Ser mais que professor

Dia desses ouvi um depoimento que me deixou um tanto emocionado. Como sempre digo, entendo que ser professor é mais que dar aulas; acredito que somos educadores. E o educador não é "aulista", "conteudísta". Educador é quem se envolve, se preocupa com a vida de seus alunos e tenta influenciá-los; contribuir na formação do ser humano. E esse depoimento fez bem a minha alma porque pude perceber que às vezes conseguimos realizar tal papel. 

Ao conversar com uma ex-aluna, ela foi logo falando: 

– Você me fez mudar. 

Não entendi muito bem. Quis saber de que maneira contribuí para essa "mudança". Mais que isso, queria entender se esta mudança era positiva ou não. 

Então, ouvi dessa jovem que tinha mexido com a auto-estima dela, principalmente no que diz respeito aos seus relacionamentos. Ela comentou que as discussões em sala contribuíram para entender que era preciso se valorizar mais, que entendeu que a mulher não deve se permitir ser vista como objeto, apenas para o prazer do homem. 

– Eu era mulher de malandro; brincou. Hoje sou seletiva. Quero ser amada. 

Também listou mudanças noutras atitudes, a tentativa de adquirir o hábito da leitura, maior responsabilidade em seus comportamentos. 

– Precisamos evoluir, né?, completou. 

Fiquei feliz com o que ouvi. De alguma forma, me senti um ser humano melhor. Afinal, toda vez que penso na razão da vida entendo que ela se justifica quando nossa vida faz sentido para vida de outras pessoas. E é nesse contexto que sempre lembro de algo que me falou um experiente professor. Para ele, o educador ensina muito mais com suas atitudes que com as teorias que apresenta. Talvez o depoimento desta ex-aluna tenha me ajudado a reforçar essa verdade. 
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