Dizer “não” e a crise da autoestima

Conheço gente que tem enorme dificuldade pra dizer “não”. A pessoa assume compromissos simplesmente por que não dá conta de olhar primeiro para si. Alguém pode até dizer: – mas olhar pra si é ser egoísta. Concordo, parcialmente. Acontece que a preocupação em atender sempre não faz bem. E geralmente é motivada pela necessidade de agradar.

O vizinho chega e, pra não arrumar confusão, você diz sim para aquele pedido chato. Ela quer deixar o filho na sua casa. O moleque é um diabinho, mal educado, quebra tudo. Mas você sorri amarelo e diz… sim.

No trabalho, o colega precisa de um dia de folga… Você está atarefado, com agenda cheia, estressado, já está tomando energético pra dar conta de ficar acordado até altas horas… Mas o colega precisa da folga e diz:

– Você pode fazer o relatório pra mim?

Ele pergunta já sabendo da resposta…

– Tudo bem. Pode deixar comigo. Aproveita a viagem.

Por dentro, você se sente explorado. Fica irritado, mas não tem coragem de desagradar.

Mas essa dificuldade pra dizer “não” também acontece em relacionamentos. A pessoa tem uma relação doentia, sofrida. Ainda assim, aceita tudo. É como se outro estivesse fazendo um favor de ficar com você. Embora doentia, a relação é mantida, porque o desconhecido assusta e parece não haver vida longe do “objeto idolatrado”.

Não ser capaz de dizer “não” é motivado por uma baixa autoestima. Quem é inseguro, não tem amor próprio e precisa da aprovação alheia sofre na busca de agradar – como se só o outro pudesse dar sentido a sua existência. Tem solução? Claro que sim. Mas passa por se conhecer melhor e entender que ser “bonzinho” sempre não garante a admiração dos outros. Pelo contrário, o universo conspira a favor das pessoas bem resolvidas e que sabem se valorizar.

PS- Este é o assunto do Questão de Classe desta quinta-feira, pela CBN Maringá.

Ah… vale dizer que hoje tem gente que não sabe dizer “sim”. É um outro problema. Porém, pra outro dia, outro post.

6 comentários em “Dizer “não” e a crise da autoestima

  1. Ronaldo, acho que tem muito a ver com o post anterior. O “sim” pra agradar as pessoas revela muito a ansiedade em ser reconhecido pela “sociedade” em querer ser bom. Mas é uma questão muito complicada. Muitas vezes disse “não” porque o “sim” seria muito sacrificante para mim. Mas depois bateu um arrependimento que me fez muito mal. Acho que a dosagem entre o “sim” e o “não” vai depender muito de como a pessoa encara (ou quer encarar) a relação com o solicitante. Mas o importante é o dialogo e a sinceridade. Parabéns pelo texto. Nos ajuda a melhorar um pouco a cada dia. Abraço.

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  2. muito bacana o post, muita gente tem dúvida sobre essa questão de falar sim ou nao, adorei, muito inteligente como sempre. abraços amigo, Júlio-Dracena-Sp.

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