Copa de 2014: vamos nos envergonhar?

Poucas vezes paro diante da televisão para assistir um jogo de futebol. Gosto do esporte, mas falta paciência. É muito tempo diante da telinha. Entendo que há coisas mais importantes pra fazer.

Maracanã: palco da final está em reforma
Ainda assim, bate um sentimento diferente durante a disputa de uma Copa do Mundo. O delírio da torcida, a cidade enfeitada, o noticiário envolvente… tudo respira e inspira o prazer pelo futebol. Impossível não se deixar contagiar.

Ok, mas este post não é pra falar sobre os sentimentos que tenho durante uma Copa. O foco aqui é outro. É a realização do Mundial no Brasil.

Eu fiquei feliz quando nosso país foi escolhido como sede. Embora nunca tenha sido muito otimista quanto ao desempenho da seleção na Copa de 2014, sempre achei que o Brasil poderia sair ganhando muito com a realização do evento.

São tantas exigências, necessidades de investimentos etc etc que, imaginava, a Copa poderia deixar uma herança de infra-estrutura mais moderna – desde o trânsito (tráfego de veículos e transporte coletivo das cidades), estradas, aeroportos passando por hotéis, restaurantes e, com muita sorte, melhor sistema de segurança.

Hoje, porém, estou com medo. Ainda no início da manhã, ouvi uma reportagem rápida sobre os preparativos da Copa. Quando o Heródoto anunciou, pensei: “caramba, é verdade; a Copa está chegando”.

Por acaso, trombo de novo no assunto. No UOL, uma chamada de matéria traz o título: “Para Pelé, Brasil corre risco de se envergonhar em 2014“.

Pelé faz alerta
Ainda não sei o foco e qual o tipo de vergonha sugerido por Pelé – se nos gramados ou fora dele (vou ler depois que terminar este meu post). Contudo, para mim, corremos sim o risco de passarmos vergonha. A estrutura para a Copa está longe, muito longe de ficar pronta. Os investimentos ainda são acanhados e há um cheiro de corrupção no ar.

De verdade, sou otimista com o país. Entendo que o Brasil vive um bom momento econômico, temos uma presidente que não tem medo de trabalhar, os indicadores apontam que a qualidade de vida da população está melhorando… Enfim, a gente tem motivos pra sentir uma pontinha de orgulho do país.

Mas e a Copa? Ou… e depois da Copa?

Sinceramente, não sei. Mas às vezes penso que, fora dos gramados, também não vamos fazer bonito. Pior que isto: pra sediar o evento, os promotores, cartolas, governantes etc só vão conseguir dar uma maquiada na “casa” e nossa herança poderá ser uma tremenda antipropaganda do país – inclusive com efeitos nocivos no turismo e noutros setores.

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