A estreia de Rachel Sheherazade: temos opinião sobre tudo?

Estreia nesta segunda-feira o novo(?) SBT Brasil. Na bancada, Rachel Sheherazade é a principal aposta da emissora. Ela se tornou popular depois que um comentário corajoso a respeito do carnaval foi parar no Youtube. A opinião da jornalista teria levado Silvio Santos a bancar sua contratação. Vinda de uma afiliada do SBT, na Paraíba, Rachel promete ser mais que um rosto diferente nos telejornais.

O comentário que projetou Rachel foi mesmo corajoso. Mais que isso, muito bem fundamentado; argumentos longe do lugar-comum. Por isso, ela deve ter toda liberdade para, ao final de cada notícia, falar o que quiser como âncora do SBT Brasil.

Gosto da proposta, mas cá com meus botões fico pensando: como ter opinião sobre tudo?

Ainda ontem pensava nisto. Assisti parcialmente o Fantástico e, ao ver duas reportagens, fiquei com vontade de escrever, falar alguma coisa, mas simplesmente não encontrei argumentos. O que dizer?

Lembrei mais uma vez da música do Raul… Afinal, não dá para ter opinião formada sobre tudo. Tem coisas que simplesmente nos escapam, nos silenciam. E quando a gente se atreve a falar (de vez em quando faço isso), fala bobagem. Se não fala ou escreve bobagem, faz isso de maneira rasa, superficial.

Acho natural palpitarmos sobre alguns assuntos. Palpite é palpite. Todo mundo tem direito de palpitar. O sujeito só não pode achar que palpite é um posicionamento em que a questão é problematizada, analisada. O comentário é diferente; requer um aprofundamento.

Ninguém dá conta de fazer isso o tempo todo, a respeito de tudo.

Não conheço Rachel Sheherazade, mas torço por ela. Por isso mesmo, não gostaria de vê-la ser fritada num telejornal de nível nacional por se atrever a comentar a respeito de tudo. Se fizer isso, além de deixar o jornal cansativo, corre o risco de cair no lugar-comum.

Estou longe de ser alguém pra aconselhar uma jornalista que chega à bancada de um jornal de rede nacional. Falo apenas como reflexo da minha voz interior que por vezes sugere: “menos muitas vezes é mais”.

Lá na Paraíba Rachel Sheherazade fez muito bem isso. Um tema bem escolhido por jornal. Sucesso garantido, já que seus argumentos sempre foram diretos, verdadeiros e contundentes.

As cantoras pop e o futuro das mulheres

Que as celebridades têm influência sobre nós, não é novidade. Há uma tendência em se imitar o ídolo. Eles lançam moda, estimulam hábitos e comportamentos.

Por isso mesmo, ao ler um texto do jornalista André Forastieri, resolvi compartilhar por aqui uma reflexão proposta no blog dele.

Ao falar sobre as cantoras pop – começando por Madonna, passando Beyoncé, Rihanna, Shakira até chegar a Lady Gaga -, Forastieri aponta que imagens e gestos sugerem que elas se comportam como prostitutas. Ao fazer isto, traz uma questão bastante séria:

Comunicação não é o que você fala, é o que o outro ouve. Madonna fazia boca de boquete, usava uma fivela escrita “boy toy” e se dizia feminista – e daí? Ela, como essas moças todas, parecia estar disposta a fazer tudo por dinheiro. Sozinha, fez este estrago. Me pergunto o que o efeito conjunto dessas moças todas fará nas garotinhas de hoje. Será que o futuro será de “material girls”?

Rihanna está entre as principais cantoras popComo ressalta o jornalista, não se trata de ser moralista, até porque o que essas cantoras “vendem” nos palcos, muitas vezes, está longe de ser o que são como mulher. Entretanto, a imagem ilude e estimula a imitação. É inevitável colocar em discussão a pergunta: como será a geração dessas garotinhas que hoje assistem e rebolam ao som de Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna, Shakira etc etc?

Não acredito na máxima de estímulo-resposta. Ou seja, a sociedade como reflexo dos estímulos recebidos. Entretanto, o fato de se estar alheio à realidade, a ausência de criticidade e principalmente da falta de pais dispostos a refletir com seus filhos sobre os hábitos contemporâneos tende a colocar em risco a formação de uma identidade saudável e equilibrada do ponto de vista emocional.

Como sempre digo por aqui: cada um faz o que bem entender do corpo. As escolhas são nossas. No entanto, até que ponto tal ousadia – em que mulheres se vendem como objetos de desejo, quase mercadorias em prateleiras à espera da melhor oferta – não causará marcas profundas à alma?

Na segunda, uma música

Não raras vezes já começo a pensar uma semana antes na música que vou compartilhar aqui. No domingo, geralmente gasto uns minutinhos tentando definir o que vai pro blog. Neste fim de semana, pensei muita coisa, mas nada que me agradasse. Hoje, ouvi no rádio um comercial para o show do Roupa Nova em Maringá. Será no próximo dia 18. Tudo bem… Ainda faltam praticamente três semanas, mas penso que qualquer música da banda sempre é uma boa pedida. Poucos grupos têm a qualidade sonora – instrumental e vocal – do Roupa Nova.

Depois de escolher a banda, a coisa ficou ainda mais complicada. Qual música? A lista de canções de sucesso é imensa. Então, optei por “Sapato velho”, uma das preferidas deles. E que também gosto muito.