Cinco minutos de atraso tira direito do aluno assistir as aulas

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Pra botar “ordem na casa”, muita escola proíbe o aluno de entrar em sala quando chega atrasado. Lembro que anos atrás o Instituto Estadual de Educação de Maringá estabeleceu uma série de regras. Entre elas: alunos que chegarem cinco minutos após o início das aulas não entram. Não entravam mesmo. Perdiam todas as aulas. Isso deu muita confusão. Houve interferência até do Conselho Tutelar.

Esse tipo de medida sempre gera o questionamento:

– é justo proibir que aluno entre na escola por que chegou cinco minutos atrasado?

Não, não é.

Ter regras é necessário. Quando há orientação, um processo educativo que envolva os pais, algum tipo de perda para o aluno e sem que o aluno fique desocupado no pátio, a medida pode mudar a realidade da instituição. Acabar com a farra e reduzir a quantidade de moleque chegando fora da hora…

Entretanto, se a medida radicaliza, se não há permissão de entrar na escola mesmo após terminar a primeira aula, a questão se torna mais complexa. E pode ser questionada também do ponto de vista legal.

Também há outro aspecto. Parece-me que acabar com a cultura do atraso é necessário; porém, que direito o diretor de um colégio tem de impedir o aluno de assistir as aulas? Até concordaria que ele perdesse a aula em que estaria chegando atrasado. Mas e as demais? O fato de chegar seis minutos atrasado justifica deixá-lo sem nenhuma aula?

Num país em que o povo não morre de amores pelas escolas, trata-se de uma medida que parece gerar ainda mais antipatia. Sem contar que esses adolescentes que chegam atrasados vão ficar onde quando perderem as aulas? Depois de deixarem suas casas, impedidos de entrar, retornarão ou ficarão na rua esperando dar a hora de terminar as atividades do colégio?

Como eu disse, legalmente a escola não pode mandar o aluno que chega atrasado de volta pra casa. Impedir a entrada na aula que já começou é uma medida justa. Mas, segundo o advogado Leonardo Pacheco,  a direção deve permitir o acesso à escola e pode ocupar o aluno com alguma atividade até o horário da próxima aula. Qualquer coisa diferente disso, pode ser questionada. E o Conselho Tutelar é a porta de entrada para a reclamação dos pais.

Professora denuncia realidade da educação e vira hit na internet

Quase um milagre… Tem um quê de milagre uma denúncia na área da educação sensibilizar tanta gente na internet, gerar comentários nas redes sociais e virar alvo de comentários até mesmo nos veículos de comunicação tradicionais. E o grito de indignação foi feito por uma jovem professora do Rio Grande do Norte. Mas o que ela diz certamente se repete em muitas outras unidades da federação e municípios brasileiros. Amanda Gurgel é o nome da educadora.

Pra quem ainda não viu o vídeo, estou compartilhando neste espaço. Vale gastar um tempinho, assistir, refletir e cobrar ações coerentes de nossas autoridades – aquelas que dizem ter educação como prioridade.