Os persistentes rótulos

Em todo momento somos julgados sem ao menos sermos conhecidos. Esta é uma ação que se repete a quase todos os momentos de nossas vidas. A cada nova amizade, a cada nova apresentação somos rotulados por pessoas que sequer nos dão a oportunidade de mostrar nossa essência.

Se pararmos para refletir, o hábito de rotular inicia tão cedo em nossas vidas que acabamos por achar, que ele faz parte de nosso cotidiano.

E saímos por aí, nomeando tudo e a todos.

Quando rotulamos deixamos de lado a sensibilidade de entender determinados comportamentos que, às vezes, por questão do ambiente de trabalho ou situação que nos encontramos, precisamos agir com um pouco mais de sutileza e seriedade.

Rotular tornou-se tão cômodo para as pessoas, que é simples puxar um assunto com alguém. Deixamos os valores se apagar em comentários fúteis e sem fundamentos. Isso em qualquer ambiente; no trabalho, na faculdade e nos momentos de lazer. São comentários pequenos e vazios para que uma conversa possa fluir. Ao contrário, tempos atrás em que ainda era uma simples menina, era normal ouvir comentários sobre o tempo, o clima e deles iniciavam-se um bate-papo.

Hoje não, raramente temos essas atitudes quando queremos nos enturmar. E rotular, falo não só me referindo às pessoas, mas também musicas, filmes e outras artes. Usamos das críticas já instaladas pela mídia e por sua grande influência, não permitimos realmente conhecer para ter nossas próprias opiniões.

Chamamos essa atitude de comportamento Mid Cult, ou seja, empregamos os méritos já existentes de produtos e artes, para espelharmos nossas opiniões a respeito de algo, pelo simples fato de ser um produto de origem nobre. Precisamos dar chance para as pessoas se apresentarem da maneira que realmente são. Temos também, que nos dar a oportunidade de conhecer, aprender e experimentar sermos mais nós.

Contudo, para todos esses costumes que nos encarregamos de ter, vale lembrar: Por trás de um rótulo há sempre um conteúdo.

6 comentários em “Os persistentes rótulos

  1. Rotular faz parte um pouco de nossa preguiça intelectual e existencial. É muito mais confortável sair dizendo “Esse filme é muito chato” do que pensar que não estávamos prestando atenção pois nossa atenção estava longe naquela noite e parecer que não temos opinião ou não sabemos julgar. “O Fulano é muito esnobe” é mais fácil do que pensar um pouco mais se na realidade temos informação bastante sobre a pessoa. Mas precisamos dizer alguma coisa ou parece que não temos assunto. Preguiça ou incompetência.

    Rotular é, também, uma maneira de se “enturmar” principalmente quando precisamos de afiliação e aquela opinião está em consonância com a opinião do grupo. Do mesmo modo serve para aqueles que gostam de “criar polêmica” e contrariar e, assim, aparecer.

    O lado perigoso dos rótulos é tornar-se um estigma para a pessoa, empresa ou produto e prejudicar o objeto do rótulo apenas devido a uma opinião irresponsável e leviana.

    O Blog do Ronaldo é ótimo. Ou não!

    Parabéns Aline.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s