A Banda Mais Bonita da Cidade e a lógica perversa do sucesso

Semanas atrás, uma banda até então desconhecida bombou na web. A Banda Mais Bonita da Cidade, sem nenhuma pretensão, emplacou um sucesso no Youtube. “Oração” já foi vista por quase 5 milhões de pessoas. E isso em três semanas. É muita coisa.

Leio agora que a banda está em São Paulo. Fez nessa terça-feira, 7, seu primeiro show. O objetivo é tentar evitar o rótulo de artista/grupo de uma música só. O momento é oportuno. As redes sociais colocaram a banda em evidência. Se tiverem talento, poderão transcender os 15 minutos de fama. É o que todo mundo quer.

Outros tantos artistas já rodaram (e rodam) o país por conta de uma única música. Vemos isso com frequência. Gente com boa voz, espaço na mídia, mas que não conseguiu emplacar um segundo sucesso e acabou sepultado pelo ritmo frenético da chamada indústria cultural que impõe a novidade como regra e o repetível como parâmetro de acensão e queda para todos aqueles que não conseguem se renovar. É ingrato, mas é assim que funciona.

Houve um tempo em que nos apegávamos aos artistas. Hoje eles são idolatrados. Talvez mais que antes. Porém, ninguém tolera por muito tempo quem não consegue surpreender sempre. Amamos os poderosos; desprezamos os fracassados. Uma tentativa desastrada após um grande sucesso pode ser suficiente para cair no ostracismo. Até porque uma nova carinha estará aparecendo nas telas da tv catapultada pela música que toca nas rádios. E isto é o suficiente para surgir um “novo amor”.

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