Quem pode evitar que o garoto pule o muro?

Um muro. Ele está lá. Separa o público do privado. Garante privacidade. Mais que isso, garante segurança. Muros separam. Dividem. São construídos como indicativos de que aquele espaço tem regras próprias, e que precisam ser respeitadas.

Em sociedades desenvolvidas – ou em condomínios fechados – já são dispensáveis. Porém, sempre existiram e continuarão existindo em determinados espaços. São necessários.

Numa escola, por exemplo, o muro dá segurança aos pais, pois sabem que os filhos estão protegidos naquele espaço. Terão dificuldade para deixar a instituição; e quem está de fora, não entra.

Mas o que dizer quando não cumprem sua função?

Foto meramente ilustrativa
Em Maringá, tenho observado tentativas de se implantar catracas nos portões da escola para aumentar a segurança. Também se fala em instalar câmeras de vídeo – com custo aproximado de R$ 4 milhões.

Hoje, porém, assisti “de camarote” uma cena que prova que nem os muros – nem câmeras ou catracas – podem garantir coisa alguma. Por volta das 13h40, vi um garoto de baixa estatura, 14 ou 15 anos, saltar o muro do Instituto de Educação de Maringá. Quem conhece o colégio, sabe bem que são dois metros e meio ou três de altura. Isso não o impediu de escalar com uma enorme facilidade. Ele chegou, deu impulso, dois ou três movimentos depois, estava dentro do colégio. Fácil, fácil.

O muro, recém-pintado, já está sujo. Sugere que o feito do garoto é repetido por outros adolescentes. É provável que sejam alunos. Mas podem não ser. Ainda que sejam, quem precisa pular um muro? Que aluno precisa fazer isto? Faz isto por prazer? Por chegar atrasado?

Diga-me: quem está seguro? O que são nossas escolas?

Diante da habilidade do garoto, só pude sorrir pensando na irônica proposta de instalar catracas nas escolas. Pensei nos milhares de reais gastos com muros. E ainda na possibilidade de alguns milhões aplicados em câmeras. Tudo bobagem. O mundo real reclama ações mais amplas e criativas.

Atualizado (sexta-feira, 20/5, 11h20): Descobrimos um dos prováveis motivos para o garoto pular o muro da escola. Uma nova regra implantada pelo Instituto de Educação impede que os alunos entrem cinco minutos após o início da aula. Ou seja, os “espertinhos” pulam o muro para driblar a regra. Regra, convenhamos, no mínimo questionável – mas falo sobre isso noutro post.