Será que você me entende?

Uma das coisas que às vezes me “travam” na hora de falar ou escrever é a preocupação em me fazer plenamente compreendido. Sempre me pergunto: será que estão entendendo?

Nem todo mundo fica se ocupando disso. Mas, por hábito desenvolvido ao longo dos anos de estudo da Linguagem, me tornei refém desse sentimento. A busca por controlar os sentidos produzidos pela fala ou pelo texto acabam deixando tudo mais difícil. Até impedindo a exposição livre do raciocínio.

Blog sempre teve essa característica: ser o espaço para publicação do texto de primeiro fôlego – aquele que a gente constrói no calor da emoção. Ao longo dos anos, adestrei parte das emoções. Com isso, nem sempre dou conta de ser passional o suficiente para deixar “quente” um texto que vou publicar por aqui.

Acontece que essa sensação não acontece apenas antes e durante o desenvolvimento do texto, também se dá após torná-lo acessível aos leitores. Sempre repito a pergunta: será que que fiz entender?

Ontem, por exemplo, terminei o post “As doenças que nascem em nós” e me vi obrigado a pedir para uma amiga dar uma olhadela no blog. Aproveitei que estava online e falei:

– Dá uma olhada no último texto do blog. Acho que não consegui explicar nada. Sei o que queria dizer, mas acho que não disse o que desejava.

Sabe, não temos controle dos sentidos. As pessoas nos ouvem e lêem o que escrevemos mas entendem dentro de um contexto muito particular. Depende de seu conhecimento prévio a respeito do assunto (até mesmo do conhecimento que possuem de quem é o autor daquela fala ou escrita), da situação em que se encontra (inclusive, emocional), dos objetivos que o levam a ler… E até o título por vezes direciona o olhar – criando uma expectativa – que vai resultar na compreensão obtida.

É por isso que a gente escuta com frequência argumentos do tipo: “mas não foi isso que eu quis dizer”. E não foi mesmo. Mas foi o que o outro entendeu. Você diz uma coisa. O outro entende outra completamente diferente.

Tudo muito natural. Ninguém é mais ou menos inteligente por isso. Faz parte do jogo de sentidos produzidos em nossos atos de comunicação.

Compreender isso nos torna mais tolerantes e menos donos da verdade.

6 comentários em “Será que você me entende?

  1. Caro Ronaldo, (se fazer entender), essa é uma peculiaridade rara em boa parte das pessoas, por exemplo na academia o professor dá sua aula e aí vem a pergunta: ‘alguma dúvida pessoal?’, e o silêncio toma conta da sala, e o mestre retoma sua aula sem a preocupação de ter se feito entender ou não.Acho um tanto difícil que em meio a 30/35 alunos, tudo ficou tão claro assim.Os questionamentos existem sempre, e o próprio aluno erra as vezes, por sentir-se constrangido em ser o único a dizer não ter entendido.Obrigado por seu exemplo, eu que meio fora do tempo vou estagiar na escola pública espero ser o mais claro possível, pois ao passo que o indivíduo se faz entender, creio que ele transfere a responsabilidade de sua explanação ao outro, colhendo asim a consciência tranquila do dever cumprido.

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  2. Respondendo sua pergunta título… Sim, entendo perfeitamente!
    É incrível como, na maioria das situações, me pego controlando tudo o que estou dizendo e tudo o que vou dizer em segundos. Simultaneamente analiso o que devo e de que maneira falarei e, mais importante, para quem vou falar.
    Observador que sou, estou sempre ponderando meu ouvinte e/ou leitor, esperando determinado feedback. Exemplo disto são estas linhas que agora escrevo…
    Interessante é o fato de que sempre tenho a sensação que poderia ter me expressado melhor ou ficar na dúvida da compreensão alheia. É como se buscasse a fórmula ideal da comunicação, onde da mesma forma que a mensagem é produzida será recepcionada. Bobagem. Impossível!
    Entretanto, toda essa concepção se faz necessária para que eu deixe o egoísmo de lado na hora de me colocar e, acima de tudo, me fazer humilde na hora de ouvir.

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      1. Sabe, Ronaldo?… Às vezes me distancio para analisar esta característica que nos parece comum. Ponderando o que seria bom ou ruim em me controlar tanto para expressões, chego a uma conclusão que me incomoda.
        Não seria esta preocupação constante – expressar de maneira compreensível – uma forma de auto manipulação, um transtorno ou uma busca pela perfeição?… Bom, na verdade nem eu sei te responder, mas são questionamentos válidos para um comportamento diário.
        O problema é que, como diria Zélia Duncan, quem se diz muito perfeito, na certa encontra um jeito pra não ser de carne e osso!
        Talvez seja melhor deixarmos a complexidade das palavras de lado e nos revelarmos mais humanos, no sentido de erros e acertos. Afinal de contas, todos somos passíveis de se expressar mal e de entender errado uma expressão.

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      2. não nos preocuparmos em controlar o que o outro sente, ou pensa a respeito de nós, é tarefa quase impossível. de alguma forma, o outro nos controla. rsrs. abraço.

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