Amar e ser amado

relacionamento17

Quando falo sobre relacionamentos, uma das primeiras coisas que defendo é a importância de investir – ou alimentar – a relação. Dia desses, falei aqui sobre a importância das palavras. Cheguei a brincar com a ideia de que, “na relação, a mentira pode ser santa“.

Acredito mesmo no poder das palavras. Entretanto, o amor não sobrevive apenas de palavras. Gestos, ações são fundamentais.

Lembro agora de uma historinha… Conta-se que um pai todos os dias chegava para o filho e dizia “eu te amo”. Repetia a frase em todos os encontros com o garoto. Entretanto, sempre que o menino queria brincar com o pai, sair com ele, precisava de um minuto de atenção, o pai respondia: “desculpa, agora não posso”.

Certo dia, quando o pai dizia novamente para o filho “eu te amo”, o pequeno olhou pra ele e, na sua simplicidade respondeu:

– Não quero que você me ame; quero apenas que brinque comigo.

Sabe, às vezes a gente precisa lembrar que a pessoa amada não quer apenas nossas palavras; ela também deseja nossos gestos, ações que confirmem aquilo que dizemos.

Não adianta ficar repetindo “eu te adoro”, “estou com saudades” ou ainda “você é muito especial para mim”, se na hora em que isso deveria ser traduzido em ações, elas faltam.

É engraçado (ou hipócrita, talvez), mas tem namorado/marido que fica repetindo que está com saudade, mas quando tem a chance de estar com a pessoa amada, consegue achar as horas de futebol com os amigos mais interessantes. Pior, depois ainda quer ser atendido na cama.

Tem mulher que diz que o cara é especial, mas – mesmo sabendo o que magoa o seu amado(???) – vai lá e faz. Depois, pede desculpas.

Lindo isso, não?

Gente, relação é coisa complicada. É complicada porque envolve duas pessoas. Todos querem ser atendidos. E olhamos sempre, primeiro, para nós. Acontece que para o outro nos fazer feliz, também temos que nos doar. Ninguém consegue ser o melhor marido do mundo, a melhor esposa se não recebe nada em troca. Como disse certa vez, “só o divino ama sem esperar nada em troca”. Ninguém ama igual. Isso é verdade. Também é verdade que o verdadeiro amor é aquele que você sente não pelo que a outra pessoa faz, mas pelo que ela representa em sua vida. Mas ninguém consegue, num relacionamento, amar a vida inteira sem se sentir amado.

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11 comentários em “Amar e ser amado

  1. E este assunto foi pauta de conversa entre amigos nesta noite…
    Ser presente e doar-se, inteiramente, um para o outro é um dos princípios básicos de um relacionamento. Uma vez juntos, os companheiros devem viver como casal e não cada um por si… gerando atritos de carência e birra posterior.
    O problema é quando esse tipo de situação vira rotina, agindo erroneamente de maneira pensada para atingir o companheiro e, depois, fazendo as pazes no sexo… E o amor, a cumplicidade onde estão? Relacionamento, então?!
    A verdade é que hoje, numa perspectiva egoísta, as pessoas se fazem reféns desse tipo de situação, acomodando-se numa falsa concepção de amor e sexo “seguro”!

  2. Querido Professor,

    Tens total razão, relacionamento, independente de sexualidade ou até mesmo familiar, é uma coisa complicada. Lidar com o ser humano é estar preparado para receber qualquer tipo de manifestação inesperada. Eu na condição de mulher, posso lhe garantir que uma parcela muito grande da massa feminina busca hoje isso: Amar e ser amada pelo parceiro. Não que os homens também não busquem isso, mas até devido a uma questão de “posição” perante a sociedade eles são estimulados a conseguirem sempre mais. Obviamente, o que me move são as ecessões, e pessoas que intendem que por mais que eu te ame, eu vou te magoar um dia e você, vai ter que me perdoar por isso. Só assim, se constrói confiança, companherismo, respeito e amor, quesito básicos a qualquer tipo de relação.

    Um abraço

  3. o problema é que todo ser humano cresce com a idéia de encontrar ‘a sua metade’.. então em todos os relacionamentos as pessoas vão sempre procurar o que falta nela, e consequentemente procurar na pessoa a felicidade própria..! sendo que o ideal seria não procurar ‘a sua metade’ e sim estar inteiro para a outra pessoa, e buscar em todas as coisas levar a felicidade pra outra pessoa.. e dessa forma eu creio que o parceiro retribuiria sem muitos esforços.. e as frustrações seriam menores.! 🙂

  4. E o assunto pode render ainda muito mais…
    Acontece que, hoje em dia, com a banalização do sexo e a depreciação própria diante do sexo oposto, as pessoas se vulgarizam e tornam os relacionamentos sinceros absoletos, chatos, sem sentido… Pelo menos numa concepção de que na hora que se quiser sexo, terá.
    Fronte à mídia que tanto estimula e a curiosidade que tanto pressiona, a atual geração de 11 a 15 anos estipula o relacionamento como “ficar”, “dar uns pegas”, “pegar”, “perder meia hora”, “ir pro fight” etc, onde não há compromisso com o ser humano que está por trás do corpo chamativo. Isso abre portas para um comportamento cada vez mais egoísta, junto ao machismo e ao feminismo.
    Sendo assim, o doar-se para o outro e amar para ser amado parece perder sentido, virar coisa do passado… Uma vez esta errônea cultura seja passada para os futuros, quem sabe todo este nosso bate-papo, bem como o casamento, também não vire coisa de velho?!

    1. não tenho muita dúvida que se torne mesmo “coisa de velho”. às vezes me pego preocupado ao falar sobre isso, principalmente em sala de aula, para não ser visto como “antiquado”. abraço

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