A tecnologia que nos consome

A mesma tecnologia que por vezes trabalha ao nosso favor também é capaz de simplesmente nos colocar em "maus lençóis". Ela nos auxilia, mas também nos consome.

Reféns das ferramentas tecnológicas, os arquivos estão cada vez mais raros. Costumo dizer que sonho acabar com todos os meus CDs, DVDs e, principalmente, os livros. Ocupam espaço demais e hoje já são um transtorno. Sonho ter tudo digitalizado, a um clique dos meus olhos.

Entretanto, nossos "arquivos virtuais" nem sempre colaboram conosco. Hoje, por exemplo, senti na pele o que é a rotina de produzir e ver seu trabalho simplesmente deixar de existir. Primeiro, na sala de aula, uma acadêmica perdeu, diante de nossos olhos, uma reportagem que acabara de escrever. Minutos depois, fui abrir o pendrive para concluir uma pesquisa que estou desenvolvendo e… cadê o arquivo? A mensagem na tela dizia tudo: arquivo corrompido. Este ser aqui, embora se considere razoavelmente alfabetizado no mundo das tecnologias, simples ignorou o básico dos básicos: ter sempre um backup. Por sorte, uma versão mais antiga do estudo estava guardada no computador de casa. Dos males, o menor.

Diante dos fatos, impossível não pensar na velha e boa máquina de escrever. O que se produzia ali estava registrado, gravado. Saudade daquele barulho gostoso provocado pela pressão sobre as teclas. Dava mais trabalho? Claro que sim. Mas tinha seu charme. Hoje são quase peças de museu. Tenho comigo uma antiga Olivetti. É daquelas portáteis, verdes. Comprei quando ainda era garoto. Acho que tinha uns 14 anos. Já não uso mais, mas está no armário para fazer lembrar de um mundo que já se perdeu. Não melhor que o atual, mas bem diferente.

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