O novo mundo; agora digital

Somos resultado do meio em que vivemos. Você já deve ter ouvido essa frase por aí. Ela também pode ser aplicada noutro contexto. Algo do tipo: “você é o que você come!”. Não tenho aqui a proposta de falar de comida. Muito menos fazer uma reflexão ampla, sociológica ou filosófica sobre como somos afetados pelo ambiente em que estamos inseridos. Entretanto, reconhecendo isso, entendo ser importante considerar que as novas ferramentas tecnológicas têm nos mudado como pessoas.

Somos os mesmos de décadas passadas? Claro que não. É verdade que muito do que experimentamos hoje sequer damos conta. Tudo corre tão rápido que, conscientemente, não vemos as mudanças. Até ignoramos que não somos os mesmos seres humanos de anos atrás.

Por exemplo, como seria nossa vida hoje sem celular? É verdade que muita gente ainda é resistente ao aparelho. E vive bem sem ele. Porém, quem aderiu ao telefone móvel, tornou-se refém dele. Carrega para todo lado; quando o sinal cai, fica desesperado, sentindo-se ilhado; e se alguém do outro lado não atende sua ligação, bate aquela ansiedade.

Costumo brincar com meus alunos: o celular trouxe problemas que antes desconhecíamos. Imagine a situação: quando a garota liga para o namorado e ele não atende… Ela liga uma vez, nada. Liga duas, nada. Na terceira, deixa recado na caixa de mensagem. Também nada. Pronto, ela enlouquece. Bate uma insegurança danada, ciúme e, só com muita sorte, não vai haver briga. De uma pergunta ele não vai escapar:

– Por que seu celular estava desligado? Onde você estava?

A situação é semelhante com os pais. Antes, eles estabeleciam um horário para os filhos chegarem. A moçada saia, fazia seu programa e, atrasada ou não, voltava para casa. Não dá para dizer que os pais ficavam tranquilos. Contudo, agora é muito pior. O mesmo celular que acalma – por garantir contato com o filhinho amado a qualquer hora – é aquele que não responde as chamadas e deixa qualquer mãe desesperada.

Também nos tornamos dependentes da internet. Dia desses, ao chegar ao trabalho, a rede não estava funcionando. Fiquei perdido. Por onde começar? Curioso é constatar que não faz tanto tempo que colocávamos um jornal no ar sem visitar um único site. Na verdade, mal sabíamos que a internet seria parte de nossa vida.

Reconheço que ainda hoje muitas pessoas estão excluídas do mundo digital. A maioria não é por opção; e sim por fatores sociais e econômicos. Mas ainda assim a tendência é que cada vez mais a rede esteja presente em nosso dia a dia e nós estejamos presentes na rede. Não dá para fugir.

Para muitos de nós é impossível pensar o dia sem a internet. E não usamos apenas para o trabalho. É muito mais que isso. Evitamos as filas dos bancos pagando contas, tirando extratos etc etc; conversamos com amigos, familiares pelo messenger, twitter, facebook; expressamos nossas ideias pelos blogs e demais redes sociais; interagimos com os veículos de comunicação; ouvimos música, baixamos música e filmes pela net… Enfim, estamos até diminuindo o tempo que passamos em frente à televisão por causa das possibilidades que essa nova mídia nos proporciona.

Obviamente, esse novo cenário não é perfeito. Há problemas no consumo e na produção de conteúdo para a internet. Ninguém pode negar. Mas é inegável que nossa vida, nossos hábitos e costumes têm sido influenciados por esse universo digital. O que é melhor: ele pode nos servir coisas positivas. Basta saber se apropriar desse mundo novo. Ignorar ou rejeitar essas mudanças é, por opção, se excluir.

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