Um caso típico de censura

Recebi nesse fim de semana um email. É de um blogueiro de Paiçandu. Faz parte da lista de pessoas que usa a internet para questionar, fazer valer o pleno direito à cidadania. Na mensagem, entre outras coisas, pontua as ameaças de processos que têm recebido. Motivo? Ele mostra as contradições da administração pública daquele município.

O que está acontecendo com Leandro Ricardi, autor do blog, não é muito diferente do que ocorre com todos aqueles que se propõem a cobrar um posicionamento coerente dos entes públicos. Historicamente, as autoridades não aceitam críticas. Elas gostam dos meios de comunicação apenas quando estes lhes são úteis. Por isso, a censura sempre foi exercida. Ao longo de séculos – e até mais recentemente em nosso país -, com muita eficiência.

Silenciar o contraditório é uma forma de preservar a imagem. Na política, as notícias (ainda que em blogs e outras mídias sociais) representam um risco ao projeto de poder que possuem. Isto, porque suscitam comentários, perguntas, dúvidas… Políticos não querem isso. Afinal, se nós, civis, não gostamos de ser alvo de comentários, por que eles gostariam?

Por isso, embora tenhamos, constitucionalmente, garantida a liberdade de expressão, exercê-la de maneira plena sempre nunca será tarefa fácil. Nos pequenos municípios, onde todo mundo se conhece, fica ainda mais complicado.

O blogueiro (repórter, radialista etc etc) faz uma crítica a um vereador e depois o encontra na feira. Dá-lhe constrangimento.

Isso me faz lembra um aluno, também de uma cidade com poucos habitantes, que perdeu amigos depois que criou um blog sobre política. Alguns procuram paparicá-lo (para ganhar elogios). Porém, quando a crítica é publica, viram o rosto.

Faz parte do jogo. Sempre foi e sempre será assim.

No regime democrático, embora a censura não seja um mecanismo legal, ela sempre será feita sob ameaças, intimidações, retaliações ou até mesmo com o uso da força econômica.

Temos que aprender a conviver com isso, encontrando brechas para mudar a sociedade a fim de torná-la madura a ponto de compreender o que significa o efetivo direito de opinião, de expressão.

Na segunda, uma música

Serão só alguns shows? Uma tentativa “caça-níquel”? Não sei. Mas o RPM está de volta. Na próxima sexta-feira, 20, Paulo Ricardo e cia fazem show no Credicard Hall, em São Paulo. No site da banda, quatro novas músicas disponíveis para download – inclusive, a escolhida para tocar nas rádios, “Olhos verdes”.

Já ouvi. Está longe de ter o mesmo apelo do som que o RPM produzia nos anos de 1980. É cedo para dizer se alguma das novas músicas vai emplacar, ganhar do gosto popular. Mas mesmo que isso não aconteça, o pouco que foi produzido quando a banda estourou no Brasil (impossível esquecer Olhar 43; London, London; Loura gelada…), valerá o retorno e o pagamento de ingressos por parte dos fãs.

Hoje, para recordar, compartilho Rádio Pirata.