Não estamos vivendo; estamos passando pela vida

Todas as vezes que me sinto pouco inspirado para escrever, sem um tema, um assunto, lembro que as ideias surgem da observação. É preciso olhar… Olhar para as pessoas, para a cidade, para o mundo. A vida em movimento é a principal fonte de inspiração.

Acontece que não temos mais tempo para olhar. Vivemos apressados e não vemos o que está a nossa volta.

Não notamos nada. Desculpe-me, notamos sim: aquilo que nos interessa. Vemos coisas e pessoas que nos interessam porque, de uma forma ou outra, nos serão úteis. Os sentidos de utilidade, de função guiam nosso olhar.

Recordo que tempos atrás escrevi aqui ou noutro lugar que temos visto a vida pela tela do computador. Claro, escrevi da minha perspectiva. Afinal, ainda tem muita gente que não passa o dia sentado diante de um pc. Entretanto, mesmo essas pessoas gastam tanto tempo com suas rotinas que pouco percebem o que acontece ali logo ao lado.

Tem gente que sofre e que não vemos. Tem gente feliz, mas não percebemos. Tem gente precisando de ajuda, mas nossas mãos não as alcançam.

Estamos ocupados. Ocupados demais com nossas preocupações. Os outros são os outros. E mesmo o meio em que vivemos – a natureza, por exemplo, ou nossa cidade – não é notado.

É impressionante… Muitas vezes um prédio começa a ser construído no caminho pelo qual passamos todos os dias, mas só nos damos conta dele quando já está prestes a ser inaugurado. As coisas estão acontecendo ao nosso redor, porém só sentimos aquelas que nos tocam diretamente.

Vivemos um período em que a gente vê, mas não enxerga; esbarramos nas pessoas e no próprio mundo, mas não os sentimos.

E assim prosseguimos… Não vivendo. Apenas passando pela vida.

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