Homofobia, preconceito e o politicamente correto

Marcos Mion está sendo processado por homofobia. Ele e a Record. Não, não vou discutir o caso. Quem quiser entender, clica no link e vai ver mais sobre o assunto noutros sites. Quero apenas refletir sobre este momento chato que estamos vivendo. Danilo Gentili falou sobre isto ao defender Mion. Ele está certo. Tudo é proibido. Vivemos o tempo do politicamente correto. É um “deus-nos-acuda”. Qualquer palavra ou frase mal colocada pode render ação na Justiça. Ou o sujeito se vê obrigado a retratar-se.

Dia desses compartilhei por aqui a sensação que tive de constrangimento em sala de aula por usar um termo comum. Ao falar mandar um “Então o neguinho acha que”, parte da sala ficou olhando pra mim como se eu fosse um cidadão que estivesse algum tipo de preconceito contra negros.

Tudo bem, acho que existem exageros. O racismo é uma verdade. Homofobia, idem. Mas peraí… Estamos perdendo a noção das coisas. Daqui a pouco nada pode.

Pra fazer rir, a piada sempre foi construída com base naquilo que constrange. É assim que funciona.

Por que tenho enorme dificuldade até para contar piada? Porque sou todo certinho, tenho cuidado com as palavras, sou todo polido… Enfim. Isso me torna um chato. E não um cara engraçado. Muito menos me faz um defensor das minorias.

Convenhamos, está na hora de educarmos a sociedade para romper com os sentimentos preconceituosos – de todos os gêneros. Não é por meio de leis e pressão que vamos mudar as pessoas. Pelo contrário, só causa mais confrontos e separação. Rir de si mesmo sempre foi a melhor forma de ser aceito e se tornar agradável.

Anúncios

O que tenho a ver com a Mirella e com o Ceará?

Está lá… Há semanas entre as notícias mais lidas. Mas o que tenho a ver com isso? Euzinho aqui não tenho nada a ver com essa história. Porém, muita gente deve ter algum tipo de interesse no tema, né?

Deixa explicar. Estou falando da série de notícias(???) a respeito de Mirella Santos e Ceará. Ela é ex-mulher de um cantor. O Latino. Ele é comediante. Pronto. E estão namorando.

A última deles que está entre as mais lidas do R7 é esta daqui:

Ceará e Mirella trocam novos beijos em público

Diga-me: eles não podem? E que importância isso tem na ordem do dia?

Podem. E se não pudessem, também não seria um problema nosso.

Então, por que as notícias relacionadas ao casal estão bombando na net? Ninguém tem mais nada pra fazer? Ou pra ler? Deve ser isso. Não há nada mais interessante. Afinal, se “novos beijos em público” viram noticia, já não sei mais o que é notícia ou o que de fato importa.

A estreia de Rachel Sheherazade: temos opinião sobre tudo?

Estreia nesta segunda-feira o novo(?) SBT Brasil. Na bancada, Rachel Sheherazade é a principal aposta da emissora. Ela se tornou popular depois que um comentário corajoso a respeito do carnaval foi parar no Youtube. A opinião da jornalista teria levado Silvio Santos a bancar sua contratação. Vinda de uma afiliada do SBT, na Paraíba, Rachel promete ser mais que um rosto diferente nos telejornais.

O comentário que projetou Rachel foi mesmo corajoso. Mais que isso, muito bem fundamentado; argumentos longe do lugar-comum. Por isso, ela deve ter toda liberdade para, ao final de cada notícia, falar o que quiser como âncora do SBT Brasil.

Gosto da proposta, mas cá com meus botões fico pensando: como ter opinião sobre tudo?

Ainda ontem pensava nisto. Assisti parcialmente o Fantástico e, ao ver duas reportagens, fiquei com vontade de escrever, falar alguma coisa, mas simplesmente não encontrei argumentos. O que dizer?

Lembrei mais uma vez da música do Raul… Afinal, não dá para ter opinião formada sobre tudo. Tem coisas que simplesmente nos escapam, nos silenciam. E quando a gente se atreve a falar (de vez em quando faço isso), fala bobagem. Se não fala ou escreve bobagem, faz isso de maneira rasa, superficial.

Acho natural palpitarmos sobre alguns assuntos. Palpite é palpite. Todo mundo tem direito de palpitar. O sujeito só não pode achar que palpite é um posicionamento em que a questão é problematizada, analisada. O comentário é diferente; requer um aprofundamento.

Ninguém dá conta de fazer isso o tempo todo, a respeito de tudo.

