Crise de criatividade e a dura realidade

Acompanho semanalmente a coluna de alguns jornalistas, cronistas etc. Também tem alguns blogueiros que fazem parte da minha lista de leitura obrigatória. São pessoas que gosto, que admiro – seja pela capacidade de argumentação, pela criatividade ou pelos bons temas. Entretanto, noto que ninguém consegue ser sempre brilhante. Ainda que sejam admiráveis, não há uma regularidade. Há textos que são únicos; outros que são “apenas” bons.

Confesso que isto me tranquiliza. Afinal, não raras vezes me sinto em plena crise de criatividade. Nenhum tema me empolga. Nada que esteja disposto a fazer me faz vibrar. O resultado é mais que esperado: nenhuma produção se torna significativa.

Na faculdade, numa das minhas disciplinas sempre discuto a produção cultural e as consequências do ritmo quase industrial que se impõe ao mercado da arte. Com frequência, comento que não há criatividade que resista a agenda das gravadoras, editoras, emissoras de tevê etc.

Todo mundo tem bons e maus dias. Portanto, não é só talento.

Fico imaginando o drama que vive um autor de novelas. O cara tem que escrever todos os dias durante oito, nove meses. Como é possível criar personagens e histórias que surpreendam durante todo o tempo em que a obra estiver no ar? É impossível. Ainda que existam auxiliares, gente para incentivar, trocar ideias. Afinal, tem dias que a gente simplesmente não quer sair da cama. Muito menos sentar em frente a um computador e produzir. E produzir de maneira criativa, cativante.

Cá com meus botões, entendo que deveríamos respeitar o tempo de cada um. Permitir que cada “artista” tenha a chance de ser único. No entanto, isto é só um sonho utópico. Nenhum colunista mantém seu emprego se escrever durante quatro semanas seguidas e precisar de outras três para voltar a produzir um único texto; nenhum escritor vai conseguir sobreviver de sua produção se não entregar um novo livro dentro dos prazos desejados pela editora… E assim por diante. Vale até para nós, blogueiros de plantão. Sem novos textos, a página perde visitantes. E sem eles – ou seja, vocês – não há razão para seguir por aqui.