Quem disse que você é livre?

Ainda não li o texto, mas optei por discutir o assunto mesmo assim. Pelo menos, não sofro a influência das ideias dela e nem me frustro – caso a abordagem não seja a que espero.

Desculpa, estou falando mas nem apresentei o caso. Vejamos:

Liberdade de escolha?
Não se iluda. Quem decide o que você vai comprar é o mercado

Trata-se do último texto publicado na coluna da jornalista Francine Lima, da revista Época. Está no site.

Gostei do título. E o enunciado logo abaixo resume bem a ideia: liberdade é utopia na sociedade de consumo.

Vou logo avisando… Não sou nenhum revolucionário. Ainda penso que o melhor modelo de sociedade é mesmo este: capitalista. Competição, concorrência, insatisfação que busca a acumulação de bens e riquezas etc etc estão na nossa natureza. Construir uma sociedade igualitária – onde todos tenham as mesmas coisas (inclusive do ponto de vista patrimonial) – pode até ser uma boa proposta, mas contraria nossos desejos. Sem contar que torna tudo muito sem graça.

Entretanto, também é falácia o argumento de que somos livres. Em especial, livres para escolher o que consumir. Mentira. A gente compra sim o que o mercado manda. Minhas calças com pregas estão lá dependuradas no guarda-roupa. Saiu de moda. Até uso de vez em quando, porque algumas ainda estão novas. Mas, largas como são, parecem ridículas perto das outras que hoje são ofertadas pelo mercado e que já me “obriguei” a adquirir. Então não é só uma questão de gosto.

Xadrez agora está na moda. Lembro que anos atrás já vivemos uma onda de xadrez. Nunca fui fã, mas a digníssima acabou fazendo o favor de compras algumas peças que combinavam com o que se usava nas ruas. A tendência passou e toda vez que eu olhava aquelas camisas me dava desgosto. Achava aquilo medonho, horroroso. Acabei dando um fim nelas.

Sabe, essa imposição do mercado vale pra tudo. Comprei o celular que uso há pouco mais de um ano. Porém, já me sinto completamente ultrapassado. Pior, sinto-me pressionado a comprar algo do tipo iPhone. Meu netbook foi superado em menos de um ano e já virou peça de museu perto do iPad da minha chefe.

De roupas, calçados, passando pela tecnologia, até chegar aos alimentos – e restaurantes que a gente frequenta – tudo vem com uma indicação de “isto é legal” ou de “credo! você compra isto?”.

Desta forma, na relação que temos com o mundo, colocamo-nos em sintonia com o que nos é “sugerido”. Sem contar que, ainda que queiramos contrariar a ordem das coisas, chega um momento que não existem mais os seus objetos preferidos. Ou você compra o que está na prateleira ou volta para casa de mãos vazias.

Na prática, o discurso de liberdade é só mais um argumento para fazer você acreditar que é dono do próprio nariz.

7 comentários em “Quem disse que você é livre?

  1. Não concordo com a idéia de que esse é o modelo de sociedade ideal seja este. Bilhões de pessoas passando fome também não devem concordar.

    Porém, voltando ao tema central: é isso mesmo. E não ocorre somente com o que compramos ou usamos, mas também com nosso “estilo de vida” e padrão de estética. O que não está dentro dos padrões impostos, é colocado como bizarro.
    Mas essa é a “liberdade” na sociedade capitalista, não há como fugir.

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    1. tem todo direito de não concordar com o modelo ideal de sociedade. também acho que o capitalismo é injusto. mas quem disse que nós, humanos, somos justos? bom, mas é só uma opinião pessoal, caríssimo. obrigado pelo seu comentário. passe sempre por aqui. um abraço.

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  2. E será que existe mesmo essa tal liberdade?
    – Imposta como “bandeira” de um novo estado pelos burgueses… ficou só na bandeira!
    – Tida por algumas “tribos”, que se dizem livres ao escolher certo gênero de música… onde é que está a liberdade, se continuam presas a um único estilo?
    – Liberdade de escolha?… Leia o texto do post!
    A verdade é que não somos livres nem de nós mesmos, uma vez que estamos sempre preocupados com o que os outros pensarão a nosso respeito. E isso abrange muito mais do que moda! Trejeitos, expressões, postura etc, etc fazem parte de nosso universo de inquietações próprias perante o julgamento alheio.
    Sem perspectivas emocionais, esta palavra é usada hoje numa conotação muito genérica, apelando para o impacto que causa. L-i-b-e-r-d-a-d-e. É forte, bonita, sonora, instintiva e ao mesmo tempo, utópica.

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