Não conheço Rachel Sheherazade, mas torço por ela. Por isso mesmo, não gostaria de vê-la ser fritada num telejornal de nível nacional por se atrever a comentar a respeito de tudo. Se fizer isso, além de deixar o jornal cansativo, corre o risco de cair no lugar-comum.

Estou longe de ser alguém pra aconselhar uma jornalista que chega à bancada de um jornal de rede nacional. Falo apenas como reflexo da minha voz interior que por vezes sugere: “menos muitas vezes é mais”.

Lá na Paraíba Rachel Sheherazade fez muito bem isso. Um tema bem escolhido por jornal. Sucesso garantido, já que seus argumentos sempre foram diretos, verdadeiros e contundentes.

As cantoras pop e o futuro das mulheres

Que as celebridades têm influência sobre nós, não é novidade. Há uma tendência em se imitar o ídolo. Eles lançam moda, estimulam hábitos e comportamentos.

Por isso mesmo, ao ler um texto do jornalista André Forastieri, resolvi compartilhar por aqui uma reflexão proposta no blog dele.

Ao falar sobre as cantoras pop – começando por Madonna, passando Beyoncé, Rihanna, Shakira até chegar a Lady Gaga -, Forastieri aponta que imagens e gestos sugerem que elas se comportam como prostitutas. Ao fazer isto, traz uma questão bastante séria:

Comunicação não é o que você fala, é o que o outro ouve. Madonna fazia boca de boquete, usava uma fivela escrita “boy toy” e se dizia feminista – e daí? Ela, como essas moças todas, parecia estar disposta a fazer tudo por dinheiro. Sozinha, fez este estrago. Me pergunto o que o efeito conjunto dessas moças todas fará nas garotinhas de hoje. Será que o futuro será de “material girls”?

Rihanna está entre as principais cantoras popComo ressalta o jornalista, não se trata de ser moralista, até porque o que essas cantoras “vendem” nos palcos, muitas vezes, está longe de ser o que são como mulher. Entretanto, a imagem ilude e estimula a imitação. É inevitável colocar em discussão a pergunta: como será a geração dessas garotinhas que hoje assistem e rebolam ao som de Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna, Shakira etc etc?

Não acredito na máxima de estímulo-resposta. Ou seja, a sociedade como reflexo dos estímulos recebidos. Entretanto, o fato de se estar alheio à realidade, a ausência de criticidade e principalmente da falta de pais dispostos a refletir com seus filhos sobre os hábitos contemporâneos tende a colocar em risco a formação de uma identidade saudável e equilibrada do ponto de vista emocional.

Como sempre digo por aqui: cada um faz o que bem entender do corpo. As escolhas são nossas. No entanto, até que ponto tal ousadia – em que mulheres se vendem como objetos de desejo, quase mercadorias em prateleiras à espera da melhor oferta – não causará marcas profundas à alma?

Na segunda, uma música

Não raras vezes já começo a pensar uma semana antes na música que vou compartilhar aqui. No domingo, geralmente gasto uns minutinhos tentando definir o que vai pro blog. Neste fim de semana, pensei muita coisa, mas nada que me agradasse. Hoje, ouvi no rádio um comercial para o show do Roupa Nova em Maringá. Será no próximo dia 18. Tudo bem… Ainda faltam praticamente três semanas, mas penso que qualquer música da banda sempre é uma boa pedida. Poucos grupos têm a qualidade sonora – instrumental e vocal – do Roupa Nova.

Depois de escolher a banda, a coisa ficou ainda mais complicada. Qual música? A lista de canções de sucesso é imensa. Então, optei por “Sapato velho”, uma das preferidas deles. E que também gosto muito.

Pais que matam filhos; filhos que matam pais

Uma das primeiras notícias que li na manhã desta quinta-feira foi esta:

Embriagado, homem mata filha a facadas e tenta se matar em Minas Gerais

A gente não precisa ir além do título para ficar chocado. É triste. Lamentavelmente, não é um fato raro no noticiário nacional. Pais que matam filhos, filhos que matam pais…

Alguns dizem: “sinal dos tempos”…

Se “sinal dos tempos” for o desamor, o desapego, sim; é “sinal dos tempos”. Tempos estes já existentes na história desde sempre. Então não venham me dizer que isso começou agora. Laços familiares nunca foram motivo para evitar agressão entre pessoas do mesmo sangue e até morte.

Estranhamos, não queremos, não aceitamos, mas humanos são contraditórios e nem sempre possuem amor ou respeitam a vida – até mesmo dos seus. E a bebida, embora possa contribuir para romper com certos valores, apenas revela a verdadeira face dos sujeitos.

