Será que você me entende?

Uma das coisas que às vezes me “travam” na hora de falar ou escrever é a preocupação em me fazer plenamente compreendido. Sempre me pergunto: será que estão entendendo?

Nem todo mundo fica se ocupando disso. Mas, por hábito desenvolvido ao longo dos anos de estudo da Linguagem, me tornei refém desse sentimento. A busca por controlar os sentidos produzidos pela fala ou pelo texto acabam deixando tudo mais difícil. Até impedindo a exposição livre do raciocínio.

Blog sempre teve essa característica: ser o espaço para publicação do texto de primeiro fôlego – aquele que a gente constrói no calor da emoção. Ao longo dos anos, adestrei parte das emoções. Com isso, nem sempre dou conta de ser passional o suficiente para deixar “quente” um texto que vou publicar por aqui.

Acontece que essa sensação não acontece apenas antes e durante o desenvolvimento do texto, também se dá após torná-lo acessível aos leitores. Sempre repito a pergunta: será que que fiz entender?

Ontem, por exemplo, terminei o post “As doenças que nascem em nós” e me vi obrigado a pedir para uma amiga dar uma olhadela no blog. Aproveitei que estava online e falei:

– Dá uma olhada no último texto do blog. Acho que não consegui explicar nada. Sei o que queria dizer, mas acho que não disse o que desejava.

Sabe, não temos controle dos sentidos. As pessoas nos ouvem e lêem o que escrevemos mas entendem dentro de um contexto muito particular. Depende de seu conhecimento prévio a respeito do assunto (até mesmo do conhecimento que possuem de quem é o autor daquela fala ou escrita), da situação em que se encontra (inclusive, emocional), dos objetivos que o levam a ler… E até o título por vezes direciona o olhar – criando uma expectativa – que vai resultar na compreensão obtida.

É por isso que a gente escuta com frequência argumentos do tipo: “mas não foi isso que eu quis dizer”. E não foi mesmo. Mas foi o que o outro entendeu. Você diz uma coisa. O outro entende outra completamente diferente.

Tudo muito natural. Ninguém é mais ou menos inteligente por isso. Faz parte do jogo de sentidos produzidos em nossos atos de comunicação.

Compreender isso nos torna mais tolerantes e menos donos da verdade.