-se a impressão que o motorista quer dirigir sozinho, com o “vento batendo no rosto”. Detalhe, quando alguém está atrás apressado, dá sinal de luz, o cidadão ainda fica nervoso, tira o pé e, por capricho, continua ali amarrando o trânsito. É uma coisa de louco.

Mas não para por aí. E o hábito de parar em fila dupla? Sinto-me agredido. A pessoa para seu veículo, liga o alerta (nem sempre), pega ou desce passageiro, coloca compras no carro… Na semana passada, na avenida Cerro Azul, no horário do almoço – com aquele movimento -, vi um carro parado em fila dupla. Sem o motorista; sem ninguém. O proprietário tinha entrado na loja. E o trânsito? Aquela confusão!

Tem ainda a pouca eficiência no entrar e sair das rotatórias (tem aqueles que acham que a rotatória é só deles), a dificuldade para estacionar (lentidão mesmo; falta de habilidade), a incapacidade de dar setas… Por falar em setas, o motorista maringaense sabe o que é isto? Ah… e quando lembra de usar, está a cinco metros do ponto onde pretende virar, estacionar. Quando sinaliza, já está virando.

Dirigir em Maringá é um ato heróico. Escapar ileso, digno de condecoração. O que se lamenta é que boa parte do problema se resume numa questão de atitude. O motorista não consegue reconhecer que é o responsável pela droga de trânsito que temos. É arrogante, egoísta. Temos a impressão que a pista é só nossa e que o errado é sempre o outro. O outro e a Secretaria de Transportes. Pensamento pequeno demais para um povo que acredita estar na cidade dos sonhos.

23 comentários em “O motorista maringaense é medíocre

  1. Seu texto é emocionante. Principalmente a parte que fala das lesmas que ficam procurando estacionamento e reduzindo para virar. Quase chorei. Sofro muito com isso. Estacionamento tem que ser tudo privatizado. Tem que tirar todas as vagas do centro e os flanelinhas junto.

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  2. É estranho dizer que a pista da esquerda é a rápida no lado esquerdo do binário. Por ser o lado do estacionamento e da calçada, deveria ser o contrário. Tenho medo de rodar pelo binário. A qualquer momento tenho a impressão de que alguém fará uma camada.

    Mas a observação quanto a falta de respeito é verdade. As pessoas acham que são as donas da rua, principalmente os “bacanas”.

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  3. “Dirigir em Maringá é um ato heróico. Escapar ileso, digno de condecoração.”
    Concordo!
    Segue a dica: Ao dirigir em Maringá não esqueça de arrumar os retrovisores, ajustar o banco, apertar o cinto, vestir a armadura pegar o escudo e a espada e ficar atento. Afinal, por mais que você se cuide e prete atenção com os demais, a qualquer momento pode ser atacado nessa guerra pela conquista das vias de trânsito.

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  4. Sem contar, que se ligar o sinal de seta pra sair, entrar em algum lugar, fica obvio que aí sim ninguem nos deixará passar. Ligar a seta é a mesma coisa de dizer: NÃO ME DEIXE PASSAR!! Esses dias precisei mudar de pista, e não tinha um cidadão que me deixasse entrar, é a nossa merda da educação no transito! Ótimo!

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  5. Caro Ronaldo, concordo com praticamente tudo o que vc escreveu. Há 2 meses moro em Maringá e confesso que cada dia fico mais chocada em relação ao trânsito. O trânsito aqui é assustadoramente perigoso!

    Eu discordo em relação ao que vc disse sobre a “pista rápida”. Quando se tem a velocidade máxima a 50km/h, torna-se a pista relativamente lenta. Venho de Curitiba onde os radares permitem até 60km/h e admito ser uma velocidade mais confortável para o trânsito fluir melhor.

    Para mim, o problema aqui é a extrema falta de educação PARA o trânsito. As pessoas ignoram completamente as normas do Código, agem como se tudo fosse permitido. Não gosto de estigmatizar ninguém, mas nestes dois meses que estou na cidade, mais de uma “senhorinha” atravessou a XV de Novembro como se tivesse preferência… e dá-lhe pastilha de freio para evitar choques… É realmente preocupante.