Proposta original do PAS foi corrompida e o processo virou produto do mercado de ensino

Meu filho me entregou hoje um pequeno panfleto de um novo cursinho. Uma escola está abrindo turmas visando a preparação para o PAS-Processo de Avaliação Seriada da UEM. A proposta é oferecer aulas de Biologia, Física, Matemática, Química, Artes… e por aí vai.

Cá com meus botões, lembrei de um recente papo sobre o assunto. O PAS surgiu como alternativa ao vestibular; uma forma diferente de avaliar o aluno garantindo, ao final do processo, uma vaga na universidade para aqueles que tiverem o melhor desempenho ao longo de três etapas (três anos).

A ideia o tempo todo foi a valorização das escolas, do ensino médio e, principalmente, a promoção de mudanças na grade curricular dos colégios visando torná-la mais atual e em sintonia com as próprias exigências da universidade.

Entretanto, o que era uma excelente proposta se tornou mais um produto do mercado de ensino. Escolas criaram horários alternativos de aulas e vários cursinhos aproveitaram a oportunidade para ampliar o número de alunos com a oferta um novo serviço.

Diriam por aí: o mercado se adequou. Ou, foi a resposta do mercado ao PAS.

Concordo.

Entretanto, mais uma vez o aluno da escola pública será penalizado. Instituições privadas conseguem garantir aulas extras. E fazem isso inclusive como estratégia de marketing numa perspectiva dupla. Primeiro, ofertam o ensino médio com a promessa de preparação específica para o PAS; segundo, quando os resultados de aprovação começarem a surgir, não vão perder um único minuto e divulgarão quantos alunos conseguiram “colocar” na universidade.

O aluno da escola pública também tem dificuldade para pagar um cursinho. Ainda mais, um cursinho de três anos – uma espécie de reforço do ensino médio.

Como disse, não condeno a mercantilização do PAS feita por cursinhos e instituições privadas. Entretanto, penso que a UEM e as universidades públicas precisam pensar uma outra forma de selecionar seus alunos. Se há uma proposta social no ensino público em nível superior, deve-se propor algo do tipo: garantir um número “x” de vagas para cada escola. Ainda que na modalidade seriada, mas sustentando apenas uma disputa interna. Seriam os melhores alunos, mas por instituição. Gente boa ficaria de fora? Sim, mas quem não tem condições de buscar uma escola melhor não seria duplamente punido.

Reconheço que não existe fórmula ideal. No entanto, penso que o modelo precisa ser democrático, mas também fazer justiça social.

O desafio é exercitar-se

Hoje é o Dia do Desafio – aquele em que as pessoas são convidadas a investir pelo menos 15 minutos numa atividade física. Ao vivo, na CBN Maringá, o secretário de Esportes, Walter Guerlles, me desafio a fazer a minha parte. Foi um momento descontraído. Fez a gente rir, mas também me estimulou a escrever este post.

Felizmente, há algum tempo tenho gastado uma hora do meu dia para cuidar da saúde. Não é fácil. Primeiro, porque a correria é grande. Trabalho em três turnos. Achar uma janela na agenda é tarefa quase impossível. Mas os anos passam e compreendi que, se não investir no meu corpo, ninguém fará isso por mim. Portanto, ainda que não ligue para confirmar minha participação no Dia do Desafio, farei minha parte.

Em muitas cidades, certamente milhares de pessoas vão brincar de fazer exercícios. Digo brincar, porque em vários lugares as atividades são desenvolvidas de forma coletiva garantindo diversão, risos e, claro, reclamações por parte de alguns chatos de plantão.

Na faculdade em que leciono, por exemplo, os alunos deixam as salas para se alongar, mexer o corpo. Embora nem todos se envolvam completamente, a música acaba embalando os movimentos e muita gente participa.

Entretanto, fico sempre pensando: e amanhã, como vai ser?

Em Maringá, os bosques e parques da cidade estão sempre cheios de gente disposta a caminhar, correr. As academias, lotadas. Contudo, os indicadores provam que o sedentarismo é uma realidade. A maioria ainda prefere comodidade a se mexer. Consequência disto é a obesidade, e junto com ela uma série de doenças.

Embora existam alguns viciados em exercícios (musculação, por exemplo), não dá pra dizer que é gostoso suar o corpo em cima de uma esteira, levantando peso ou testando os limites da força em inúmeros equipamentos. Tem que ter opinião. Pensar no prazer pós-esforço (na redução de peso, no corpo mais definido, na ausência de barriga e, principalmente, na melhoria geral da disposição físical). Se não for assim, desiste.