O que dizer a alguém que sofre?

sofrimento

Esta é uma pergunta que faço a mim mesmo todas as vezes que encontro alguém que está sofrendo muito. Esta semana falei com duas pessoas que estão passando por momentos difíceis. Confesso, senti-me impotente. Como tirar a dor daquele peito? Como devolver o sorriso para aquele rosto?

Uma jovem me disse: “Ronaldo, faz dias que não consigo dar um sorriso”. Eu a conheço. Ela tem um sorriso adorável – daqueles que contagiam. Fiquei triste por ela. Porém, não soube muito o que falar. Diria que apenas “emprestei” meu ouvido.

Sabe, algumas pessoas parecem ter um dom especial… Sabem o que dizer, conseguem ser relevantes nos momentos de dor. Essas pessoas parecem anjos de Deus, capazes de aliviar o sofrimento.

Estou longe de ser essa pessoa. Sou pouco emotivo; talvez racional demais. Frio demais para tornar mais leve a dor de quem precisa de ajuda. Entretanto, tenho descoberto coisas interessantes. Quero compartilhar um pouco com você.

Tenho lido a obra “Onde está Deus quando chega a dor”. Trata-se de um livro do premiado escritor cristão americano Philip Yancey.

Nessa obra, o autor compartilha algumas lições que ele mesmo aprendeu após exaustiva pesquisa.

Uma delas é de que, para quem sofre, nada é mais importante que saber que ainda se tem amigos; que os amigos não abandonaram. Não são as palavras que fazem a diferença. É a demonstração clara de que se está disponível, interessado em ajudar.

Mas precisa ser alguém disponível que saiba reconhecer que, às vezes, o silêncio é mais importante que um discurso. Philip Yancey destaca que, nos momentos de sofrimento, não são os filósofos que são lembrados, pois não é o muito falar que ameniza a dor.

Quem tenta explicar a dor quase sempre provoca mais sofrimento.

A pessoa que sofre geralmente tem a sensação de que Deus a abandonou. Então, é neste momento que somos chamados a mostrar o amor que os Céus não parecem demonstrar. Para isso, não precisamos de discursos. Só devemos estar disponíveis. Só temos necessidade de ser o mais natural possível. Na dor, a pessoa quer perceber que a amizade que tinha não mudou; e que ele não está sozinho.

Demonstrar pena, lamentar, reclamar, dizer frases chavões do tipo “Deus sabe o que faz”… Isto tudo, pouco ajuda. Como eu disse, é preciso ser o mais natural possível.

Se você sempre foi um contador de piadas, mantenha o mesmo comportamento com esse amigo. Se costumavam fazer orações juntos, tenha a mesma atitude. Se gostavam de se reunir para bater papo, tente continuar com essa rotina – procure por alguns momentos esquecer a doença, a perda, a morte que provou o sofrimento. Claro, dentro de um bom senso.

Philip Yancey faz uma ótima analogia com o comportamento dos pais diante de algum acidente com os filhos. Quando a criança chega chorando, o que fazemos? Geralmente a abraçamos carinhosamente e simplesmente dizemos: “O que foi que aconteceu? Eu estou aqui. Fique calmo”. Nós ouvimos sua reclamação, sua dor. E respondemos com nosso carinho e atenção. Portanto, se quiser ajudar, saiba que o sofredor precisa mesmo é do abraço, da verdadeira amizade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s