Num dia, próximos; noutro, distantes ou separados – II

Minutos atrás aprovei o comentário da Gabi, no primeiro post que escrevi com esse título. Brincando ou não, ela disse: “tô chorando”. A Deborah, minha aluna, publicou: “é, isso me apavora”.

Quando abri esse post não tinha a pretensão de uma reflexão sobre nossas perdas – o distanciamento ou mesmo rompimento com pessoas amigas. Entretanto, como cada texto tem vida própria, o último argumento acabou sendo algo que também me preocupa. Ou apavora, como falou a Deborah.

Depois de escrever, fiquei lembrando do que fazia dez anos atrás. Dos amigos que frequentavam minha casa, das pessoas com as quais trabalhava, de outros tantos que – mais ou menos presentes – participavam da minha vida. Restaram poucos, muito poucos.

E não é por uma escolha. Não acordei um dia e disse: “não vou falar mais com fulano”. Não. Claro que não. Cada um de nós traçou seu caminho. Continuei morando na mesma cidade, na mesma casa por mais alguns anos, frequentando a mesma igreja… Troquei de trabalho? Sim. Mas até meu email é o mesmo.

Então, por que as pessoas já não são as mesmas? Simples, porque a vida é uma roda viva, dinâmica. As coisas mudam a nossa volta, mudamos juntos e nem percebemos. Você passa alguns dias distante de alguém, faz amizade com outra pessoa e nem percebe que, aos poucos, o outro amigo já não faz parte dos seus dias.

Foi intencional? Não. Você nem percebeu. Quando se deu conta, cada um já estava vivendo um novo momento. O carinho é o mesmo, bate saudade, mas parece que já não há mais razão para uma convivência tão próxima.

São as circunstâncias que nos afastam. Quase sempre não é uma escolha. Você pode até desejar preservar aquela relação, mas tem uma hora que até os assuntos parecem ficar escassos.

Isso tudo é mesmo triste… Pois nos revela que, no fundo, estamos quase sempre sozinhos para terminarmos sozinhos. É a vida em movimento. Uns chegam, outros vão… Outros ocupam nosso lugar.

PS- Desculpa aí… Rsrs. Repeti o título. Faltou criatividade? Talvez. Mas acho que a frase resume bem a ideia que tentei discutir.

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Apaixonados por carros: eles são uma extensão de nossa personalidade

Publiquei nesta manhã a última atualização da frota de veículos de Maringá. Passamos de 242 mil. Na Veja Online, outra notícia “Venda de carros é maior da história para meses de maio“.

Não, não quero discutir aqui dados ou estatísticas. Apenas falar de nossa paixão por carros. Até tempos atrás, dava para dizer que apenas os homens tinham fascinação por veículos. Hoje a realidade é outra. O mercado descobriu as mulheres e até peças publicitárias são produzidas para conquistá-las. A indústria automobilística também já faz carros para elas.

Enquanto nos encantamos por veículos cada vez mais modernos e tecnológicos, emperramos o trânsito de nossas cidades. É o preço de nossa paixão. Escolhemos o congestionamento. Cada carro que sai da concessionária é um veículo a mais esperando pela abertura do semáforo. Afinal, não há um programa nacional para dar fim aos carros velhos. Eles continuam circulando… nas mãos de quem até tempos atrás não tinha recursos para ter um veículo na garagem.

Não sou otimista com relação ao futuro. Também gosto de carro e já sonho trocar o que venho usando nos dois últimos anos. Logo estarei contribuindo para complicar ainda mais o trânsito. É assim que somos. Carros parecem ser parte de nós, uma extensão nossa – inclusive de nossa personalidade. Dentro deles nos sentimos poderosos, donos das vias públicas e implicamos com quem passa pela nossa frente “atrapalhando” o NOSSO(???) direito de ter a pista livre.

Essa realidade só muda se nos proibirem de comprá-los ou não nos deixarem colocá-los nas ruas.