Proposta original do PAS foi corrompida e o processo virou produto do mercado de ensino

Meu filho me entregou hoje um pequeno panfleto de um novo cursinho. Uma escola está abrindo turmas visando a preparação para o PAS-Processo de Avaliação Seriada da UEM. A proposta é oferecer aulas de Biologia, Física, Matemática, Química, Artes… e por aí vai.

Cá com meus botões, lembrei de um recente papo sobre o assunto. O PAS surgiu como alternativa ao vestibular; uma forma diferente de avaliar o aluno garantindo, ao final do processo, uma vaga na universidade para aqueles que tiverem o melhor desempenho ao longo de três etapas (três anos).

A ideia o tempo todo foi a valorização das escolas, do ensino médio e, principalmente, a promoção de mudanças na grade curricular dos colégios visando torná-la mais atual e em sintonia com as próprias exigências da universidade.

Entretanto, o que era uma excelente proposta se tornou mais um produto do mercado de ensino. Escolas criaram horários alternativos de aulas e vários cursinhos aproveitaram a oportunidade para ampliar o número de alunos com a oferta um novo serviço.

Diriam por aí: o mercado se adequou. Ou, foi a resposta do mercado ao PAS.

Concordo.

Entretanto, mais uma vez o aluno da escola pública será penalizado. Instituições privadas conseguem garantir aulas extras. E fazem isso inclusive como estratégia de marketing numa perspectiva dupla. Primeiro, ofertam o ensino médio com a promessa de preparação específica para o PAS; segundo, quando os resultados de aprovação começarem a surgir, não vão perder um único minuto e divulgarão quantos alunos conseguiram “colocar” na universidade.

O aluno da escola pública também tem dificuldade para pagar um cursinho. Ainda mais, um cursinho de três anos – uma espécie de reforço do ensino médio.

Como disse, não condeno a mercantilização do PAS feita por cursinhos e instituições privadas. Entretanto, penso que a UEM e as universidades públicas precisam pensar uma outra forma de selecionar seus alunos. Se há uma proposta social no ensino público em nível superior, deve-se propor algo do tipo: garantir um número “x” de vagas para cada escola. Ainda que na modalidade seriada, mas sustentando apenas uma disputa interna. Seriam os melhores alunos, mas por instituição. Gente boa ficaria de fora? Sim, mas quem não tem condições de buscar uma escola melhor não seria duplamente punido.

Reconheço que não existe fórmula ideal. No entanto, penso que o modelo precisa ser democrático, mas também fazer justiça social.

O desafio é exercitar-se

Hoje é o Dia do Desafio – aquele em que as pessoas são convidadas a investir pelo menos 15 minutos numa atividade física. Ao vivo, na CBN Maringá, o secretário de Esportes, Walter Guerlles, me desafio a fazer a minha parte. Foi um momento descontraído. Fez a gente rir, mas também me estimulou a escrever este post.

Felizmente, há algum tempo tenho gastado uma hora do meu dia para cuidar da saúde. Não é fácil. Primeiro, porque a correria é grande. Trabalho em três turnos. Achar uma janela na agenda é tarefa quase impossível. Mas os anos passam e compreendi que, se não investir no meu corpo, ninguém fará isso por mim. Portanto, ainda que não ligue para confirmar minha participação no Dia do Desafio, farei minha parte.

Em muitas cidades, certamente milhares de pessoas vão brincar de fazer exercícios. Digo brincar, porque em vários lugares as atividades são desenvolvidas de forma coletiva garantindo diversão, risos e, claro, reclamações por parte de alguns chatos de plantão.

Na faculdade em que leciono, por exemplo, os alunos deixam as salas para se alongar, mexer o corpo. Embora nem todos se envolvam completamente, a música acaba embalando os movimentos e muita gente participa.

Entretanto, fico sempre pensando: e amanhã, como vai ser?

Em Maringá, os bosques e parques da cidade estão sempre cheios de gente disposta a caminhar, correr. As academias, lotadas. Contudo, os indicadores provam que o sedentarismo é uma realidade. A maioria ainda prefere comodidade a se mexer. Consequência disto é a obesidade, e junto com ela uma série de doenças.

Embora existam alguns viciados em exercícios (musculação, por exemplo), não dá pra dizer que é gostoso suar o corpo em cima de uma esteira, levantando peso ou testando os limites da força em inúmeros equipamentos. Tem que ter opinião. Pensar no prazer pós-esforço (na redução de peso, no corpo mais definido, na ausência de barriga e, principalmente, na melhoria geral da disposição físical). Se não for assim, desiste.