Médicos que não entendem de gente

Às vezes, uma única frase nos motiva a refletir sobre algum assunto. Pelo menos é assim comigo. Meus textos quase sempre nascem assim. Vejo uma notícia – ou apenas um título – e bate o desejo de tratar do tema na minha perspectiva.

Foi o que aconteceu há pouco… Abri a página online da Época e dei de cara com a chamada: “Como escolher um ginecologista“.

Não pretendo aqui falar da escolha do ginecologista. Apenas pensar um pouco sobre a importância dessa profissão e do caráter de quem a representa.

No caso das mulheres, por exemplo, conheço várias delas que já se sentiram constrangidas no consultório. Quase sempre pelo procedimento pouco respeitoso do profissional. Recordo de uma amiga que certa vez foi a um médico renomado e, após a consulta, confessou: “Me senti estuprada”. E ficou por isso.

Nos últimos anos têm crescido o argumento da necessidade de uma espécie de exame do tipo realizado com os advogados pela OAB – algo que possa verificar a capacidade técnica do profissional que vai atender a população.

Acontece que esse argumento para em fatos como o que vimos na imprensa envolvendo o especialista em reprodução humana, Roger Abdelmassih. Esse sujeito seria aprovado em qualquer exame que avaliasse seus conhecimentos técnicos. Ou seja, essas provas o colocariam no mercado e os crimes por ele cometidos não seriam evitados.

Provas técnicas avaliam procedimentos médicos, mas não o caráter, a moral, a ética do sujeito. Médico tem que gostar de gente.

O problema é que cada vez mais o status da profissão atrai pessoas que não olham para pacientes como seres humanos, mas como clientes. Isto coloca no mercado gente que, embora qualificada, não respeita o indivíduo – homem ou mulher que está em seu consultório.

Dotados do conhecimento e de uma autoridade que os dá liberdade para tudo, alguns se sentem no direito de pedir à mulher que tire a blusa ou até fazer um exame de toque quando não há necessidade.

Claro, não vamos generalizar. Entretanto, como disse recentemente o coordenador do curso de Medicina da UEM numa entrevista à CBN Maringá, está na hora de voltar a ensinar os futuros médicos a entender mais de gente, voltarem a ser humanos.

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2 comentários em “Médicos que não entendem de gente

  1. Metade dos médicos acham que é Deus, a outra diz que é Deus.

    A medicina oriental trata seus pacientes num todo, vai mais profundo descobrindo a causa, a medicia ocidental teria muito que aprender com a oriental.

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