    Os números estão aí para confirmar… a quantidade de pessoas que já morreram decorrentes de acidentes de trânsito nos primeiros meses do ano é brutal.

    Talvez seja o momento de uma política mais severa por parte do DETRAN local no momento de realizar os exames práticos e, principalmente, uma ação educativa forte por parte do município, uma campanha feroz, ou o índice de mortes no trânsito não parará de crescer.

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  6. entao estou pensando em ir embora e morar i em Mga …mas pelo jeito terei problemas no transito…nao?comparando com NY isso ai e o ceu nao?
    abcs

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  7. Concordo com seu texto. Mto bem explicado a situação do trânsito da nossa cidade pseudo-cidade grande.

    E o que vc acha de parar na faixa? Não digo a filosofia por trás da campanha, mas, sim, a prática na nossa cidade.

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  8. É necessário reciclar o motorista maringaense e, posteriormente submetê-lo a nossos exames no Detran para a substituição da “Carteira de Carroceiro”, pela CNH – Carteira Nacional de Habilitação.

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  9. Concordo plenamente com seu texto Ronaldo, descreveu exatamente o que acontece aqui em Maringá. Moro em Maringá a 3 anos, e antes reclamava do transito da antiga cidade que morava. Ou seja, reclamava de barriga cheia. Até cheguei a brincar no facebook dizendo que: “Os veiculos de Maringá deveriam vir equipado com uma bola de cristal, para você tentar descobrir o que a pessoa no veiculo da frente esta pretendendo fazer. E não necessitariam vir com pisca alerta e retrovisores logo que ninguem os utiliza mesmo.” Espero que a consciência dos maringaenses mudem logo, ou transito ficará cada vez pior.

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  10. Caro Ronaldo. E o que dizer dos motoristas apressadinhos que ficam dando sinal de luz atras quando você está no limite permitido para a via? Eu dirijo no limite permitido e volta e meia vem um imbecil atras dando sinal de luz. Seguro mesmo, até porque não tenho obrigação nenhuma de dirigir acima da velocidade limite.

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  11. Nossa, você foi pontual e extremamente coerente. As pessoas costumam falar que Maringá é uma cidade planejada, mas planejaram tudo menos as pessoas. A cidade cresceu, as oportunidades cresceram, comercio, shoppings, poder de compra… carros. Mas, a mentalidade da cidade é ainda de cidade de interior…preconceituosa, mal educada, ignorante e PIOR DE TUDO, NÃO É ACEITO ISSO…A arrogância é a palavra que explica o Maringaense. Parecemos aqueles Texanos americanos que vivemos com a soberba mas…o mundo enxerga o quanto somos retrógrados. Maringá se “orgulha” de não ter pobreza, miséria.. quando isso está na cabeça das pessoas. O Trânsito, meu caro amigo, é um só um reflexo, um sintoma de todo esse comportamento coletivo.

    A impressão que eu tenho é que Maringá é aquela empresa familiar que cresceu muito… comprou-se um galpão enorme, novas máquinas, equipamentos, ampliou o quadro de funcionários… mas ainda tem mentalidade de empresa familiar, sem uma gestão voltada pra cultura de valores humanos para estruturar esse crescimento.

    Invistam no progresso da educação crítica, acima de tudo, além da educação no trânsito… o foco agora é nas pessoas, passado o binário e demais investimento. E pessoal, menos arrogância, sabemos que estamos fazendo errado.

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  12. Concordo plenamente ,o transito de Maringá está bem difícil mesmo,basta acompanhar os noticiários…, todo dia é uma ou mais noticias sobre acidentes…abraços amigo.

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  13. Ronaldo, sabe porque os motoristas maringaenses não dão seta de direção?
    Simplesmente por que estão com a mão esquerda segurando o celular no ouvido.
    É um absurdo. O motorista daqui é o pior que existe.

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