Cracolândia – o mundo de ninguém

Aline Yuri é colaboradora deste blog
O vício do crack é tão agressivo que submete pessoas a fazerem qualquer coisa para sustentar a dependência. São pessoas morando na rua, passando dias sem dormir, sem comer e ainda, destruindo famílias e valores. A conhecida Cracolândia que fica localizada na capital Paulista, é o lugar onde dezenas de pessoas passam os dias se torturando com a droga.

Podemos dizer que a Cracolândia é o mundo de ninguém, pois a droga toma conta do ser humano, faz com que este se esqueça de tudo e só tenha vontade e necessidade de usar o entorpecente. Milhares de famílias vivem o drama para resgatar aqueles que se envolvem em um caminho que, normalmente é sem volta. Os dependentes se esquecem dos sentimentos, da razão e da consciência de bem estar.

Neste mundo, não há restrições de sexo, idade, condições financeiras ou cor. Basta à curiosidade em experimentar para apodrecer lentamente em um lugar onde nada mais faz sentido, a não ser o crack. Nem mesmo as necessidades fisiológicas são valorizadas. Na hora do desejo pela droga, vale tudo pra saciar o vício, inclusive matar.

Aqui, paramos para uma pergunta. Será que o problema está dentro das próprias relações familiares? Diria, que não somente. A causa para tantas calamidades está na sociedade, onde só damos atenção para aquilo que é do nosso interesse. E quando falo em sociedade me refiro, a todos sem exceções, principalmente ao nosso governo. Será que para isto, não há estratégias que resolvam a situação? O intrigante, é que para tantos outros assuntos é sempre desenvolvido projetos, ou melhor, planos.

O crack é derivado da planta de coca misturada com cocaína, bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada. Fumados normalmente em cachimbos, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte, devido, a ação sobre o sistema nervoso central e cardíaco. Além dos efeitos físicos, abala o psicológico como, proporciona euforia, sensação de poder e aumento da auto-estima.

A luta pela vida e o abandono ao crack é uma difícil tarefa que não restringe apenas pais que tenham um filho perdido na Cracolândia, mas a todos. Embora pareça distante da nossa realidade, o número cresce expressivamente quando “viramos as costas” para um problema que um dia, também, pode ser nosso.
Texto de Aline Yuri

3 comentários em “Cracolândia – o mundo de ninguém

  1. Concordo em parte com você, Aline Yuri. Não acredito que as pessoas que frequentam a Cracolândia estejam “se torturando” ao usarem drogas (sendo crack, cocaína, heroína, etc). Também é preciso destacar, conforme tu bem colocas, que a droga não diferencia entre idade, raça, classe social… porém seu efeito é diferente para cada pessoa. Nem todos estão sujeitos a se perderem (ou perderem suas vidas), sendo assim o Estado (acredito que tu se refiras a ele quando mencionas “Governo”) não pode ser incluso como “culpado”, já que entrar nesse mundo é “optativo”.

    Agora… todos os governos têm uma parcela de culpa quando não conseguem fazer com que a droga seja chegue tão fácil no nosso país. Têm culpa quando não oferecem condições mínimas para saúde e educação. Têm culpa quando não os criminosos (traficantes) não são punidos devidamente. No país na impunidade tudo é contraditório, não é mesmo?

    Mas não vamos esquecer que a família (o pai, a mãe, enfim) são os personagens mais importantes para esta trajetória. Sem o apoio familiar, qualquer pessoa está propícia a entrar nesse submundo das drogas. Começa por aí!

    É valido esclarecer que a tristeza em existir um lugar como a Cracolândia não está no lugar em sí… afinal… a definição do lugar, neste contexto, está pelas pessoas que o habitam.

    Muito bom o teu texto.

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