Num dia, próximos; noutro, distantes ou separados para sempre

Passava das 23h… Saio apressado do teatro, cabeça baixa para não ser interrompido, mas de repente ouço alguém me chamar. Levanto os olhos e vejo um casal. Dois rostos conhecidos. Ela, menos. Ele, mais. De alguma forma, ambos fizeram parte de uma fase gostosa da minha vida: os anos de faculdade.

Ele foi meu grande parceiro durante o curso de Jornalismo. Ela, esposa de meu amigo, acabou se tornando conhecida em função de alguns fins de semana que nos encontramos em casa. Não para papear; era para estudar mesmo. O papo ficava por conta dela e da Rute. Enquanto elas conversavam, a gente estudava.

A conversa que tive com o casal foi bastante rápida, mas me trouxe recordações. Muitas. Minhas noites continuam sendo na faculdade. A diferença é agora estou na condição de professor. A instituição é a mesma, o curso é o mesmo, mas já não sou mais aluno. E embora seja muito prazeroso estar do outro lado da mesa, dá saudade de tudo que vivemos naqueles quatro anos.

Quando meu amigo comentou que ainda passaria em algum lugar para comer, lembrei das noites que ficamos fazendo trabalho até muito tarde e saíamos em busca de um lanche e algo para beber. Ajudava a relaxar e nos mantinha próximos.

O curso acabou e a vida acabou nos levando para longe. Agora ele está de volta a Maringá, mas nesses últimos sete, oito anos esteve morando noutra cidade. Perdemos contato. Ele e outros colegas de curso saíram em busca de construir o próprio caminho e ninguém mais se viu, se falou.

Enquanto viajava nas recordações e constava o aqui-agora, pensava em como a nossa vida é feita de ciclos. O que vivemos hoje, as pessoas com as quais nos relacionamos agora, dificilmente serão as mesmas daqui dez anos. Por mais que haja carinho, respeito, amizade, as circunstâncias acabarão por nos levar para longe. Os caminhos que hoje trilhamos juntos vão nos levar para lugares diferentes. E isso nos faz perder pessoas que amamos e gostaríamos de ter conosco sempre. Só restará a saudade.

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A sujeira de nossas cidades também reflete nossa sujeira interior

Por notar que o centro de Maringá está um pouco sujo, precisando de maior atenção dos serviços públicos, acabei publicando uma nota noutro blog e ainda repercutindo o assunto no CBN Maringá. Entretanto, ao discutir o assunto no Facebook, foi impossível não entrar noutra esfera: a nossa responsabilidade como cidadãos. Cuidamos de nossa cidade?

A resposta é simples: não. Não cuidamos de nossa cidade. E não estou falando de Maringá. Estou falando de nossa ação humana, nossa responsabilidade com aquilo que é de todos. O sujeito cuida de sua casa, mas é incapaz de cuidar daquilo que é de uso coletivo.

Um exemplo: banheiro público. Quer coisa mais nojenta? Todo mundo reclama da sujeira, mas por que vive sujo? Porque quem usa joga papel no chão (banheiro de mulher tem mais que papel no chão; tem absorvente, fralda de criança etc etc), esquece de dar descarga… E por aí vai. A lista do relaxo é conhecida.

A gente reclama da cidade suja, mas joga bituca de cigarro no chão. Reclama, mas não coloca a latinha de bebida na lixeira, nem o panfleto que recebemos no semáforo ou é deixado no para-brisa do carro. A Pity Marchese estava me contando que já viu até caixas de ovos jogadas na pista de caminhada do Bosque 2.

A prefeitura tem responsabilidade por cuidar da cidade, mantê-la limpa. Mas todos nós temos o dever de jogar o lixo no lixo. É fácil, é simples. Entretanto, por que ao abrir o chiclete jogamos a embalagem no chão?

Pior. Admiramos os chamados países do primeiro mundo. Países europeus, Estados Unidos, Japão nos são referência de organização. Tudo funciona. Quem já esteve nesses lugares, vê cidades bem cuidadas. Por isso, aplaude. No entanto, deveríamos nos questionar: isso seria resultado da ação apenas do governo?

Parece-me que as chamadas sociedades desenvolvidas apenas refletem o desenvolvimento humano de seu povo.